TRABALHADOR CORROMPE? PROFESSOR CORROMPE? QUEM CORROMPE?
TRABALHADOR CORROMPE? PROFESSOR CORROMPE? QUEM CORROMPE?
Laerte Braga
Há dias o País tem assistido a um esforço desesperado de velhos golpistas (torturadores, estupradores, assassinos de 1964), aliados a grandes empresários, banqueiros e latifundiários, para mobilizar os brasileiros contra a corrupção.
Tentam convocar uma nova marcha da família com Deus pela liberdade arvorados em uma condição de salvadores da pátria, do mesmo jeito que fizeram em 1964 sob o comando do embaixador Lincoln Gordon dos EUA e do general Vernon Walthers, ex-diretor da CIA (o governo dos EUA, em 1964 designou um comandante militar para as forças golpistas que entre outras coisas era amigo pessoal de Castelo Branco e falava português).
Apoiados pela grande mídia, a mídia privada, GLOBO à frente, tecem as mentiras de sempre, criam as ilusões que sempre criaram e tentam reduzir a corrupção a deputados, governadores, senadores, prefeitos, até presidente da República.
Dilma repete o malabarismo de Lula, uma no cravo outra na ferradura. O diapasão desse concerto petista é a bolsa família e 45% das receitas orçamentárias para pagar juros da dívida junto a bancos privados.
A diferença entre Dilma e Lula é que a presidente não consegue se equilibrar sobre o fio tênue do “capitalismo a brasileira” que o ex-presidente inventou. É menor que o cargo e ainda carrega consigo alma de tecnocrata. Ou seja, o que vale são os números não o ser humano. Na cabeça dessa gente numa tragédia, digamos assim, se a primeira impressão é que morreram dez quando poderiam ter morrido vinte, houve lucro, deixaram de morrer outros dez. Enxergam o mundo desse jeito.
No sete de setembro a GLOBO editou as matérias sobre o Grito dos Excluídos e a marcha das elites paulistas que tentam espalhar pelo Brasil, jogando tudo no ar como se fosse protesto contra a corrupção. Canalhice bem ao estilo da rede.
Nasceu com a ditadura, apoiou a ditadura e é instrumento de interesses estrangeiros, de banqueiros, grandes empresários e latifundiários.
Trabalhador e professor, por exemplo, não corrompem ninguém. São ludibriados por políticos corrompidos por banqueiros, grandes empresários e latifundiários. Veja o caso de Minas. Quando governador do estado o ex-presidente Itamar Franco anulou um acordo feito pelo seu antecessor, Eduardo Azeredo – corrupto de carteirinha – que entregava a CEMIG a grupos estrangeiros. Aécio, agora, no final de seu governo refez o acordo e entregou a CEMIG.
A mídia disse alguma coisa? Nada. Está no bolso. É venal. E o povo, o trabalhador, os professores mineiros nas mãos de uma aberração política o tal Antônio Anastasia, valet de chambre de toda essa gente, está como? Mas Aécio comprou um apartamento de um milhão de reais no Rio de Janeiro.
Segundo outra aberração, Cid Gomes, “professor tem que dar aula por amor, se acha o salários baixo que procure outra profissão”. Sogra não. O dito leva para Paris em vôo pago pelos cofres públicos.
O esquema de financiamento de campanhas políticas no Brasil permite que empresas, bancos e latifundiários comprem lotes de candidatos em todos os partidos com representação na Câmara ou no Senado através de doações. Tornam-se proprietários lato senso desses deputados, senadores, de governadores, prefeitos, vereadores, atingem o Judiciário e permeiam o Executivo.
Mas e daí?
O xis da questão não está em reformas políticas ou outras, na tentativa de construir painéis coloridos de ilusão e manter uma realidade podre como querem os que se voltam apenas contra os políticos no caso da corrupção.
E quem corrompe? Para que exista um corrupto é necessário que exista um corruptor.
A corrupção está intrinsecamente ligada ao modelo político e econômico vigente. A reforma política tira José Sarney de cena e coloca na cadeia? Não. Sarney serviu a ditadura militar com subserviência e de quatro durante todo o período do regime, da mesma forma que descaradamente emergiu – com a morte de Tancredo – como guia e condutor do processo de reconstrução democrática.
E o povo? A participação popular? Não tivemos uma assembléia nacional constituinte, mas um congresso constituinte e tutelado pelos militares que, entre outras coisas, não permitiram, como tem criado toda a sorte de obstáculos para que sejam revelados os documentos que mostrem a covardia diária dos golpistas/torturadores enquanto durou o regime.
Na passeata contra a corrupção em São Paulo estava um desses generais, eram visíveis bandeiras dos Estados Unidos.
Não foi por outra razão que o pensador e parlamentar inglês Samuel Johnson afirmou que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.
O que querem? Mudar os políticos? É só olhar os antigos colaboradores do regime militar, vivos e fortes aí, exercendo mandatos e se afirmando democratas.
O que essa gente pretende é simples. Antônio Ermírio de Moraes compra dez tênis adidas a vista produzidos com trabalho escravo em países asiáticos, inclusive a China e o trabalhador compra um pagando em dez prestações para se sentir num dado momento como Ermírio de Moraes, na ilusão que vivemos numa democracia. O espetáculo, a “sociedade do espetáculo”.
Ermírio de Moraes está destruindo o Espírito Santo – o meio ambiente – com suas empresas, o tal progresso, adoecendo um povo, com aplausos de um ex-governador corrupto e assassino, Paulo Hartung, que de fato continua no covil do governo (chamam de palácio), onde um contínuo chamado Renato Casagrande faz de conta que governa.
Por trás da tal campanha existe a sórdida mentira capitalista, pela simples razão que os corruptos são corrompidos por eles. Não querem pagar impostos, não querem conquistas e direitos dos trabalhadores, não querem que o progresso seja algo comum a todos e sim privilégio deles. Querem professor dando aula por amor.
Quando se concede benefícios fiscais e tributários a uma grande empresa o custo dessa concessão é pago pelos trabalhadores, pelos pequenos empresários, pelo dinheiro que falta na saúde, na educação. É o caso da COCA COLA que financia parte dessa campanha. Ocupa terras públicas, através de uma empresa chamada CUTRALE, vende a idéia de progresso, geração de empregos, compra deputados, senadores, juízes, etc para manter as terras que repito são públicas e imputa-se a culpa aos trabalhadores rurais sem terra, aos pequenos produtores rurais.
E infestam a mesa do brasileiro de veneno como mostra um excelente documentário do notável Sílvio Tendler sobre agrotóxicos e coisas que tais. O veneno que comemos todos os dias produzido pelos compradores de deputados, senadores. juízes e que agora protestam contra a corrupção, biombo para disfarçar seus verdadeiros interesses.
Se fosse para valer não haveria um banqueiro solto. Estariam todos presos. Nem um grande empresário, ou latifundiário que até hoje se vale de trabalho escravo.
Por mais irônico que possa parecer, ou trágico, os que protestam contra a corrupção e tentam transformar a corrupção em único mal do Brasil são os que corrompem. E a meia dúzia de inocentes a acreditar nesse tipo de marginal.
O institucional está falido. O modelo está corrompido por essa gente. O palco da luta é outro, é dos trabalhadores e é nas ruas contra a farsa de campanhas como essa.
São velhos gatunos tentando fazer ressurgir o golpismo que é parte da genética desse tipo de gente.
Deputados, senadores e juízes corruptos, governadores, são apenas figuras execráveis e compradas que carregam em seus balaios.
Trabalhador não corrompe ninguém. Professor, que é trabalhador, não corrompe ninguém.
Quem corrompe são banqueiros, grandes empresários e latifundiários.
É simples entender isso. A corrupção é parte inseparável do modelo político e econômico que temos.
Jogar por terra toda essa estrutura podre e construir um Brasil livre e soberano, sem essa gente, aí sim, essa é a luta real dos brasileiros.
Não há corrupto sem corruptor.
E por longo que fique, uma breve e real historinha. Nos idos de 2002 a GLOBO estava enfrentando sérias dificuldades de caixa. A GLOBOPAR estava levando o dinheiro da empresa. Tentaram 250 milhões de dólares junto a FHC e como o ex-presidente estivesse demorando muito a liberar o dinheiro, lançaram, inventaram, a candidatura Roseana Sarney à presidência. Chamaram o IBOPE e suas pesquisas prontas para atender o interesse do cliente, levaram Roseana às alturas e aí FHC chamou a turma na conversa.
O capital da GLOBOPAR era o seguinte – 90% da GLOBO, 5% do BNDES e 5% da MICROSOFT. Convocaram uma assembléia geral para aumento de capital de um jeito que esse aumento implicasse nos 250 milhões de dólares e aprovação da emenda constitucional que passava a permitir a presença de capital estrangeiro no setor de telecomunicações. A GLOBO não entrou com sua parte, lógico, estava inclusive ameaçada de falência, havia credores externos apertando os Marinhos, a MICROSOFT que já sabia da mutreta correu fora e o BNDES entrou com a sua parte, dinheiro dos brasileiros. O Congresso aprovou a emenda, o grupo MURDOCH comprou parte da GLOBOPAR. Na semana seguinte a Polícia Federal de FHC estourou o escritório do marido de Roseana achando um milhão de reais ilegais doados para a campanha. Tudo pronto, ficou acertado o apoio da rede a candidatura de Serra. O furo foi exclusivo da GLOBO.
E a GLOBO está na campanha contra a corrupção. Dá para entender os verdadeiros motivos desses bandidos?
A luta é outra. É contra bandidos compradores e comprados. Se bobear essa gente revoga a Lei Áurea e amplia os limites da escravidão contra todos os trabalhadores. Na prática, vão fazendo isso nessa mistura de populismo com capitalismo e campanhas imorais e amorais como essa. Jogo de cena de bandidos para vender imagem de santos.
Acredite se quiser!!! MEC propõe alterações para tornar a escola mais atraente
Os dados chocam: metade dos jovens de 15 a 17 anos estão fora do ensino médio, informa reportagem de Fabiana Rewald, publicada na Folha desta segunda-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL). Parte desse contingente estuda, com atraso, no ensino fundamental. Mas outra parte, a face mais preocupante dessa estatística, deixou os bancos escolares para trás.
“[Os alunos] encontram um ensino [médio] organizado em torno de um número muito grande de disciplinas, sobrecarregadas de conteúdos mais voltados para vestibulares, muitos deles sem significado para suas vidas”, diz Francisco Aparecido Cordão, presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação.
O CNE discute atualmente uma atualização das diretrizes curriculares do ensino médio. Um dos programas que tem servido de base para a discussão é o Ensino Médio Inovador, criado e financiado pelo Ministério da Educação e já implementado em 357 escolas do país em 2010 –São Paulo não participa, mas estuda entrar.
O programa se baseia em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Cada escola cria seu plano de ação pedagógica, que pode eleger um desses eixos como principal ou misturá-los, em atividades complementares, que podem acontecer até fora da sala de aula.
Para isso, a carga horária passa das 2.400 horas anuais obrigatórias para 3.000. Outros focos são leitura, artes e atividades em laboratórios, além da dedicação integral dos professores.
O governo do Rio já planeja estender o modelo para mais escolas em 2013. Hoje, 16 participam. Antonio Paiva Neto, subsecretário de Gestão da Rede e de Ensino, cita como exemplo uma escola que integrou todos os conteúdos dados em aula ao mundo do trabalho.
“O programa acaba mexendo com a prática pedagógica do professor e o aluno começa a questionar. Ele vê que é possível que aquela disciplina seja ministrada de uma outra forma”, diz Letícia Ramos, coordenadora do programa em Pernambuco.
Leia a reportagem completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.
Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/saber/881332-mec-propoe-alteracoes-para-tornar-a-escola-mais-atraente.shtml
Vergonha nacional! 17% dos professores não têm formação ideal para dar aula
No Brasil, 16,8% dos professores da rede pública não têm formação suficiente para exercer a profissão e estão em situação irregular, informa reportagem de Marília Rocha e Natalia Cancian publicada na Folha deste sábado (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) exige que os docentes do sexto ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio tenham formação superior, mas 208 mil professores dessas séries concluíram apenas o fundamental ou o médio.
Por Estado, a pior situação é na Bahia, onde 50,8% dos 96,5 mil docentes dessas séries não completaram o ensino superior. Já São Paulo tem a melhor taxa nacional: 2,25% dos 238.667 professores dessa fase do ensino não terminaram a faculdade.
O levantamento, feito com base em dados do Inep (instituto ligado ao MEC) reunidos em 2009 e atualizados em janeiro deste ano, abarca o total de 1,2 milhão de professores que dão aulas nas séries em que há essa exigência.
OUTRO LADO
A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Almeida e Silva, admite que a situação dos professores sem formação suficiente ‘fere a lei’ e pode comprometer a aprendizagem.
Segundo ela, estão em curso políticas articuladas com governos locais para sanar a questão. ‘Nunca temos resultados rápidos em educação, mas as políticas atuais estão bem estruturadas.’
Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/saber/878127-17-dos-professores-nao-tem-formacao-ideal-para-dar-aula.shtml
Nicolelis lança manifesto da Ciência Tropical: “Ela vai ditar a agenda mundial do século XXI”
por Conceição Lemes
Ao pensar o futuro da ciência no Brasil, boa parte dos pesquisadores brasileiros volta os olhos, automaticamente, sem pestanejar, para Estados Unidos, Europa e Ásia. Miguel Nicolelis, um dos mais respeitados neurocientistas do mundo, não.
Formado em Medicina pela USP, ele está há 20 anos nos Estados Unidos, onde é professor e pesquisador na Universidade Duke. Já ganhou 38 prêmios internacionais por suas pesquisas. Dois deles, em 2010, dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos.
Desde 2003 vive na “ponte aérea” Durham, Carolina do Norte (campus da Duke University) – Macaíba, Rio Grande do Norte, onde implantou o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra.
Em 11 de outubro, em entrevista a Luiz Carlos Azenha, Nicolelis afirmou ser desejável o desenvolvimento de uma “ciência tropical”. De lá para cá amadureu a ideia. Colocou “no papel” o que tem pensado sobre o tema nesses anos.
O resultado é o manifesto em defesa de um novo paradigma científico, que o Viomundo publica em primeira mão (abaixo da entrevista). Chama-se Manifesto da Ciência Tropical: Uso democrático da ciência para transformação social e econômica do Brasil.
“Optei por chamar o novo modelo de Ciência Tropical não por razões geográficas ou provincianas, mas porque é necessário caracterizarmos desde já o famoso onde, como e porque que permitiram a sua gestão”, explica o professor Miguel Nicolelis. “Afinal, esse novo modelo só teve condições de dar os primeiros passos e realizar as primeiras experiências nesses trópicos, que hoje oferecem à humanidade a mais fascinante esperança de preservar a própria espécie e o planeta.”
“É essa Ciência Tropical que vai possibilitar à humanidade manter e ampliar suas fontes de energia limpa, produzir alimentos e água potável necessários para bilhões de seres humanos”, traduz Nicolelis. “Também cultivar biomas naturais, de onde extrairemos novos medicamentos e curas para inúmeras doenças, preservar os serviços climáticos e ecológicos que manterão em cheque o aquecimento global e identificar novos agentes infecciosos capazes de destruir, numa única epidemia, toda a raça humana.”
De saída, esse novo modelo implica libertar a ciência brasileira da subserviência acrítica aos modelos importados e massificar a educação científica, observa Nicolelis nesta parte da entrevista que me concedeu. Ouçam.
É indispensável também investir pesado em ciência e tecnologia. “O investimento maciço em novas formas de explorar petróleo em alta profundidade foi que capacitou a Petrobras a ser o que ela é hoje”, exemplifica Nicolelis. “E isso é apenas a ponta do iceberg. A Ciência Tropical vai ditar a agenda mundial neste século XXI.”
Aqui, Nicolelis sugere como e por quê.
“Ninguém constrói uma nação com 10 mil pessoas de um bairro da cidade de São Paulo. Você precisa de todo o país”, assegura Nicolelis. “É esse casamento da saúde pública, particularmente a da mulher e a da primeira infância, com o projeto educacional brasileiro, público, que precisa ser feito”.
Para implementar essa revolução educacional, Nicolelis defende que o ideal seria unir a filosofia do educador Paulo Freire (1921-1997) com a de Alberto Santos-Dumont (1873-1932), inventor do voo controlado. Também que, do ponto de vista científico, os nossos parceiros estratégicos não são mais os Estados Unidos, Europa ou Ásia, mas a África e a América Latina. “Pode parecer paradoxal, mas é a pura verdade”, sustenta na última parte da nossa entrevista.
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Manifesto da Ciência Tropical: um novo paradigma para o uso democrático da ciência como agente efetivo de transformação social e econômica no Brasil
por Miguel Nicolelis
É hora da ciência brasileira assumir definitivamente um compromisso mais central perante toda a sociedade e oferecer o seu poder criativo e capacidade de inovação para erradicar a miséria, revolucionar a educação e construir uma sociedade justa e verdadeiramente inclusiva.
É hora de agarrar com todas as forças a oportunidade de contribuir para a construção da nação que sonhamos um dia ter, mas que por muitas décadas pareceu escapar pelos vãos dos nossos dedos.
É hora de aproveitar este momento histórico e transformar o Brasil, por meio da prática cotidiana do sonho, da democracia e da criação científica, num exemplo de nação e sociedade, capaz de prover a felicidade de todos os seus cidadãos e contribuir para o futuro da humanidade.
No intuito de contribuir para o início desse processo de libertação da energia potencial de criação e inovação acumulada há séculos no capital humano do genoma brasileiro, eu gostaria de propor 15 metas centrais para a capacitação do Programa Brasileiro de Ciência Tropical.
A implementação delas nos permitirá acelerar exponencialmente o processo de inclusão social e crescimento econômico, que culminará, na próxima década, com o banimento da miséria, a maior revolução educacional e ambiental da nossa história e a decolagem irrevogável e irrestrita da indústria brasileira do conhecimento.
Estas 15 metas visam a desencadear a massificação e a democratização dos meios e mecanismos de geração, disseminação, consumo e comercialização de conhecimento de ponta por todo o Brasil.
1) Massificação da educação científica infanto-juvenil por todo o território nacional
O objetivo é proporcionar a 1 milhão de crianças, nos próximos 4 anos, acesso a um programa de educação científica pública, protagonista e cidadã de alto nível. Esse programa utilizará o método científico como ferramenta pedagógica essencial, combinando a filosofia de vida de dois grandes brasileiros: Paulo Freire e Alberto Santos-Dumont.
Ao unir a educação como forma de alcançar a cidadania plena com a visão de que ciência se aprende e se faz “pondo a mão na massa”, sugiro a criação do Programa Educação para Toda a Vida, do qual faria parte o Programa Nacional de Educação Científica Alberto Santos -Dumont (veja abaixo). A porta de entrada se daria nos serviços de pré-natal para as mães dos futuros alunos do programa. Após o nascimento, essas crianças seriam atendidas no berçário e na creche, depois na escola de educação científica que os serviria dos 4-17 anos, para que esses brasileiros e brasileiras possam desenvolver toda a sua potencialidade intelectual e criativa nas duas próximas décadas de suas vidas.
O programa de educação científica seria implementado no turno oposto ao da escola pública regular, criando um regime de educação em tempo integral para crianças de 4-17 anos, por meio de parceria do governo federal com governos estaduais e municipais. Cada unidade da rede de universidades federais poderia ser responsável pela gestão de um núcleo do Programa Educação para Toda Vida, voltado para a população do entorno de cada campus.
O governo federal poderia ainda incentivar a participação da iniciativa privada, oferecendo estímulos fiscais e tributários para as empresas que estabelecessem unidades de educação científica infanto-juvenil, ao longo do território nacional. Por exemplo, o novo centro de pesquisas da Petrobras poderia criar uma das maiores unidades do Educação para Toda Vida.
2) Criação de centros nacionais de formação de professores de Ciência
A implementação do Programa Educação para Toda Vida geraria uma demanda inédita para professores especializados no ensino de ciência e tecnologia. Para supri-la, o governo federal poderia estabelecer o Programa Nacional de Educação Científica Alberto Santos -Dumont, que seria o responsável pela gestão dos centros nacionais de formação de professores de ciências, espalhados por todo território nacional. As universidades federais, os Institutos Federais de Tecnologia (antigos CEFETs) e uma futura cadeia de Institutos Brasileiros de Tecnologia (veja abaixo) poderiam estabelecer programas de formação de professores de ciências e tecnologia em todo o país.
Esses novos programas capacitariam uma nova geração de professores a ensinar conceitos fundamentais da ciência, através de aulas práticas em laboratórios especializados, tecnologia da informação e utilização de métodos, processos e novas ferramentas para investigação científica. Os alunos que se graduassem no programa Educação para Toda Vida teriam capacitação, antes mesmo do ingresso na universidade, para se integrar ao trabalho de laboratórios de pesquisa profissionais, tanto públicos como privados, através do Programa Nacional de Iniciação Científica e do Bolsa Ciência (veja abaixo).
3) Criação da carreira de pesquisador científico em tempo integral nas universidades federais
Seria em paralelo à tradicional carreira de docente. Ela nos permitiria recrutar uma nova geração de cientistas que se dedicaria exclusivamente à pesquisa científica, com carga horária de aulas correspondente a 10% do seu esforço total. Sem essa mudança não há como esperar que pesquisadores das universidades federais possam dar o salto científico qualitativo necessário para o desenvolvimento da ciência de ponta do país.
4) Criação de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia espalhados pelo país
Eles serviriam para suprir a demanda de engenheiros, tecnólogos e cientistas de alto nível e promover a inclusão social por meio do desenvolvimento da indústria brasileira do conhecimento. Atualmente o Brasil apresenta um déficit imenso desses profissionais.
Para sanar essa situação, o Brasil poderia reproduzir o modelo criado pela Índia, que, desde a década de 1950, construiu uma das melhores redes de formação de engenheiros e cientistas do mundo, constituída pela cadeia de Institutos Indianos de Tecnologia.
Para tanto, o governo federal deveria criar nos próximos oito anos uma rede de 16 Institutos Brasileiros de Tecnologia (IBT) e espalhá-los em bolsões de miséria do território nacional, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Cada IBT poderia admitir até 5.000 alunos por ano.
5) Criação de 16 Cidades da Ciência
Localizadas nas regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, como o Vale do Ribeira, Jequitinhonha, interior do Nordeste, Amazônia, as Cidades da Ciência ficariam no entorno dos novos IBTs.
As Cidades da Ciência seriam, na prática, o componente final da nova cadeia de produção do conhecimento de ponta no Brasil. Acopladas aos novos IBTs e à rede de universidades federais, criariam o ambiente necessário para a transformação do conhecimento de ponta, gerado por cientistas brasileiros, em tecnologias e produtos de alto valor agregado que dariam sustentação à indústria brasileira do conhecimento.
Nas Cidades da Ciência seriam criadas e estabelecidas as grandes empresas do conhecimento nacional, onde o potencial científico do povo brasileiro poderia se transformar em novas fontes de riqueza a serem aplicadas na gênese de um sistema nacional autossustentável. Tal iniciativa permitiria a inserção do Brasil na era da economia do conhecimento que dominará o século XXI.
6) Criação de um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia
Esse verdadeiro cinturão de defesa, formado por um arco contínuo de Unidades de Conservação e Pesquisa da Biosfera da Amazônia, seria disposto em paralelo ao chamado “Arco de Fogo”, formado em decorrência do agronegócio predatório e da indústria madeireira ilegal, responsáveis pelo desmatamento da região. Essa iniciativa visa a fincar uma linha de defesa permanente contra o avanço do desmatamento ilegal, modificando a estratégia das unidades de conservação a fim de colocá-las a serviço de um Programa Nacional de Mapeamento dos Biomas Brasileiros.
Uma série de unidades de conservação poderia ser transformada em unidades híbridas. Assim, além da conservação, poderiam incluir grandes projetos de pesquisa que possibilitem ao Brasil mapear a riqueza e a magnitude dos serviços ecológicos e climáticos encontrados nos diversos biomas nacionais.
Para incentivar a participação de populações autóctones nesse esforço, o governo federal poderia criar o programa Bolsa Ciência Cidadã. Homens, mulheres e adolescentes, que vivem na floresta amazônica e conhecem seus segredos melhor do que qualquer professor doutor, receberiam uma bolsa, similar ao bolsa família, para integrarem as equipes de pesquisadores e responsáveis pela implementação das leis ambientais na região. Esse exército de cidadãos, devotado à investigação científica e à proteção da Amazônia, mostraria ao mundo o quão determinado o Brasil está em preservar uma das maiores maravilhas biológicas do planeta.
Evidentemente tal iniciativa poderia ser replicada em outras áreas críticas, também ameaçadas pela indústria predatória, como o Pantanal, a caatinga, o cerrado, a Mata Atlântica e os Pampas.
7) Criação de oito “Cidades Marítimas” ao longo da costa brasileira
A descoberta do pré-sal demonstra claramente que uma das maiores fontes potenciais de riqueza futura da sociedade brasileira reside no vasto e diverso bioma marítimo da nossa costa.
Apesar disso, os esforços nacionais para estudo científico desse vasto ambiente são muito incipientes. Aqui também o Brasil pode inovar de forma revolucionária. Em parceria com a Petrobras, o governo federal poderia estabelecer, no limite das 350 milhas marinhas, oito plataformas voltadas para a pesquisa oceanográfica e climática, visando ao mapeamento das riquezas no mar tropical brasileiro.
Essas verdadeiras “Cidades Marítimas”, dispostas a cada mil quilômetros da costa brasileira, seriam interligadas por serviço de transporte marítimo e aéreo (helicópteros) e se valeriam de incentivos à renascente indústria naval brasileira, para o desenvolvimento, por exemplo, de veículos de exploração a grandes profundidades.
Cada “Cidade Marítima” seria autossuficiente, contando com laboratórios, equipamentos e equipe própria de pesquisadores. Tais edificações serviriam também como postos mais avançados de observação dos limites marítimos do Brasil. Com o crescente desenvolvimento da exploração do pré-sal, essa rede de “Cidades Marítimas” poderia assumir papel fundamental na defesa da nossa soberania marítima dentro das águas territoriais.
8) Retomada e Expansão do Programa Espacial Brasileiro
Embora subestimado pela sociedade e a mídia brasileiras, o fortalecimento do programa espacial brasileiro oferece outro exemplo emblemático de como o futuro do desenvolvimento científico no Brasil é questão de soberania nacional.
Dos países pertencentes ao BRIC, o Brasil é o que possui o mais tímido e subdesenvolvido programa espacial. Apesar da sua situação geográfica altamente favorável, a Base de Alcântara não tem correspondido às altas expectativas geradas com a sua construção.
Essa situação é inaceitável, uma vez que, a longo prazo, pode levar o Brasil a uma dependência irreversível no que tange a novas tecnologias e novas formas de comunicação, colocando a nossa soberania em risco. Dessa forma, urge reativar os investimentos nessa área vital, definir novas e ambiciosas metas para o programa espacial brasileiro e esclarecer o papel da sociedade civil na operação dos programas da Base de Alcântara, cujo controle deveria estar nas mãos de uma equipe civil de pesquisadores e não das forças armadas.
9) Criação de um Programa Nacional de Iniciação Científica
Com a criação do Programa Educação para Toda Vida, seria necessário implementar novas ferramentas para que os adolescentes egressos desses programas pudessem dar vazão a seus anseios de criação, invenção e inovação através da continuidade do processo de educação científica, mesmo antes do ingresso na universidade e depois dele.
Na realidade, é extremamente factível que grande número desses jovens possa começar a contribuir efetivamente para o processo de geração de conhecimento de ponta antes do ingresso na universidade.
O governo federal poderia criar um Programa Nacional de Iniciação Científica que leve ao estabelecimento de 1 milhão de Bolsas Ciência. Uma experiência preliminar desse programa já existe no CNPQ, através do recém-criado programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. Bastaria ampliá-lo e remover certas amarras burocráticas que dificultam a sua implementação neste momento. Esse programa poderia também ser usado pelo governo federal para eliminar uma porcentagem significativa (30%) da evasão do ensino médio, decorrente da necessidade dos alunos em contribuir para a renda familiar.
Jovens de talento científico reconhecido deveriam também ter a opção de seguir carreira de inventor ou pesquisador sem necessitar de doutorado ou outro curso de pós-graduação. Tal alternativa contribuiria decisivamente para a diminuição do período de treinamento necessário para que talentos científicos pudessem participar efetivamente do desenvolvimento científico do Brasil.
10) Investimento de 4-5% do PIB em ações de ciência e tecnologia na próxima década
Tendo proposto novas ações, é fundamental que essas sejam devidamente financiadas. Para tanto e, ainda, para assegurar a ascensão da ciência brasileira aos patamares de excelência dos países líderes mundiais, o governo brasileiro teria de tomar a decisão estratégica de destinar, nas próximas décadas, algo em torno de 4-5% do PIB nacional à ciência e tecnologia.
Em vários países, como os EUA, essa conta é dividida em partes iguais entre o poder público e privado. No Brasil, todavia, não existem condições para que isso ocorra de imediato. Dessa forma, não restaria outra alternativa ao governo federal senão assumir a responsabilidade desse investimento estratégico, usando novas fontes de receita, como a gerada pela exploração do pré-sal.
11) Reorganização das agências federais de fomento à pesquisa
Reformulação de normas de procedimento e processo para agilizar a distribuição eficiente de recursos ao pesquisador e empreendedor científico, bem como criar um novo modelo de gestão e prestação de contas.
A ciência e o cientista brasileiro não podem mais ser regidos pelas mesmas normas de 30-40 anos atrás, utilizadas na prestação de contas de recursos públicos para construção de rodovias e hidrelétricas.
Urge, portanto, reformular completamente todos os protocolos de cooperação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) com outros ministérios estratégicos para execução de projetos multiministeriais.
Na lista de cooperação estratégica do MCT, incluem-se os ministérios da Educação, Saúde, Meio Ambiente, Minas e Energia, Indústria e Comércio, Agricultura, Defesa e Relações Exteriores. Normas comuns de operação dos departamentos jurídicos e dos processos de prestação de contas devem ser produzidas entre o MCT e esses ministérios, de sorte a incentivar a realização de projetos estratégicos interministerais, como o Educação para Toda Vida.
O cenário atual cria inúmeros empecilhos para ratificação de projetos estratégicos aprovados no mérito científico (o principal quesito), mas que, via de regra, passam meses e até anos prisioneiros dos desconhecidos meandros e procedimentos conflitantes com que operam os diferentes departamentos jurídicos dos diferentes ministérios.
Urge eliminar tal barreira kafkaniana e transferir o poder de decisão, atualmente nas catacumbas jurídicas dos ministérios onde volta e meia processos desaparecem, para as mãos dos gestores de ciência treinados para implementar uma visão estratégica do projeto nacional de ciência e tecnologia.
12) Criação de joint ventures para produção de insumos e materiais de consumo para prática científica dentro do Brasil
É’ fundamental investir numa redução verdadeira dos trâmites burocráticos “medievais” que ainda existem para aquisição de materiais de consumo e equipamentos de pesquisa importados. Para tanto, é importante definir políticas de incentivo ao estabelecimento de empresas nacionais dispostas a suprir o mercado nacional com insumos e equipamentos científicos.
13) Criação do Banco do Cérebro
Um dos maiores gargalos para o crescimento da área de ciência e tecnologia no Brasil é a dificuldade que cientistas e empreendedores científicos enfrentam para ter acesso ao capital necessário para desenvolver novas empresas baseadas na sua propriedade intelectual.
Na maioria das vezes, esses inventores e microempreendedores científicos ficam à mercê da ação de venture capitalists, que oferecem capital em troca de boa parte do controle acionário da empresa em que desejam investir.
Para reverter esse cenário, o governo federal poderia criar o Banco do Cérebro, uma instituição financeira destinada a implementar vários mecanismos financeiros para fomento do empreendedorismo científico nacional.
Essas ferramentas financeiras incluiriam desde programa de microcrédito científico até formas de financiamento de novas empresas nacionais voltadas para produtos de alto valor agregado, fundamentais ao desenvolvimento da ciência brasileira e da economia do conhecimento.
Para isso, o governo federal deverá exigir que esses novos empreendimentos científicos sejam localizados numa das novas Cidades da Ciência. Joint ventures entre empreendedores brasileiros e estrangeiros também deverão ser estimuladas pelo Banco do Cérebro, seguindo o mesmo critério social.
14) Ampliação e incentivo a bolsas de doutorado e pós-doutorado dentro e fora do Brasil
À primeira vista pode parecer contraditório propor metas para o desenvolvimento da Ciência Tropical e, ao mesmo tempo, reivindicar aumento significativo de bolsas de doutorado e pós-doutorado para alunos brasileiros no exterior.
Novamente, a proposta da Ciência Tropical é, antes de tudo, um nova proposta para o desenvolvimento de excelência na prática da pesquisa e educação científica. Dessa forma, ela tem de incentivar todas as formas que permitam aos melhores e mais promissores cientistas brasileiros complementarem sua formação fora do território nacional.
Como bem disse a presidente-eleita Dilma Rousseff durante a campanha: “ O Brasil precisa de seus cientistas porque eles iluminam o nosso país”.
Pois que os futuros jovens cientistas brasileiros tenham a oportunidade de se transformar em genuínos embaixadores da ciência brasileira e complementar seus estudos em universidades e institutos de pesquisa estrangeiros, líderes em suas respectivas áreas.
Esse processo de intercâmbio e “oxigenação” de idéias é essencial à prática da ciência de alto nível. Mesmo os cientistas brasileiros que optarem por ficar no exterior depois desse e treinamento poderão trazer dividendos fundamentais para o desenvolvimento da Ciência Tropical.
15) Recrutamento de pesquisadores e professores estrangeiros dispostos a se radicar no Brasil
Com a crise financeira, verdadeiros exércitos de cientistas americanos e europeus estarão procurando novas posições nos próximos anos. Cabe ao Brasil tirar vantagem dessa situação e passar a ser um importador de cérebros e não um exportador de talentos.
Historicamente, a academia brasileira tem inúmeros exemplos excepcionais de pesquisadores estrangeiros de alto nível que alavancaram grandes avanços científicos no Brasil. O Programa Brasileiro de Ciência Tropical só teria a ganhar com uma política mais abrangente, audaciosa e sistêmica de importação de talentos.
Retirado de http://www.viomundo.com.br/entrevistas/nicolelis-lanca-manifesto-da-ciencia-tropical-vai-ditar-a-agenda-mundial-do-seculo-xxi.html
Essa doeu….foi na cabeça!!! não na minha, mas naquelas que estão burocratizando a vida neste país… “Einstein não seria pesquisador A1 do CNPq”
“Einstein não seria pesquisador A1 do CNPq” *Alexandre Gonçalves*, de *O Estado de S. Paulo*, Miguel Nicolelis é um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio. Pioneiro nos estudos sobre interface cérebro-máquina, suas descobertas aparecem na lista das dez tecnologias que devem mudar o mundo, divulgada em 2001 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Em 2009, tornou-se o primeiro brasileiro a merecer uma capa da Science. Na quarta-feira, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. Ao Estado, Nicolelis falou sobre o impacto da neurociência no futuro da humanidade. Criticou de forma contundente a gestão científica no País, especialmente em São Paulo. Também questionou os critérios – marcadamente políticos – que teriam norteado a escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. *O que você acha da política científica brasileira?* ** Está ultrapassada. Principalmente, a gestão científica. Foi por isso que eu escrevi o Manifesto da Ciência Tropical (*PS do Viomundo: *publicado primeiro *aqui mesmo, neste espaço*<http://www.viomundo.com.br/entrevistas/nicolelis-lanca-manifesto-da-ciencia-tropical-vai-ditar-a-agenda-mundial-do-seculo-xxi.html>). O mais importante nós temos: o talento humano. Mas ele é rapidamente sufocado por normas absurdas dentro das universidades. Não podemos mais fazer pesquisa de forma amadora. Devemos ter uma carreira para pesquisadores em tempo integral e oferecer um suporte administrativo profissional aos cientistas. Visitei um dos melhores institutos de física do País, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o pessoal não tem suporte nenhum. Se um americano do Instituto de Física da Universidade Duke visitar os pesquisadores brasileiros, não vai acreditar. Eles tomam conta do auditório, fazem os cheques e compram as coisas, porque não é permitido ter gestores científicos com formação específica para este trabalho. Nós preferimos tirar cientistas que despontaram da academia. Aqui no Brasil há a cultura de que, subindo na carreira científica, o último passo de glória é virar um administrador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) ou da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). É uma tragédia. Esses caras não tem formação para administrar nada. Nem a casa deles. Não temos quadros de gestores. A gente gasta muito dinheiro e presta muita atenção em besteira e não investe naquilo que é fundamental. * Qual é a diferença nos mecanismos de financiamento e gestão científica nos EUA e no Brasil?* O investimento privado e público americano – sem contar os gastos do Pentágono que, em parte, são sigilosos – é equiparável: cerca de US$ 250 bilhões anuais cada um (o equivalente a R$ 425 bilhões). Eles também enfrentam o problema de que as empresas privadas não costumam investir em pesquisa pura, meio de cultura de onde saem as ideias aplicadas. Contudo, o governo não investe só em universidades. Ele também coloca dinheiro em empresas e em institutos de pesquisa privados. Este é o segredo. No Brasil, a grande maioria dos mecanismos públicos de financiamento está voltado para universidades públicas. Sendo assim, você não contrata cientistas e técnicos para um projeto, pois depende dos quadros da universidade. Mas esses quadros estão dando 300 horas de aula por semestre. Não dá para competir com um chinês que está em Berkeley pesquisando o dia inteiro e recebendo milhões de dólares para contratar quem ele quiser. Como fazer ciência sem gente? Na realidade, os americanos não contam com pessoas mais capazes lá. O que eles têm de diferente é um número muito maior de pesquisadores, processos eficientes, gestão científica profissional – a melhor jamais inventada – e dinheiro. Nos Estados Unidos, sou visto como um pequeno empreendedor. Recebo dinheiro do governo americano e uma parcela menor de investimento privado. Tenho assim uma “padaria” que faz ciência: posso contratar o padeiro, o faxineiro e a atendente de acordo com as necessidades do projeto. Esse empreendedorismo não é permitido pelas leis brasileiras. As mesmas regras que regem o gasto de quaisquer dez mil réis que um cientista ganha do governo federal servem para controlar licitações de centenas de milhões de reais para a construção de estradas, hidrelétricas… Achar que um cientista vai desviar dinheiro para fazer fortuna pessoal é absurdo. O processo de financiamento deve ser mais aberto, com mecanismos simples de auditoria. Além disso, deveria ser mais fácil importar insumos e, com o tempo, precisaríamos atrair empresas para produzi-los aqui. É um absurdo ver anticorpos apodrecerem no aeroporto de Guarulhos por causa da burocracia. Alguém no topo da pirâmide – o presidente da República ou o ministro da Ciência e Tecnologia – precisa dizer: “Chega. Acabou a brincadeira.” É um desperdício gigantesco de talento e de dinheiro. A China está recuperando pesquisadores que emigraram para os EUA oferecendo condições de trabalho ainda melhores que as americanas. Milhares de brasileiros voltariam ao Brasil se tivessem melhores condições para trabalhar. Mas o sujeito vem para uma universidade federal e é obrigado a dar 300 horas de aula por semestre. Perdemos o talento. Além disso, ele conquista a estabilidade de forma quase automática. Que motivação vai ter para crescer? Há talentos, mas os processos são medievais. E o cientista brasileiro tem muito receito de bater de frente com as autoridades para reivindicar o que ele realmente precisa. *Quanto o Brasil deveria investir em ciência?* ** O Brasil precisa investir de 4% a 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em ciência e tecnologia para encarar a China, a Índia, a Rússia, os Estados Unidos, a Coreia do Sul… esses são os jogadores com quem devemos nos equiparar. É o mesmo porcentual que já investimos em educação. É essencial realizar os dois investimentos: por um lado, para formar gente e iniciar a revolução educacional que o País precisa; por outro, para usar o potencial intelectual dessas pessoas na produção de algo para o País. Atualmente, investimos 1,3% do PIB. No Japão, é quase 4%. Isso explica muita coisa. *Você afirmou diversas vezes que a ciência precisa ser democratizada no País.* ** Sem dúvida. É uma atividade extremamente elitizada. Não temos a penetração popular adequada nas universidades. Quantos doutores são índios ou negros? A ciência deve ir ao encontro da sociedade brasileira. Essa foi uma das razões que me motivaram a escrever o manifesto. Até bem pouco tempo, a ciência era uma atividade da aristocracia brasileira. Há 30 ou 40 anos só a classe mais alta tinha acesso à universidade. Não precisavam de financiamento porque tinham dinheiro próprio. Hoje, nós precisamos de cientista que joga futebol na praia de Boa Viagem. Precisamos do moleque que está na escola pública. As crianças precisam ter acesso à educação científica, à iniciação científica. O que também implica uma democratização na distribuição de oportunidades e recursos em todo o País. Estamos trabalhando com 21 crianças da periferia de Natal. Elas nem mesmo entraram no ensino médio e já estão sendo incorporadas às linhas de produção de ciência do nosso instituto. Quatro participaram de um projeto piloto em que aprenderam a usar ressonância nuclear magnética de bancada para medir o volume de óleo nas sementes do pinhão-manso do semi-árido nordestino. E classificaram as diferentes sementes de acordo com a quantidade de óleo. Duvido que exista algum técnico na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) melhor do que essas crianças. Não precisamos mais de caciques. Precisamos de índios. Devemos investir na massificação dos talentos. Esses moleques vão decidir o que vai ser a nossa ciência. Se chega um jovem muito talentoso que quer investigar besouro, devemos responder: “Está bom, filho. Vai pesquisar besouro.” Eu não investiria em tópicos, em áreas específicas. Eu investiria primordialmente em gente. Porque se você investir em pessoas talentosas, elas encontrarão nichos em que o Brasil terá benefícios tremendos. Nós temos uma das maiores olimpíadas de matemática do mundo, o que comprova que nosso talento matemático é enorme. Mas não dá frutos porque faltam caminhos, oportunidades, veículos… Acreditamos que devemos escolher o melhor menino. Mas e os outros cem mil que quase ganharam? Precisam de incentivo para continuar. Por isso, eu proponho o bolsa-ciência. É um bolsa-família para garoto que tem talento científico. Não precisa ser gênio. Estou fazendo isso com esses 21 meninos. Os quatro garotos do pinhão-manso recebem mais dinheiro do que o pai e a mãe: uma bolsa de R$ 520 paga por doadores privados. Precisamos investir no caos que é o sistema nervoso. Desta forma, encontraremos caminhos imprevistos, surpresas agradáveis. Como avaliar mérito na academia?* ** Nós publicamos mais do que a Suíça. Mas o impacto da ciência suíça é muito maior. Basta ver o número de prêmios Nobel lá. E eles têm apenas cinco milhões de habitantes. Na academia brasileira, as recompensas dependem do que eu chamo de “índice gravitacional de publicação”: quanto mais pesado o currículo, melhor. Ou seja, o cientista precisa colecionar o maior número de publicações – sem importar tanto seu conteúdo. Não pode ser assim. O mérito tem de ser julgado pelo impacto nacional ou internacional de uma pesquisa. Não podemos dizer: quem publica mais, leva o bolo. Porque aí o sujeito começa a publicar em qualquer revista. Não é difícil. A publicação científica é um negócio como qualquer outro. Mesmo se você considerar as revistas de maior impacto. Também não adianta criar e usar um índice numérico de citações (que mede o número de citações dos artigos de um determinado cientista). Talento não está no número de citações: é imponderável. Meu departamento na Universidade Duke nunca pediu meu índice de citação. Também nunca calculei. Quando sai do Brasil, achei que estava deixando um mundo de lordes da ciência. Fui perguntando nome por nome lá fora. Ninguém conhecia. Ninguém sabia quem era. Críamos uma bolha provinciana que deve ser estourada agora se o Brasil quer dar um salto quântico. Mas as pessoas têm receio de falar com medo de perder o financiamento. Há outras formas de medir o impacto científico: ver o que cara está fazendo e consultar a opinião de pessoas que importam no mundo, dos líderes de cada área. Sob este ponto de vista, o impacto da ciência brasileira é muito baixo. E precisamos dizer isso sem medo. Não dá para esconder o sol com a peneira. Quando decidem criar um Instituto Nacional (de Ciência e Tecnologia), em vez de dividir o dinheiro entre 30 ou 40 pesquisadores promissores, preferem pulverizar o dinheiro entre 120 cientistas, muitos deles com propostas que não vão chegar a lugar nenhum. Cada um recebe um R$ 1 milhão, uma quantia considerável na opinião de muita gente mas que não paga nem a conta de luz de um projeto bem feito. Não podemos ter receio de selecionar os melhores. Você precisa escolher os bons jogadores, não os pernas-de-pau. Outra coisa: só o Brasil ainda admite cientista por concurso público. Cientista tem de ser admitido por mérito, por julgamento de pares, por entrevista, por compromisso, por plano de trabalho. *Como você se vê na Academia?* ** Sou um pária. Não tenho o menor receio de falar isso. Sou tolerado. Ninguém chega para mim de frente e fala qualquer coisa. Mas, nos bastidores, é inacreditável a sabotagem de que fomos vítimas aqui em Natal nos últimos oito anos. Mas sobrevivemos. O Brasil é uma obsessão para mim. Há muita gente que não faz e não quer que ninguém faça, pois o status quo está bem. Tenho excelentes amigos na academia do País, respeito profundamente a ciência brasileira. Sou cria de um dos fundadores da neurociência no Brasil, o professor César Timo-Iaria, e neto científico de um prêmio Nobel argentino – Bernardo Alberto Houssay. Por isso, foi uma triste surpresa os anticorpos que senti quando eu voltei. Algumas pessoas ficaram ofendidas porque não fiz o beija-mão pedindo permissão para fazer ciência na periferia de Natal. Este ano, na avaliação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), tivemos um dos melhores pareceres técnicos da área de biomedicina. E o nosso orçamento foi misteriosamente cortado em 75%. Pedi R$ 7 milhões. Recebemos R$ 1,5 milhão. Operamos com um sexto do nosso orçamento. As pessoas têm medo de abrir a boca, porque você é engolido pelos pares. Então, eu fico imaginando um pesquisador que volta para o Brasil depois de estudar lá fora. De qualquer forma, o pessoal precisa entender que voltar para o Brasil é assumir um tipo especial de compromisso. Não é ir para Harvard, Yale… Você deve estar disposto a dar seu quinhão para o País porque ele ainda está em construção. Nem tudo vai funcionar como a gente quer. Vejo muita gente egoísta voltando para o Brasil. Os jovens precisam olhar menos para o umbigo e mais para a sociedade. *Qual é o futuro dos jovens pesquisadores no País?* ** Atualmente, eles têm uma dificuldade tremenda de conseguir dinheiro porque não são pesquisadores 1A do CNPq. Você precisa ser um cardeal da academia para conseguir dinheiro e sobressair. Com um físico da UFPE, cheguei à conclusão de que Albert Einstein não seria pesquisador 1A do CNPq, porque ele não preenche todos os pré-requisitos – número de orientandos de mestrado, de doutorado… Se Einstein não poderia estar no topo, há algo errado. Minha esperança é que o futuro ministro ataque isso de frente pois, até agora, ninguém teve coragem de bater de frente com o establishment da ciência brasileira. Ninguém teve coragem de chegar lá e dizer: “Chega! Não é assim! A ciência não está devolvendo ao povo brasileiro o investimento do povo na ciência.” Os cientistas brilhantes jovens não têm acesso às benesses que os grandes cardeais – pesquisadores A1 do CNPq – têm, muitos deles sem ter feito muita coisa que valha. Além disso, veja a situação do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT, que assessora o presidente da República nas decisões relacionadas à política científica). O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) – agora, um grande matemático – me perdoe, mas ele não deveria ter cadeira cativa nesse conselho. O Brasil deveria ter um conselho de gente que está fazendo ciência mundo afora. E não pessoas que ocupam cargos burocráticos em associações de classe. Deveria ser gente com impacto no mundo. E pessoas jovens com a cabeça aberta. Mas as pessoas têm muita dificuldade de quebrar esses rituais. Para entender a que me refiro, basta participar de reuniões científicas e acompanhar a composição de uma mesa. Não há nada semelhante em lugar nenhum do mundo: perder três minutos anunciando autoridades e nomeando quem está na mesa. É coisa de cartório português da Idade Média. Cientista é um cidadão comum. Ele não tem de fazer toda essa firula para apresentar o que está fazendo. É um desperdício de energia, uma pompa completamente desnecessária. Muitas vezes, os pesquisadores jovens não podem abrir a boca diante dos cientistas mais velhos. Eu ouço isso em todo o Brasil. No meu departamento nos Estados Unidos, sou professor titular há quase doze anos. Minha voz não vale mais que a de qualquer outro que acabou de chegar. Qualquer um pode me interpelar a qualquer momento. Qualquer um pode reclamar de qualquer coisa. Qualquer um pode fazer qualquer pergunta. E ninguém me chama de professor Nicolelis. Meu nome lá é Miguel. Por quê? Porque o cientista é algo comum na sociedade. O meu estado (a Carolina do Norte) possui uma das maiores densidades de PhD na população dos EUA. Se você se comportar como um pavão lá, vai se dar mal. Todo mundo tem pelo menos um PhD. Aqui, precisamos colocar a molecada da periferia de Natal, de Rio Branco e de Macapá na ABC, por mérito. Às vezes, parece que existe uma igreja chamada Ciência no País. Se você não é um membro certificado, ela é impenetrável. Minhas críticas não são pessoais. Quero que o Brasil seja uma potência científica para o bem da humanidade. As pessoas precisam ver que a juventude científica brasileira está de mãos atadas. Precisamos libertar este povo. Já estou no terço final da minha carreira científica. O que me resta é ajudar essa molecada a fazer o melhor. Você tem uma opinião bastante crítica sobre a política científica no País. Mas, na eleição, manifestou apoio publicamente à Dilma. Por quê?* ** Porque a outra opção era trágica. Basta olhar para o Estado de São Paulo: para a educação, a saúde e as universidades públicas. Não preciso falar mais nada. Eu adoro a USP, onde me formei. Mas a liderança que temos hoje na USP é terrível. O reitor da USP (João Grandino Rodas) é uma pessoa de pouca visão. Não chega nem perto da tradição das pessoas que passaram por aquele lugar. São Paulo acabou de perder um investimento de 150 milhões de francos suíços (cerca de R$ 270 milhões) porque o reitor da USP não tinha tempo para receber a delegação de mais alto nível já enviada pelo governo suíço ao Brasil. Mandaram o pró-reitor de pesquisa da universidade (Marco Antônio Zago) fazer uma apresentação para eles. Ninguém agradeceu a visita. Manifestei oficialmente ao professor Zago minha indignação como ex-aluno da USP. Um dos integrantes da delegação suíça doou um super-computador de US$ 20 milhões de dólares (cerca de R$ 34 milhões) para nosso instituto em Natal. Chegou na semana passada e será um dos mais velozes do Brasil. Não pagamos um centavo. Não há mais espaço para provincianismo na ciência mundial. Nas reuniões que eu presenciei com comitês e comissões de outros países, a tônica da Fapesp sempre foi assim: “Fora de São Paulo não existe ciência que valha a pena investir”. Esse tipo de coisa é muito mal visto pelos estrangeiros. Não há mais lugar para regionalismo, preconceito… É ótimo para São Paulo ser responsável por 70% da produção científica do País, mas é muito ruim para o País, que precisa democratizar o acesso à ciência. Não adianta dizer em reuniões com emissários internacionais que São Paulo tem uma “relação amistosa” com o Brasil, este outro País fora das fronteiras do Estado. Este bairrismo não ajuda em nada. A Fapesp é uma jóia, um ícone nacional, reconhecida no mundo inteiro. Mas isso não quer dizer que as últimas administrações foram boas. Temos de ser críticos. Esta última administração, em especial, foi muito ruim. A Fapesp está perdendo importância. Veja só: a Science (no artigo publicado há algumas semanas sobre a ciência no Brasil) não dedicou uma linha à Fapesp. Que surpresas você vê saindo da ciência de São Paulo? Acho que a matéria da Science foi uma boa chamada para acordar, para sair dos louros, descer do salto alto e ver o que podemos fazer com os R$ 500 milhões anuais da Fapesp. Ah, se eu tivesse um orçamento assim! Temos muito menos e posso dizer para o diretor-científico da Fapesp (Carlos Henrique de Brito Cruz) que nós saímos na Science. E ele tem condição de investir nos melhores centros de pesquisa do País. *Como você avalia o governo Lula?* ** Apoiei e apoio incondicionalmente Lula porque vivemos hoje o melhor momento da história do País. A proposta global de inclusão do governo Lula – e espero que será a mesma com a Dilma – é aquela que eu acredito. Contudo, os detalhes devem ser corrigidos. Admiro profundamente o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Tivemos grandes avanços como a criação dos INCTs e dos fundos setoriais. Mas o ministro não enfrentou a estrutura. Talvez não pudesse… por não ter condições práticas ou por fazer parte dela, por ter crescido nela. Em oito anos, nunca fui chamado para dar uma opinião no MCT ou para apresentar os resultados do projeto de Natal. Sei que outros cientistas, melhores do que eu, também não foram chamados. É curioso. Mas fui chamado pelo Ministério da Educação. O ministro (Fernando Haddad) é o melhor já tivemos na história da República. Ele criou a infraestrutura que será lembrada daqui a 50 anos como a reviravolta da educação brasileira. Com o Haddad eu consigo conversar e nossa parceria está dando resultados. * O que você achou da escolha de Aloizio Mercadante para o MCT?* Estou curioso para saber qual é o currículo dele para gestão científica. Fiquei surpreso com a indicação, mas não o conheço. Não tenho a mínima ideia do seu grau de competência. Mas não fica bem para a ciência brasileira – um ministério tão importante – virar prêmio de consolação para quem perdeu a eleição. Não é uma boa mensagem. Mas talvez seja bom que o futuro ministro não seja um cientista de bancada, alguém ligado à comunidade científica. Assim, se ele tiver determinação política, poderá quebrar os vícios. O primeiro ministro da Ciência e Tecnologia (Renato Archer, que permaneceu no cargo de 1985 a 1987) não era cientista e foi talvez um dos melhores gestores que já tivemos. Ele tinha consciência de que seu ministério era estratégico. O MCT estabelece parcerias e tem impacto na ação de outros ministérios: Educação, Saúde, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Agricultura, Meio Ambiente… Hoje, boa parte do orçamento do ministério não é nem executado. As agências de financiamento não têm uma rotina de chamadas. Não podemos continuar como está! Retirado de http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/nicolelis-diz-que-sofreu-sabotagem-nos-bastidores.html
Saquinho de risadas!!! Deu no Jornal. Lula vai autorizar a Irresponsabilidade Fiscal
Deu no Jornal. Lula vai autorizar
a Irresponsabilidade Fiscal
O Jornal “O Estado de São Paulo” informa que no próximo dia 19, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará um decreto autorizando as
12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 a se endividarem além dos
límites impostos pela lei de Responsabilidade Fiscal.
Essa Lei, como todo mundo sabe, ajudou a equacionar e equilibrar as
monstruosas dívidas dos Estados gastadores e teve efeito até mesmo nas
metas inflacionárias do governo.
Gastando menos ou pelo menos dentro de um limite e com transparência,
é mais fácil pagar as contas e controlar as autoridades que usam e
abusam do nosso rico dinheirinho.
Foi uma conquista importante da sociedade como um todo que o
presidente Lula num dos seus últimos atos pode jogar no ralo em nome da
Copa-2014.
A nota do Jornal conclui o seguinte:
A facilitação de gastos públicos será permitida, uma vez que
muitas licitações e obras ainda não foram iniciadas.
Será declarado um período de exceção de quatro anos à Lei de
Responsabilidade Fiscal para que tudo fique pronto a tempo.
O decreto
Assim que o presidente Lula assinar o decreto, será permitido que
uma sede da Copa tenha dívida equivalente ao dobro do que arrecada – a
lei atual limita o gasto a 60% da arrecadação.
Calcula-se que contratos públicos no valor total de US$ 50
bilhões (R$ 88 bilhões) serão alvo de licitações nos próximos quatro
anos.
Além do aumento no limite das dívidas, estados e o governo
federal não cobrarão nada a mais em impostos da Fifa – exigência essa da
entidade para autorizar a realização da Copa.
Em tempo: Agora acho que todos começarão a entender porque
tem tanta gente querendo construir estádios e mais estádios pelo país
afora.
Sem licitação vai ser uma beleza e começa a se confirmar
aquela expectativa de muito dono de construtora, de muito dirigente, de
muito empresário “bem intencionado”.
Quanto mais se aproxima a data da Copa do Mundo, mais se
apressarão as construções sem licitação nenhuma.
A Copa vai significar milhões jogados fora ou no bolso de
muita gente esperta.
Os novos bilionários estão esfregando as mãos.
A nós só resta roer as unhas de raiva.
Quem sabe a gente possa dar o troco antes do jogo começar?
A nossa Copa é agora, em outubro. É um clássico decisivo e
pelo menos nesse todo brasileiro participa de quatro em quatro anos.
Os adversários são fortes, mas pode se deixar um recado para
todos eles. Indistintamente.
Homens e mulheres estão longe de ter igualdade no trabalho, diz OIT
da Agência Brasil
Estudo divulgado hoje (11) pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) revela que, mesmo com avanços obtidos nos últimos anos, a condição feminina no mercado de trabalho "está longe" da igualdade em relação aos homens.
O relatório O Desafio do Equilíbrio entre Trabalho, Família e Vida Pessoal mostra que a maior participação feminina no mercado de trabalho gera o desafio de se criar condições para que as mulheres possam concorrer de forma mais justa com os homens pelos postos de trabalho.
Elaborado em parceria com a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, o documento aponta que, dentre os fatores que contribuem para o quadro de desigualdade, está a maior dificuldade para as mulheres de conciliar trabalho e família.
Isso porque, conforme observa o estudo, há uma mudança em ritmo muito lento da divisão sexual do trabalho doméstico. "O modelo homem-provedor e mulher-cuidadora ainda vigente permite que a mulher continue arcando em forma unilateral, quando não exclusiva, com as atividades de cuidado e assistência aos membros da família e seu engajamento no mercado de trabalho permanece marcado por esse papel", diz trecho da conclusão do estudo.
Para a OIT, essa característica "se evidencia tanto através do exame das carreiras que são tipicamente femininas, quanto pelas dificuldades de conciliar maternidade e profissão". Para mudança desse quadro, a OIT sugere, por exemplo, a ampliação de políticas públicas voltadas para as mulheres, como a construção de creches públicas e pré-escolas.
"Os serviços públicos de cuidado com crianças, como é o caso de creches e pré-escolas, são fundamentais neste aspecto, dada sua possibilidade de também atuar como mecanismos de diminuição do peso e da quantidade de atividades de cuidado realizadas pela família", diz o relatório.
"Como são as mulheres as protagonistas principais dessas atividades, a existência e a ampliação desses serviços também para os homens podem ajudar a reorganizar o modelo homem-provedor e mulher-cuidadora, na medida em que ampliam o tempo que as mulheres podem dedicar ao trabalho remunerado e/ou à sua vida pessoal."
O relatório sugere ainda que as políticas de equilíbrio entre trabalho, família e vida pessoal devem compatibilizar os trabalhos não remunerados com os remunerados, por meio de ações que tornem o exercício do trabalho mais compatível com as responsabilidades familiares, e reconhecer tanto o papel econômico e produtivo das mulheres, quanto o papel dos homens como cuidadores.
O estudo compreende as relações de trabalho na América Latina e no Caribe, onde há mais de 100 milhões de mulheres inseridas no mercado de trabalho.
retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u580031.shtml
Chega de Hipocrisia!!! Outrage – Do Ask Do Tell
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Documentário escancara vida sexual de políticos homofóbicos
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4/5/2009
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No último domingo, 3, o documentário "Outrage – Do Ask. Do Tell" estreou no festival de filmes "Tribeca Film Festival", em Nova York, mostrando a vida dupla de diversos políticos americanos notadamente homofóbicos.
Dirigido pelo cineasta Kirby Dick, o documentário retrata as escapadas clandestinas de políticos famosos, tirando do armário diversos parlamentares americanos. Com uma investigação profunda na vida de tais políticos, o documentário fica na linha tênue entre investigação e invasão de privacidade.
Ainda sem previsão de estreia no Brasil, Outrage mostra a hipocrisia vigente entre alguns políticos republicanos, que defendem com unhas e dentes políticas conservadoras e anti-gays e, no entanto, vivem a vida que querem proibir às escondidas. Uma das figuras públicas centrais no documentário é o governador da Flórida, Charlie Crist.
Parece piada, mas é verdade! A CRISE. COM A BÊNÇÃO DE DEUS!
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ESTE ARTIGO.
(Tudo falha. Noutro dia o experimento genial para a aceleração de partículas, ao custo de bilhões de dólares, com a colaboração de uma dezena de países, o crânio de centenas dos maiores cientistas do mundo, falhou. Este artigo, enviado pra revista VEJA, se perdeu no caminho. Até nós falhamos.) A CRISE. COM A BÊNÇÃO DE DEUS!
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| 1. Não sei como foi com você, mas a mim tudo isso é muito claro: seu tostão, que valia um milhão, agora vale um trilhão. Mas, pensei, não seria isso o pragmatismo, privilégio dos poderosos?
2. Quando ninguém sabe o que fazer, todo mundo é sábio da escritura, i.e. todo mundo é cientista político. 3. Mas, cientificismo por estrabismo, por que não seguir a Santa Madre, tão sábia e tão pragmática através dos tempos? Quando as contas não batem, cobrança de Indulgência é com ela mesma. A maior Caixa 2 que o mundo já conheceu. 4. Há bem pouco – pouco pra Santíssima são 1000 anos, mas vamos falar só dos últimos 50 – a Santíssima tinha um gênio das finanças crapulosas, o arcebispo Marcinkus. Bem, penso que sou o único cientista laico que não só acredita no DNA humano – de quem você vem – mas descobriu algo mais importante, o DNA geográfico – de onde você vem. Marcinkus veio de Cícero, Chicago. A mesma cidade em que nasceu, viveu, e prosperou, Al Capone. Que não adianta vocês, moralistas, chamarem de famigerado. Não só amealhou (gostaram?) uma gaita preta como, ao contrário do que vocês pensam, (que passou muito tempo na cadeia), passou pouco tempo na cadeia e morreu em casa. Em Miami. Tomando banho na piscina. Passou os 10 últimos anos de sua vida no bem bom (um tanto sifilítico, vá lá.). O crime compensa, minha gente!
5. Voltando a Marcinkus. O Banqueiro de Deus fez prosperar o “Instituto de Obras Religiosas” – Banco do Vaticano – e foi importante dirigente da “Santa Aliança” , a segurança do Papa. Esse nomes tão bonitos pra coisas tão feias é porque a Santa Madre sabe muito bem que, se chama de pata o rabo da vaca, a multidão de tolos, perdão, fieis, passará logo a jurar que a vaca tem cinco patas e acreditar que ela produz o leite da bondade humana. Marcinkus (tive a glória de vê-lo dar um safanão num jornalista, em pleno meio-dia, quando o Papa João XIII visitava o Cristo Redentor) esteve envolvido com a máfia (principalmente os chefes Gambino e Calvi que, este, acabou enforcado numa ponte de Londres), e implicado no assassinato do Papa João Paulo I. Mas, quando a Justiça Italiana o condenou, o Vaticano continuou a protegê-lo. Quer dizer, vivia muito bem no Vaticano, só não podia atravesssar a rua, pra Itália. Porém a interdição durou só dois anos e ele passou os 10 últimos anos de sua vida perto de sua cidade natal, de volta a Chicago. 6. E não estou entrando no mérito! 7. Se vocês não sabiam eu lhes digo agora: O que o crime compensa, pessoal. 8. Como aliás ficou mais uma vez demonstrado nesse quebra-quebra global em que os primeiros limpos foram os donos dos grandes conglomerados financeiros, perto dos quais os escândalos do Vaticano são pé de página. Na Sagrada Escritura. O crime etcetera e tal, companheiros! 9. Mas, voltando à insuperável sabedoria econômico-financeira da Igreja, sempre imitada. Como a gaita andava curta no século XIV e aquelas fantasias de baiana, que todos usam no Vaticano, custam uma nota preta, o Papa João XXII inventou o sistema global (da época) para perdoar os pecados dos crentes – isto é, todo mundo, por medo ou interesse – e encher o cofres do Santo Ofício. Passou a vender indulgências, uma espécie de edge teológico que possibilitava a qualquer rico pecar impunemente, desde que pagasse seu lugar vip no céu, garantido pela superabundância de méritos dos santos. Que, para salvação das próprias almas, como ninguém ignora, eram sempre melhores do que os necessitados. O excesso de virtudes era guardado num depósito celestial denominado “Thesaurus Meritorum Sanctorum". Desse tesouro os Papas transferiam virtudes pra qualquer financiador cuja virtude estivesse no vermelho. O tesouro jamais acabava, pois contava com os inexauríveis méritos do próprio Cristo – o Banco Central de salvação. 10. Eu já ia concitar o mundo financeiro a seguir imediatamente os sábios passos da Igreja. Mas logo me lembrei de que esse tal mundo há muito segue esses passos. Dou até o local de alguns PARAÍSOS fiscais, para onde vão os indulgidos laicos: Ilhas do Canal (Alderney, Guernsey, Jersey e Sark) – Ilhas Cayman – Chipre – Cingapura – Ilhas Cook – República da Costa Rica – Djibouti – Dominicana – Emirados Árabes Unidos – Angola – Gibraltar – Granada – Hong Kong – Líbano – Libéria – Liechtenstein – Ilhas Maurício – Mônaco – Ilhas Montserrat – Antilhas Holandesas – Nauru – Ilha Niue – Sultanato de Omã – Federação de São Cristóvão e Nevis – Samoa Americana – Samoa Ocidental – San Marino – São Vicente e Granadinas – Santa Lúcia – Seychelles – Tonga – Ilhas Turcas – Caicos – Vanuatu – Ilhas Virgens Americanas – Ilhas Virgens Britânicas – Luxemburgo – lha da Madeira – Maldivas – Malta – Ilha de Man – Ilhas Marshall – Andorra – Aruba – Panamá – Comunidade das Bahamas – Bahrein – Barbados – Belize – Ilhas Bermudas – Campione D’Italia – Islândia – Ambígua e Barbuda. retirado de http://www2.uol.com.br/millor/ |
Saudações para as mulheres – Mulher adulta que se alfabetiza tem acréscimo de salário maior que homem
Mulher adulta que se alfabetiza tem acréscimo de salário maior que homem
Editora do UOL Educação
Esta é uma das conclusões do estudo "Efeitos da alfabetização de adultos sobre salário e emprego", de autoria de Maúna Soares de Baldini Rocha e Vladimir Ponczek, pesquisadores do Centro de Microeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo da FGV.
A pesquisa da FGV-SP trabalhou com taxas de analfabetismo de 3%, proporção característica das regiões metropolitanas
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MEC: ALFABETIZAR 520 MIL
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DESAFIOS DE EDUCAR ADULTOS
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PNAD: UM EM DEZ NÃO SABE LER |
Segundo o estudo, "os indivíduos que se alfabetizam auferem, em média, rendimentos 9,3% maiores relativamente àqueles que permanecem analfabetos". De modo geral, o estudo aponta uma conclusão que está no senso comum – quanto maior a escolaridade do empregado, melhor é seu salário. Entre aqueles que são empregados formais – ou seja, com carteira assinada – o aumento médio fica em 12%.
Eles escrevem: "nota-se que a formalização não possui impacto sobre o salário, o que sugere que os ganhos salariais decorrentes da alfabetização se efetivam pelo aumento de produtividade, e não pelo fato de pessoas se formalizarem quando se alfabetizam".
Mulheres se beneficiam mais
Segundo o estudo, uma das explicações para que o impacto no salário seja maior entre as mulheres é o fato de habilidades de leitura e escrita serem mais úteis para executar afazeres domésticos, suas ocupações típicas. Já os homens com baixa escolaridade costumam se dedicar a tarefas que exigem força e a alfabetização não impacta em seu trabalho. "Mas isso é uma especulação nossa com base nos dados", frisa Vladimir Ponczek, coordenador do estudo.
A importância dessas informações para decisões a serem tomadas em políticas públicas pode ser traduzidas no retorno do investimento da alfabetização de adultos. Vladimir Ponczek faz uma estimativa: "uma mulher que se alfabetize pode ter um acréscimo de R$ 61 por mês". Ele levou em conta que uma hora de trabalho de um analfabeto gira em torno de R$ 2 e considerou uma semana de 40 horas de trabalho, ou seja, um salário aproximado de R$ 360.
"Quanto custa para alfabetizar uma pessoa?", indaga o pesquisador da FGV. Esse valor dá dimensão de em quanto tempo a alfabetização "se paga". Se adotarmos o custo apresentado pela ONG Alfabetização Solidária, que existe há 12 anos, em menos de três meses. Segundo seu site, custa R$ 168 para se "adotar um aluno".
Soteropolitanos e mais idosos
O estudo traz ainda outras duas conclusões. Entre as regiões metropolitanas pesquisadas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), o incremento no salário se deu com mais ênfase em Salvador: 21,7% provenientes da alfabetização. Homens em Recife ganham 17% mais e mulheres gaúchas, 23,4% adicionais.
Quando se faz uma análise por idade, pessoas alfabetizadas entre os 45 e 60 anos de idade passam a ter salários 13% maiores. Entre as mulheres, o ganho é ainda mais expressivo, 24,3%. Para os pesquisadores, os dados sugerem que "em populações com baixa proporção de alfabetizados o retorno das habilidade básicas são maiores e significativos".
Assembleia de SP aprova lei que proíbe fumo em ambientes coletivos no Estado
Assembleia de SP aprova lei que proíbe fumo em ambientes coletivos no Estado
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Por 69 a 18, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na noite desta terça-feira (7) o projeto de lei antifumo do governador José Serra (PSDB), que proíbe o consumo de cigarro e similares em recintos coletivos do Estado de São Paulo. A proposta retorna ao gabinete do governador para sanção ou veto. Também foi aprovada emenda do deputado João Caramez (PSDB) que prevê um prazo de 90 dias para que a lei entre em vigor. Durante esse período, a lei deve ser regulamentada, com a definição de multas e punições.
Outras duas emendas foram aprovadas junto a essa. Elas determinam que o governo paulista terá de fazer campanha sobre proibições e sanções impostas pela lei e disponibilizar no sistema de saúde público assistência terapêutica e medicamentos antitabagismo para fumantes que queiram parar de fumar.
O que acha da proibição do fumo em espaços públicos?
Com a lei, ficará proibido fumar em espaços coletivos, públicos ou privados, "total ou parcialmente fechados em qualquer dos lados", exceto em residências, estabelecimentos que comprovem ser exclusivamente destinados ao fumo, como tabacarias, e em locais de culto religioso em que o fumo integre o ritual.
MAIS SOBRE A LEI ANTIFUMO
O deputado Fernando Capez (PSDB), apesar de ser da bancada governista, havia se manifestado contrariamente ao projeto de lei do governador por entender que ele é inconstitucional. Capez, que inclusive apresentou emenda para modificar o texto da lei e torná-la "constitucional" votou a favor da aprovação integral do texto, em respeito à posição do partido e à figura de José Serra.
Sobre a possível inconstitucionalidade do projeto, o presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB), disse não temer que a lei seja questionada em tribunais superiores. "Estou seguro quanto à constitucionalidade da lei. É difícil ter unanimidade em uma lei como essa, mas o governo analisou bem a questão".
Samuel Moreira, líder da bancada do PSDB na Alesp, afirma que "o projeto garante o direito individual de quem fuma e de quem não fuma". "Adotando essa medida, reduziremos os fumantes e melhoraremos os índices de saúde nos próximos anos", completou.
Moreira acredita também que a proibição ao fumo em locais fechados não causará uma onda de desemprego no setor de bares e restaurantes. "A lei valerá pra todos, por isso acreditamos que não haverá desemprego", disse o tucano, que defende que a permissão de fumódromos pela lei prejudicaria pequenos proprietários devido ao alto custo da instalação de exaustores e instalações adequadas.
Esse projeto garante o direito individual de quem fuma e de quem não fuma
Samuel Moreira, líder da bancada do PSDB
"Esse projeto joga as pessoas contra as pessoas, é uma lei que não vai pegar", contestou o deputado Hamilton Pereira, do PT, por considerar que o projeto vai contra "o direito às liberdades individuais".
O líder petista na Assembleia, Rui Falcão, defendeu o aumento do preço do maço do cigarro para dificultar o acesso das pessoas ao fumo, em contraposição às medidas presentes no projeto do governo paulista. O deputado ainda espera que a população cobre do governador José Serra medidas efetivas para o tratamento dos fumantes. "Mais do que repressão, é importante educar a população dependente do fumo", disse Falcão.
Questionado sobre se a lei vai pegar nos estabelecimentos situados em regiões de periferia, Samuel Moreira disse que o governo fará ampla campanha para que toda a população se adapte à novas regras, já que o responsável por restringir será o proprietário do lugar. De acordo com o deputado, quem não cumprir a lei poderá ser encaminhado à delegacia e até ser preso – a ação policial serve tanto para o fumante quanto para o local onde o fumante está.
A proposta teve apoio de bancadas de partidos tanto governistas quanto de oposição, como PSOL e PC do B. "Esse projeto não é do governador, mas de toda a sociedade, e foi construída após um amplo debate. O PSOL não entende que o projeto afronta as liberdades individuais", afirmou ao plenário o deputado Carlos Gianazzi (PSOL).
Cerca de 200 pessoas acompanharam a votação no plenário, entre elas, representantes dos sindicatos dos comerciários, padeiros, do setor de bares, hotéis e restaurantes, contrários ao projeto da lei antifumo. Também compareceram integrantes de organizações como a Aliança de Controle do Tabagismo, que apoiam a proposta do governo.
Entre os partidos de oposição ao governo Serra, o PT lutava pela aprovação de um roteiro de votação que incluísse emendas além das três que já haviam sido acatadas por comissões da Casa.
Adriano Diogo (PT) criticou o alto custo dos medicamentos antitabaco. Segundo o deputado, "nenhum medicamento antitabaco está disponível no SUS".
O projeto joga as pessoas contra as pessoas, é uma lei que não vai pegar
Deputado Hamilton Pereira (PT)
Mais sobre a lei
A lei autoriza o proprietário ou responsável pelo espaço a chamar a polícia em caso de descumprimento da lei por parte do fumante e prevê ainda multa ao proprietário, interdição do estabelecimento ou até cassação da licença de funcionamento nos termos do artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor. O proprietário fica responsável por afixar avisos sobre a proibição do fumo no estabelecimento.
Diferente da lei federal nº 9.294, de 15 de julho de 1996 -que, entre outros, dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos- a lei antifumo de São Paulo proíbe a existência de fumódromos nos espaços coletivos fechados, prevê punições ao proprietário que não coibir o fumo em seu estabelecimento e inclui condomínios no conjunto de estabelecimentos onde o fumo é proibido.
SAIBA MAIS SOBRE TABAGISMO
- Especialistas dão dicas para abandonar o cigarro sem engordar
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retirado de http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/04/07/ult5772u3517.jhtm
A vaca vai pro brejo! Independência é o sexto frigorífico a pedir recuperação judicial
Com um prejuízo operacional diário de cerca de R$ 2,8 milhões e uma dívida acumulada de US$ 1,2 bilhão, o frigorífico Independência entrou na última sexta-feira com pedido de recuperação judicial.
Só vendo para crer!!! Aposentadoria por tempo de serviço sai em 30 minutos a partir desta terça
da Folha Online
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) começa a partir desta terça-feira a fazer em apenas 30 minutos a liberação de aposentadorias por tempo de contribuição dos trabalhadores urbanos. Para se aposentar por tempo de serviço, os homens devem ter 35 anos de contribuição, e as mulheres, 30 anos. Também entrará nesse sistema a concessão do salário-maternidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Previdência Social, José Pimentel, lançam oficialmente hoje a nova etapa desse tipo de análise em evento em uma agência da Previdência em São Paulo.
A agilização para esses tipos de benefícios estava prevista para ocorrer somente a partir de março, mas foi adiantada devido à integração no sistema da Previdência.
Desde o início de janeiro, esse sistema já está valendo para a liberação de benefícios por idade na área urbana. O INSS chega a conceder diariamente até 2.000 aposentadorias por idade.
Para pedir a aposentadoria, o trabalhador deverá agendar o atendimento em um posto do INSS pelo telefone 135 ou pela internet. O benefício só não sairá na hora caso haja falta, no sistema, de algum dado sobre o trabalhador. Nesse caso, ele terá de apresentar documentos para solicitar a inclusão das informações, como vínculos empregatícios que não estão registrados no sistema.
O INSS também pretende ampliar o alcance da medida para a concessão dos demais benefícios da Previdência. Em julho, a concessão de aposentadoria por idade para trabalhadores rurais também deverá sair em 30 minutos.
O sistema já contará automaticamente com todos os dados do trabalhador desde 1976, quando passou a ser obrigatória a entrega da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) por parte dos empregadores. Segundo o Ministério da Previdência, metade dos trabalhadores do país está com seus dados completamente atualizados no sistema. Os outros possuem algumas lacunas mais recentes, devido à alta rotatividade no mercado de trabalho.
retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u494862.shtml
Quem é o doente? Polícia investiga renomado médico “Roger Abdelmassih” sobre suspeita de cometer abuso sexual de pacientes em clínica.
Justiça
Trinta e três denúncias
É esse o número de mulheres já ouvidas na investigação do mais renomado especialista em reprodução assistida do país, sob suspeita de cometer abuso sexual de pacientes em sua clínica
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Juliana Linhares
Dono da mais conhecida e bem-sucedida clínica de reprodução assistida do país, o médico Roger Abdelmassih, 65 anos, de São Paulo, é objeto há quatro meses de um inquérito policial por suspeita de abuso sexual de pacientes. Quando a investigação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 9, nove mulheres haviam prestado depoimento contra Abdelmassih; uma semana depois, o número tinha aumentado para 33, se incluído um testemunho que estava sendo colhido na sexta-feira. "Os relatos se parecem em diversos aspectos. Muitas repetem as mesmas expressões usadas pelo médico", diz José Reinaldo Carneiro, um dos três promotores responsáveis pelo caso no Ministério Público. Abdelmassih, que ainda não foi ouvido no inquérito, em declarações a VEJA negou terminantemente as acusações. "Não fiz nada. Quando eu for à delegacia depor, não vou levar uma ou duas testemunhas, vou levar um caminhão de pessoas que me conhecem. De preferência pessoas de aparência muito bonita que foram minhas clientes, para contar se por acaso eu tive qualquer comportamento indevido", disse o médico, bem relacionado e querido por pacientes famosos a quem proporcionou a felicidade de ter filhos.
Até a semana passada, todas as denúncias investigadas no inquérito eram de atentado violento ao pudor, que engloba qualquer ato forçado de natureza sexual, menos estupro, definido pela lei como a penetração genital. Parte das mulheres disse ter sido assediada dentro do consultório pelo médico, que tentou beijá-las e acariciá-las à força. Reagiram, e o assédio não avançou. Outras afirmam que estavam sedadas durante o abuso e só vieram a se dar conta depois. Na quinta-feira, dia 15, uma paciente, que hoje mora em Minas Gerais, entrou em contato com o Ministério Público para fazer o que, se confirmado, configuraria a primeira denúncia de estupro. Ela repetiu a VEJA sua história, que diz ter ocorrido doze anos atrás, na clínica onde havia engravidado da primeira filha e fazia tratamento de novo. "Eu fui sedada para fazer a aspiração dos óvulos. Estava dormindo e senti alguém me beijando. Achei que fosse meu marido e retribuí. Quando vi, era o doutor Roger", diz. Segundo ela, a carícia evoluiu para o ato sexual em si. Uma denúncia de estupro doze anos depois, sem a possibilidade de exames, é de difícil comprovação. A ex-paciente, que relata profundo sofrimento emocional, avalia assim seus sentimentos: "É uma coisa estranha, a gente não consegue reagir. Fica acuada, envergonhada, porque dá a impressão de que permitiu a situação". O inquérito policial trata ainda de um tipo de denúncia paralela: pacientes que acusam o médico de lhes ter proposto a utilização de material genético – óvulos e espermatozoides – que não o delas ou o de seus maridos, sem que estes soubessem, depois que as primeiras tentativas de fertilização não surtiram efeito.
As investigações começaram quando uma das pacientes que se dizem agredidas entrou em contato com o Ministério Público querendo prestar depoimento contra o médico. Ela teria dado nomes de outras mulheres que também haviam sido atacadas. Em maio, os promotores começaram a ouvir as ex-pacientes; em setembro, o caso foi encaminhado para a Primeira Delegacia de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo, onde corre o inquérito. "Até agora a defesa não teve acesso ao nome das pessoas que se queixaram ao MP e à polícia nem ao conteúdo integral dos depoimentos. O único nome a que tivemos acesso foi o de uma ex-secretária que assumiu publicamente ter tentado extorquir o doutor Roger", diz Adriano Salles Vanni, advogado do médico, que vem sendo, segundo ele, vítima de um movimento organizado. "Já esperávamos que o número de testemunhas aumentasse. Durante quase um ano, um grupo de pessoas anônimas fez campanha contra o doutor Roger pela internet. Agora, com o inquérito policial exposto na mídia, essas pessoas, novamente de forma anônima, retomaram a campanha." Da polícia, o inquérito vai para o Ministério Público, que oferece ou não denúncia a um juiz, ao qual compete decidir se existem fundamentos para abrir processo. O prazo para o inquérito ser encerrado termina em fevereiro, mas pode ser prorrogado.
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Tudo muito nojento" Uma das ex-pacientes que depuseram contra Roger Abdelmassih conversou com VEJA, sob a condição de não se identificar. Seu relato:
"Em 2003, fui fazer minha primeira consulta com o médico. Eu e meu marido deixamos dois cheques na clínica, 20 000 reais referentes a duas tentativas e mais 7 000 reais pelos remédios. Fui submetida a um procedimento para retirada de óvulos, eles foram fecundados em laboratório com material genético do meu marido e depois me chamaram para fazer a colocação dos embriões no útero. Meu marido estava viajando e não pôde me acompanhar. Às 5h30, aplicaram-me um sedativo e eu apaguei completamente. Uma hora depois, acordei e comecei a me vestir. Quando estava quase pronta, o doutor Roger apareceu no quarto, me chamou de querida e começou a me abraçar. Eu ainda estava meio tonta. O abraço foi ficando apertado, ele segurou minha cabeça e tentou me beijar à força. Era tudo muito nojento. Eu trinquei os dentes, consegui empurrá-lo e comecei a gritar. Ele saiu do quarto. A cena durou poucos minutos. Recolhi tudo e fui embora em pânico. À noite, não contei nada ao meu marido. E não contei por cinco longos anos. No dia seguinte ao ataque, comecei a fazer psicoterapia. No final, a evolução dos embriões não aconteceu e o tratamento foi interrompido. Não tive coragem de denunciar o médico porque sabia que era poderoso e conhecido e que daria um jeito de virar o jogo contra mim. No ano passado, uma amiga me convenceu a procurar a Justiça. No dia em que fui prestar depoimento, contei ao meu marido tudo o que tinha acontecido. Fomos fazer terapia de casal e estamos voltando a nos entender. Nosso maior desejo é ver o culpado na cadeia." retirado de http://veja.abril.com.br/210109/p_074.shtml |
Para os que ignoram o que está tão óbviu!!! Veja como disputas religiosas provocam guerras e moldam mapa do mundo
da Folha Online
Atualmente, vários países vivem intensos conflitos religiosos. No Iraque, ataques suicidas de homens-bombas motivados por princípios do fundamentalismo islâmico. Outro exemplo é a Nigéria que em 2006 teve um confronto entre cristãos e mulçumanos que resultou na morte de 150 pessoas em apenas uma semana. Mas não é de hoje que este problema assola o mundo. As Cruzadas, por exemplo, aconteceram do século 6 ao 8 e tinham como objetivo impor o cristianismo na Terra Santa (Palestina).
"O Atlas das Religiões", da Publifolha, mapeia as tensões históricas no mundo e mostra as nações que sofreram perseguições religiosas.
Leia abaixo trecho do livro sobre os conflitos religiosos.
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CONFLITOS E TENSÕES
Uma das acusações mais comuns que feitas às religiões é que elas causam mais violência do que paz. Por essa óptica, o mundo seria um lugar melhor sem elas e suas rixas. Há alguma verdade nisso. As divisões religiosas atravessam continentes e épocas e ainda hoje influenciam a política, a economia e as comunidades. Debates históricos, guerras, lutas e disputas internas criaram os mapas contemporâneos do mundo e o fizeram de modo que poucos se deram conta. Por exemplo, a União Européia, "cristã", surgiu da vivência das invasões muçulmanas nos séculos 14-17 e da ocupação de parte da Europa oriental pelo islã até o século 20. Os violentos conflitos no Iraque têm suas raízes na dissidência entre muçulmanos sunitas e xiitas, no século 7o, e lutas no Sudão, Etiópia e Nigéria remontam em certas áreas ao século 10o.
A violência, contudo, não vem apenas do lado da religião. Nos últimos cem anos, as principais religiões foram mais perseguidas do que em qualquer outro período histórico. E, na maioria dos casos, trata-se não de religião perseguindo religião, mas de ideologia perseguindo religião. Isso abrange desde as investidas da revolução socialista de 1924 no México contra o poder, as terras e, por fim, o clero e os edifícios da Igreja Católica até as agressões aos bahaístas no Irã a partir da década de 1970, passando pela repressão a todas as religiões na URSS, pelo extermínio dos judeus no nazismo e pela agressão maciça a toda religiosidade na China da Revolução Cultural.
Infelizmente, as zonas de tensão se mantêm: à medida que as religiões se recuperam da perseguição, alguns reiniciam suas próprias perseguições. Entretanto, o tempo e a vivência dos últimos cem anos, mais o impacto dos movimentos ecumênicos e multiconfessionais, começaram a mudar muitos grupos religiosos, e, nesses casos, as velhas divisões e inimizades foram se desvanecendo.
Divisões históricas, várias delas com séculos de existência, criadas por diferenças na crença e na prática religiosa, estão na origem de muitas das tensões e conflitos atuais. No Iraque, a cisão entre sunitas e xiitas, remontando à segunda metade do século 7, nutre a guerra civil que tanto afeta o país desde a queda de Saddam Hussein (2003). A tensa linha divisória entre o islã e a cristandade na Europa oriental e no Cáucaso é ilustrada pela controversa candidatura turca à União Européia. E a cisão entre católicos, luteranos e russo-ortodoxos ainda repercute na Europa e na Rússia.
Algumas linhas divisórias, como o litoral suaíli (África oriental), se tornaram mais regiões de diferença cultural que fontes de tensão. Já outros choques, muito antigos, como entre cristãos, hindus e muçulmanos na Indonésia, ressurgiram onde, poucos anos atrás, essas comunidades viviam lado a lado.
Perseguição religiosa
A religião é freqüentemente criticada com o argumento de que a maioria das guerras surge de tensões e discordâncias confessionais. Isso pode ter sido verdade nos séculos passados (embora tal afirmação seja extremamente discutível), mas certamente não foi o caso nos últimos cem anos, quando a religião é que se viu violentamente perseguida por ideologias temporais. O comunismo, o fascismo, o socialismo e o nacionalismo, todos eles, encararam a religião como a maior ameaça ao projeto que tinham para criar novas sociedades, pois em muitos casos era ela um importante acessório do regime que os revolucionários queriam derrubar. Em conseqüência, deu-se uma investida sem precedentes contra edifícios religiosos, clérigos e fiéis.
Com o colapso daquelas ideologias e a recuperação de muitas religiões em várias partes do mundo, tem ocorrido um grande aumento da violência, dos ataques e das guerras de motivação religiosa.
O marxismo afirmava que, com o advento do socialismo e do comunismo, "a religião definharia e morreria". Na realidade, aconteceu o inverso: foram as ideologias que definharam, ainda que ao custo de dezenas de milhões de vidas. A religião sobreviveu e constituiu muitas vezes a inspiração para os movimentos de resistência que ajudaram a derrubar as ideologias. Da Igreja Católica na Polônia aos budistas no Camboja, passando pelos muçulmanos na Ásia central e pelos luteranos na Alemanha Oriental, ela permaneceu depois que os regimes coercivos se foram. Em muitos países, embora não tenha mais o mesmo papel que tinha antes de perseguições e mudanças sociais tão vastas, a religião voltou ao centro do palco para tentar desempenhar de novo seu papel na construção e manutenção de nações, povos e culturas.
"O Atlas das Religiões"
Autoras: Joanne O’Brien e Martin Palmer
Editora: Publifolha
Páginas: 112
Quanto: R$ 32,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha
retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u378009.shtml
Generation RX a outra face sobre a industria farmacêutica e a psiquiatria moderna
International award-winning filmmaker Kevin P. Miller (Let Truth Be The Bias, The Promised Land) "delivers a jaw-dropping emotional ride," and "weaves a terrifying tale of criminal conspiracy, the mass abandonment of medical ethics, and the routine betrayal of an entire generation." By employing the expertise of internationally respected professionals from the fields of medicine, ethics, journalism, and academia, GENERATION RX investigates collusion between drug companies and their regulatory watchdogs at the FDA and focuses on the powerful stories of real families who followed the advice of their doctors – and faced devastating consequences for doing so.
GENERATION RX is a film about families who confronted horror and found nowhere to turn for help – and how scores of children have been caught in the vortex of mind-bending drugs at the earliest stages of their growth and development. This powerful documentary also questions whether we have forced millions of children onto pharmaceutical drugs for commercial rather than scientific reasons.
Ultimately, Generation RX may help parents decide whether the perceived benefits of these medications outweigh the serious risks to children.
"GENERATION RX is a film that every parent should see," says Jason Buchanan of ALL MOVIE GUIDE.
International award-winning filmmaker Kevin P. Miller (Let Truth Be The Bias, The Promised Land) "delivers a jaw-dropping emotional ride," and "weaves a terrifying tale of criminal conspiracy, the mass abandonment of medical ethics, and the routine betrayal of an entire generation." By employing the expertise of internationally respected professionals from the fields of medicine, ethics, journalism, and academia, GENERATION RX investigates collusion between drug companies and their regulatory watchdogs at the FDA and focuses on the powerful stories of real families who followed the advice of their doctors – and faced devastating consequences for doing so.
GENERATION RX is a film about families who confronted horror and found nowhere to turn for help – and how scores of children have been caught in the vortex of mind-bending drugs at the earliest stages of their growth and development. This powerful documentary also questions whether we have forced millions of children onto pharmaceutical drugs for commercial rather than scientific reasons.
Ultimately, Generation RX may help parents decide whether the perceived benefits of these medications outweigh the serious risks to children.
"GENERATION RX is a film that every parent should see," says Jason Buchanan of ALL MOVIE GUIDE.or decades, scores of doctors, government officials, journalists, and others have extolled the benefits of psychiatric medicines for children. GENERATION RX presents "the rest of the story" and unveils how this era of unprecedented change in Western culture really occurred – and what price has been paid by our society.
International award-winning filmmaker Kevin P. Miller (Let Truth Be The Bias, The Promised Land) "delivers a jaw-dropping emotional ride," and "weaves a terrifying tale of criminal conspiracy, the mass abandonment of medical ethics, and the routine betrayal of an entire generation." By employing the expertise of internationally respected professionals from the fields of medicine, ethics, journalism, and academia, GENERATION RX investigates collusion between drug companies and their regulatory watchdogs at the FDA and focuses on the powerful stories of real families who followed the advice of their doctors – and faced devastating consequences for doing so.
GENERATION RX is a film about families who confronted horror and found nowhere to turn for help – and how scores of children have been caught in the vortex of mind-bending drugs at the earliest stages of their growth and development. This powerful documentary also questions whether we have forced millions of children onto pharmaceutical drugs for commercial rather than scientific reasons.
Ultimately, Generation RX may help parents decide whether the perceived benefits of these medications outweigh the serious risks to children.
"GENERATION RX is a film that every parent should see," says Jason Buchanan of ALL MOVIE GUIDE
Comissão do Senado aprova, em primeiro turno, cota de 40% para meia-entrada
Comissão do Senado aprova, em primeiro turno, cota de 40% para meia-entrada
Do UOL Notícias
Em Brasília
O benefício não será cumulativo com outras promoções e convênios, e também não será aplicado ao valor dos serviços adicionais oferecidos em camarotes, áreas e cadeiras especiais. O projeto original é de autoria dos senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Flávio Arns (PT-PR).
Por ter sofrido alterações, a matéria deverá passar por um novo turno de votação na comissão antes de ser encaminhada para a Câmara dos Deputados. Se for apresentado recurso, o projeto pode ter de passar por uma votação no Plenário do Senado antes de ser encaminhado à Câmara.
Um grupo de atores e produtores culturais compareceu à sessão para defender a regulamentação da emissão de carteirinhas de estudante e o limite para venda dos ingressos pela metade do preço. Representantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) e da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) posicionaram-se contra a cota, que consideram uma restrição ao direito dos estudantes.
O argumento foi o mesmo utilizado pelo senador Arruda, que já tinha adiado a votação na última semana, ao pedir vista do relatório. Nesta terça, ao apresentar seus destaques, ele afirmou que o Senado deveria regulamentar a emissão do documento de identificação estudantil, mas não cometer "o grande equívoco de castrar os direitos dos estudantes".
Em um voto em separado, o senador também rejeitava a venda antecipada de meia-entrada, mas no relatório aprovado, permanece a sugestão de que os moldes desta venda antecipada sejam definidos por conselho a ser criado pelo Poder Executivo.
Artistas em Brasília
‘Globais’ foram alvo de tietagem e fizeram lobby em defesa das cotas para a meia-entrada
‘Globais’ em cena
A reunião da CE ficou lotada para a votação. De um lado, produtores culturais, atores e atrizes defendendo não apenas a regulamentação da carteirinha de estudante e a cota de 40%, mas também um subsídio do Estado às entradas vendidas pela metade do preço.
Nomes como Wagner Moura, Gabriela Duarte, Christiane Torloni chamaram a atenção do público, que aproveitou para tirar muitas fotos enquanto os parlamentares discutiam o projeto. Os atores, por sua vez, fizeram lobby durante a discussão, tentando convencer os senadores que estavam contra as cotas.
Para os atores e atrizes, a regulamentação em conjunto com as cotas, resultará em uma queda no preço dos ingressos para os espetáculos. Foi este o argumento de Gabriela Duarte, ainda antes do início da reunião. Segundo ela, ninguém mais no país paga o preço cheio da entrada. "Aí, o que acontece? Os preços ficam exorbitantes e irreais, como ocorre hoje".
"Se a cota for aprovada, se as carteiras de estudantes forem emitidas pela Casa da Moeda, de forma legal, evidentemente o preço vai baixar, por uma questão de mercado até. Nós somos os mais interessados de ter o público jovem nos nossos espetáculos", defendeu Wagner Moura, já comemorando a votação. "A gente está feliz. Vamos tentar mobilizar os artistas para que a aprovação aconteça da forma mais rápida e tranqüila possível".
Antes do início das discussões, foi mostrado um vídeo com depoimentos de vários artistas em prol da regulamentação das carteirinhas e estabelecimento de cotas. Em seguida, a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, usou o microfone para expor a posição contrária.
"Não há necessidade de cotas. Hoje, elas representam o fim da meia-entrada, porque não há controle. Defendemos a regulamentação da carteira", afirmou.
Ao final da reunião, a representante lamentou o resultado da votação. "Onde existem as cotas, como não há mecanismo capaz de fiscalizar e garantir transparência, os empresários se dão o direito de acabar com a venda de meia-entrada, uma vez que o segundo estudante da fila já recebe a resposta negativa de que a cota já foi cumprida", alertou.
Ela reafirmou que os estudantes vão pressionar para levar o projeto ao Plenário do Senado, para tentar derrubar as cotas.
Democracia e direito de escolha! – Brasil firma acordo com Vaticano sobre ensino religioso nas escolas públicas
Brasil firma acordo com Vaticano sobre ensino religioso nas escolas públicas
O acordo não traz mudanças práticas, mas aumenta as garantias da Igreja Católica de manutenção das aulas de religião mesmo com eventuais alterações na legislação brasileira. Hoje, na biblioteca do Vaticano, ocorrerá a primeira audiência oficial que será concedida pelo papa Bento XVI ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Santa Sé pressionava o governo desde 2000, durante o pontificado de João Paulo II, a fechar um acordo que ratificava a garantia do ensino católico. Temendo polêmicas, o Itamaraty costurou um texto que estende essa garantia a outros credos. Por considerar uma intromissão em assuntos do Estado, o governo não aceitou artigo que dava garantias, ainda, ao cumprimento de feriados religiosos, como Natal e Nossa Senhora Aparecida.
O acordo, que terá 20 artigos, praticamente é uma cópia do parágrafo 210 da Constituição e do artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que estabelecem o direito individual dos alunos em ter disciplina facultativa de ensino religioso no horário normal das aulas, segundo informação de Vera Machado, embaixadora do Brasil junto à Santa Sé. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Viva o Brasil!!!! Viva o Lulala!!! Governo gasta em juros mais de 8 vezes o que aplica em educação
Em São Paulo
A informação consta de estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O gasto com juros também supera de longe o que foi empregado em saúde: R$ 310,9 bilhões.
Segundo nota distribuída pelo Ipea, além de o gasto com juros ser "improdutivo, pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores", também colabora para a concentração de renda.
Para o mesmo período, segundo o Ipea, o somatório dos gastos da União com saúde, educação e investimento correspondeu a somente 43,8% do total das despesas com juros.
Sicko – A verdade sobre a medicina nos EUA.
Assista o filme Sicko de MICHEL MOORE disponível em http://video.google.com/videoplay?docid=6646340600856118396&ei=NcsVSb22MomwrQK6wrDJDQ&q=SICKO
Deu na Veja! saindo da baba cósmica…hahaha Medicina – Remédios: sustos difíeis de engolir!
Medicina
Remédios: sustos
difíceis de engolir
A quantidade de medicamentos retirados do mercado por causa
de efeitos colaterais graves alarma os consumidores e lança a
pergunta: até que ponto se pode confiar nos laboratórios?
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Anna Paula Buchalla e Adriana Dias Lopes
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É um susto atrás do outro para quem toma remédios – ou seja, quase todo mundo. Do dia para a noite, o comprimido que o médico lhe receitou, e que funcionava às mil maravilhas, é banido das farmácias porque se descobriu que pode causar danos à saúde não previstos na bula (ou, pelo menos, não previstos com a ênfase necessária). O que fazer? Não, não adianta interpelar o médico: ele também não sabia. O único jeito é passar a usar outro remédio – em geral, mais antigo e menos eficiente – e esconjurar mentalmente o medo de engrossar a estatística das vítimas dos efeitos colaterais graves e até irreversíveis da medicação. E eles não são poucos. Vão de distúrbios cardiovasculares e cirrose hepática letal a depressão e suicídio. O primeiro grande susto veio com a saída do mercado do Vioxx, em 2004, quando um estudo o associou a um aumento nos riscos de infarto e derrame. O antiinflamatório era consumido por mais de 85 milhões de pessoas em mais de oitenta países. Nos últimos meses, saíram de cena mais dois antiinflamatórios: o Prexige e o Arcoxia (de 120 miligramas) foram associados a crises hepáticas. O tão aguardado comprimido antibarriga Acomplia também foi recentemente retirado das farmácias, apenas dois anos após o seu lançamento, por aumentar o risco de depressão entre seus usuários. Diante disso, até onde se pode confiar nos medicamentos que continuam em circulação?
Sim, há algo de nebuloso no universo dos remédios. Os problemas têm origem na criação e no aperfeiçoamento de uma nova molécula, estende-se ao marketing agressivo e nem sempre honesto dos laboratórios farmacêuticos e culmina no mau uso do medicamento tanto por parte de muitos pacientes quanto por parte de médicos. Se existe uma boa notícia em terreno tão minado, é a de que, se remédios estão saindo do mercado, é porque a vigilância feita por instituições científicas independentes tornou-se mais eficiente. "Não há dúvida de que o monitoramento se intensificou bastante nos últimos dez anos", diz o médico João Massud Filho, especialista em pesquisa de novos medicamentos, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
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O PREÇO DA SAÚDE |
A produção de um remédio é um processo longo e caro. Só a indústria americana investe mais de 50 bilhões de dólares por ano em desenvolvimento de medicamentos. Ao chegar às farmácias, um remédio terá custado algo em torno de 1 bilhão de dólares e consumido em média dez anos de investimento. Isso significa que o fabricante tem apenas outros dez anos para vendê-lo com exclusividade, até que vença a patente (ela começa a contar a partir do registro da molécula que dá origem ao medicamento). Depois, o caminho está aberto para a produção de genéricos e os lucros proporcionados pelo remédio caem drasticamente. É, portanto, natural que os fabricantes tenham pressa em lançar um medicamento. O problema é quando a correria implica a piora dos padrões de controle. Nos últimos anos, as companhias farmacêuticas passaram a pressionar a FDA, a agência americana de controle de medicamentos, para aprovar rapidamente seus produtos – e, a partir dos Estados Unidos, ganhar o mundo. Algumas apelam para o fast track, mecanismo pelo qual um remédio considerado vital pode receber aprovação em menos de seis meses, para colocar à venda fármacos que não parecem assim tão essenciais. "A verdade dolorosa é que muitos medicamentos estão chegando ao mercado depois de testes clínicos inadequados", disse a VEJA a médica americana Marcia Angell, ex-editora da revista científica The New England Journal of Medicine. Um dos melhores exemplos dos perigos envolvidos na aprovação a toque de caixa de um remédio é o que ocorreu com o Rezulin, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. Ele recebeu a chancela da FDA em 1997, apesar das objeções de vários consultores da agência, que apontaram o seu perigo para o fígado. Lançado em meio a uma campanha publicitária agressiva, o Rezulin foi consumido por 700 000 americanos. Depois de três anos, noventa casos de cirrose, dez transplantes de fígado e 63 mortes, essa bomba finalmente foi proibida.
Os laboratórios gastam outro bilhão de dólares em propaganda nos dois primeiros anos de existência de um remédio – o que comporta, não raro, marketing abusivo. Um dos casos mais famosos de descontrole promocional foi o do Neurontin, um remédio para epilepsia criado pela empresa Warner-Lambert, depois adquirida pela Pfizer. De acordo com a americana Melody Petersen, autora do livro Our Daily Meds (algo como Os Remédios Nossos de Cada Dia), médicos foram agraciados com jantares e presentes, quando não dinheiro, para "vender" o remédio a pacientes e a outros médicos como uma droga milagrosa. Em 2004, a Warner-Lambert foi obrigada a pagar 430 milhões de dólares por ter violado as normas acordadas com a FDA e propagandeado o Neurontin como panacéia para distúrbios para os quais não havia sido aprovado, entre eles enxaqueca e dor nas costas. Apesar de os laboratórios serem proibidos de promover e vender seus remédios para fins diferentes dos que justificaram sua aprovação, um estudo publicado na revista científica on-line PLoS mostra que a indústria tem o hábito de incentivar o uso de seus medicamentos em casos não previstos na bula. Aos médicos é permitido adotar esse tipo de prática quando não há, por exemplo, alternativas terapêuticas aprovadas para a doença. Calcula-se que 60% dos oncologistas utilizem remédios para fins não aprovados. "Nessa situação, porém, a responsabilidade por qualquer evento adverso é apenas do profissional", diz Dirceu Barbano, diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Autora do livro A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos, Marcia Angell acusa a FDA de viver um momento crítico, pelo fato de ter sido estabelecida uma relação de dependência entre a agência e a indústria que ela deveria controlar. A médica diz que, além de terem parte de seu trabalho científico bancada pelas companhias farmacêuticas, vários conselheiros da FDA estão na lista de pagamento dos laboratórios, na qualidade de consultores. Em um artigo publicado em 2005, a revista científica Nature demonstrou que mais da metade das diretrizes elaboradas pela FDA sobre o uso de um medicamento era assinada por um pesquisador ligado à empresa responsável pelo fármaco em análise. Como a FDA ainda é considerada a agência mais rigorosa do mundo, resta a pergunta: até que ponto se pode confiar nos testes clínicos para determinar a eficácia e a segurança de um remédio? Nove de cada dez dessas pesquisas são financiadas pela indústria. Num cenário ideal, os estudos deveriam ser pagos com dinheiro proveniente de entidades públicas. Esses testes, contudo, exigem investimentos tão pesados que só são viáveis à iniciativa privada. "Os problemas existem, mas não se pode demonizar a indústria", diz João Massud Filho, da Unifesp. "Obviamente, há a pesquisa malfeita, mas é impossível prever tudo o que vai acontecer com um medicamento depois que ele chega ao mercado."
Nos últimos quarenta anos, a FDA e a Emea, a agência européia de controle de medicamentos, já retiraram 130 remédios do mercado. "É absolutamente normal que alguns problemas surjam somente após o lançamento", diz Gustavo Kesselring, diretor de pesquisa clínica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Embora os estudos clínicos com um medicamento tentem rastrear a totalidade dos seus efeitos adversos, estima-se que 5% deles surjam posteriormente à comercialização. É, antes de mais nada, uma questão de escala. Durante a fase de testes, 10.000 voluntários experimentam a medicação. Depois de sua entrada no mercado, o número de usuários passa a ser de milhões. Nesse grau de exposição, é esperado que outros efeitos se manifestem. O segundo aspecto, não menos importante, é que as pessoas que se prestam ao papel de cobaias têm perfil bem delineado. "Os voluntários são cuidadosamente selecionados, a fim de que se obtenha o máximo de segurança e, em conseqüência, aumentem as chances de aprovação do medicamento pela agência reguladora", diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, do Instituto do Coração, em São Paulo. Quando o remédio é lançado, o cenário é completamente diferente. O medicamento passa a ser consumido por pessoas com diferentes hábitos de vida, com outras doenças associadas e que fazem uso das mais diversas medicações. Aliás, as interações medicamentosas têm revelado aos médicos uma série de reações adversas inimagináveis. Muitos dos novos remédios se tornam ineficazes ou perigosos quando combinados com outros.
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TOMA LÁ, DÁ CÁ |
Foi a partir da década de 60 que as agências reguladoras de saúde começaram realmente a se preocupar com os efeitos de um medicamento depois de seu lançamento. Até então, na maioria das vezes, já era considerado suficiente o fato de o remédio ter sido aprovado em testes clínicos. Há quarenta anos, no entanto, o escândalo decorrente da utilização da talidomida fez soar o alarme. Aprovado para o controle de náuseas, o medicamento foi consumido por milhares de gestantes ao redor do mundo – e gerou 10 000 crianças com atrofiamento ósseo de braços e pernas. Antes de ser lançada, a talidomida só havia sido testada em ratos de laboratório. A tragédia levou as agências a impor métodos de controle mais rigorosos, inclusive depois da chegada do remédio ao mercado.
Por fim, o comportamento do paciente é decisivo para a segurança e eficácia de um medicamento. O último levantamento do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas constatou que os remédios são a principal causa de intoxicação entre os brasileiros – e os benzodiazepínicos, antigripais, antidepressivos e antiinflamatórios são os que lideram a lista. Uma das principais causas é a velha e má automedicação. "O mau uso de um remédio pode matar um remédio bom", diz o toxicologista Sergio Graff, da Unifesp. Muitos dos efeitos perniciosos do Acomplia e do Prexige se devem a esse hábito arraigado entre nós de ingerir comprimidos como se fossem jujubas. O primeiro, indicado para casos de obesidade, passou a ser consumido por quem queria enxugar não mais do que 2 quilinhos. O Prexige, assim como outros antiinflamatórios da mesma classe dos inibidores da COX-2, tem indicação para o tratamento de dores agudas. Mas era usado cronicamente para aliviar dores corriqueiras.
Diante dos distúrbios causados pelo Acomplia, a agência européia recomendou que ele fosse retirado das farmácias. Produzido pelo laboratório francês Sanofi-Aventis, o remédio estreou há dois anos com a indicação inédita de agir sobre a gordura visceral – o tecido adiposo que se concentra na região abdominal e predispõe as pessoas a doenças cardiovasculares. Quando passou a ser utilizado em larga escala, o número de casos de depressão surpreendeu as autoridades sanitárias da União Européia. Foram registrados, em seus países, 36 000 episódios de sintomas depressivos – o equivalente a 5% de todos os pacientes do mundo que usaram o medicamento. O fabricante agora avalia a possibilidade de relançar o medicamento com a indicação apenas para pacientes diabéticos e cardíacos. Os benefícios proporcionados pela perda de gordura visceral justificariam os riscos impostos pelo remédio. Isso, no entanto, não garante que o Acomplia não volte a ser ingerido por pessoas saudáveis, que querem apenas se livrar dos pneuzinhos. Assim que saiu a notícia de que o comprimido antibarriga também seria banido das farmácias brasileiras, muita gente correu para o consultório do endocrinologista em busca da última receita do remédio. Infelizmente, não se vende juízo em comprimidos.
Assista o filme Sicko de MICHEL MOORE disponível em http://video.google.com/videoplay?docid=6646340600856118396&ei=NcsVSb22MomwrQK6wrDJDQ&q=SICKO
retirado de http://veja.abril.com.br/051108/p_088.shtml
Cuidando da nossa saúde com muito carinho, dedicação, atenção e principalmente conhecimento sobre medicina! Em prova de medicina em SP, formandos tiram “vermelha” em pediatria e ginecologia
Em prova de medicina em SP, formandos tiram "vermelha" em pediatria e ginecologia
Mariana Tramontina
Em São Paulo
Na reta final da gravidez, a futura mãe ganha dois quilos em uma semana, o que pode ser sinal de retenção de água e problema na placenta. O caso é considerado básico, mas 93% dos formandos em medicina que fizeram o exame do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) este ano não souberam indicar qual o tratamento adequado.
Participaram da prova 679 estudantes –30% dos que se formarão em São Paulo neste final de 2008. A média destes alunos no ramo de obstetrícia foi 53,9, numa escala que vai até 100. Para o Conselho, a nota mínima aceitável é 60.
O desempenho abaixo do esperado se repetiu em pediatria e ginecologia. As médias de acertos estiveram próximas da metade: 51,32 e 52%, respectivamente.
"São áreas de especialidade, mas as perguntas são básicas. Não estou selecionando um pediatra ou um ginecologista, e sim um médico. Ele precisa saber diagnosticar e tomar as primeiras condutas", diz Bráulio Luna Filho, coordenador do exame no Cremesp.
Em clínica médica, considerada a essência da medicina, a nota média dos formandos e recém-formados que fizeram a prova também ficou abaixo dos 60% de acertos: eles responderam corretamente 56,7% da prova. "Essa é a base do médico. Mais da metade não soube dizer quando se deve suspeitar de uma tuberculose. Com essa falta de formação, eles colocam a vida de outros em risco", avalia Luna.
Em contrapartida, o conhecimento dos estudantes em ética vai bem: 74,1% de acertos na prova. Como resultado, 61% dos participantes foram reprovados no exame, mas poderão exercer a medicina normalmente, já que a prova é facultativa.
"Se fosse obrigatória, o resultado seria ainda pior. Geralmente, quem se inscreve para provas opcionais são os alunos mais aplicados", conta Luna.
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Quais os interesses dos políticos brasileiros? Em prol de MP, base recua na votação do projeto que cria cargos em novas universidades
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A base aliada do governo na Câmara recuou na votação do projeto de lei que cria 7,8 mil cargos em novas universidades federais e escolas técnicas criadas entre o ano passado e 2008.
Pressionados pela oposição, os governistas decidiram tirar o projeto da pauta para evitar que DEM e PSDB obstruam a votação da MP (medida provisória) 443 –editada pelo governo em meio à crise econômica–, que autoriza os bancos públicos brasileiros, a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil a adquirirem participações em instituições financeiras no país sem passar por um processo de licitação.
Os governistas convenceram o ministro Fernando Haddad (Educação) a deixar a votação do projeto para depois da análise da MP. A idéia da base aliada é colocar o projeto em pauta antes do final do ano legislativo, em dezembro. Haddad se reuniu nesta quinta-feira com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para discutir a votação do projeto.
O ministro, inicialmente, não havia se convencido do adiamento da votação. Haddad argumenta que o impacto da criação dos cargos já está previsto no orçamento do governo federal antes da crise ter início, por isso vai discutir o assunto com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento).
Haddad disse que vai fazer um estudo sobre as fontes de financiamento dos novos cargos, além de um cronograma novo para tentar viabilizar a votação do projeto.
"Os líderes não querem refrear a criação de cargos, mas escalonar tudo por causa da crise. Ficamos de estudar, então vamos conversar com o ministro Paulo Bernardo para redefinir um cronograma novo. Em uma semana vamos trazer um reescalonamento da implantação das vagas e mostrar que há dinheiro no Orçamento para pagar por esses profissionais", afirmou.
Os governistas se comprometeram em dialogar com a oposição, também no Senado, para permitir que o projeto seja votado pelas duas Casas Legislativas depois da MP anti-crise. Haddad disse esperar que o texto seja sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o final deste ano.
"Retiramos da pauta para não atrapalhar a 443 e votamos assim que tiver o acordo. Com a volta do ministro com os dados nas mãos, isso não será difícil", disse o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE).
A MP 443 deve entrar na pauta de votações da Câmara na próxima terça-feira. Esta semana não houve acordo para votar a medida. Os governistas vão discutir com o ministro Guido Mantega (Fazenda) a votação do texto.
retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u464857.shtml






