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Saúde e bem-estar

Assimilação dos complexos – C. G. Jung

Segundo Jung: Assimilação dos complexos.

Um passo dos mais importantes para o conhecimento de si próprio, bem como para o tratamento das neuroses, será trazer à consciência os complexos inconscientes.
Mas convém não esquecer que a tomada de consciência do complexo apenas no plano intelectual muito pouco modificará sua influência nociva. Há neuróticos que seriam até capazes de escrever excelentes monografias sobre seus conflitos mas que continuam quase tão doentes quanto antes. Para que se dê a assimilação de um complexo será necessário, junto à sua compreensão em termos intelectuais, que os afetos nele condensados sejam abreagidos. isto é, exteriorizem-se através de descargas emocionais. Os primitivos davam expressão a choques e traumas emocionais por meio de danças e cantos repetidos inúmeras vezes até que se sentissem purgados desses afetos.
Nós pretendemos funcionar só com a cabeça. Por isso discorremos inteligentemente sobre nos sos complexos, mas eles continuam bem encravados na textura inconsciente-corpo, produzindo sintomas somáticos e psíquicos totalmente irracionais.

Todos os fenômenos psíquicos são de natureza energética. Os complexos são nós de energia.

Jung vê a psique em incessante dinamismo. Correntes de energia cruzam-se continuadamente. Tensões diferentes, pólos opostos, correntes em progressão e em regressão entretêm movimentos constantes.

Numa visão de conjunto da energética psíquica, Jung postula a existência de dois pólos fundamentais que se defrontam. De uma parte estão as forças que alimentam o insaciável apetite dos instintos e, de outra parte, as forças que se opõem às primeiras, que restringem a impetuosidade instintiva. A inter-relação dessas forças antagonistas promove a auto regulação do equilíbrio psíquico.
O combate entre esses dois opostos tem sido vivenciado pelo homem em todos tempos e comumente é designado pela oposição natureza-espírito. Espírito não é entendido  aqui como  algo transcendente. Para Jung, as forças que se opõem à instintividade são tão naturais quanto os próprios instintos e, tanto quanto estes, são poderosas. “Rigorosamente falando, o principio espiritual não entra em colisão com o instinto, mas com a instintividade cega na qual se manifesta predominância injustificada da natureza instintiva em relação ao espiritual. O espiritual também se apresenta na vida psíquica como um instinto, mesmo como uma paixão ou, segundo disse Nietzsche, “como um fogo devorador”. Não se deriva de qualquer outro. instinto, mas é um principio sui generis, uma forma especifica e necessária da força instintiva.
Do jogo entre tensões opostas resulta a liberação de relativos excedentes de energia e o natural estabelecimento de declives por onde se escoe esta energia livre. Com efeito, a história da humanidade demonstra que já o homem primitivo conseguia dispor de cotas de energia para aplicação utilitária no mundo exterior e para operações transformadoras internas, que se realizavam por intermédio da formação de símbolos religiosos, de rituais e de atos mágicos. Não está todavia no poder do homem canalizar os excedentes energéticos para objetos escolhidos racionalmente.

O processo de individuação é descrito em imagens nos contos de fada, mitos, no opus alquímico, nos sonhos, nas diferentes produções do inconsciente. Sobretudo através dos sonhos será possível acompanhá-lo ao vivo nos progressos, interrupções, regressões e interferências várias que perturbem seu desenvolvimento.

A preliminar será o desvestimento das falsas roupagens da persona. Para estabelecer contatos com o mundo exterior, para adaptar-se às exigências do meio onde vive, o homem assume uma aparência que geralmente não corresponde ao seu modo de ser autêntico. Apresenta-se mais como os outros esperam que ele seja ou ele desejaria ser, do que realmente como é. A esta aparência artificial, Jung chama persona, designação muito adequada, pois os antigos empregavam esse nome para denominar a máscara que o ator usava segundo o papel que ia representar. O professor, o médico, o militar, por exemplo, de ordinário mantêm uma fachada de acordo com as convenções coletivas, quer no vestir, no falar ou nos gestos. Os moldes da persona são recortes tirados da psique coletiva.
Se, numa certa medida, a persona representa um sistema útil de defesa, poderá suceder que seja tão excessivamente valorizada a ponto do ego consciente identificar-se com ela. O individuo funde-se então aos seus cargos e títulos, ficando reduzido a uma
impermeável casca de revestimento. Por dentro não passa de lamentável farrapo, que facilmente será estraçalhado se soprarem lufadas fortes vindas do inconsciente.

Nenhum exemplo ilustrará melhor o que seja a persona, que o conto de Machado de Assis – O Espelho. Neste conto, Machado apresenta a teoria de que o homem tem duas almas: “uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro”. (… ) “Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc.” E narra o caso de um jovem que, sendo nomeado alferes da guarda nacional, tanto se identificou com a patente que “o alferes eliminou o homem”. Quando, por circunstancias especiais, ele foi obrigada a ficar sozinho numa casa de campo onde não havia ninguém para prestar as louvações e marcas de respeito devidas ao alferes, sentiu-se completamente vazio. Até sua imagem no espelho, ele via esfumada, sem contorno nítido. Este fenômeno estranho levou-o ao pânico. Desesperado, lembrou-se de vestir a farda de alferes. “O vidro reproduziu então a figura integral, nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior”.

Quanto mais a persona aderir á pele’ do ator, tanto mais dolorosa será a operação psicológica para despi-la. Quando é retirada a máscara que o ator usa nas suas relações com o mundo, aparece uma face desconhecida. Olhar-se em espelho, que reflita cruamente esta face, é decerto ato de coragem. Será visto nosso lado escuro onde moram todas as coisas que nos desagradam en nós, ou
mesmo que nos assustam. 8 nossa sombra. Os primitivos acreditavam que a sombra projetada por seus corpos, ou sua imagem refletida n’água, fosse uma parte viva deles próprios. E, com efeito, a sombra (em sentido psicológico) faz parte da personalidade
total. As coisas que não aceitamos em nós, que nos repugnam, e por isso as reprimimos, nós as projetamos sobre o outro, seja ele o nosso vizinho, o nosso inimigo político, ou uma figura símbolo como o demônio. E assim permanecemos inconscientes de que as
abrigamos dentro de nós. Lançar luz sobre os recantos escuros tem como resultado o alargamento da consciência. Já não é o outro quem está sempre errado. Descobrimos que freqüentemente “a trave” está em nosso próprio olho.
Quanto mais a sombra for reprimida mais se torna espessa e negra.

Valerá a pena o árduo trabalho da individuação? Aqueles que não se diferenciam permanecem obscuramente envolvidos numa trama de projeções, confundem-se, fusionam-se com outros e deste modo são levados a agir em desacordo consigo, com o plano básico inato de seu próprio ser. E é este “desacordo consigo mesmo que constitui fundamentalmente o estado neurótico”. Prossegue Jung: “A libertação deste estado só sobreviverá quando se pode existir e agir de conformidade com aquilo que é sentido como sendo a própria verdadeira natureza”. Este sentimento será de início nebuloso e incerto mas, à medida que evolui o processo de individuação, fortalece-se e afirma-se claramente. Então o homem poderá dizer, ainda que em meio a dificuldades externas e internas, ainda reconhecendo que nenhuma carga é tão pesada quanto suportar a si mesmo: “Tal como sou assim eu ajo”.

Retirado de JUNG VIDA E OBRA – NISE DA SILVEIRA


Em época de muito trabalho, o ócio simboliza tempo livre para pensar

Dom, 24 de Julho de 2011 08:24

ENSAIO

Apologia da preguiça

O sequestro do nosso tempo pelo trabalho

RESUMO
Em tempos de tecnociência, permanece irrealizada a utopia da libertação do homem pelas máquinas: nunca se trabalhou tanto, e o tempo livre jamais esteve tão fora da pauta. Ora estigmatizado na ordem produtiva, ora exaltado na tradição filosófica, o preguiçoso é hoje o símbolo do tempo livre para o pensamento.

ADAUTO NOVAES

O trabalho deve ser maldito, como ensinam as lendas sobre o paraíso, enquanto a preguiça deve ser o objetivo essencial do homem. Mas foi o inverso que aconteceu. É esta inversão que gostaria de passar a limpo.
Malevitch, “A Preguiça como Verdade Definitiva do Homem”

SABE-SE QUE uma única palavra é suficiente para arruinar reputações e, entre todas, preguiça é uma das mais suspeitas e perigosas. Ao longo dos séculos, foi carregada de significações contraditórias e impressionantes variações.
Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também sabe ser tema de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso. Preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular.
Para o preguiçoso, “é preciso ser distraído para viver” (Paul Valéry), afastar-se do mundo sem se perder dele; exatamente por isso, é acusado de não contribuir para o progresso.
Além de praticar crime contra a sociedade do trabalho, o preguiçoso comete pecado capital. Pela lógica do mundo do trabalho e da igreja, ele deve sentir-se culpado, pagar pelo que não faz.
Mais: pensadores como Lafargue, Stevenson, Bertrand Russell, Jerome K. Jerome, Marx e Samuel Johnson apostaram no desenvolvimento técnico como possibilidade de liberação do trabalho. Erraram: na era da tecnociência, nunca se trabalhou tanto e nunca se pensou tão pouco. Assim, o espírito tende a se tornar coisa supérflua.

O QUE FAZER Ao pensar sobre o fazer, o ocioso pode prestar um grande serviço e ajudar a responder à velha questão moral: o que devo fazer? Dependendo da resposta, teremos diferentes definições do que seja o homem, a política, as crenças, o saber, nossa relação com o mundo, e, principalmente, nossa relação com o trabalho. A resposta pode nos dizer não apenas o que fazemos mas também o que o trabalho faz em nós.
Hoje, maravilhosas máquinas “economizam” o trabalho mecânico, mas criam novos problemas: primeiro, uma espécie de intoxicação voluntária, isto é, “mais a máquina nos parece útil, mais ela nos torna incompletos” (Valéry).
A máquina governa quem a devia governar; daí decorre o segundo problema, bem mais complexo: tantas potências auxiliares mecânicas tendem a reduzir “nossas forças de atenção e de capacidade de trabalho mental”, o que se relaciona à impaciência, à rapidez e à volatilidade nunca antes vistas.
Assim escreveu Paul Valéry (1871-1945): “Adeus, trabalhos infinitamente lentos, catedrais de 300 anos cuja construção interminável acomodava curiosas variações e enriquecimentos sucessivos… Adeus, perfeições da linguagem, meditações literárias e buscas que tornavam as obras ao mesmo tempo comparáveis a objetos preciosos e a instrumentos de precisão!
[...] Eis-nos no instante, voltados aos efeitos de choque e contraste, quase obrigados a querer apenas o que ilumina uma excitação de acaso. Buscamos e apreciamos apenas o esboço, os rascunhos. A própria noção de acabamento está quase apagada”.

MONTAIGNE Valéry retoma uma tradição. Lemos em Montaigne (1533-92) que “a alma que não tem um fim estabelecido perde-se. Porque, como se diz, estar em toda parte é não estar em lugar algum”. Aqui, entendemos por alma o “trabalho teórico do espírito”, potência de transformação. O que leva a alma (espírito) a se perder é o trabalho desordenado.
Habitar o próprio eu, comenta Bernard Sève, é o projeto de Montaigne: viver em repouso, longe das agitações do mundo, retirar-se da pressa do mundo “para se conquistar, passar do negotium ao otium”, do negócio ao ócio.
É isso que podemos ler na inscrição que Montaigne mandou pintar nas paredes da sua torre: “No ano de Cristo de 1571, aos 38 anos, vésperas das calendas de março, dia de aniversário de seu nascimento, depois de exercer longamente serviços na Corte (Parlamento de Bordeaux) e nos negócios públicos [...] Michel de Montaigne consagrou este domicílio, este tranquilo lugar vindo de seus ancestrais, à sua própria liberdade, à sua tranquilidade, ao seu ‘loisir’ (otium)”.
Eis que Montaigne recolhe-se ao ócio reflexivo, com um espírito criativo leve e vagabundo. Como escreve Sève, um Montaigne distante das pressões políticas e das injunções do trabalho burocrático, com o espírito já amadurecido, “construído pela vida, espírito prestes ao fecundo exercício de uma ociosidade inteligente e feliz”. Mas interpretemos com cuidado esse afastamento do mundo.
Se a vida teórica aparece mais compensadora, é porque Montaigne não encontrou na vida prática -social e política-, no Parlamento de Bordeaux, aquilo que buscava. À diferença dos comuns, Montaigne não procurava satisfação no reconhecimento social e político. No ócio, preferiu a busca da verdade às coisas da política.
Sua “contemplação” teórica é discursiva, isto é, transforma-se em atos de pensamento e, portanto, em atividade prática. Nascem aí os monumentais “Ensaios”.

FOUCAULT A aliança entre capital, igreja e disciplina militar para regular o trabalho tem história. Em um curso de 1973, ainda não publicado, Michel Foucault (1926-84) narra a institucionalização do trabalho através da “fábrica-caserna-convento” no final do século 19. Ele descreve as regras de uma comunidade fechada de até 400 trabalhadores: acordar às 5h, 50 minutos para toalete e café, trabalho nas oficinas das 6h10 às 20h15, com uma hora para as refeições. À noite, jantar, reza e cama às 21h. Só no sul da França, 40 mil operárias trabalhavam nessas condições.
O trabalhador é fixado no aparelho produtivo, no qual “o tempo da vida está submetido ao tempo da produção”. Vemos nessa experiência uma mudança essencial que nos interessa porque se torna mais aguda e determinante no trabalho hoje: “da fixação local a um sequestro temporal”. Ou melhor, da ideia de controle do espaço no trabalho à ideia de controle do tempo.
O trabalho sequestrou o tempo. Se, no século 19, o controle do tempo era apresentado ao operário como um “aprendizado de qualidades morais” que, na realidade, significava a integração da vida operária ao processo de produção, hoje o controle é aceito com naturalidade, e até mesmo desejado.
O homem se integra voluntariamente “a um tempo que não é mais o da existência, de seus prazeres, de seus desejos e de seu corpo, mas a um tempo que é o da continuidade da produção, do lucro”.
A reivindicação de tempo livre tornou-se quase que palavra de ordem subversiva: “Preciso tanto de nada fazer que não me resta tempo para trabalhar”, conclama Pierre Reverdy, citado no prefácio ao livro de Denis Grozdanovitch “A Difícil Arte de Quase Nada Fazer”.

TRABALHO CEGO A mobilização veloz e incessante do trabalho cego não permite ao homem dizer qual é o seu destino e muito menos o que acontece. Ele não dispõe de tempo para pensar e muito menos tem consciência de que seus gestos, no trabalho, produzem muito mais do que os objetos que fabrica.
Há um excedente invisível, entendendo-se por “excedente” tudo o que não é mensurável, que produz catástrofes através do trabalho “normal e produtivo” e se manifesta na poluição, nos desastres ecológicos, no esquecimento e na desconstrução de si.
Como nos lembra Robert Musil em “O Homem sem Qualidades”, foi preciso muita virtude, engenho e trabalho para tornar possíveis as grandes descobertas científicas e técnicas, graças aos sucessos dos “homens de guerra, caçadores e mercadores”. Tudo isso fundado na disciplina, no senso de organização e na eficácia do trabalho, o que talvez pudesse ser resumido assim: o trabalho mecânico da produção de mercadorias pretende tomar o mundo de assalto, produzindo agitação social e frenesi econômico e consumista, dada a multiplicação de objetos “não naturais e não necessários”.
Já o preguiçoso põe-se na escuta de si e do mundo que o cerca.

PENSAMENTO Talvez o mais danoso de todo esse legado para o espírito humano seja a criação de um mundo vazio de pensamento que o ocioso procura preencher. Guardo uma imagem que o poeta e filósofo Michel Deguy me fez ver à janela de seu apartamento, em Paris: um mendigo que dormia 20 horas por dia na escadaria da igreja Saint-Jacques.
Deguy narra essa experiência em um pequeno ensaio com o título “Do Paradoxo”: em imagem semelhante, diz ele, também nas escadarias de uma igreja, “a ‘Derelitta’ de Botticelli está pelo menos sentada, parecendo meditar. Hoje, ninguém medita, como dizia Valéry na figura de M. Teste. Portanto, o mendigo talvez não esteja errado, uma vez que o fato de estar deitado nada muda [...] E quando lembro que Pascal era o pároco da igreja e cuidava dos abandonados, a comparação me perturba: os ‘pobres’ não são mais como eram -mas os pensadores também não. Portanto, o ‘despertar do pensamento’? Nós, você e eu, não queremos dormir. Mas estamos acordados?”
O trabalho técnico, mecânico e acelerado abole o tempo do pensamento, que exige virtudes atribuídas ao preguiçoso: paciência, lentidão, devaneio, acaso -o imprevisto. Em um texto célebre, Valéry nota: “O futuro não é mais como era”. Isto é, não há mais o tempo lento do pensamento, momento em que o tempo não contava. Sabemos que é na vida meditativa e lenta que o homem toma consciência da sua condição.

SERES OCULTOS Ora, como escreveu ainda Valéry, o amanhã é uma potência oculta, e o homem age muitas vezes sem o objeto visível de sua ação, como se outro mundo estivesse presente, “como se ele obedecesse a ações de coisas invisíveis ou de seres ocultos”.
Essa poderia ser uma boa definição do ocioso. Coisas invisíveis e seres ocultos participando do mundo do devaneio e do pensamento. Mundo do trabalho do espírito, em contraposição ao trabalho mecânico.
As ideias e os valores, lembra-nos Maurice Merleau-Ponty (1908-61), não faltam a quem soube, na sua vida meditativa, liberar a fonte espontânea, não deliberadamente, em direção a fins predeterminados por cálculos técnicos e produtivos. Todo trabalho finito e alienado é pura perda.
Através de uma admirável reversão, o meditativo transforma a desrazão do mundo do trabalho alienado em fonte de razão. Isso porque o trabalho meditativo do ocioso é um trabalho sem finalidade, sem “telos”, um trabalho sem fim. O trabalho meditante do ocioso exige muito mais trabalho do que o trabalho mecânico. O trabalho da obra de arte e da obra de pensamento pede um tempo que não pode ser medido pelo relógio.

PREGUIÇOSO Como se pode, então, pensar essa figura que sempre teve péssima reputação? Talvez uma boa definição seja a de um autor inglês, Jerome K. Jerome (1859-1927), em seu livro “Pensamentos Preguiçosos de um Preguiçoso” (1886): “O que melhor caracteriza um verdadeiro preguiçoso é o fato de ele estar sempre intensamente ocupado. De início, é impossível apreciar a preguiça se não há uma massa de trabalho diante de si. Não é nada interessante nada fazer quando não se tem nada a fazer! [...] Perder seu tempo é uma verdadeira ocupação, e uma das mais fatigantes. A preguiça, como um beijo, para ser agradável, deve ser roubada”.
Jerome K. Jerome leva-nos a pensar que a preguiça não é coisa passiva. Perder o tempo mecânico dá trabalho e exige enorme atividade do espírito.
O egípcio Albert Cossery é apresentado pela revista francesa “Magazine Littéraire” como o escritor contemporâneo que celebra a preguiça como uma arma de subversão política e como um modo de resistir à impostura das potências. Para Cossery, o exercício da preguiça tem o valor da arte de viver. Mas ele distingue dois tipos de preguiçosos: os idiotas e os reflexivos.
“Um idiota preguiçoso permanece idiota!”, escreve. “E um preguiçoso inteligente é quem reflete sobre o mundo no qual vive. Mais você é ocioso, mais tempo você tem tempo para refletir… Esses são os valores da preguiça, que supõe, pois, dupla recusa: nosso mundo imediato e a triste realidade.”
Mas o mais radical dos libelos contra o trabalho alienado continua a ser o pequeno ensaio de Paul Lafargue (1842-1911), “O Direito à Preguiça” (1880). “Trabalhem, trabalhem, proletários, para aumentar a fortuna social e suas misérias individuais; trabalhem, trabalhem, para que, tornados mais pobres, tenham mais razões ainda para trabalhar e tornarem-se miseráveis. Essa é a lei inexorável da produção capitalista”.
Para Lafargue, o trabalho é invenção relativamente recente, uma vez que os antigos gregos desprezavam o trabalho e deliciavam-se com os “exercícios corporais” e os “jogos de inteligência”. Ele critica a moral cristã ao proclamar o “ganharás o pão com o suor do rosto” e ao lembrar que Jeová, “depois de seis dias de trabalho, repousou por toda a eternidade”.
Robert Louis Stevenson (1850-94), na “Apologia dos Ociosos” (1877), mostra que o ócio “não consiste em nada fazer, mas em fazer muitas coisas que escapem aos dogmas da classe dominante”.

MELANCOLIA A tradição relaciona a melancolia e o devaneio à preguiça. Nisso, mais uma vez, igreja e capital estão juntos. O trabalho é o grande meio que a igreja encontrou para lutar contra a melancolia e a vertigem do tempo livre. Seu lema sempre foi “Rezai e trabalhai”, ou seja, só abandonar a oração quando as mãos estiverem ocupadas.
Lemos em um ensaio de Jean Starobinski sobre a melancolia -”A Erupção do Diabo-” que o trabalho tem por efeito ocupar inteiramente o tempo que não pode ser dado à oração e aos atos de devoção: “Sua função”, escreve ele, “consiste em fechar as brechas por onde o demônio poderia entrar, por onde também o pensamento preguiçoso poderia escapar”. Assim, o trabalho interrompe o “vertiginoso diálogo da consciência com seu próprio vazio”.
A crítica que Jean-Jacques Rousseau (1712-78) faz ao trabalho não é diferente. Na sétima caminhada dos “Devaneios de um Caminhante Solitário” (1782), ele busca a solidão, mas procura trabalhar tudo o que o cerca, escolhendo o mais agradável. Não escolhe os minerais porque, escondidos no fundo da terra “para não tentar a cupidez”, exigem indústria, trabalho, pena e exploração dos miseráveis nas minas.
As plantas não. A botânica é o estudo de um “ocioso e preguiçoso solitário”: “Ele passeia, erra livremente de um objeto a outro, passa em revista cada flor… Há, nesta ociosa ocupação, um charme que só se sente na plena calma das paixões, o que basta para tornar a vida feliz e tranquila. Mas, quando se mistura aí um motivo de interesse ou vaidade, seja para ocupar espaços, seja para escrever livros, ou quando se quer aprender apenas para se instruir ou pesquisar as plantas apenas para se tornar professor, todo o charme da tranquilidade se desfaz; [...] no lugar de observar os vegetais na natureza, ocupa-se apenas com sistemas e métodos”.
O que importa hoje, talvez, é propor a luta do progresso contra o progresso; isto é, a valorização do progresso do espírito, a valorização dos valores contra o progresso técnico, esta “ilusão que nos cega”. Eleger a quietude, o silêncio e a paciência para conhecer e aprofundar indefinidamente as coisas dadas.
Eis o ócio que Karl Kraus (1874-1936) nos propõe: “Se o lugar aonde quero chegar só puder ser alcançado subindo uma escada, eu me recusarei a fazê-lo. Porque lá aonde eu quero realmente ir, na realidade já devo estar nele. Aquilo que devo alcançar servindo-me de uma escada não me interessa”.

“O que importa hoje, talvez, é propor a luta do progresso contra o progresso; isto é, a valorização do progresso do espírito, a valorização dos valores”

“Além de praticar crime contra a sociedade do trabalho, o preguiçoso comete pecado capital. Pela lógica do mundo do trabalho e da igreja, deve sentir-se culpado”

“O trabalho meditativo do ocioso é sem finalidade, sem “telos”, um trabalho sem fim; exige muito mais trabalho do que o trabalho mecânico”

“O trabalhador é fixado no aparelho produtivo, no qual “o tempo da vida está submetido ao tempo da produção”. O trabalho sequestrou o tempo”

Retirado de:  Folha de S. Paulo – http://click.uol.com.br/?rf=home-jornais&u=http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il2407201105.htm

Para aprofundar está reflexão consulte – http://pt.scribd.com/doc/33126105/Pesquisas-em-fenomenologia-compreendem-o-lazer-o-ocio-e-o-trabalho?in_collection=2714181


Todo o poder da ioga.

A técnica ganha o respeito da medicina e é usada para ajudar no tratamento de câncer, obesidade, dor crônica e doenças cardíacas, respiratórias e psiquiátricas

Cilene Pereira e Mônica Tarantino

Assista ao vídeo e saiba o que pensam dois especialistas em terapias complementares :

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Nesta semana, o mundo acompanha, como de costume, as novidades divulgadas durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, conhecido como Asco, o maior e mais importante encontro mundial sobre câncer. Neste ano, entre os destaques mostrados no centro de convenções, em Chicago, um, especialmente, chama a atenção não só pela importância de seus resultados como também pelo simbolismo que carrega. Pesquisadores do MD Anderson Cancer Center – uma das principais instituições do planeta para o tratamento da doença – apresentarão um trabalho no qual relatam como a ioga ajuda a tratar o câncer.

No estudo, realizado com portadoras de tumor de mama submetidas a sessões de radioterapia, ficou comprovado que o método, além de reduzir os níveis de cortisol (hormônio liberado em situações de estresse), melhora o funcionamento do corpo em geral. Entre outros ganhos, as participantes demonstraram maior capacidade de execução de tarefas cotidianas, mas difíceis de ser efetuadas por causa da doença, como subir escadas ou dar uma volta no quarteirão. Também sentiram menos cansaço, dormiam melhor e ainda encontraram uma forma menos doída de lidar com seu drama particular. “Elas dão mais foco à espiritualidade, na conexão consigo mesmas e com as outras pessoas”, disse à ISTOÉ Lorenzo Cohen, diretor do Programa de Medicina Integrativa do MD Anderson e responsável pela pesquisa. “Dessa maneira, fica mais fácil perceber o que realmente precisam e como alcançar essa meta.”

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HOSPITAL
Na Clínica Mayo (EUA), há aulas para pacientes
com insuficiência cardíaca e doenças respiratórias

A apresentação de uma pesquisa sobre ioga em um evento mundial no qual a tônica, historicamente, sempre foi a divulgação de novidades que giram em torno da medicina tradicional – novos remédios ou aparelhos, por exemplo – é emblemática. O fato é a evidência mais concreta de que a medicina ocidental está incluindo a ioga na sua lista de recursos contra as doenças. Criada há cerca de cinco mil anos no lugar onde hoje é a Índia, a ioga é uma filosofia de vida (leia mais no quadro à pág. 107). Seu princípio fundamental é o de facilitar a conexão do corpo com a mente, entendidos como uma coisa única, indissociável. Não é por outra razão que, em sânscrito, a língua usada em rituais do hinduísmo, a palavra ioga remete ao significado de atrelar. Para que isso seja possível, ela se apoia em recursos como a meditação, a respiração profunda e a execução dos ásanas, posturas corporais inspiradas em animais ou em outras referências da natureza.

Depois de desembarcar no Ocidente como mais uma excentricidade do Oriente, a prática hoje ganhou o respeito da ciência e recebeu o direito de entrar pela porta da frente em alguns dos mais renomados serviços de saúde do planeta. O método figura entre as terapias complementares disponíveis no MD Anderson, no Massachusetts General Hospital, em Boston, e no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, por exemplo.

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PRÁTICA
Adepto, o cientista Krystal estuda
como o método ajuda a emagrecer

Na Clínica Mayo, outro respeitado serviço de saúde, localizado também nos EUA, ela é ofertada a portadores de doenças diversas. O pneumologista Roberto Benzo, por exemplo, a aplica no tratamento de insuficiência cardíaca (o coração perde a capacidade de bombear o sangue para o corpo) e de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), mal caracterizado pela destruição progressiva dos alvéolos pulmonares. “Os principais benefícios são a redução da dificuldade respiratória e a melhora do condicionamento físico”, explicou Benzo à ISTOÉ.

No Brasil, o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, um dos mais importantes da rede privada do País, prepara-se para oferecer a prática como mais uma opção de seu departamento de terapias complementares. No Hospital A. C. Camargo, também na capital paulista e especializado no atendimento a pacientes com câncer, aulas de ioga começaram a ser adotadas recentemente. “Elas ocorrem uma vez por semana”, informa a professora Aline Chrispan. “As participantes controlam melhor a ansiedade que aparece durante o tratamento.”

O mesmo movimento de incorporação da ioga pela medicina vem sendo registrado nos consultórios. “Indico para alguns pacientes, como os portadores de artrose”, diz o médico Mário Sérgio Rossi, coordenador do comitê de terapias complementares do Hospital Albert Einstein. “A prática ajuda na lubrificação das articulações, sem causar traumatismo”, diz. Doença inflamatória crônica, a artrose se caracteriza pela ocorrência de dor e deformações nas articulações. Por isso, além dos remédios específicos, é importante que os pacientes mantenham a funcionalidade das articulações por meio de exercícios corretos, que não agridam ainda mais essas estruturas. Por isso a ioga, com seus movimentos suaves e alongados, é uma boa opção.

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APOIO
O médico Rossi (à esq.) indica para tratar artrose.
À dir. aulas no Hospital A. C. Camargo (SP)

Na clínica do dentista Fausto Ito, especialista em apneia do sono e ronco, do Rio de Janeiro, os pacientes são orientados a praticá-la, de preferência, em ambientes com pouca ou nenhuma iluminação. “A ausência da luz ajuda na produção da melatonina, um indutor natural do sono”, explica. “Os efeitos da ioga são potencializados e o resultado é a melhora na qualidade do sono.”
Uma pesquisa que acaba de ser publicada no Archives of Internal Medicine dá uma ideia da importância que a terapia vem ganhando. De acordo com o trabalho, 30% dos americanos fazem uso do método, assim como de outros do gênero, como acupuntura e meditação. E um em cada 30 pacientes recebeu a recomendação da prática de seus próprios médicos. “Há boas evidências da eficácia dessas técnicas, mas não esperávamos que o índice de aceitação pelos médicos fosse tão alto”, afirmou Aditi Nerurkar, da Harvard Medical School (EUA), autor do levantamento.

Ao mesmo tempo que sua indicação se consolida, proliferam pelos centros de pesquisas estudos para investigar o alcance de seus benefícios. Aqui no Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) atestaram o efeito do método contra a hipertensão após a realização de um trabalho que acompanhou executivos com o perfil clássico desses profissionais: estressados, ansiosos e com pressão fora de controle. “Após oito meses, houve mudanças no estilo de vida e resgate da saúde”, contou o médico Fernando Bignardi. “E deixaram de ser hipertensos.”

Nos EUA, na Boston University School of Medicine, verificou-se que a ioga apresenta resultados mais eficazes no controle de distúrbios de humor, depressão e ansiedade em comparação a outros exercícios, como a caminhada. “Em exames posteriores à realização dos exercícios, os participantes exibiam taxas mais elevadas do Gaba, uma substância cerebral cujo nível, se estiver baixo, está associado a desequilíbrios de ordem emocional”, disse à ISTOÉ Chris Streeter, professora de psiquiatria e coordenadora do trabalho.

Essa característica – a de ajudar a lidar com os sentimentos – também está fazendo da ioga uma aliada contra a obesidade. É verdade que a própria execução dos exercícios já auxilia na queima de calorias. No entanto, a ciência está constatando que o impacto é mais profundo. Um claro indicativo foi registrado em uma pesquisa da Fred Hutchinson Cancer Research Center (EUA). Os cientistas acompanharam as respostas de mulheres que estavam magras ou com sobrepeso. “Em dez anos, as praticantes ganharam menos peso do que aquelas que não faziam ioga”, explicou à ISTOÉ Alan Krystal, responsável pela pesquisa. “E isso ocorreu independentemente do nível de atividade física e dos padrões de alimentação de cada uma”, disse. Na avaliação do cientista, o que está por trás do resultado é a consciência, despertada pela ioga, do tamanho real do apetite. O método ajuda o indivíduo a perceber por que está comendo e a parar quando satisfeito.

De fato, quando usada em doenças permeadas por forte conteúdo emocional – caso da obesidade –, a ioga manifesta uma particular eficácia. Pacientes com fibromialgia, por exemplo, estão entre os mais beneficiados. A enfermidade manifesta-se pela ocorrência de dor crônica e generalizada pelo corpo. Com o passar do tempo, torna-se um inferno na vida do portador. Debilitado pela dor constante, aos poucos ele se isola, deprime-se.

Uma iniciativa da Oregon Health & Science University (EUA) revelou como o método pode ajudar. Foram recrutadas 53 mulheres com fibromialgia. As voluntárias foram avaliadas depois de ser submetidas a um programa de ioga desenhado para suas necessidades – contemplando mais fortemente aspectos como dor, fadiga, problemas com o sono e dificuldades emocionais acarretadas pela doença. Todos os pontos apresentaram melhora. Um deles chamou a atenção. “Elas ficaram mais dispostas para a vida, apesar do sofrimento”, disse James Carson, coordenador do trabalho. “E aprenderam a não dar tanto espaço a tendências ruins, como a de supervalorizar a dor.”
Na opinião de Marcos Rojo, professor e pesquisador da técnica na Universidade de São Paulo, uma das explicações para modificações como essa é justamente o estabelecimento da conexão mente-corpo perseguida pela ioga. “Ela trabalha mecanismos que têm alguma relação um com o outro. Por exemplo, se você passa por um período de muita ansiedade, pode ter alterações no sistema digestivo ou cardiorrespiratório”, diz. “Um dos objetivos da ioga é fazer o caminho inverso: trabalhar o corpo para interferir nas emoções”, afirma.

É sabido que a atuação também se dá no nível físico propriamente dito. Um exemplo é o que proporciona no caso da dor. “Quando a pessoa sente o sintoma, se contrai. Com a ioga, aprende a relaxar profundamente”, explica Luciana Brandão, do Estúdio Ioga na Cidade, de São Paulo, e pós-graduanda na Unifesp em terapias complementares. “O sangue circula mais, ajudando a reduzir a sensação”, complementa.

No caso das doenças respiratórias, o efeito produzido pelos exercícios de respiração aumenta a eficiência dos músculos que integram o sistema responsável pela oxigenação do organismo. Em uma análise realizada por médicos da Chicago Medical School (EUA), o benefício foi constatado após acompanhamento de 22 pacientes que fizeram aulas de uma hora, três vezes por semana, durante um mês e meio.

Há dois pontos ainda não completamente esclarecidos no que se refere ao uso terapêutico da ioga. O primeiro diz respeito ao formato das aulas. O segundo, à frequência com que devem ser feitas. Em relação ao tipo de aula, a tendência é criá-las para ser mais específicas. Na Escola Narayana, uma das mais tradicionais de São Paulo, os responsáveis recebem alunos interessados no auxílio que a ioga pode trazer para males distintos. “Desenvolvemos aulas de acordo com a questão de saúde de cada um”, afirma Luzia Rodrigues, coordenadora da escola. Quanto à frequência ideal, restam dúvidas. “Ninguém ainda sabe dizer ao certo”, disse à ISTOÉ Brent Bauer, da Clínica Mayo. O médico orienta seus pacientes a praticar pelo menos 30 minutos todos os dias.

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Pressão sob controle
Foi um caso grave de aneurisma da aorta, há cinco anos, que fez o compositor e guitarrista Yvo Ursini, 33 anos, repensar sua vida e encontrar a ioga. Embora o problema de saúde lhe imponha algumas limitações – como não realizar exercícios que alterem o fluxo sanguíneo para a cabeça –, ele comemora os avanços. “Melhorei muito minha consciência corporal e minha pressão arterial está mais controlada.”

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Postura contra a dor
Durante uma aula de ioga, é preciso capacidade de alongamento e força nos músculos de todo o corpo. Um dos resultados dessa combinação de esforços é o alívio da dor. “Tenho uma alteração na coluna lombar e a ioga me ajuda a aliviar a tensão que causa dor”, conta a administradora na área médica Carla Hellner, 42 anos.

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Alívio depoisdo câncer
Após a retirada dos seios devido a um câncer, a auxiliar administrativa Adriana Ferreira Lima, 34 anos, encontrou na ioga uma forma de acelerar sua reabilitação. “Faço posturas mais lentas para recuperar a mobilidade do braço e da mão, prejudicados pela cirurgia”, fala. “Comecei há seis meses, mas já sinto que meus movimentos e minha respiração melhoraram.”

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De aluno a professor
Primeiro ele se interessou como aluno. “Procurei a ioga em busca de mais sintonia entre corpo e mente”, conta o professor de educação física Isaías Lemos, 31 anos. Alguns anos depois, contente com os resultados, ele resolveu fazer um curso de especialização. “Acabei trocando a ginástica artística, modalidade da qual era treinador, pela ioga.” Hoje ele dá aula e é referência para os outros professores da modalidade, na academia Bio Ritmo, em São Paulo.

A história da filosofia

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INÍCIO
O deus Shiva teria passado os ensinamentos aos hindus

Uma aura de mistério envolve as origens da ioga. Acredita-se que a filosofia tenha surgido há cerca de cinco mil anos, no território onde atualmente se localiza a Índia. Para os hindus, os ensinamentos foram dados por Shiva – deus da transformação. Durante muitos séculos não houve registro escrito da técnica: os mestres passavam os conhecimentos aos seus discípulos por meio da tradição oral. O primeiro registro data de pouco mais de dois mil anos, com o livro que ficou conhecido como “Yoga Sutra”.

A produção científica em torno do tema é ainda mais recente. Começou na década de 1920, com a criação de um instituto governamental na Índia para pesquisar os efeitos da ioga sobre o corpo. “À época essa iniciativa não foi vista com muita felicidade pelos indianos, pois a eles a tradição bastava, não era necessária a preocupação científica”, diz Marcos Rojo, professor e pesquisador de ioga na Universidade de São Paulo.

Foi, todavia, a busca pelo cientificismo que impulsionou a vinda da prática para o Ocidente. Deste lado do mundo, a ioga ganhou também outros ares, com foco maior na parte física. “A visão original da ioga entende o corpo como um meio para se experimentar sensações importantes para a evolução espiritual”, fala Rojo. A filosofia inclui princípios, como o respeito à natureza, a não violência, o controle dos impulsos e dos sentidos e o desapego de pessoas e objetos. A preocupação com o alinhamento e o tônus muscular – questões relacionadas com a parte física – foram acrescentadas após a ocidentalização da prática.

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Colaborou Rachel Costa

Retirado de: http://www.istoe.com.br/reportagens/140391_TODO+O+PODER+DA+IOGA


Estudos mostram que tomar café pode reduzir risco de câncer de mama!

Studies show drinking coffee may reduce risk of

breast cancer

Thursday, May 12, 2011 by: S. L. Baker, features writer

(NaturalNews) Breast cancer is a serious concern for women. According to the National Cancer Institute, the disease took about 50,000 lives last year in the U.S. alone. But the mainstream media, as well as mainstream medicine, often treat breast cancer as something that strikes out of the blue — giving women no choice but to hope they are not one of the “unlucky” ones to get breast cancer. At the same time this subjects women to to mammography so a malignancy can be spotted early, despite the fact the actual radiation exposure associated with mammograms is known to raise the risk of breast cancer in some women (http://www.naturalnews.com/024901.html).

But here’s good news. Scientists studying natural compounds in plants are finding many may offer some level of protection against breast cancer. That means women can start taking control of their breast cancer risk by paying attention to what they eat and drink. In detailed research just published in BioMed Central’s open access journal Breast Cancer Research, scientists from Sweden’s prestigious Karolinska Institute present compelling evidence that something in coffee slashes the risk of breast cancer.

The new study concludes that drinking coffee specifically reduces the risk of what researchers call anti-estrogen-resistant estrogen-receptor (ER) negative breast cancer, dubbed ER-negative breast cancer for short.

The Sweden research team compared lifestyle factors and coffee consumption between women with breast cancer and women the same age that did not have any breast malignancies. It turns out that coffee drinkers had a far lower incidence of breast cancer overall than women who rarely drank coffee.

Delving further into the impact of coffee, the scientists looked at several lifestyle factors that affect breast cancer rates, including age at menopause, exercise, weight, education, and a family history of breast cancer. Once they had adjusted their data to account for all of these factors, they found that the protective effect of coffee on breast cancer zeroed on one type of the disease — the ER-negative breast cancer.

Although the evidence appears strong that coffee has beneficial effects in protecting women from ER-negative breast cancer, it’s not clear just what the mechanism and compounds involved are. The researchers noted in a statement to the media that the protection from coffee may be due to way the coffee is prepared, or perhaps the type of coffee bean used.

Bottom line: as NaturalNews has reported previously, the new coffee study is the latest in a growing body of scientific data showing that natural substances are formidable weapons to both prevent various types of breast cancer and even halt cancerous growth once cells are malignant.

For example, in a study published in the journal Crop Science, Colorado State University scientists studied the anti-cancer activity of six kinds of dry legumes and found consumption of every kind of bean reduced the incidence of cancer and tumors in animal models (http://www.naturalnews.com/025614_c…).

In addition, Elaine Hardman, PhD, associate professor of medicine at Marshall University School of Medicine, gives this advice to women based on her cancer research: eat more walnuts. Her research strongly suggests those nuts can substantially reduce the risk of breast cancer (http://www.naturalnews.com/026115_w…).

For more information:
http://breast-cancer-research.com/
http://www.naturalnews.com/024901.html
http://www.naturalnews.com/029204_b…
http://www.naturalnews.com/025633_c…


Os médicos estão descobrindo que Meditação é o remédio!

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Médicos e praticantes contam como a meditação pode ajudar a prevenir doenças e até curar outras através do treinamento mental – isso porque essa técnica provoca mudanças fisiológicas no organismo
LAURA LOPES
Ricardo Zanardi Ramalho

Um dos grupos de idosos de uma UBS em SP: eles aprendem técnicas de relaxamento, concentração e meditação

“Meditar é a mesma coisa que ir a um spa e ficar relaxando”. Se você pensa assim, não está distante do senso comum, mas pode estar perdendo a oportunidade de experimentar os benefícios da meditação. Técnica tradicional no Oriente, a meditação é objeto de estudo entre especialistas ocidentais há décadas. Aos poucos, vem ganhando adeptos no Brasil e seus benefícios já são detectados até mesmo em experiências clínicas.

Ricardo Zanardi Ramalho é médico da família e clínico geral em São Paulo. Há seis meses, vem aplicando, em Unidades Básicas de Saúde da cidade, técnicas de meditação para grupos da terceira idade, dependentes químicos e pessoas com transtorno de ansiedade, depressão e estresse. Alongamentos, exercícios leves, e de concentração e respiração completam o tratamento. Os resultados ainda não são rigorosamente científicos, mas Ramalho conta que, ao fim da prática, os pacientes apresentavam melhorias: muitos tinham a pressão arterial reduzida, alguns portadores de distúrbios do sono relataram grande melhora e deixaram de usar medicações controladas. “A meditação exige esforço, empenho, é um processo ativo”, diz Ramalho. “Ela envolve desenvolvimento cerebral e provoca mudanças estruturais no cérebro”.

Essas mudanças observadas pelo médico vêm sendo detectadas em estudos científicos há várias décadas. Desde meados dos anos 1970, o médico Herbert Benson publica livros e artigos científicos sobre o tema. Hoje, além de professor da Faculdade de Medicina de Harvard, é diretor do Instituto Benson-Henri (BHI), do Hospital Geral de Massachusetts, que investiga a interação mente/corpo por meio de preceitos da medicina, ou o que ele chama de relaxation response (resposta de relaxamento). Benson, sua equipe e inúmeros cientistas mundo afora já conseguiram provar que meditar diminui o metabolismo, os batimentos cardíacos e o ritmo da respiração, provoca relaxamento muscular e sensação de bem-estar, reduz a pressão sanguínea e aumenta a temperatura corporal periférica. Este último reflexo, dizem os especialistas, seria a razão de os monges budistas não sentirem frio mesmo em baixas temperaturas.

 Você pensa que meditar é fácil?
Na população em geral, principalmente no Ocidente, onde desde cedo as pessoas têm seus cérebros treinados a serem hiperativos e muito mais focados nos aspectos externos do que internos, este treinamento pode gerar um certo desconforto, ansiedade e fazê-la desistir antes mesmo que possa alcançar os benefícios iniciais (que são muitos) e conhecer de fato o processo. É como um macaco que pula de galho em galho e fica extremamente irritado quando necessita fixar-se a um mesmo galho por um longo período de tempo.O aviso é do médico Ricardo Zanardi Ramalho. No começo, ficar na mesma posição durante muito tempo causa dores. Além disso, a concentração profunda exige muito esforço e dedicação. Alguém já tentou se concentrar em sua própria respiração e no funcionamento do seu organismo, sem pensar em mais nada? Esta repórter tentou várias vezes durante a apuração da reportagem e, das duas, uma: ou relaxava tanto que adormecia ou se pegava pensando em milhões de coisas ao mesmo tempo, sem nem perceber em como os pensamentos tinham ido da concentração aos problemas que perturbam diariamente…

A ciência provou até que quem medita por um longo período pode sentir menos dor do que aqueles que não meditam. Um grupo da Universidade de Montreal publicou um trabalho, há quatro meses, mostrando por meio de imagens de ressonância magnética, como o cérebro de quem medita reage a estímulos de dor. Embora o praticante conheça a dor, ela não é processada na parte do cérebro responsável por avaliar, raciocinar e memorizar informações. “Achamos que [quem medita] sente as sensações, mas encurta o processo, impedindo a interpretação dos estímulos dolorosos”, diz o principal autor do trabalho, Pierre Rainville. É como se quem medita desligasse certas áreas do cérebro receptivas da dor, mesmo experimentando-a.

Fabiana Gomes

O monge Bhante Yogavacara Rahula em visita ao Brasil

Para os budistas, há uma fórmula subjetiva para essa explicação científica da dor. Em recente visita ao Brasil, na qual palestrou sobre meditação para especialistas e leigos na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, uma das mais respeitados do país, o monge Bhante Yogavacara Rahula, do monastério Bhavana Forest, nos Estados Unidos, explicou que sofrimento = dor x resistência. A fórmula significa que quanto mais resistência você oferece à dor, mais você se apega a ela, causando mais sofrimento. Em caso de resistência zero, o sofrimento decorrente da dor é nulo. Uma mente bem treinada faz com que você não dê tanto peso às intempéries, e isso o afasta daquilo que é ruim. “O segredo é não lutar contra as realidades da vida, contra a impermanência”, afirma Rahula. “Dor é dada, sofrimento é opcional”, diz.

Rafael Ortiz, ortopedista do Hospital das Clínicas, explica. “Toda experiência cognitiva surge por um tempo e desaparece. Só que as nossas lembranças fazem com que o Sistema Nervoso Central continue reverberando aquela sensação já experimentada por meio de estímulos nervosos”, afirma. Por exemplo: se você estiver de olhos fechados e sentir algo tocando sua bochecha, pode concluir várias coisas. Se acontecer no meio de uma floresta, e sentir medo, pode achar que é uma aranha. Se estiver com o namorado, que se trata da mão dele. “A experiência adquirida muda como você interpreta as sensações”, diz. A intenção da meditação é fazer com que as pessoas se desapeguem dessas memórias e, com isso, consigam se livrar da dor rapidamente.

Ortiz começou a meditar há nove anos mais por uma busca existencial do que por problemas de saúde. Hoje diz que os benefícios da meditação Vipassana – a que ele pratica e uma das várias técnicas existentes – são inúmeros. Antes, o médico tinha muita dificuldade para respirar com o nariz por conta de uma má formação do palato e por crises de rinite – agora não mais. Ele também sofria de asma e tomava muitos remédios, abandonados atualmente. Quando criança, era avaliado como se tivesse transtorno de déficit de atenção. “Eu me tornei uma pessoa mais calma nos últimos anos. E, sem dúvida, tem a ver com a meditação”, afirma. Segundo Ortiz, as pessoas confundem felicidade com excitação. Depois da meditação, ele descobriu que a felicidade está ligada à paz e à tranquilidade.

Tony Genérico

O médico Rafael Ortiz curou seus problemas respiratórios, e sente-se mais calmo e preparado para lidar com dificuldades

A hoje empresária chocolatier Cintia Sanches Lima era executiva de marketing de uma multinacional antes de descobrir o que diz serem os benefícios da meditação. Por estresse e desconforto físico, teve duas infecções respiratórias fortes, que a obrigavam a dormir apenas três horas por noite. Resolveu pedir demissão. “A meditação foi uma surpresa pra mim”, diz, sobre seu primeiro contato com esta técnica milenar: uma reportagem de TV. Ela viajou para o Nepal e passou 45 dias em um monastério para aprender técnicas de meditação. Hoje pratica todos os dias e há mais de um ano não tem mais crises respiratórias. “Minha saúde melhorou muito. Se começa um resfriado, eu sinto bem no começo, muito antes de se manifestar, e passo a me cuidar melhor”, afirma. Além da saúde, Cintia percebeu uma mudança em seu comportamento. “Eu comecei a pensar melhor, a mente fica clara e aberta. Também ajuda na criatividade”, afirma. Segundo ela, foi assim que conseguiu empreender, com sucesso, seu próprio negócio. Mas ela avisa: a meditação não é um remédio que começa a fazer efeito rapidamente. “Você continua com os problemas, mas sabe lidar melhor com eles. São ferramentas que ajudam no seu controle mental”, diz.

No budismo, a sensação de paz interior tem a ver com a clareza mental que a técnica permite aos praticantes. Segundo os ensinamentos de Buda, o sofrimento humano é decorrência de um tripé: cobiça (desejar além do necessário para satisfazer prazeres e vícios), raiva (o apego estimula a raiva, a vingança e a violência) e ignorância (não conhecer a interação corpo/mente). Desapegado desses sentimentos, prossegue a teoria, o homem consegue manter um afastamento sadio das situações para tomar atitudes mais bem pensadas, justas. A meditação, por meio de transformações fisiológicas, teria a função de fazer com que o praticante alcance uma capacidade cognitiva acima da média e experimente a vida com menos agressividade, com menor resposta ao estresse.

A meditação pode ser usada no combate a:
 • hipertensão;
• doenças ligadas ao estresse;
• depressão, ansiedade e raiva excessiva;
• insônia;
• infertilidade;
• artrite;
• irregularidades nos batimentos cardíacos;
• no tratamento da dor em doenças crônicas,
• e para melhorar o sistema imunológico.Em casos em que não a doença não pode ser curada, a meditação pode ser usada como recurso terapêutico a quem não responde bem a tratamentos convencionais, ou em conjunto com eles.

A calma produzida pela meditação foi explicada cientificamente em 2009, por pesquisadores ligados ao Hospital Geral de Massachusetts. Eles analisaram a densidade da massa cinzenta em uma área do cérebro chamada amígdala (que nada tem a ver com a amígdala da garganta), reguladora da resposta ao estresse, como liberação de hormônios, aumento da pressão sanguínea e expressão facial de medo. Os participantes relataram altos níveis de estresse no mês anterior ao experimento. Depois de oito semanas de práticas como meditação, yoga e vivências em grupo, todos os participantes relataram uma significante redução do estresse. E, quanto maior a diminuição do estresse experimentada, maior a diminuição da densidade da amígdala direita. Isso significa, também, que essa parte do cérebro modela o comportamento inicial de percepção automática do estresse (como xingar o motorista do carro da frente que te deu uma fechada). Se a densidade da amígdala diminui, esse tipo de resposta ao estresse será menos frequente.

Foi por isso que Natália Parizotto, pesquisadora e estudante de Serviço Social, começou a meditar há três anos. “Para parar de chorar e brigar, melhorar o relacionamento com as outras pessoas. Eu reagia de uma forma que não era devida”, diz. Hoje ela consegue ter controle sobre suas reações, pensa melhor antes de agir – ou seja, não tem mais um comportamento automático frente aos estímulos de estresse. “Eu consigo fazer atividades mais chatas e dou menos peso (a elas). Eu diferencio o que é a coisa em si do meu estado de espírito”, diz. Mas essa tranquilidade em tomar decisões diminui quando ela fica muito tempo sem meditar –Natália relata que perde a paciência mais facilmente e volta a ter um pouco do comportamento explosivo anterior.

Andreza Gonçalves Mendonça de Oliveira

Andreza deixou a carreira administrativa e hoje estuda terapias holísticas depois de se livrar da síndrome do pânico com a ajuda da meditação

Esse processo também é explicado pela ciência. Em janeiro deste ano, pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison publicaram um artigo dizendo que a resposta automática ao estresse até então conhecida – aquela que aumenta os níveis de adrenalina, faz você correr ou gritar em situações de perigo, o chamado “instinto de sobrevivência” – confunde o cérebro. Essa resposta pode romper com a habilidade de pensar claramente e tomar decisões complexas. Já o praticante de meditação fica menos alerta diante de um estímulo de estresse, mas com maior capacidade de tomar decisões estratégicas.

Obviamente essas mudanças nas tomadas de decisões surtem efeitos sobre o estado psicológico do indivíduo. Segundo um trabalho do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicado no Archives of General Psychiatry em dezembro de 2010, a meditação oferece a mesma proteção que antidepressivos contra recaídas. Durante 18 meses após uma crise e posterior melhora, pacientes que foram tratados com remédios tiveram o mesmo índice de recaída que aqueles tratados apenas com meditação. Há, nessa descoberta, duas boas notícias: 1) os pacientes costumam parar de tomar remédios por conta dos efeitos colaterais, mas ninguém para de meditar, e, 2) meditar não gera despesa financeira.

Foi com meditação que a terapeuta Andreza Gonçalves de Oliveira conseguiu sair de um quadro de depressão que envolvia síndrome do pânico. Ela trabalhava em uma multinacional e adoeceu, tamanha era a pressão cotidiana. Largou a área administrativa há um ano e meio, e, em 2010, passou a se dedicar à meditação e ao estudo de terapias holísticas. Foi nessa época que desistiu de buscar ajuda médica e psicológica para os sintomas do pânico. “Você simplesmente não aceita sua condição quando entra em depressão. Com a meditação, a sua mente vai se aquietando e passa a observar melhor a realidade”, afirma. Foi então que ela percebeu que estava doente e que tinha que se cuidar. Os 10 dias em um retiro “me libertaram dos sentimentos que eu tinha de apego pelas coisas, de medo, de raiva, sentimentos guardados durante muitos e muitos anos”, afirma. Foi o fim do problema psiquiátrico e das visitas assíduas a médicos, e um novo recomeço.

Algumas descobertas científicas sobre a meditação
• 2002: um grupo de cientistas ligado à Faculdade de Medicina de Harvard provaram que a resposta de relaxamento (RR) melhora a memória de idosos saudáveis, de forma mais efetiva quando eles realizam tarefas simples de atenção. Já os estados de ansiedade diminuem de forma marginal.• 2003: pela primeira vez, cientistas relataram aumento do número de anticorposem pessoas que meditaram durante oito semanas após serem vacinados contra a gripe, em relação ao grupo controle. A descoberta foi feita por um grupo liderado por Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin.

Universidade de Harvard

A espessura da ínsula (verde) e o córtex pré-frontral cerebral em quem medita é mais grossa

• 2005: em dezembro, Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts, conseguiu mostrar, através de imagens de ressonância magnética, que a meditação aumenta a espessura do córtex pré-frontral cerebral – região associada ao planejamento de comportamentos cognitivos complexos. A espessura da ínsula direita – ligada às sensações corporais e às emoções – também se mostrou mais grossa em praticantes de RR em relação ao grupo de controle. Foi a primeira evidência de que a meditação está associada a as alterações na estrutura do cérebro.

• 2008: estudo publicado em julho pelo BHI mostrou, pela primeira vez, que a RR produz uma mudança no padrão de ativação dos genes – e maior ela é quanto mais tempo a meditação é praticada. O mesmo trabalho mostrou que os praticantes tiveram menos danos fisiológicos celulares ligados ao estresse do que o grupo de controle.

• 2009: a amígdala direita é responsável pela resposta automática ao estresse: produz hormônios, aumenta os batimentos cardíacos… cientistas ligados ao Hospital Geral de Massachusetts descobriram que, depois de oito semanas de prática de meditação, houve redução da densidade da massa cinzenta da amígdala dos participantes. Quanto menos relatavam estresse, maior a redução.

• 2009: pesquisadores do Centro Médico de Pesquisa Avançada em Yoga e Neurofisiologia, na Índia, descobriram que praticar meditação cíclica duas vezes ao dia melhora a qualidade objetiva e subjetiva do sono na noite seguinte. Meditação cíclica é uma técnica que combina posturas de yoga intercaladas com repouso.

• 2010: em junho, um grupo da Universidade do Estado da Flórida publicou estudo mostrando que o treinamento mental reduz significativamente o estresse e a supressão do pensamento e aumenta a recuperação fisiológica de alterações relacionadas ao alcoolismo. Dessa maneira, a meditação atinge os principais mecanismos ligados à dependência alcoólica e pode ser um tratamento alternativo para prevenir recaídas entre os mais vulneráveis.

• 2010: um grupo ligado ao BHI, liderado por Marlene Samuelson, provou que mulheres brancas submetidas a um programa de 2,5 horas semanais de práticas mente/corpo durante 12 semanas tiveram uma significativa redução na frequência de 12 queixas cotidianas, como dor de cabeça, confusão visual, tontura, náusea, prisão de ventre, diarréia, dor abdominal, dor nas costas, dor no peito, papitações, insônia e fadiga.

• 2010: em dezembro, um grupo da Universidade de Montreal descobriu por que quem medita sente menos dor. Essas pessoas têm a capacidade de desligar algumas áreas cerebrais responsáveis pela sensação da dor, mesmo experimentando-a. Dois grupos, um de controle outro de pessoas que meditavam, fora submetidos a estímulos de dor. Os que meditavam tiveram respostas menores para a dor, bem como um funcionamento menor das áreas do cérebro responsáveis pela cognição, emoção e memória. Eles sentiam dor, mas cortavam o processo rapidamente, refreando a interpretação que o cérebro tinha desse estímulo.

• 2010: em dezembro, um grupo do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicou um estudo provando que a meditação tem o mesmo efeito protetor que os remédios contra recaídas em pessoas com depressão.

• 2010: estudo da Universidade da Pennsylvania mostrou melhora na função neuropsicológica e aumentos significativos no fluxo sangüíneo cerebral em indivíduos com perda de memória submetidos a um programa de meditação de oito semanas.

• 2011: ao passo que a meditação faz diminuir a densidade de massa cinzenta da amígdala, ela aumenta a densidade de uma região do cérebro chamada hipocampo, responsável pelo aprendizado e memória, e associada ao bem-estar, compaixão e introspecção. Foi o que descobriu um grupo do Hospital Geral de Massachussets, que publicou o estudo em janeiro na Psychiatry Research: Neuroimaging.

• 2011: pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York publicaram em fevereiro um trabalho que mostra a meditação pode ser útil na redução da ansiedade. Os participantes relataram que se sentiram mais calmos, relaxados, equilibrados e centrados após um mês de prática.

Retirado de http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI222969-15257,00.html


Estresse: o mal do século

Estresse: o mal do século

Sete em cada dez brasileiros reclamam de estresse no trabalho. Destes, pelo menos três sofrem da chamada síndrome de Burnout – esgotamento mental e físico intenso causado por pressões no ambiente profissional

por Fátima Bittencourt

Muito se fala sobre o estresse, que vem sendo caracterizado como a doença do século XXI. Um levantamento realizado pela Associação Internacional do Controle do Estresse, ISMA (International Stress Management Association), revelou que o Brasil é o segundo país do mundo com níveis de estresse altíssimos. Pelo menos três em cada sete trabalhadores sofrem a síndrome de Burnout e não sabem. Resultado da soma de algumas respostas mentais e físicas, o estresse fisiológico, sem sobrecargas, pode contribuir de forma saudável para o crescimento e o desenvolvimento dos nossos ossos, músculos, cérebro e demais partes do corpo. Sua causa como doença, porém, está relacionada aos estímulos externos e à pressão a qual é submetida uma determinada pessoa e ao desgaste que ela pode sofrer sob esta pressão. Para atender a essa demanda de cura, normalmente os tratamentos são associados à medicação e atividade física relaxante.

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O termo “estresse” designa desgaste e tensão, tendo sua origem na física. Sua rápida propagação no mundo pode estar associada ao fato de que, por milhões de anos, o ser humano foi se adaptando biologicamente a um estilo de vida diurno e não sedentário, além de um ritmo de mudanças muito mais lento do que encontramos nos dias atuais, especialmente nas grandes cidades. O excesso de ruídos, as luzes artificiais que nos mantêm acordados à noite, a falta de exercício, a poluição, os engarrafamentos, o excesso de informações e de preocupações são exemplos de fontes de estresse no mundo moderno para os quais o nosso corpo não se adaptou.

Muito embora estejam intimamente ligados, estresse, ansiedade e transtornos de ansiedade são conceitos diferentes. Ansiedade é um estado de alerta especial que desenvolvemos quando estamos em situações de estresse, com o objetivo de aumentar a nossa capacidade de adaptação a situações novas e potencialmente perigosas. O nosso corpo desenvolveu complexos mecanismos que integram funções cerebrais e hormonais para regular quando ativar e desativar uma resposta de ansiedade e qual o tipo e a intensidade de resposta será a mais adequada às situações que vivenciamos. Quando estes mecanismos não estão funcionando adequadamente, dizemos que há, então, um transtorno de ansiedade.

imagens: shutterstock
A introdução de pequenas mudanças no cotidiano, como meditação, prática de atividades físicas prazerosas e a alimentação balanceada, pode ajudar a combater o estresse

O excesso de informações e de preocupações são exemplos de fontes de estresse no mundo moderno

Os transtornos de ansiedade podem ter diferentes tipos de estresse em sua origem, tendo muitas das vezes como sintomas o transtorno de ansiedade generalizada, quando o indivíduo tem dificuldade de desativar o estado de ansiedade e passa a maior parte do tempo tenso e ansioso na expectativa de que algo ruim possa acontecer; além do transtorno obsessivo-compulsivo, quando a mente é invadida por pensamentos desagradáveis associados aos medos do indivíduo e muita ansiedade. Há, ainda, as fobias, que são fortes reações de ansiedade, e o medo paralisante, que pode impedir o indivíduo de lidar com a situação temida; a síndrome do pânico, caracterizada por ataques repetidos de ansiedade súbita com sintomas corporais fortes, como sudorese, falta de ar e medo de morrer ou de enlouquecer; e o transtorno de estresse pós-traumático, quando a pessoa revive repetidas vezes em sua mente situações traumáticas pelas quais passou.

Observamos, porém, que toda resposta fisiológica de ansiedade ao estresse é autolimitada e feita para durar pouco tempo. É por isso que o excesso de estresse pode levar a tantos problemas de saúde, como pressão alta, gastrite, cólon irritável, depressão, pânico, alcoolismo e muitas outras doenças. O excesso de estresse também já foi associado a um maior risco de se desenvolver câncer, doenças autoimunes, asma, fibromialgia, fadiga crônica, doenças cardíacas, dermatológicas e baixa imunidade; podendo estimular, ainda, o desenvolvimento da síndrome de Burnout, distúrbio psíquicos de caráter depressivo, ainda pouco conhecido pela população. De acordo com Herbert J. Freudenberger, a síndrome de Burnout é “um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional”.

Os efeitos
A síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento físico, é uma doença gerada pelo grau mais elevado do estresse, caracterizada pelo esgotamento mental intenso causado por pressões no ambiente profissional, que leva ao esgotamento total do paciente e atinge três em cada dez trabalhadores do País. O portador dessa doença muitas vezes não sabe que a possui e passa a medir sua autoestima pela capacidade de realização e sucesso profissional. Ssendo assim, sente a necessidade de se afirmar, transformando em obstinação e compulsão o desejo de realização profissional. Este fenômeno pode estar ligado à ideia de que ser um workaholic  – pessoas que vivem para o trabalho – se tornou status para a maioria das pessoas que vivem nas grandes cidades, nas quais o número de estressados é maior, e como consequência, a probabilidade do surgimento da síndrome é aumentada.

• mudança de comportamento •

Segundo matéria do jornal O Globo, cresce o número de empresas que criam programas para encorajar workaholics a equilibrarem suas vidas profissional e privada. Uma pesquisa do International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR) mostra que hoje, executivos de empresas privadas e profissionais liberais trabalham de 50 a 52 horas semanais, apesar de a Constituição limitar a carga a 44 horas. Uma das dificuldades para instaurar uma mudança de comportamento, diz a presidente da ISMA-BR, Ana Maria Rossi, é que muitas companhias querem que esses funcionários desacelerem, mas seus líderes não mudam o hábito de permanecer muitas horas na empresa, trabalhando.

Embora a doença esteja diretamente ligada ao campo profissional, o seu desenvolvimento não se restringe apenas à profissão. Um indivíduo pode trabalhar muito, mas ter uma relação saudável com o trabalho. Os profissionais de alto rendimento, alta responsabilidade e competitividade, como médicos, professores, corretores, enfermeiros, estão mais propensos a desenvolver a síndrome de Burnout e o mercado de trabalho das grandes metrópoles, extremamente competitivo, é cenário perfeito para que muitos profissionais acabem sucumbindo à doença.

Dados sugerem que o Burnout atinge um número significativo de indiví- duos, variando de aproximadamente 4% a 85,7%, conforme a população estudada. Pode apresentar comodidade com alguns transtornos psiquiátricos, como a depressão. Sseus efeitos podem prejudicar o profissional em três níveis: individual (físico, mental, profissional e social), profissional (atendimento negligente e lento ao cliente, contato impessoal com colegas de trabalho e/ou pacientes/clientes) e organizacional (conflito com os membros da equipe, rotatividade, absenteísmo, diminuição da qualidade dos serviços). Mais pesquisas devem ser realizadas para que mudanças positivas nas organizações de trabalho sejam baseadas em evidências científicas.

Como o Burnout é consequente a um processo crônico de estresse, cabe relatar que, na Europa, o estresse aparece como um dos fatores mais importantes em relação à diminuição da qualidade da saúde na década de 1990 (European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions, 1995/6).]

Nos Estados Unidos, o estresse e problemas relacionados, como o Burnout, provocam um custo calculado de mais de US$ 150 bilhões anualmente para as organizações (Donatelle e Hawkins, 1989). As implicações financeiras específicas do Burnout merecem ser avaliadas diante da insatisfação, absenteísmo, rotatividade e aposentadoria precoce causados pela síndrome (World Health Organization, 2003).

Em estudo de equipe pertencente à Organização Mundial da Saúde (OMS), considerou-se o Burnout como uma das principais doenças dos europeus e americanos, ao lado do diabetes e das doenças cardiovasculares (Akerstedt, 2004; Weber e Jaekel-Rreinhard, 2000). A OMS convocou um grupo internacional de conhecedores no assunto como Cherniss (EUA), Cooper (Rreino Unido), entre outros, a fim de elaborar medidas para a sua prevenção (World Health Organization, 1998).

As principais fontes do estresse são o excesso de ruídos, os engarrafamentos, o exagero de informações e de preocupações aliados à pouca qualidade de vida.

Em relação à população geral, pouco se sabe sobre a prevalência do Burnout. Um levantamento alemão estimou que 4,2% de sua população de trabalhadores era acometida pela síndrome (Houtman et al., 1998).3

Sendo assim, no combate a essa doença, que quando não cuidada pode até levar à morte, pequenas mudanças no cotidiano podem ser fortes aliadas, tais como: alimentação balanceada, praticar atividades físicas, ter um hobby, manter relações sociais e integração familiar. Apesar da simplicidade dessas recomendações, poucos são os trabalhadores de hoje que podem segui-las.

O principal sintoma da síndrome de Burnout é a sensação de ter sido consumido pelo estresse, de estar esgotado e sem energia. Vários outros sintomas são comuns, como sono ruim, cansaço, dores no corpo; lapsos de memória; dificuldade de concentração; irritabilidade; desesperança; tristeza e transtorno de humor; esgotamento profissional que corresponde ao colapso físico e mental; avaliação negativa de si mesmo; depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos;   descaso com as necessidades pessoais (comer, dormir e sair com os amigos); recalque de conflitos, em que o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema; discriminação pelos colegas de trabalho. Cinismo e agressão também são bastante evidentes.

A prevalência do Burnout nos vários países ainda é incerta, mas dados apontam acometimento significativo que justifica mais estudos a respeito dessa patologia com fatores de risco multifatoriais (indivíduo, trabalho, organização).

Pode-se apresentar em conjunto com algumas doenças psiquiátricas ou até desencadeá-las, como Burnout seguido por transtorno depressivo. Entretanto, não se encontraram estudos que avaliassem, por entrevistas estruturadas, essas taxas entre as duas condições e possíveis relações causais.

 

Políticas Públicas
As pressões na saúde mental mundial estão se intensificando. De acordo com as Nações Unidas, o mundo será mais velho, mais populoso e mais pobre aproximadamente em 2050. Como essas condições ao seu redor, entre outras, criam tensão (estresse) e ansiedade, mais pessoas serão suscetíveis a transtornos mentais

Segundo a OMS, “nossa saúde mental tem um impacto opressivo em nossas habilidades para funcionar e participar na sociedade. Temos de começar a colocar mais de nossos recursos a favor da saúde mental”.

Para mudanças positivas, as decisões nas instituições têm de ser baseadas em evidências científicas sobre a abordagem e o tratamento que mantenham a saúde mental para, só assim, alterarem as políticas de benefícios e os recursos humanos direcionados (Moreno-Jimenez, 2000). Mais pesquisas sobre a síndrome de Burnout devem ser realizadas.

 

Você sabia que:
Existem dois diferentes níveis de estresse que podem
ser caracterizados como:
1. Eustress: estresse positivo, necessário para corresponder
suas demandas do dia a dia.
2. Destress: estresse negativo com efeito prejudicial ao desempenho. Ultrapassa o que necessitamos.
Existem três fases do estresse:
1. Alarme: mobiliza a energia, as forças não têm prejuízo. Estresse positivo é necessário para ação. Estado de alerta.
2. Resistência: a fase dos sintomas, o corpo dá sinal. Às vezes não se dá conta disto. Fase da intervenção.
3. Esgotamento: acabou a energia (Burnout). É necessário tratamento multidisciplinar para restabelecimento físico e emocional do paciente.

 

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O tratamento para quem sofre de estresse excessivo, entre eles a síndrome de Burnout, geralmente associa medicação à atividade física relaxante

As consequências do Burnout têm efeitos negativos para a organização, para o indivíduo e sua profissão (Goetzel et al., 2002; Moreno-Jimenez, 2000; Murofuse et al., 2005; Sschaufeli, 1999b).

Estresse x Memória
De um ponto de vista evolucionário, Bruce McEwen, da Universidade Rrockefeller, afirma ser fácil entender por que a memória e o estresse estão inter-relacionados. Os eventos estressantes, percebidos como ameaçadores à homeostase ou à sobrevivência do organismo, são os mais importantes a serem lembrados. As memórias associadas a esses eventos podem se formar instantaneamente e serem recobradas com a mesma rapidez para garantir a sobrevivência em uma situação de ameaça posterior. Essas memórias são formadas por uma parte do cérebro que se chama amígdala cerebelar (região do cérebro responsável pela resposta em situações emocionais e de emergência) e trabalham em associação íntima com o hipocampo, que é o “guardião da cidadela da memória”. Para garantir que os eventos estressantes fiquem gravados com força na memória, o hipocampo possui alguns receptores destinados ao cortisol, principal hormônio do estresse que auxilia a formação de memórias. No entanto, em níveis altos e crônicos, pode acarretar déficits de memória e de funções cognitivas.

Isso acontece porque, de acordo com Rrobert Ssapolsky, da Universidade Sstanford, os glicocorticoides, a classe de hormônios que reabastece o combustível ao qual pertence o cortisol, tem, nessas situações, efeito tóxico sobre as células cerebrais do hipocampo, matando-as. O hipocampo também participa do desligamento da reação hormonal ao estresse, mandando sinais inibitórios ao hipotálamo, em que a reação hormonal ao estresse é controlada, pelo eixo HPA.

 

Características da personalidade
Fatores Individuais podem associar o surgimento da Síndrome de Burnout.
Padrão de personalidade: pessoas competitivas, esforçadas, impacientes, com excesso de necessidade em ter o controle da situação, dificuldade de tolerância das frustrações.
Envolvimento: pessoas empáticas e agradáveis, sensíveis e humanas, com alta dedicação profissional, altruístas, obsessivas, entusiasmadas.
Pessimismo: costumam destacar aspectos negativos, suspeitam sempre do insucesso, sofrem por antecipação.
Perfeccionismo: pessoas muito exigentes consigo próprias e com os outros, intolerância aos erros, insatisfeitas com os resultados.
Grande expectativa profissional: pessoas com grande chance de se decepcionarem.
Centralizadores: pessoas com dificuldade em delegar tarefas ou para trabalhar em grupo.
Passividade: pessoas sempre defensivas, que tendem à evitação diante das dificuldades.
Nível educacional: são mais propensas as pessoas com maior nível educacional.
Estado civil: as pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas são mais propensas ao Burnout.

 

Sintomas do Estresse
Físicos:
• Indigestão;
• Dores de cabeça;
• Alergias;
• Insônia;
• Mudança de apetite;
• Esgotamento físico;
• Gastrite;
• Taquicardia e outros.
 


Psicológicos:
• Memória fraca;
• Desmotivação;
• Autoritarismo;
• Introspecção;
• Isolamento;
• “Tiques Nervosos” e outros.

 

Índices da Síndrome de Burnout
Fatores organizacionais associados a índices superiores da Síndrome de Brunout e suas possíveis consequências:  

Clique aqui para visualizar a tabela:

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A síndrome de Burnout é caracterizada pelo esgotamento físico e mental intenso causado por pressões no ambiente profissional, por exemplo
Durante o estresse, cérebros com lesões no hipocampo levam mais tempo e/ou não conseguem desligar sua reação ao estresse e relaxar, além de apresentarem níveis mais altos de cortisol, o que leva a níveis ainda mais altos de hormônios do estresse, danificando cada vez mais o hipocampo em um círculo vicioso.   Deste modo, o mesmo processo cerebral que auxilia a sobrevivência, protegendo o organismo em momentos de estresse agudo, contribui para o seu adoecimento em momentos de estresse crônico.

Em contrapartida, os momentos de relaxamento mostram que os níveis de hormônios e neurotransmissores se revertem, o que representa uma pausa em alguns dos processos por meio dos quais o cérebro recupera-se dos danos causados pelo estresse e renova-se. Esses processos são a plasticidade – pela qual o cérebro se reconfigura em reação a estímulos do mundo externo – e a neurogênese – o nascimento de novos neurônios.

Embora a doença esteja diretamente ligada ao campo profissional, o seu desenvolvimento não se restringe apenas à profissão

Nos momentos de estresse, o cérebro detém tanto a plasticidade quanto a neurogênese, como uma medida de proteção, e isso pode explicar o encolhimento do hipocampo, uma vez que os hormônios do estresse contribuem para a morte das células no hipocampo, que não desligam adequadamente a reação hormonal ao estresse e também não nascem novos neurônios. A boa notícia é que todos esses danos são reversíveis.

Fátima Bittencourt é psicóloga (USU), pós-graduada em psicossomática (Imepsi) e método e pesquisa (FGV-RJ), formação holística, terapia sistêmica (Núcleo e Pesquisa), abordagem transpessoal (Unipaz),membro do ISMA-BR-International Stress Management Association, mentora do STRESS CHECK-UP e Diretora do Grupo Sanare Saúde Integrada – www.gruposanare.com

REFERÊNCIAS
Código Internacional de Doenças 10ª edição, OMS. Medicina net. Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.medicinanet.com.br/cid10/e.htm. Acessado em 23 nov. 2010. Epocates, enciclopédia médica eletrônica, 2010 Medscape, enciclopédia médica eletrônica, 2010.

Retirado de http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/edicoes/63/artigo211972-1.asp


Estudo aponta agrotóxico em leite materno

O leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde, cidade de 45 mil habitantes na região central de Mato Grosso, está contaminado por agrotóxicos, segundo uma pesquisa da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), informa a reportagem de Natália Cancian e Marília Rocha publicada na Folha desta quarta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres, 3 delas da zona rural, entre fevereiro e junho de 2010. O município é um dos principais produtores de grãos do MT.

A presença de agrotóxicos foi detectada em todas. Em algumas delas havia até seis tipos diferentes do produto.

Essas substâncias podem pôr em risco a saúde das crianças, diz o toxicologista Félix Reyes, da Unicamp. “Bebês em período de lactação são mais suscetíveis, pois sua defesa não está completamente desenvolvida.”

Ele ressalta, porém, que os efeitos dependem dos níveis ingeridos. A ingestão diária de leite não foi avaliada, então não é possível saber se a quantidade encontrada está acima do permitido por lei.

OUTRO LADO

A Associação Nacional de Defesa Vegetal, representante dos produtores de agrotóxicos, diz desconhecer detalhes da pesquisa, mas ressalta que a avaliação de estudos toxicológicos é complexa.

Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/892662-estudo-aponta-agrotoxico-em-leite-materno.shtml


Dislexia, verdade ou invenção da psiquiatria?


Competição exarcebada!!

Giles (1975, p. 16), explorando as idéias de Max Scheler, diz que o pensamento burguês é caracterizado principalmente por uma certa disposição em se medir e comparar os valores (morais e econômicos) e qualidades manifestadas pelos sujeitos.

 O burguês é obcecado pelos outros, ou melhor, é através deles que ele se descobre e se percebe a si mesmo. No homem vulgar a estrutura ‘relação do valor próprio com o valor do outro’ torna-se a condição seletiva de sua apreensão dos valores em geral. [...] Assim ele não vê nos bens e nos valores objetos capazes de satisfazer o desejo e, sim, a ocasião de uma luta para conseguir prestígio.

            Guerrieri (2002, p. 52), ao fazer uma discussão sobre a sociedade capitalista, diz que

o eixo central da racionalidade burguesa, que é o princípio determinante das relações entre os seres humanos e entre estes e a natureza, é a troca. [...] O tipo de troca que caracteriza essa racionalidade não é a troca solidária e complementaria, mas sim a troca interesseira e individualista que visa a obtenção de vantagens apenas para um dos lados (troca competitiva).

A racionalidade burguesa tem suas raízes teóricas ancoradas no liberalismo representado por John Locke, Adam Smith e Augusto Comte, entre outros. O pensamento liberal determina que o indivíduo é responsável por sua autonomia. Cada sujeito deve lutar (competir com o outro) com suas próprias forças (meios) pela conquista de um espaço na sociedade. Esse pensamento deu origem ao “individualismo”, que é outro conceito inerente à estrutura da burguesia.

Hoje, vivemos sob a égide do neoliberalismo, uma espécie de racionalidade, excessivamente competitiva e excludente, segundo a qual o mercado seria responsável pelo controle de todas as trocas realizadas entre os indivíduos na sociedade.

A troca competitiva, que, inicialmente, estava inserida apenas nas relações econômicas (mercantilismo), passou a ser incorporada em todas as instâncias da vida. Portanto, essa lógica competitiva tornou-se uma espécie de lei que rege todas as atividades humanas e engendra todo tipo de discurso, tornando-se um referencial inabalável na atual sociedade capitalista. Inclusive as relações afetivas tornaram-se competitivas, pois emergem a partir dessa lógica excludente.

A idéia de obter vantagem sobre o outro está inserida na troca competitiva. Para alcançar a vitória (lucro), os indivíduos utilizam diversas táticas, mesmo sabendo que, para isso, terão que subjugar outras pessoas. A lógica da competição é, portanto excludente, pois privilegia os que possuem os melhores rendimentos, as mais altas taxas de produtividade, os que detém o poder, em detrimento dos que não conseguem atingir tais metas, ou objetivos, ou mesmo aqueles que não estão dispostos a levar a competição ao extremo.

A competição também é vista como forma de obter prestígio e status, pois a imagem de vencedor é valorizada na nossa sociedade. Podemos citar os atletas que constroem essa imagem a partir das conquistas realizadas no âmbito esportivo.

A competição está presente nos esportes tradicionais (futebol, voleibol, basquetebol, ginástica, entre outros) e nas corridas de aventura, porém, ultrapassando os aspectos competitivos, as corridas de aventura apresentam determinadas características que possibilitam um processo de interação entre os indivíduos que compartilham determinados espaços para a prática dessas atividades.

Retirado de http://www.scribd.com/doc/49776751/CORRIDAS-DE-AVENTURA-CRIANDO-NOVOS-ESPACOS-PARA-A-SOCIABILIZACAO-E-A-INTERACAO-ENTRE-OS-INDIVIDUOS


Drogadicção em massa! Ritalina, usos e abusos – O remédio para hiperativos ganha adeptos entre executivos, estudantes e moças que querem emagrecer

Anna Paula Buchalla

Utilizado em larga escala nos Estados Unidos, o remédio Ritalina experimenta um aumento de consumo surpreendente no Brasil. O número de prescrições do medicamento, um estimulante para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, mais que dobrou nos últimos dois anos. Só neste ano, estima-se que será vendido 1 milhão de caixas de Ritalina, fabricado pelo laboratório Novartis (veja quadro). A principal razão desse aumento é o fato de que o diagnóstico do distúrbio se tornou mais comum. Antes considerado um mal predominantemente infantil, a hiperatividade passou a ser detectada também em muitos adultos. Além disso, há quem use o medicamento simplesmente para se manter desperto durante longas jornadas de trabalho ou estudo. E, como acontece com boa parte dos remédios da família das anfetaminas, a Ritalina entrou na ilegalidade. Jovens em busca de euforia química e meninas ávidas por emagrecer estão usando o remédio sem dispor de receita médica.

Caracterizada por quadros de agitação, impulsividade e dificuldade de concentração, a hiperatividade, nos últimos dez anos, ganhou maior atenção de médicos, psicólogos e pedagogos – principalmente porque se passou a creditar ao distúrbio boa parte dos casos de mau desempenho escolar. Dispor de um remédio como a Ritalina é um avanço inegável. Mas o “sossega leão” tem um lado perverso: o dos excessos. Pais acusam escolas de rotular suas crianças de hiperativas indiscriminadamente, antes mesmo de obter um diagnóstico médico. Tudo porque os professores, segundo esses pais, não teriam paciência, nem disposição, para controlar crianças irrequietas – mas não necessariamente com desequilíbrio na química cerebral – na sala de aula. Tais escolas, por sua vez, alegam que seus professores são suficientemente treinados para identificar o problema. Há que levar em conta, ainda, que pais impacientes andam utilizando o diagnóstico de hiperatividade como desculpa para entupir seus filhos de remédio e mantê-los, dessa forma, sossegados. Tanto é assim que o medicamento foi batizado de “droga da obediência”. “É freqüente que os pais peçam aos médicos que aumentem a dose de Ritalina ou não a interrompam durante as férias”, diz a psicóloga carioca Marise Corrêa Netto.

A hiperatividade infantil costuma aparecer entre os 3 e os 5 anos. O distúrbio é três vezes mais comum em meninos. Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostraram que até um terço dos garotos em idade escolar naquele país usa Ritalina, embora muitos deles não precisem. Um estudo recente da Universidade Estadual de Campinas revelou que, de um grupo de crianças diagnosticadas com hiperatividade, 23% não exibiam problemas de aprendizado. Ou seja, provavelmente estavam sendo tratadas de um distúrbio do qual não sofriam. Vários educadores acreditam que se rotulam muitas crianças de hiperativas só porque elas são bagunceiras. “É preciso tomar muito cuidado com a medicalização da educação”, diz a psicanalista carioca Christiane Vilhena, especialista em desenvolvimento infantil.

Enquanto a polêmica segue no universo infantil, a Ritalina vai conquistando de maneira silenciosa adeptos nas universidades. Pressionados por provas, exames e trabalhos de faculdade, estudantes estão trocando o tradicional café com cigarro pelo remédio. A Ritalina, nesses casos, teria o objetivo de melhorar a concentração e diminuir o cansaço. Seria uma espécie de anabolizante para o cérebro, que conseguiria assim acumular mais informação em menos tempo. Um levantamento feito na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, mostrou que um em cada cinco estudantes da instituição já havia experimentado a Ritalina com esse único propósito. No mercado de trabalho, ela também entrou para o cardápio: executivos passaram a procurar no medicamento uma forma de suportar batentes que costumam ultrapassar dez horas.

Um dos aspectos mais preocupantes do uso da Ritalina é o recreacional. Alguns adolescentes trituram as drágeas e cheiram o pó. Outros diluem o comprimido em água, para injetá-lo na veia. Essas injeções, no entanto, podem causar complicações sérias. Pequenos pedaços da pílula podem obstruir vasos sanguíneos e levar a distúrbios pulmonares e cardiovasculares graves. Por último, há garotas que lançam mão do remédio para emagrecer – um dos efeitos colaterais da Ritalina, descrito na bula.

A Ritalina, nome comercial do metilfenidato, foi lançada em 1956. O efeito paradoxal do remédio é que, embora seja um estimulante, em doses muito precisas ele acaba por acalmar seus usuários, ao torná-los mais concentrados – daí seu uso em crianças hiperativas. O mecanismo de ação da Ritalina ainda não foi completamente desvendado. Recentemente, com o auxílio de um exame de última geração, a tomografia por emissão de pósitrons, pesquisadores conseguiram identificar um aumento nos níveis de dopamina em homens saudáveis que tomavam o remédio. A dopamina é uma substância produzida no cérebro, associada à sensação de bem-estar, euforia e estado de alerta.

Retirado de http://veja.abril.com.br/271004/p_068.html


Benefícios para saúde – Azeite de Oliva contra inflamações

oil

Scientists discover olive oil directly impacts genes to halt inflammation

Tuesday, July 27, 2010 by: S. L. Baker, features writer

(NaturalNews) Research has been steadily accumulating that olive oil, a
main component of the Mediterranean diet, has extensive
health-protective properties. For example, phytonutrient components of
olive oil have been found to be effective against breast cancer cells (http://www.naturalnews.com/025633_c…)
and studies suggest the abundance of olive oil in the Mediterranean
style of eating may be the reason that diet helps prevent depression (http://www.naturalnews.com/027265_d…). Now scientists have discovered that phenolic compounds in olive oil directly repress genes linked to inflammation.

This could be especially important in halting the dangerous effects of metabolic syndrome. Characterized by excess abdominal fat, high cholesterol, high blood pressure and high blood glucose levels, metabolic syndrome is linked to type 2 diabetes, heart disease, and early death.

Research published in the journal BMC Genomics investigated changes in genes mediated by olive oil
phenols (which are most abundant in the extra-virgin varieties of olive
oil). The double-blind, randomized study, headed by Francisco
Perez-Jimenez from the University of Cordoba, involved 20 research
subjects, all with metabolic syndrome. For six weeks, the patients did
not take any supplements or drugs and they were all placed on similar
low-fat, carbohydrate-rich diets. Then, for breakfast,
they ate either a breakfast containing virgin olive oil with a high
content of phenolic compounds or a similar breakfast with low phenol
content.

The research team took blood samples after the meals to
check for the expression of over 15,000 human genes. The results? The
high phenol olive oil clearly impacted the regulation of almost 100
genes — many of which have been linked to obesity, high blood fat levels, type 2 diabetes and heart disease.

"We
identified 98 differentially expressed genes when comparing the intake
of phenol-rich olive oil with low-phenol olive oil. Several of the
repressed genes are known to be involved in pro-inflammatory processes,
suggesting that the diet can switch the activity of immune system cells
to a less deleterious inflammatory profile, as seen in metabolic
syndrome," Dr. Perez-Jimenez said in a statement to the press. "These
findings strengthen the relationship between inflammation, obesity and
diet and provide evidence at the most basic level of healthy effects
derived from virgin olive oil consumption in humans."

The
ability of olive oil’s phenolic compounds to reduce or prevent
inflammation also provides a molecular basis for the reduction of heart
disease observed in Mediterranean countries, where virgin olive oil
represents a main source of dietary fat.

For more information:
http://www.biomedcentral.com/1471-2…
http://www.naturalnews.com/olive_oi…

Retirado de http://www.naturalnews.com/029294_olive_oil_inflammation.html


Os afetos que nos afetam Da teoria dos humores gregos ao Prozac contemporâneo.


Os afetos que nos afetam



Da teoria dos humores gregos ao Prozac contemporâneo.


POR ANDERSON PEREIRA*


"Jesus chorou"
(João 11:35)

Sim, Jesus chorou. A Bíblia nos
diz que Ele chorou alto e com lágrimas em suas orações (Hebreus 5:7).
Ele chorou por causa de sua amada cidade, Jerusalém (Mateus 23:37). Um
de seus ensinamentos mais famosos e que nos mais nos revigora é
encontrado nas famosas Bem-Aventuranças: "Bem aventurados os que choram,
porque serão consolados" (Mateus 5:5).

A Teoria humoral
Também conhecida por teoria
humoral hipocrática ou galênica segundo as quais a vida seria mantida
pelo equilíbrio entre quatro humores: sangue, fleuma, bílis amarela e
bílis negra, procedentes, respectivamente, do coração, sistema
respiratório, fígado e baço. Cada um destes humores teria diferentes
qualidades: o sangue seria quente e úmido; a fleuma, fria e úmida; a
bílis amarela, quente e seca; e a bílis negra, fria e seca. Segundo o
predomínio natural de um desses humores na constituição dos indivíduos,
teríamos os diferentes tipos fisiológicos: o sanguíneo, o fleumático, o
bilioso ou colérico e o melancólico.

Após muitos séculos ainda sofremos dos mesmos "males" no plano
subjetivo, muitos sofrem das dúvidas do existir, outros das angústias
diante das escolhas, do medo, da saudade, arrependimento, ou de todos
juntos, mas enfim que ninguém diga que já encontrou a cura para a
saudade.

De muleta em muleta, em vão, junta-se esforços para "curar"
aquilo que é a mais sublime virtude do humano, a capacidade de sentir,
de ser afetado pelas situações, de aprender com esses sentimentos, a
oportunidade de entender e extrair seu próprio saber a partir dos afetos
que lhe afetam; assim da teoria dos humores gregos ao prozac
contemporâneo as fantasiosas ilusões que muitos adoram ter, muitas vezes
não resistem ao "real" do cotidiano. Se no princípio era o Verbo, na
atualidade é o mando, aquilo que se entende como discursos que legitimam
práticas de poder e de "arbitragem sobre os corpos", e cada vez menos
nos autorizamos a cultivar a dúvida como possibilidade existencial, é
comum desejar a certeza a qualquer custo. No plano das "interações
sociais", nota-se comumente que se prefere uma má explicação imediata a
uma dúvida momentânea.

A dúvida parece ser insuportável para nossa cultura, assim, nem
reflexivos, nem poéticos, muito menos filosóficos, nisso seguem muitos,
essas são algumas das características dos sujeitos dos nossos tempos;
Tempos de pragmatismo imediato, de exatidão, da justa medida, da justa
certeza, da justa palavra, do justo pensar, enfim, tempos da "justiça do
equívoco" ordinariamente sedutora porém de pouco valor. Vivemos em uma
época de produção de "verdades", de "certezas" ainda que essas se
mostrem tão incertas quanto frágeis, e aquilo que é frágil por si só se
quebra…

O que é o que é?? Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma
tonelada, (…) e eu que me julguei forte, e eu que me senti, serei um
fraco, quando outras delas vir (…) borrou a letra triste do poeta,
(só) correu no rosto pardo do profeta. E até Jesus
chorou
. (Racionais Mc’s)

Uma pitada de Mito e Biopoder

A preocupação com a explicação da saúde e da doença sem ser em
bases sobrenaturais nasce pelo menos em termos de Ocidente com a
filosofia grega na sua busca em ter uma explicação da constituição da
natureza em bases aparentemente racionais para época. A
Teoria humoral
conhecida também como (quatro humores) fez parte
do principal arcabouço teórico de explicação racional da saúde e da
doença entre o século 4 a.C. e o século 17.

Hipócrates (460a.C.-377a.C.) Ele é o fundador da ciência médica,
traz o fim dos mitos que descrevia a medicina como uma manifestação
mágica e divina. Segundo Hipócrates, as doenças surgiriam pelo
desequilíbrio entre o sangue, a fleuma, a bílis e a atrabile. Esta é a
famosa teoria dos quatro humores corporais, que dependendo das
quantidades presentes no corpo, levariam a estados de equilíbrio ou de
doença e dor. Esta teoria veio a influenciar posteriormente Galeno, que
desenvolveu a teoria dos humores, que dominou o conhecimento até ao
século 18.

Galeno considerava que o corpo traz em si os elementos para a sua
própria recuperação. Nisso as doenças do corpo e da alma como chamavam a
psiquê, eram consequências de um desequilíbrio entre os humores, onde a
causa principal seria as alterações provocada pelos alimentos, os
quais, ao ser digeridos pelo organismo, sintetizariam os quatro humores.
Entre os alimentos, Hipócrates incluía a água e o ar. O papel curativo
da ciência até aí era ajudar a "physis" a seguir os seus mecanismos
normais, ajudando a expulsar o humor em excesso ou contrariando as suas
qualidades, restabelecendo-se então a saúde.

Alcméon de
Crotona

Alcmeão de Crotona
(Alcmeon) (VI a.C.) foi um filósofo pré-socrático, médico grego e um dos
mais importantes discípulos de Pitágoras. Segundo escritos da época foi
também o primeiro a relacionar o cérebro com as funções psíquicas, a
psyqué, ao descobrir, por dissecação, que certas vias sensoriais
terminavam no encéfalo e elaborou uma teoria da desarmonia como causa de
enfermidades. Desenvolveu uma teoria acerca da origem e dos processos
fisiológicos das sensações, sugerindo que os sentidos estariam ligados
ao cérebro.

Mas antes disso, um longo percurso se deu com Alcméon
de Crotona
(fl. 535 a.C.) baseando-se na ideia de Pitágoras
(560-480 a.C.) sobre o equilíbrio em proporções numéricas definidas, foi
o primeiro a caracterizar a saúde como um equilíbrio no corpo humano de
qualidades opostas, como o frio e o quente, o úmido e o seco, o doce e o
amargo. A partir disso, a doença seria também um desequilíbrio, uma
desproporção entre essas mesmas qualidades, assim no mesmo caminho
desenvolvendo as teorias de outros filósofos sobre a importância da água
ou do fogo como elementos base na constituição da matéria. Empédocles
(492-432 a.C.) definiu os quatro elementos, terra, água, ar e fogo e
como sendo os constituintes de todas as coisas, as quais variavam entre
si na proporção em que entrava cada um desses elementos. Para ele, a
doença era provocada por desequilíbrio entre esses elementos na
constituição do corpo humano. Assim, essas abordagens davam conta de
tentar explicar o "real" para as mentalidades da referida época.
Atualmente, a ciência ocupa paradoxalmente o lugar do mito, autorga- sea
autoridade de explicar o mundo sob sua ótica e, além disso, promete a
cura dos males que atormentam a humanidade desde a sua tenra existência
sobre a Terra.

Dessa forma, o que diria Hipocrates sobre, chamada por muitos
especialistas, a epidemia de depressão contemporânea, como no caso do
filme Geração
prozac
? E nisso como se colocará as futuras gerações? É
justamente isso que deixa claro o não "resolvido da existência", não
desenvolver sensibilidade para compreender todos os aspectos da vida; se
a alegria faz parte da vida, a tristeza também, numa visão mais crítica
a biopolítica lida com a população humana nisso. Foucault apresenta
como exemplos da nova atuação do Estado a criação das instituições
públicas para a medicalização da população, a higiene pública, o
controle das epidemias e a criação das instituições de assistência à
população. A cidade se torna o "locus" privilegiado da atuação
biopolítica.

No trabalho acadêmico "Em o Uso do Corpo", em 1923, com 31 anos, J.
B. S. Haldane, um dos fundadores da genética de populações, previu que
em menos de cinquenta anos já se criariam embriões e fetos inteiramente
fora do útero, seguida pela implantação do zigoto no útero. Atualmente a
medicina concentra muito poder fazendo transferência de genes atuando
em conjunto com a imensa indústria farmacêutica. Nesse cenário de
práticas cientificistas que visam a tudo responder e que sempre
ultrapassam em seu próprio anseio, os efeitos colaterais são mais
insuportáveis que o suposto incomodo inicial. Se antes o mito respondia
as questões da existência, hoje os medicamentos não atendem a demanda
posta.

Um pouco de existencialismo e ideal

Já ao nascer choramos ao invés de sorrirmos, talvez isso já seja o
prenúncio do estar nesse mundo, numa abordagem existencialista, a porta
de acesso à condição humana é a experiência da angústia. Nisto
concordam todos os existencialistas, e podemos então primariamente
considerar que o existencialismo é um voltar-se para a singularidade e
particularidade do indivíduo, na linguagem de Heidegger com o conceito
de "ser-nomundo" traça-se um caminho para o inesperado, uma espécie de
"elogio ao imprevisto", que já é um razoável ponto de partida para uma
maior lucidez no entendimento da sua própria condição no mundo, nisso o
ser humano sempre está aberto para tornarse algo novo, sempre está para
além da situação na qual se encontra.

Geração prozac
(Prozac Nation, EUA/
Alemanha,2001) Elizabeth é uma típica personagem da pós-modernidade, em
busca do sucesso profissional, se sobrecarrega na produção de seus
artigos para revistas, estudando em uma Universidade que exige grande
dedicação de tempo e esforços. Sofre com os problemas da mãe que
trabalha também cada vez mais para suprir os gastos dela, principalmente
com o pagamento da terapia, e acaba cada vez mais ansiosa, sendo isso
percebido pelo excesso no fumo e os gritos histéricos em que diz que não
aguenta mais viver e acaba rendendo-se a medicalização. Não se sente
capaz de controlar sua vida, não consegue seguir o que lhe impõe o poder
de controle tão evidente dentro da Universidade, onde cada um deveria
se vigiar e se conter.

Schopenhauer
Postulou que o mundo não é
mais que Representação, foi o filósofo que introduziu o Budismo e o
pensamento indiano na metafísica alemã. Ficou conhecido por seu
pessimismo e tem contato com o Budismo como uma confirmação dessa visão.
Assim a suprema felicidade somente pode ser conseguida pela anulação da
vontade.

Como um certo "gerúndio prolongado" que se estende por algumas
décadas, ou ainda um eterno rascunho, projeto ou esboço, um ser
inacabado, devir para existencialista, essa condição posta do ser
humano, esse encontrando-se numa situação, num círculo de afetos e
interesses no qual o homem se acha sempre imerso, porém, nunca preso a
ele estando na condição então de "devenire encarnado" se reinventando a
cada passo, como Sartre em uma das suas máximas em o que mais vale e o
que homem faz do que fizeram dele.

Ser ou não ser, eis a questão. Somos a própria essência oculta em
nós, enigma em si. O filósofo alemão Martin Heidegger disse: "O homem é
um ser que está para além da sua própria situação". Sören Kierkegaard
considerava que ao escolher deixava-se de lado outras opções sem ter
certeza de que a escolha foi a melhor ou será bem-sucedida. Eis que aí
está o desespero do homem na relação do "Eu" consigo mesmo, não há
escolha sem angústia. Para Kierkegaard, o existir autêntico afirma-se no
compromisso ao risco das escolhas da vida cotidiana, que busca-se em
uma verdade vivenciada e não teorizada. Esta vai expressar-se no
comportamento do dia a dia frente as demandas próprias do "estar neste
mundo". Por isto, a verdade é fruto da ação e não de um pensamento
teórico, daí a angústia porque ninguém pode fugir a este sentimento que
acompanha toda escolha. Cada escolha é um ato de optar por um sentido
existencial. Quando escolho sou eu quem me escolhe, eu que me fabrico,
pois toda opção é feita em função de uma opção interior, pela qual eu
julgo que irei me realizar. A escolha muitas vezes é uma aposta de
satisfação.

Friedrich Nietzsche colocava em seu Ecce Homo que "a mentira do
ideal seria a maldição da realidade por muitos séculos" Então eis que
emerge a questão. Viver buscando a perfeição? Ou viver consciente de que
a vida perfeita é impossível? Diante desse dilema subjetivo como
decidir? Nesses termos a vida ideal seria uma espécie de "utopia
trágica" com a única função de provocar frustração e uma sensação de
dever não cumprido, o que geralmente desencadeia sentimentos de fracasso
e a desintegração de uma autoimagem positiva.

Os afetos que nos afetam têm função de provocar reflexão de como
ainda depois de muitos séculos, em muitos aspectos, sofremos dos mesmos
males, angústias, medos, ansiedades e incertezas. Esses são apenas
alguns dos muitos fantasmas que atormentam a humanidade há séculos, e ao
que tudo indica parecem ser constitutivos do existir humano, como se
não houvesse humano onde não houvesse angústia ou algum tipo de
desconforto no existir. Seria então a vida uma experiência de
manifestação do inesperado?

Trazendo a reflexão para o campo do cotidiano na sua contra
posição questionaríamos como iremos nos manter sóbrios sem tornarmo-nos
medíocres e ainda livres das "Muletas química"? Se temos que receitar
algo, que tal receitar uma dose diária de Arte? Schopenhauer
admitia que a arte representaria um paliativo para o sofrimento humano,
podemos entender que a arte tem o poder de defrontar o humano com suas
emoções mais íntimas e sutis, então para não sofrermos muito pelos
ideais não atingidos, a título de sugestão, mais Arte e Filosofia e
menos Prozac.

*Anderson Pereira é psicólogo e palestrante – pereira@portalnese.com

Retirado de http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/22/artigo163515-2.asp


A crise da sensibilidade – Negar as próprias limitações traz ao homem problemas como a depressão, o maior mal do século. Blaise Pascal torna-se atual na superação da crise da sensibilidade, pois foi o primeiro a buscar interação entre emoção e razão.

A crise da sensibilidade
Negar as próprias limitações traz ao homem problemas como a
depressão, o maior mal do século. Blaise Pascal torna-se atual na
superação da crise da sensibilidade, pois foi o primeiro a buscar
interação entre emoção e razão


Por
Rodrigo dos Santos Mazano



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Rodrigo dos Santos Manzano
é graduado em Filosofia pela UNIFAI, professor da rede
pública do Estado de São Paulo

De maneira geral, nossa época cultua a indiferença à Religião e
até mesmo o ateísmo, considerada como superstição e perda de tempo.
Porém, por trás da aversão à Religião, convencional, cultos a outros
deuses se desenvolvem sem serem percebidos. O culto ao ser humano é a
mais visível destas novas formas cultuais, traduzindo-se numa atuação
humana que acredita ter a resposta para todas as perguntas. A principal
consequência desta crença é a falta de ética que a atual organização
social vê emergir. A crença na chegada ao ápice do desenvolvimento
humano mascara, porém, o caos que a humanidade imerge. O ideal de
perfeição se vê negado por fatos que aterrorizam esta mesma humanidade.
Nunca, ironicamente, se desprezou tanto a questão afetiva e os grandes
problemas que atingem os homens vêm exatamente desta ordem. O mal de
nosso século, a depressão, é o exemplo mais claro disto.

Para os estoicos, há uma razão universal que governa todas as coisas e a
humanidade está inserida nesta ordem cósmica. Só guiando-se pela razão o
homem se torna livre e feliz. Ele não deve deixar-se escravizar pelas
paixões ou por fatores externos, diante dos quais deve se manter
imperturbável, insensível

Outros problemas, como a frieza, a
superficialidade nas relações interpessoais e o estresse, são sinais de
uma sociedade “doente emocionalmente”. Nosso tempo nutre a competição, a
disputa, a rivalidade entre os mais diversos grupos, sejam eles
torcidas de futebol, fãs deste ou daquele tipo de música, classes
sociais, raças, e até mesmo grupos religiosos. As pessoas, cada vez mais
se isolam, mas se sentem cada vez mais sozinhas. Este embrutecimento e
insensibilidade atuais geram uma rede que podemos definir como “rede da
insensibilidade”. Assim, o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662)
torna-se atual com seu pensamento ao nos fazer refletir na grandeza do
ser humano como único ser capaz de ter consciência de sua existência, de
pensar sobre suas relações com os outros homens, com a natureza, e
também o único animal que sabe que irá morrer. E também sabe a miséria
deste mesmo ser humano, devido à sua imensa fragilidade. Cabe à nossa
era perceber que o ser humano ainda não chegou ao ápice de seu
desenvolvimento, para que assim, este mesmo homem possa reconhecer sua
limitação e repensar a sua existência, principalmente no nível social,
abrindo possibilidades para o desenvolvimento de uma verdadeira
sociedade solidária, algo muito distante da nossa realidade globalizada.
Assim, o questionamento do deus-Homem, servido e projetado por outros
“pequenos deuses” deve caber como uma proposta de reflexão para a
humanidade e seus problemas no século que ainda alvorece.

 

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Israelense orando no Muro das Lamentações,
em Jerusalém. A Religião tem perdido espaço para o culto ao próprio
homem cuja superioridade racional parece ter respostas para tudo

HUMANINADE PERFEITA?

A crença na possibilidade de uma humanidade perfeita é algo
muito antigo. Já Platão, com sua visão tripartite do homem, colocando o
racional como o mais elevado no homem e os que se deixavam guiar pela
reflexão como os superiores entre os humanos, abria o caminho para a
“supremacia da racionalidade”. Porém, nenhuma corrente de pensamento na
Antiguidade foi mais veemente na sua defesa da força do ser humano
diante das adversidades que o estoicismo. Tal corrente, que teve
diversas faces, desenvolvendo-se na Grécia e perpassando a cultura
romana, a tal ponto de um de seus imperadores, Marco Aurélio, ter sido
um dos maiores expoentes desta escola filosófica, baseava- se
praticamente em único ponto, louvavelmente sintetizado por seu criador,
Zenão de Cicio, (homologoúmenos tei physei zen – viver de acordo com a
natureza). Tal corrente pregava uma grande indiferença aos diversos
problemas que a vida podia trazer, elevando assim a grandiosidade do
homem, que uma vez pautado pelo seu lado racional, pode se sentir ileso a
qualquer problema da vida. Esta indiferença, no grego chamado ataraxia
(ausência de preocupações, impertubabilidade), teve grande repercussão
no mundo ocidental.

As ideias estoicas foram fortemente retomadas pela corrente
racionalista, principalmente na estruturação de uma ética pessoal. A
obra do filósofo René Descartes As paixões da alma faz uma forte
apologia à indiferença, na qual cada ser humano deve se adaptar às
vicissitudes que a vida propõe.

Podemos perceber essas tendências estoicas e cartesianas
presentes na mentalidade geral em situações como, por exemplo, escolhas
ou tomadas de decisão, nas quais as pessoas dizem: “preciso pôr a cabeça
no lugar”. Esta frase traz um forte sentido racionalista, e se acredita
que “esfriar a cabeça”, não deixar que emoções venham à tona em
momentos difíceis, é o melhor a ser feito para não haver arrependimentos
posteriores. Porém, tais fatos ainda não são propriamente negativos,
embora idealistas, pois as decisões nunca são tomadas sem influência do
emocional, mas sim carregadas de cunho afetivo. Os frutos mais complexos
do racionalismo herdado de Descartes e do estoicismo são dois: a crença
no superhomem e o desprezo pelas questões emocionais, gerando uma
grande insensibilidade na humanidade, algo que explode de maneira
alarmante em nosso tempo. Alguns exemplos gerais elucidam o exposto.
Cada dia, nossos noticiários e periódicos trazem índices de mortes
alarmantes, muitas vezes ocasionadas por motivos esdrúxulos e banais,
reduzindo vidas a estatísticas. Tais índices mostram como
desvalorizou-se a vida, tanto por aqueles que são agentes das notícias,
assassinos, como por aqueles que as recebem. Salvo casos raros, que nos
parecem muito bárbaros, e causam choque geral, o máximo que temos é uma
relativa comoção que em nada nos toca realmente.

A RIVALIDADE ENTRE GÊNIOS

Pascal foi um dos maiores gênios das ciências de sua época.
Aprendeu sozinho a Geometria e aos dezoito anos criou a primeira
calculadora da história. Tais dotes o opuseram a outro gênio
contemporâneo e colega de seu círculo de discussões, o pai do
racionalismo, René Descartes (1596- 1650). Os dois eram membros do
cenáculo científico do Padre Mersenne, em Paris, a futura Academia das
Ciências de Paris. Assim, a oposição evidente de seus sistemas
filosóficos, apesar de filhos de uma mesma época, também se fazia
perceptível na vida dos dois.

Em um dos trechos de sua obra máxima, o Pensées
(Pensamentos – obra póstuma de Pascal, que, na verdade, era a tentativa
de um discurso apologético ao cristianismo e que foi reunida e publicada
em 1669, sendo estruturada em aforismos), Pascal dizia sobre Descartes
“Escrever contra os que aprofundam demais as ciências. Descartes. Não
posso perdoar Descartes; bem quisera ele, em toda a sua filosofia,
passar sem Deus, mas não pôde evitar de fazê-lo dar um piparote para pôr
o mundo em movimento; depois do que, não precisa mais de Deus.
Descartes: inútil e incerto”.

DECARTES
VERSUS PASCAL

Pascal e Descartes são dois racionalistas, mas de vertentes
diferentes. Descartes, importante na formação do pensamento moderno e
da Ciência, para formular o racionalismo começa duvidando de tudo – como
dos sentidos, que são enganadores. Só não duvida de que duvida de tudo
e, assim, chega ao famoso “Cogito, ergo sum”. Ou seja, “Penso, logo
existo”, pois ao duvidar ele tinha a certeza de que era um ser que
pensava. A partir desse ponto inicial desenvolve todo um método, baseado
apenas na razão, para provar a existência do homem e do mundo exterior.
Já Pascal leva em conta tanto a racionalidade quanto a dimensão
afetiva. Ele afirma que o coração tem razões que a própria razão
desconhece, criticando o pensamento cartesiano, visto como muito
“geométrico”.

Marco Aurélio, imperador romano
que foi um dos expoentes do estoicismo. Essa corrente filosófica
defende que o homem deve agir de acordo com a razão e ser indiferente
aos problemas

A verdadeira compaixão e solidariedade, que deveria tocar os
seres humanos diante da morte de outros semelhantes, dão lugar a um mero
conformismo, que muitas vezes até justifica tais mortes dos mais
diversos modos. Parece que a indiferença defendida pelos estoicos chegou
ao seu ápice, ao ponto de se manifestar pela própria vida. Também vemos
tal dificuldade na relação interpessoal no crescimento dos índices de
“relacionamentos virtuais”. Uma das consequências do racionalismo foi o
mecanicismo, no qual os próprios seres humanos caíram. Vemos isso de
maneira plena na quantidade de pessoas que se relacionam com outras
através de uma máquina, o que pode ser visto como um avanço da
comunicação e da diminuição nas fronteiras do mundo, mas que distancia
as pessoas do contato verdadeiro, dando a impressão de que o orgânico
vai sendo substituído pelo mecânico. Estes casos exemplificam a
insensibilidade na qual vem se aprofundando o rol das relações humanas e
distanciando as pessoas reais, revelando o quanto o lado emocional é
relegado a segundo plano.

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Crianças famintas na Somália. O
culto à razão leva a humanidade a promover muitos avanços, mas relega o
homem real, admitindo mazelas sociais como a fome e a desigualdade

Por outro lado, nunca se acreditou tanto na superioridade do
homem. A razão humana chegou a um número de conquistas, principalmente
nos dois últimos séculos, até então nunca visto antes. Tal fato leva a
uma crença quase inquestionável no ser humano, na Ciência e na razão,
que acentua ainda mais a insensibilidade. Esta crença parece confirmar
Descartes e o estoicismo, elevando o racionalismo e mais uma vez criando
a ilusão de que as emoções não são importantes, são questões
secundárias no desenvolvimento da raça humana. Crê-se no Homem, uma
ideia de humanidade superioridade do homem. A razão humana chegou a um
número de conquistas, principalmente nos dois últimos séculos, até então
nunca visto antes. Tal fato leva a uma crença quase inquestionável no
ser humano, na Ciência e na razão, que acentua ainda mais a
insensibilidade. Esta crença parece confirmar Descartes e o estoicismo,
elevando o racionalismo e mais uma vez criando a ilusão de que as
emoções não são importantes, são questões secundárias no desenvolvimento
da raça humana. Crê- -se no Homem, uma ideia de humanidade, mas
deixa-se de lado os homens, seres humanos reais, que muitas vezes sequer
têm condições de desenvolver o mínimo de sua capacidade racional, pois
mesmo com tantos avanços, a humanidade ainda não superou problemas
básicos, como a fome, o analfabetismo, a distribuição desigual de renda
entre outros.

Diante do
número de informação e realizações com as quais o homem está obrigado a
conviver, torna-se um desafio refletir sobre a sua existência

Esses fatos ajudam a diagnosticar uma falta de rumo na existência
dos seres humanos. Diante do número de informações e de realizações com
as quais se está obrigada a conviver, qual o caminho a ser tomado, qual
rumo seguir? Assim, torna-se um desafio refletir sobre sua existência e
olhar para si de uma maneira holística, podendo realmente reconhecer
quais são seus anseios. Fatores tão característicos de nossa época, como
o consumismo e a globalização, geram maior confusão, e ao mesmo tempo
em que se prega o individualismo exacerbado, a tomada de decisões por
conta própria, cada vez mais as pessoas se veem uniformizadas pelas
redes da “ditadura da moda” e pelos padrões de beleza vigentes. Assim,
sem perceber, a pessoa se vê buscando aquilo que é de sua vontade, mas
não pára para refletir se aquilo realmente é de sua vontade interna ou
se esta vontade lhe é sugestionada, advinda dos diversos formadores de
opinião, na busca pela felicidade. Tal fato, não surpreendentemente,
leva o homem a um vazio, e este a problemas muito hodiernos, como a
depressão e estresse. O primeiro deles é tão grave que ganhou o status
de “mal do século XXI”, já que, segundo os índices da OMS, atinge cerca
de 121 milhões de pessoas em todo o mundo. Tais fatos, que nos parecem
tão atuais, já de alguma forma eram contemplados por um filósofo do
século XVII, contemporâneo e também rival de Descartes, Blaise Pascal.

DUALIDADE DE PASCAL

 

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“Dois excessos: excluir a
razão, admitir apenas a razão” PASCAL

A dualidade é uma das grandes marcas da Filosofia, e
principalmente a do século XVII. Pascal não escapou dela. Ele trabalha a
compreensão humana a partir de dois conceitos chaves: esprit de
geometrie (parte mais racional e especulativa, própria dos conhecimentos
científicos) e o esprit de finesse (algo parecido com a intuição, que
busca algo mais do que simplesmente os dados científicos, mas verdades
existenciais). Pascal não reduz a vida humana ao mero processo racional e
individualista, e principalmente ao mecanicismo, mas reconhece algo a
mais no homem, que são os sentimentos. Para o filósofo, deve haver um
equilíbrio entre estas duas faculdades para se obter uma melhor
compreensão da realidade e vivência.

“Num os princípios são palpáveis, mas afastados do uso comum; de
maneira que, por falta de hábito, custa-nos virar a cabeça para este
lado: por pouco, porém, que nos viremos, vemos em cheio os princípios; e
seria preciso ter o espírito inteiramente falso para raciocinar mal
sobre princípios tão grandes que é quase impossível nos escaparem. Mas,
no espírito de finura (esprit de finesse), os princípios são de uso
comum, aos olhos de todo mundo. Basta virar a cabeça, sem nenhum
esforço; trata-se somente de ter boa vista, mas que seja boa, pois os
princípios são tão sutis e em tão grande número que é quase impossível
não nos escaparem alguns. Ora, a omissão de um princípio leva ao erro;
assim, é preciso possuir a vista bem clara para ver todos os princípios e
também o espírito justo para não raciocinar erroneamente sobre
princípios conhecidos.”

A busca incessante por diversão e
prazer esconde um grande vazio. É um círculo vicioso que só distrai o
homem de si mesmo e o leva à mediocridade
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Segue ele dizendo que, sem o espírito de finura, os homens podem
se tornar insensíveis por não terem uma compreensão dos princípios
constituintes dos sentimentos. “Os que estão acostumados a julgar pelo
sentimento nada compreendem das coisas do raciocínio, pois querem logo
chegar a perceber com um golpe de vista e não têm o hábito de procurar
princípios. E os outros, pelo contrário, que estão habituados a
raciocinar por princípios, nada compreendem das coisas do sentimento,
procurando nelas princípios e não podendo vê-las de um golpe.”

Assim, podemos dizer que Pascal é o primeiro filósofo a buscar
uma integração entre as faculdades humanas para uma compreensão
holística em sua antropologia. O aparente choque entre razão e emoção,
que por anos foi destacado, parece encontrar uma via de solução nos
aforismos pascalianos.

O intuito de Pascal, em sua obra, era fazer uma apologia ao
cristianismo, uma vez que havia se tornado jansenista, uma seita
católica de influência agostiniana que fora declarada herética em meados
do século XVII. Ao trabalhar a situação do homem com relação à
possibilidade de crer, Pascal dá grande importância ao potencial
emocional humano. Dele que nasce a Ética, fruto da Religião, e a
capacidade de julgar, para Pascal inata, o que é certo e o que é errado.

“A ciência das coisas exteriores não me consolará da ignorância
da moral, em tempo de aflição; mas a ciência dos costumes me consolará
sempre da ignorância das ciências exteriores.

Não se ensina os homens a serem homens de bem, e tudo o mais se
lhes ensina; e de nada se jactam mais que de ser homens de bem. Só se
vangloriam de saber o que não aprenderam.”

DIVERTIMENTO

“Sobrecarregamos os homens, desde a infância, com o cuidado
de sua honra, de sua riqueza, de seus amigos, e ainda com o cuidado da
riqueza e da honra desses amigos. Fatigamos os homens com negócios, com o
estudo de línguas e exercícios, e fazemos-lhe sentir que não poderão
ser felizes sem que a sua saúde, honra e fortuna, e as de seus amigos
estejam em ordem, e que basta faltar-lhes uma destas coisas para se
tornarem infelizes. E damos- -lhe encargos e negócios que os atormentam
desde que desponta o dia. – Eis aí, direis, uma estranha maneira de
fazê-los felizes! Que se poderia fazer de melhor para torná-los
infelizes? – Como! Que se poderia fazer? Bastaria tirar-lhe todas essas
ocupações; então se veriam a si mesmos, pensariam no que são, donde vêm e
para onde vão. Nunca será demais, portanto, ocupá-los, nem jamais os
distrairemos demasiado. E é por isso que, depois de carregá-los de
negócios e lhes sobra tempo para descanso, nós os aconselhamos a
empregá-lo em divertimentos e no jogo, e a andarem sempre inteiramente
ocupados. Como é oco e cheio de baixeza o coração do homem. (…) O
homem é visivelmente feito para pensar; é toda a sua dignidade e todo o
seu mérito; e todo o seu dever consiste em pensar corretamente. Ora, a
ordem o pensamento é de começar por si, e pelo seu autor e sua
finalidade”.
Fragmento do texto Pensamentos,
de Blaise Pascal



O DIVERTISSEMENT



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O consumismo desenfreado é um sinal
de que o homem pouco refl ete sobre seus reais anseios e é impelido a
agir de acordo com os padrões vigentes

Para falar sobre a fuga do homem de si mesmo, o que para nós é
tão atual em tempos de correria e badalação, diz respeito ao
divertissement (divertimento). A busca desenfreada por ocupação, glória,
honra, diversão e prazer, para Pascal, só fazia o homem cair cada vez
mais em um vazio tremendo. Esses desvios e distrações dos seres humanos
são causas visíveis de sua queda na mediocridade, de sua
superficialidade. Embora seja necessário, o homem teme enfrentar-se a si
mesmo e, para tanto, busca a distração. Na abordagem do filósofo, estas
distrações afastam o homem de chegar a Deus, de se voltar ao Sumo Bem,
sendo-nos fácil aqui encontrar os ecos agostinianos. Porém, a abordagem
de Pascal hoje nos ajuda a compreender os problemas levantados no começo
deste artigo. A busca egoísta dos homens por prazer e diversão, por
glória e reconhecimento, gera as consequências citadas acima. E não raro
o problema da depressão, que colocamos aqui como um mal tão preocupante
no século vigente, é um fruto direto da fuga do ser humano de si mesmo.

A
depressão, mal do século, é fruto direto da fuga do ser humano de si
mesmo. Buscando fugir do tédio, o homem acaba fugindo dele próprio

E buscando fugir do tédio, o homem acaba fugindo
dele próprio. Para Pascal este é o fator essencial para o embrutecimento
humano, já que impede o desenvolvimento do esprit de finesse. “Tédio –
Nada é mais insuportável ao homem do que um repouso total, sem paixões,
sem negócios, sem distrações, sem atividade. Sente então seu nada, seu
abandono, sua insuficiência, sua dependência, sua impotência, seu vazio.
Incontinenti subirá do fundo de sua alma o tédio, o negrume, a
tristeza, a pena, o despeito, o desespero.”

A rica análise antropológica feita por Pascal, tirando todo
idealismo vigente sobre o homem na época, coloca-o diante de sua
limitação e mesmo da necessidade do próximo. Não à toa, Pascal não poupa
críticas aos estoicos. “Estóicos – concluem que podemos sempre o que
podemos às vezes, e que, como o desejo da glória leva os que domina a
bem fazer alguma coisa, os outros poderão igualmente. São movimentos
febris que a saúde não pode imitar. (…) Esses grandes esforços de
espírito, que a alma às vezes atinge, são coisas em que ela não
permanece. Atinge-os somente, não como se atinge um trono, para sempre,
mas por instante apenas. (…) O que os estóicos propõem é tão difícil e
vão! Os estóicos afirmam: todos os que se acham em um alto nível de
sabedoria são igualmente loucos e viciados, como os que se encontram
dois dedos dentro da água.”

A Antropologia Pascaliana, olhando superficialmente, parece
pessimista, e facilmente descartável. Porém, sua vantagem está no olhar
mais realista do homem. Suas percepções incomodam a qualquer um e
provocam a reflexão. Prova que o encontro consigo mesmo ainda é relegado
a segundo plano e mostra- -nos o quanto seu pensamento se faz atual e
plausível. Assim o mito do super- -homem, cultuado por nossa sociedade,
cai por terra.

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“O último esforço da razão é
reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam” PASCAL

 

Glorificando a razão e desprezando a
afetividade, a humanidade instaura uma ordem que gera problemas como a
depressão, o mal do nosso século

RAZÕES DO CORAÇÃO

“O coração tem suas razões, que a razão não conhece” Não poderia
terminar esse artigo sem trazer um dos axiomas mais famosos de Pascal.
Ele nos revela a essência do pensamento pascaliano e nos abre a
perspectiva da necessidade do desenvolvimento da sensibilidade. Pascal
nos coloca diante da faculdade emocional em uma era tão marcada pela
supervalorização do racionalismo – como fora o século XVII –
principalmente no cientificismo e na veneração da tecnologia, que
inclusive transformam até mesmo as relações, demonstrando o grau de
insensibilidade de nosso tempo. O apelo de Pascal nos lança o desafio de
reavaliarmo-nos diante da sensibilidade e da emoção para uma
reestruturação das relações humanas. Cabe ao homem contemporâneo buscar
pautar as relações a partir deste olhar. Da questão levantada por
Pascal, da visão holística e realista do homem, surgem outras
perspectivas, e a principal, para a nossa época é o olhar para o outro
como um igual a mim. Pascal continua atual por revelar a constante busca
do homem pelo divertissement, proporcional à sua constante fuga de si.
Fechando-se a si mesmo, a humanidade acredita ser mais fácil suportar a
dificuldade de nossa era. É uma forma de estoicismo, que apresenta sua
crise nos já enumerados sintomas diagnosticados. Urge, de todo esse
cenário assustador, embora velado, a necessidade de uma ética, desejo
último de Pascal em sua Filosofia. Refletir iluminados por Pascal é
colocar o homem no seu devido lugar, de ser limitado, que nada em sua
constituição é perfeito. Há a necessidade da abertura à sensibilidade,
uma sensibilidade generalizada, um verdadeiro esprit de finesse. A
“ética da sensibilidade generalizada” é um apelo, talvez não tão novo,
mas urgente e indispensável para a nossa época. Blaise Pascal abre esta
perspectiva. Olhar o ser humano na sua totalidade é o desafio e a
solução para as futuras gerações e para buscar a autocompreensão e a via
de solução de problemas tão humanos.

A aposta na razão e na indiferença
estoica em detrimento da sensibilidade, leva a um desprezo pelas
relações interpessoais. Mesmo dividindo um mesmo espaço, há um
distanciamento do contato verdadeiro

 Retirado de http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/45/artigo167718-1.asp


Comer mal é um vício ou temos escolha? Um novo estudo sugere que a gordura cria dependência como cocaína e heroína. O guru da alimentação saudável dá 20 lições para evitar ser refém do lixo alimentar

Comer mal é um vício ou
temos escolha?
Um novo estudo sugere que a
gordura cria dependência como cocaína e heroína. O guru da alimentação
saudável dá 20 lições para evitar ser refém do lixo alimentar
Francine Lima (texto) e
Sattu (ilustrações)
Revista Época

Quando alguém menciona
drogas viciantes, o que vem à mente são substâncias ilegais como
cocaína, crack ou heroína. Pelo que se sabe, não há níveis seguros para o
consumo dessas drogas. A orientação é ficar longe delas. Desde a semana
passada, a ciência médica acrescentou à lista de produtos capazes de
provocar dependência algo assustadoramente próximo de nós: a comida
gordurosa. Um estudo com ratos publicado na revista Nature
Neuroscience
sugere que o consumo de alimentos ricos em gordura
leva ao desenvolvimento de um tipo de dependência parecida com a que
afeta os viciados em cocaína ou heroína. O cérebro dos ratos
superalimentados, assim como nos dependentes químicos, apresenta uma
queda acentuada nos níveis de substâncias responsáveis pelas sensações
de prazer, conhecidas como receptores de dopamina. Com menos receptores,
o organismo precisa de quantidades de gordura cada vez maiores para que
o cérebro registre satisfação. É o mesmo mecanismo cerebral do vício
humano em drogas. A pesquisa, feita apenas em ratos, confirmou em
laboratório pela primeira vez aquilo de que muitos especialistas já
suspeitavam: certos tipos de comida viciam.

“Espero que
este estudo mude a maneira como muitos pensam sobre comida”, diz Paul
Johnson, coautor do estudo realizado no Scripp Research Institute, da
Flórida. “Ele demonstra como a oferta de comida pode produzir
superalimentação e obesidade.”

Ao vincular dependência
química à alimentação, a pesquisa divulgada na semana passada lança uma
série de novas questões – e reanima velhos fantasmas – no debate sobre
comida. Levada às últimas consequências, ela pode até mesmo sugerir que
os consumidores são manipulados pela indústria do fast-food do mesmo
modo como jovens são aliciados por traficantes na porta das escolas.
Trata-se do tipo de estudo que traz alento àqueles que acreditam que
somos reféns de uma indústria alimentar inescrupulosa, incapaz de
manifestar uma preocupação genuína com a saúde – e afirmam que o cidadão
precisa de regras quase policiais para controlar a comida, assim como
precisa da polícia antidrogas.

A diretora do Nida (o
instituto do governo americano contra o abuso de drogas), Nora Volkow,
chegou a afirmar que o novo estudo ajudará a aplicar o conhecimento
adquirido no combate à dependência química ao tratamento da obesidade.
Depois de proibir o fumo e limitar o consumo e a propaganda de álcool, a
brigada dos militantes pelo controle alimentar passa, portanto, a
dispor de mais argumentos para defender restrições à batata frita ou ao
churrasco. “É improvável que proíbam a picanha como fizeram com a
cocaína”, diz o neurocientista Jorge Moll, coordenador do Instituto D’Or
de Pesquisa e Ensino, do Rio de Janeiro. “Mas o experimento com ratos
sugere que deixar de comer compulsivamente não depende só de força de
vontade.”

Afinal, o que há de fantasia e de realidade
nessa visão? Estaríamos indefesos diante da gordura como diante do
tabaco – e seu consumo deveria ser restrito? Até que ponto a indústria
alimentar tem tanto poder de controlar o que come o consumidor? Não é
possível a cada um de nós, de acordo com nosso livre-arbítrio, escolher
uma alimentação saudável e viver comendo bem?

Para
responder a essas questões, é preciso analisar de perto as evidências
científicas. Os próprios experimentos com ratos sobre o vício oferecem
evidências ambivalentes. Em seu estudo, Johnson e seu colega, Paul
Kenny, dividiram os animais em três grupos. O primeiro grupo foi
alimentado com ração comum. O segundo teve acesso restrito a comida
gordurosa, comparável à que encontramos numa lanchonete. O terceiro teve
acesso quase ilimitado. Os ratos do último grupo se esbaldaram numa
comilança compulsiva. Ao final de 40 dias, estavam mais gordos e, além
do maior peso, foi observada alteração nos centros cerebrais de prazer
similar à de ratos drogados com substâncias como cocaína e heroína.

Os militantes passam a ter mais
argumentos para
defender restrições à batata frita e ao
churrasco


Peter Yang
ORGÂNICO

Pollan na feira. Ele é contra qualquer comida que nossos
avós não reconheceriam como tal. Mas isso deixa muita coisa saudável de
fora

Mas outra
experiência realizada em 1981, também com ratos e tóxicos, lança outra
luz sobre o tema. Ela foi conduzida pelo psicólogo canadense Bruce
Alexander, da Universidade Simon Fraser. Alexander construiu um
verdadeiro parque de ratos, com 8,8 metros quadrados. O lugar era
aquecido, com brinquedos coloridos e bastante espaço. Os ratos do parque
e outro grupo de ratos – estes engaiolados – receberam água com morfina
por 57 dias, até ficar viciados. Depois, passaram a ter água pura como
opção. O grupo enjaulado continuou consumindo água com morfina. Os ratos
do parque reduziram gradualmente o consumo da droga. Apesar dos
sintomas de abstinência, quando recebiam água com morfina, preferiam
beber água pura. Alexander usou a experiência para demonstrar que, num
ambiente saudável, os ratos – e por analogia talvez as pessoas –
conseguem se livrar mais facilmente de um vício. Basta ter condições de
fazer a escolha certa.

Convivemos com substâncias
potencialmente perigosas o tempo inteiro – álcool, tabaco, remédios e
uma infinidade de substâncias ilegais –, sem que nos tornemos
necessariamente reféns delas. Com a comida não é diferente: tudo depende
das escolhas individuais e das circunstâncias. Há diferentes
predisposições ao vício, diz o psiquiatra Marcelo Niel, da Universidade
Federal de São Paulo. Alguns podem usar drogas recreativamente sem se
viciar, outros ficam totalmente dependentes. Essa diferença depende de
componentes genéticos e ambientais, ainda não completamente
esclarecidos. O comportamento compulsivo seria uma válvula de escape
para ativar centros de prazer. “Em alguns pacientes que comem
compulsivamente, se tiramos a comida, eles podem desenvolver sintomas
psiquiátricos mais pronunciados”, diz Niel.

Há, portanto,
uma dose de oportunismo nas comparações entre gordura e drogas e na
defesa de restrições draconianas à indústria alimentar. O ativista
americano Michael Pollan ficou conhecido com o livro O dilema do
onívoro
como um dos maiores críticos da forma como é feita a comida
que chega a nossa mesa. Pollan e o italiano Carlo Petrini, fundador do
movimento Slow Food (o oposto do fast-food), afirmam que a indústria não
para de nos empurrar porcarias goela abaixo. Mas mesmo Pollan acredita
que, para combater a obesidade e a má alimentação, o melhor caminho é
respeitar o livre-arbítrio. Em seu novo livro, Food rules (Regras
da alimentação
), lançado nos Estados Unidos no final de 2009, ele
sugere que retomemos o controle de nossa vida alimentar por meio da
cozinha tradicional, que nos foi legada por nossos pais e avós.

Revista Época

O trabalho de Pollan
fornece um dos alicerces do movimento global pela revalorização da
comida natural. Ele se propõe a responder a uma questão pertinente à
alimentação em qualquer país industrializado: abandonar os modos antigos
à mesa e ceder às novidades do mundo moderno faz bem ou faz mal à
saúde? Ele já tinha vendido até a semana passada mais de 700 mil
exemplares nos EUA. O livro, que não tem data para sair no Brasil, se
organiza em torno de 64 frases que qualquer adolescente instruído é
capaz de entender (20 delas estão reproduzidas no fim da página).
Nos textos curtos que acompanham cada regra, Pollan faz parecer que
ninguém precisa acompanhar o noticiário científico nem ouvir
nutricionistas para fazer escolhas alimentares certas. Para ele, comer
bem é mais simples do que a brigada policial da nutrição ou a indústria
querem que a gente pense. Basta se guiar pelas tradições, confiar na
cultura alimentar passada de mãe para filho e abandonar tudo o que
cheire a ciência moderna como principal referência quando se trata de
comida. “Ao longo de quase toda a história da humanidade, os homens
acharam a resposta sobre o que comer sem a ajuda de especialistas”, diz
Pollan.

Em seu livro anterior, Em defesa da comida,
Pollan defendia uma tese parecida. Para ele, a divulgação fragmentada
das descobertas da ciência sobre o papel dos nutrientes na saúde humana
confunde mais do que ajuda. Ele chama isso de “nutricionismo”. A
indústria, afirma Pollan, aproveita as descobertas científicas da semana
e lança no mercado alimentos com substâncias pretensamente mágicas.
Esse posto já foi da gordura ômega 3, presente naturalmente em peixes
como salmão e adicionada artificialmente em algumas marcas de óleo de
cozinha. O argumento científico subjacente é que, segundo algumas
pesquisas, o consumo do ômega 3 está associado à redução de doenças
cardiovasculares. Mas a indústria não diz, segundo Pollan, que a
substância não faz milagres sozinha, sobretudo quando integrada a uma
dieta desbalanceada. “Quem se preocupa com a saúde provavelmente deveria
evitar produtos que fazem alegações quanto a benefícios para a saúde”,
diz Pollan.

Iniciada no exterior, a pregação pela
alimentação tradicional e natural já chegou ao Brasil. A paulistana Ceni
Salles é uma das primeiras brasileiras a investir nela. Em sua
infância, numa chácara em Suzano, na região rural do Estado, conviveu
com 1.200 espécies de vegetais. Nos anos 80, criou um restaurante
natural, Cheiro Verde, e depois uma loja de alimentos orgânicos, o
Empório Siriuba. Nos últimos anos, diante da demanda, especializou-se em
prestar consultoria para restaurantes e hotéis, montando cardápios.
Hoje, é uma das líderes do movimento Slow Food no Brasil. “Adoro os
livros do Pollan”, diz ela.

Há duas semanas, o encontro
Terra Madre reuniu em Brasília 700 produtores, chefs famosos e
pesquisadores da área de alimentos. Eles pregam a convivência entre
produtores e consumidores. “Somos todos coprodutores”, diz Ceni. “Nossas
escolhas como consumidores orientam o mercado produtor.” Diversas
organizações estão se mobilizando para promover o consumo consciente de
alimentos. Numa pesquisa do Datafolha divulgada no mês passado, 75% dos
pais de crianças entre 3 e 11 anos afirmaram estar preocupados com a
qualidade da alimentação dos filhos e com a enorme oferta de guloseimas
industrializadas.

Embora tenha seus méritos, a tese
anti-industrial de Pollan resvala no radicalismo. Não existe, na vida
real, uma divisão absoluta entre o tradicional e o inovador ou entre o
natural e o industrializado. A indústria de alimentos não é homogênea.
Cada empresa trabalha de acordo com valores diferentes. Não é difícil
encontrar, no mesmo supermercado, exemplos de alimentos bons e ruins
para a saúde. Ao contrário do que reza o radicalismo de Pollan, produtos
inovadores inimagináveis no tempo de nossas avós não são
necessariamente nocivos. Tampouco o contrário é verdadeiro. Feijoada
completa e leitão à pururuca, embora tradicionais e deliciosos, não são
os pratos mais saudáveis em qualquer cardápio.

A
industrialização dos alimentos contribuiu para melhorar a saúde. O
médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira
de Nutrologia, afirma que a industrialização aumentou a expectativa de
vida no mundo ocidental. Em 1900, a longevidade média no Brasil era de
44 anos. Hoje, é de 72, com o aumento da obesidade. Antes da
industrialização, todos os alimentos estavam à mercê do tempo e
apodreciam mais rapidamente. Nem todos sabiam o momento certo de jogar a
comida fora. “A insegurança alimentar predominava”, diz Ribas. No
contexto em que se misturam boas e más inovações, a contribuição de
Pollan é nos alertar para a necessidade de escolher com cuidado aquilo
que comemos. A melhor maneira de comer, aquela que permite evitar a
obesidade e preservar a saúde, é escolher o que há de melhor entre as
várias opções. Da comida feita no fogão a lenha à prateleira do
supermercado, hoje há mais chances de escolher alimentos de qualidade.
Ninguém precisa consumir a gordura que provoca obesidade e dependência
química em ratos. A informação sobre a indústria de produção e
distribuição de comida é a melhor forma que temos para exercer de
maneira saudável nosso direito de escolha e nosso livre-arbítrio. Ela
ainda é nossa melhor arma contra qualquer vício.

Retirado de http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI130857-15257-2,00-COMER+MAL+E+UM+VICIO+OU+TEMOS+ESCOLHA.html

http://epoca.globo.com/edic/Galerias/620_alimentos/soundslider.swf?size=1&format=xml


Colesterol: o que o médico não lhe diz – Novas pesquisas sugerem que as pílulas mais receitadas não beneficiam a maioria dos pacientes

Colesterol: o que o médico não lhe diz
Novas pesquisas sugerem que as pílulas mais
receitadas não beneficiam a maioria dos pacientes
Revista Época

O professor Wanderley
Marques Bernardo, da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (USP), é um sujeito persistente. Não sossega
enquanto
não prova por A mais B que as vantagens apregoadas pelo fabricante de
determinado remédio são excelente peça de marketing baseada em ciência
discutível. Nos últimos seis anos, Bernardo se dedica a avaliar o
custo–benefício de tratamentos. Cirurgião torácico, trocou o bisturi
pelo
laptop. Cruza inúmeros dados para responder às secretarias de Saúde se
vale a
pena comprar as novidades oferecidas pela indústria. Um de seus alvos
preferidos
são os remédios para reduzir o colesterol. Ele não está sozinho. As
drogas mais
usadas para esse fim – chamadas estatinas – têm sido motivo de grandes
discussões. Uma das mais importantes aconteceu em abril, durante o
congresso do
American College of Cardiology, realizado em Chicago, Estados Unidos.
Análises
feitas por diferentes pesquisadores em todo o mundo sugerem que o
benefício dos
remédios pode ser bem menor que os consumidores imaginam.

O debate foi iniciado por
especialistas da chamada medicina baseada em
evidências. A área criada nos anos 80 por David Sackett, da Universidade

McMaster, no Canadá, é composta de médicos que tentam avaliar se um
tratamento
faz diferença a partir da análise fria dos estudos publicados. Não estão

preocupados com histórias pessoais de sucesso ou insucesso. A ferramenta
deles é
a estatística. Bernardo aprendeu o novo ofício na Universidade de
Oxford. “É
importante que a população seja esclarecida sobre os limites da ciência e
dos
remédios”, diz. “É uma forma de minimizar o marketing malvado que não
educa
ninguém.”

As estatinas são a maior
história de sucesso da indústria farmacêutica.
Nenhuma outra categoria rendeu tanto dinheiro. São consumidas por 25
milhões de
pessoas no mundo. No ano passado, produziram um faturamento de US$ 27, 8

bilhões. Metade desse valor foi conquistada pelo Lípitor
(atorvastatina), da
Pfizer. Em faturamento, ele é o primeiro do ranking da indústria. Os
brasileiros
compram nas farmácias 1 milhão de caixinhas de estatina a cada mês. O
mais
consumido é o genérico sinvastatina. O número dois é o Lípitor.

As estatinas são a maior história de sucesso da indústria
farmacêutica. Nenhuma outra categoria rendeu tanto dinheiro.
Em
2007, foram US$ 27,8 bilhões

A forma agressiva como
ele é anunciado ajuda a explicar tamanho sucesso. Nos
EUA, a propaganda de remédios vendidos com receita médica pode ser feita

diretamente ao consumidor. Isso não ocorre no Brasil, onde as empresas
procuram
convencer os médicos a receitar seus produtos. Pelas regras americanas,
os
anúncios de remédio podem aparecer em qualquer parte: TV, revistas,
jornais,
outdoors. Segundo o anúncio do Lípitor, o remédio reduz em 36% o risco
de
infarto em pacientes com outros fatores de risco além do colesterol alto

(hipertensão, por exemplo). Poucos consumidores prestam atenção ao
asterisco e
às letras pequenas colocadas no pé da página. Elas informam que, num
amplo
estudo, 3% dos pacientes que tomaram pílulas sem efeito (placebo)
tiveram um
infarto. No grupo que tomou Lípitor, o índice foi de cerca de 2%.

O que os números
significam? A cada cem pessoas, três no grupo placebo e duas
no grupo do remédio tiveram um infarto. O benefício creditado à droga é
de um
infarto a menos a cada cem pessoas. Ou seja: para evitar um infarto, é
preciso
que cem pacientes tomem o remédio por mais de três anos. É o que os
estatísticos
chamam de número necessário para tratar (NNT). Os outros 99 pacientes
não
tiveram nenhum benefício mensurável.

WANDERLEY MARQUES
BERNARDO
46 anos
O cirurgião
torácico trocou
o bisturi pelo laptop. Nos últimos seis anos, se dedica a avaliar o

custo–benefício de medicamentos como as estatinas. “A população
precisa
ser informada sobre os limites dos remédios”

E de onde vieram os 36%?
Isso é o que os especialistas chamam de risco
relativo, uma artimanha freqüentemente usada pela indústria para tornar
mais
atraentes os resultados dos estudos. A conta não é mentirosa, mas não
expressa
com clareza o real benefício dos remédios. O risco de infarto verificado
no
grupo que tomou Lípitor (1,94%) é dividido pelo risco observado no grupo
placebo
(3%). O resultado da divisão é 0,64. O passo seguinte é verificar quanto
o
remédio evitou que os riscos fossem iguais nos dois grupos. Basta
subtrair 0,64
de 1. O resultado é 0,36, ou 36%.

Dizer que o remédio reduz
o risco em 36% é mais impactante que explicar que
apenas um infarto em cem será evitado, certo? “É verdade que a
publicidade usa a
cifra mais bombástica”, diz Eurico Correia, gerente-médico de grupo de
produtos
da Pfizer. “Mas a redução de risco de 1% ou 2% no enorme universo de
consumidores significa salvar a vida de muita gente.”

Sim, mas, em nome da
transparência que os consumidores merecem, eles precisam
saber que poucos terão vantagem. “A maioria está tomando um remédio sem
ter
nenhuma chance de benefício e sofrendo o risco de enfrentar efeitos
colaterais”,
disse James M. Wright, professor da University of British Columbia, à
revista
BusinessWeek. Wright concluiu que as estatinas salvam vidas no
grupo de
pessoas que já tiveram um infarto. Nessa situação, os remédios realmente
evitam
a ocorrência de novos infartos e reduzem o risco de morte. Para essas
pessoas,
as estatinas são fundamentais.

No caso de quem nunca
infartou, a situação é diferente. Wright verificou uma
grande redução nos níveis de colesterol em homens de meia-idade que
tomam
estatinas. Mas a queda no número de infartos foi pouco significativa.
Apesar
dessas evidências, o bombardeio da propaganda pró-estatina é fortíssimo
nos EUA.
Alguns especialistas chegam a dizer – ainda que em tom de brincadeira –
que as
estatinas são tão importantes para o combate das doenças
cardiovasculares que
deveriam ser colocadas na água encanada, como o flúor que evita cáries.

 

É um evidente exagero. No
Brasil, não se escuta esse tipo de comentário, mas
poucos médicos têm uma visão crítica em relação aos remédios. A maioria
dos
pacientes que chega ao consultório com colesterol um pouco acima do
normal sai
com receita de estatina. Além das principais marcas – Lípitor
(atorvastatina) e
Crestor (rosuvastatina) –, há vários produtos genéricos (sinvastatina,
pravastatina, lovastatina…). Seu benefício na prevenção do primeiro
infarto é
semelhante ao do Lípitor.

CÉLIA CARAN
50 anos
A
artesã
não tinha colesterol extremamente alto, mas o histórico de infarto
na
família convenceu seu médico a receitar estatina. “Resolvi mudar
de vida.”
Ela faz alongamento em praças públicas, caminha uma hora por dia e
ainda
pratica ioga

Um estudo divulgado no
congresso do American College of Cardiology gerou mais
discussão. Os médicos ouviram os resultados da pesquisa realizada com o
remédio
Vytorin, fruto da parceria entre as empresas Merck e Schering-Plough. A
droga é
uma combinação entre uma estatina genérica (sinvastatina) e outro tipo
de
redutor do colesterol chamado Zetia. O estudo revelou que o Vytorin não é
mais
eficaz que o produto genérico consumido isoladamente. Segundo os
fabricantes, o
estudo não é prova de que o Vytorin não funciona. As empresas argumentam
que a
pesquisa avaliou apenas o efeito do remédio sobre a espessura da artéria

carótida – um parâmetro usado para analisar o acúmulo de colesterol e
prever o
risco de infarto. De fato, o estudo não responde definitivamente se o
remédio
reduz ou não o risco de infarto ou derrame. Mas as empresas conheciam o
resultado do estudo e só o divulgaram quase dois anos depois do término
da
pesquisa. Enquanto isso, continuaram ganhando muito dinheiro com o
Vytorin, que
custa três vezes mais que o remédio genérico.

A justificativa dos
médicos para tantas prescrições é a necessidade de
combater o colesterol ruim (LDL) e aumentar o colesterol bom (HDL). O
LDL
contribui para a formação de placas de gordura nas artérias (leia a
ilustração
). Isso prejudica a passagem do sangue e aumenta o risco
de
infarto e derrame. O HDL age como um detergente nas artérias, ajudando a

eliminar o LDL. Os remédios atuam nas duas frentes. Nos últimos anos, as
metas
de colesterol preconizadas pelas entidades médicas caíram sensivelmente.
No
início dos anos 90, um LDL de 130 miligramas por decilitro de sangue era

considerado normal. Atualmente, é desejável que seja inferior a 100
miligramas
por decilitro. Pessoas com outros fatores de risco além do colesterol
(tabagismo, hipertensão, diabetes, histórico de infarto na família,
obesidade,
sedentarismo, nível elevado de triglicérides) devem manter o LDL em 70
miligramas por decilitro. É possível reduzir o colesterol com a adoção
de uma
vida saudável – atividade física, alimentação baseada em carnes magras,
fibras,
frutas e cereais integrais. A maioria das pessoas, no entanto, não
consegue uma
redução tão drástica sem tomar os remédios. Se as metas de colesterol
continuarem caindo ano após ano, em breve talvez ninguém escape de tomar
as
estatinas. E, na maioria dos casos, sem ter benefício.

Quem toma estatina pode até ficar feliz com a queda dos
níveis
de colesterol. Mas pode infartar do mesmo jeito. Outros
fatores de
risco precisam ser
controlados

Os céticos desconfiam da
isenção dos comitês que preparam as diretrizes
americanas. Essas diretrizes acabam sendo adotadas em boa parte do mundo

incluindo o Brasil. “É quase impossível encontrar alguém que acredite
firmemente
nas estatinas e não tenha nenhum vínculo com a indústria farmacêutica”,
afirma
Rodney A. Hayward, s professor da Universidade de Michigan. Houve uma
grande
controvérsia quando foram divulgadas as metas de colesterol de 2004.
Oito dos
nove especialistas tinham vínculos com a indústria.

“Em quase todas as áreas
da medicina, uma mesma droga parece ser mais
benéfica nos estudos bancados pela indústria que nas pesquisas
financiadas pelos
governos”, disse a ÉPOCA Nortin M. Hadler, professor de Medicina da
Universidade
da Carolina do Norte em Chapel Hill. Hadler é um crítico da indústria
farmacêutica e autor do livro The Last Well Person – How to Stay
Well
Despite the Health-Care System
. Em português, algo como A Última
Pessoa
Saudável – Como Ficar Bem Apesar do Sistema de Saúde. “É fundamental que
a
sociedade aprenda o que é o NNT e passe a cobrar essa informação dos
médicos e
dos fabricantes.”

O NNT de 100 verificado
no caso das estatinas é altíssimo quando comparado
com o de outros remédios. Para evitar um infarto em hipertensos, é
preciso
tratar três pacientes com aspirina (NNT de 3). Para evitar uma morte por

meningite, é preciso tratar um paciente com dexametasona (NNT de 1). É
fundamental considerar o NNT e também o risco de efeitos colaterais. Que

vantagem leva o paciente que paga caro por um remédio, não tem
benefícios e
ainda sofre reações indesejadas?

FERNANDO LOZANO
48 anos
O

publicitário tinha colesterol alto e fumava muito. Infartou aos 43
anos.
Não quer correr o risco novamente. Toma estatina, faz esteira e
diz ter
tentado melhorar a alimentação. Mas é do tipo acelerado. “Vivo em
estado
de alerta permanente”

“Cerca de 30% dos
consumidores de estatinas sofrem algum tipo de efeito
colateral, mesmo que seja leve”, diz a cardiologista Suzana Alves da
Silva, do
Departamento de Pesquisa Clínica do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de
Janeiro.
Podem ocorrer dores musculares, desconfortos gastrintestinais, náuseas,
constipações, insônia. Alguns estudos apontaram dificuldades de memória e
até
câncer, mas isso não foi confirmado. A pior ameaça é uma grave doença
muscular
(rabdomiólise), que pode levar à insuficiência renal e à morte. É algo
raro:
afeta uma pessoa a cada 4 milhões. Em 2001, a estatina Lipobay
(cerivastatina),
da Bayer, foi retirada do mercado devido ao número de pacientes que
apresentaram
o problema. Nos Estados Unidos, 31 consumidores do remédio morreram.

Nem sempre os médicos
mencionam o risco de efeitos colaterais. A ênfase é
colocada nos benefícios do remédio, como se ficar sem eles fosse um
atentado
contra a vida. A artesã Célia Caram, de 50 anos, recebeu sua primeira
receita de
estatina há oito anos. “O médico de meu marido disse que eu deveria
tomar o
remédio porque, na menopausa, ficar sem ele é óbito na certa.” A lógica
por trás
desse raciocínio é que a redução dos níveis de estrógeno (um protetor
das
artérias) durante a menopausa aumenta o risco de infarto. O colesterol
de Célia
não era extremamente alto (LDL de 176), mas ela era ex-fumante e seu pai
havia
morrido de complicações após uma segunda cirurgia de ponte de safena.
Esses
fatores pesaram na decisão do médico. Talvez Célia pudesse ter tentado
baixar o
colesterol com exercícios e mudanças na dieta antes de começar a tomar
remédios.
Mesmo com as pílulas, ela decidiu melhorar seu estilo de vida. Caminha
uma hora
por dia e depois faz alongamento em praças públicas. Duas vezes por
semana,
emenda esse exercício com as aulas de ioga. O colesterol baixou para
109, e
Célia pensa em parar de tomar o remédio. “A estatina faz parte de um
conjunto.
Não faz milagre”, diz.

 

Quem se beneficia
A
dificuldade dos médicos é saber quem
vai se beneficiar dos remédios. Mesmo que eles conheçam os dados de NNT,
a
conclusão pode não se aplicar a um paciente específico. E se aquele
indivíduo
que o doutor tem diante de si for justamente o único felizardo que será
salvo do
infarto num grupo de cem consumidores? A diferença entre tomar ou não o
remédio
pode ser a diferença entre a vida e a morte. Nessa dura tarefa, uma das
principais ferramentas usadas pelos cardiologistas é a Escala de
Framingham. Ela
prevê o risco de infarto dentro de dez anos a partir dos fatores de
risco
existentes (calcule seu risco). É apenas uma pista do que pode
acontecer. A regra seguida pela maioria dos cardiologistas é que pessoas
com
colesterol acima do ideal e vários fatores de risco devem tomar
estatina. Quem
já infartou também não deve ficar sem o remédio. Nesse caso, a estatina
reduz o
risco de um novo infarto e de morte em grande parte dos pacientes.

No grupo de pessoas com
colesterol alto e que já infartaram, o NNT das
estatinas cai para 20. Ou seja: a cada 20 pessoas que tomam o remédio,
uma
escapa da morte. “Se eu não desse estatina para os pacientes de alto
risco,
estaria sendo antiético”, diz Raul Dias dos Santos Filho, diretor da
Unidade
Clínica de Dislipidemias do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo.
“Nessas
situações, elas realmente evitam mortes.”

O publicitário Fernando
Lozano, de 48 anos, infartou em 2003 e não está
disposto a arriscar. Tinha colesterol alto e fumava muito. O pai sofreu
três
infartos, o avô foi morto por um. Lozano toma sinvastatina e está com o
colesterol controlado. Faz esteira e diz ter tentado s melhorar a
alimentação. É
do tipo acelerado, nervoso. “Vivo em estado de alerta permanente”, diz.
Acha que
o estresse foi a causa do pico de colesterol verificado um mês antes de
infartar. Ou a própria razão do infarto. O colesterol pode contribuir
para os
ataques cardíacos, mas não pode ser encarado como o único inimigo.
Muitos
pacientes tendem a acreditar que a pílula os libera da necessidade de
evitar os
outros fatores de risco. A indústria também vende a ilusão de que a
simples
redução do colesterol livra o consumidor do infarto. Quem toma estatina
pode até
ficar feliz com a queda dos níveis de colesterol. Mas pode infartar do
mesmo
jeito. “A indústria não vende uma mentira. É verdade que as estatinas
reduzem o
colesterol”, diz a cardiologista Suzana. “Mas isso não significa que
todos os
infartos serão evitados.”

O cirurgião Bernardo
concorda. Há dois anos ele não faz exames de colesterol.
Acha desproporcional a importância dada ao combate da substância
fabricada no
fígado e presente em alimentos gordurosos. “Não dosamos colesterol todos
os
dias. Ele pode estar elevado num dia e não estar em outro. É importante
que as
pessoas percebam que outros fatores podem ceifar a vida
independentemente do
controle bioquímico de seu sangue.” O pai de Bernardo morreu de infarto
no ano
passado. Tinha colesterol normal e ia periodicamente ao cardiologista.
Atravessava um período de estresse. Bernardo acredita que isso tenha
contribuído
para a morte. A descarga constante dos hormônios adrenalina,
noradrenalina e
cortisol lesa a camada interna dos vasos sanguíneos, chamada endotélio. O

desgaste dessa parede costuma gerar aglomerados de gordura e células que
entopem
as artérias.

Cerca de 20% dos
brasileiros têm colesterol alto, segundo um levantamento da
Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ele pode não ter a
importância que as
pessoas imaginam. Mas em alguns pacientes não deve ser desprezado. “Nos
principais congressos, há sempre debates acalorados entre o pessoal da
medicina
baseada em evidências e os cardiologistas clínicos”, afirma Antonio
Carlos
Chagas, presidente da SBC. “O pesquisador diz que não há vantagem para a
maioria
das pessoas, e o clínico vê que para o paciente dele há benefício.”
Segundo
Chagas, a maioria dos pacientes tem três fatores de risco. Alguns têm
colesterol
ruim alto e colesterol bom baixo. “Podem morrer só por isso.” Ele
acredita que a
divulgação do NNT pode fazer o público achar que não vale a pena tomar
os
remédios. Não é o que pretende esta reportagem. A intenção de ÉPOCA é
contribuir
para que cada indivíduo possa ter consciência dos benefícios, riscos e
custos
dos tratamentos. Antes de entrar na farmácia, as pessoas precisam saber
que boa
parte delas vai pagar R$ 80 por mês, estar sujeita a efeitos colaterais e
ter
uma chance remota de benefício.

Muitos médicos têm pouco
conhecimento sobre NNT, risco relativo e outros
indicadores do custo–benefício dos tratamentos. Tornam-se presas fáceis
da
propaganda incisiva da indústria farmacêutica. Antes de receitar
estatinas,
deveriam apostar nas mudanças de estilo de vida. Nem todos os pacientes
conseguem concretizá-las. Mas precisam ter a chance de escolha. Em
geral, quem
começa a tomar estatina fica com ela a vida inteira. O custo de R$ 80
por mês
multiplicado por anos a fio se torna absurdo quando se considera que
poucos são
os beneficiados. Por outro lado, o preço de não tomar o remédio pode ser
a
morte, ainda que isso ocorra com a minoria. A decisão é difícil e
envolve uma
avaliação minuciosa feita por um cardiologista preparado. E, cada vez
mais, com
a participação de pacientes menos passivos e bem informados. Esse é o
resultado
do trabalho de provocadores incansáveis como Wanderley Bernardo.

Uma viagem pelas artérias
Os estragos do colesterol, o que fazer para baixá-lo e as
limitações
do tratamento com remédios
clique na imagem para
ampliá-la




Fotos: Frederic
Jean/ÉPOCA, Daniela
Toviansky/ÉPOCA, shutterstock.com
Infográfico: Marco Vergotti e
Nilson
Cardoso



Retirado de http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG83513-5990-520,00-COLESTEROL+O+QUE+O+MEDICO+NAO+LHE+DIZ.html


Vida de professor – Estresse no trabalho pode causar doença de voz

Estresse no trabalho
pode causar doença de voz

04-03-2010

Muito trabalho e pouca autonomia podem causar
doenças
na voz dos professoresCerca de 60% dos
professores da
rede municipal da cidade de São Paulo têm
distúrbios na voz — uma prevalência
cinco vezes maior que no resto da população
(1). De acordo com uma pesquisa da Faculdade
de Saúde
Pública (FSP) da USP, o estresse no trabalho
está fortemente associado com essas doenças
e elas aumentam de 6 a 9,5 vezes as chances de
o professor
tornar-se incapaz para o trabalho.

A fonoaudióloga Susana Giannini avaliou 167
professores de ensino infantil, fundamental e
médio
com distúrbios de voz na cidade de São
Paulo. Ela comparou-os com 105 colegas
saudáveis,
provenientes das mesmas escolas. Depois,
Susana analisou
os grupos com duas escalas:uma media o nível
de estresse no trabalho e outra, a capacidade
para o
trabalho.

A pesquisadora encontrou uma associação
estatística entre ter distúrbios vocais
e estresse provocado pela organização
do trabalho — indício de que o estresse
pode ser uma causa dos distúrbios vocais. O
estresse
era medido pelos níveis de excesso de trabalho

e falta de autonomia sobre o trabalho dos
professores.

Cerca de 70% daqueles que tinham problemas
vocais apresentaram
excesso de trabalho, mostrando que a pressão
para realizá-lo era média ou alta. Já
nos professores saudáveis a porcentagem era de

54,4%.
Os professores com distúrbios de voz também
tiveram menor autonomia para realizar seu
trabalho.
Cerca de 73% dos professores com distúrbio de
voz mostraram ter pouca ou média autonomia
sobre
o trabalho. Já nos professores sem alteração
vocal, a porcentagem é de 62,1%.

“A condição de estresse é
de alto desgaste”, explica Susana. Nesse
nível,
o professor perde a possibilidade de criar e
intervir
no trabalho. Ele tem muitas tarefas para
desempenhar
e não consegue criar soluções para
os problemas que aparecem.

Incapacidade

A pesquisa analisou os professores com um
índice
que media a capacidade de um trabalhador
desempenhar
suas tarefas em função do seu estado de
saúde, capacidades físicas e mentais,
e exigências do trabalho. O resultado foi que
professores com distúrbio vocal tem chances de

6 a 9,5 vezes maiores de não ter condições
de executar o trabalho antes de chegar à
aposentadoria.

“Com o adoecimento da voz, o professor se
aposenta
mais cedo ou precisa sair da sala de aula, vai
pra secretaria
fazer trabalho burocrático. É como se
o distúrbio interrompesse sua carreira
precocemente.
E isso reduz a satisfação com o trabalho”.

De acordo com a pesquisa, as novas políticas
do governo para inclusão de alunos aumentaram
a carga de trabalho dos professores, que
passam a ter
de ensinar alunos com níveis de conhecimento
diferentes. As salas de aula também aumentaram

de número e os estudantes passam mais tempo na

escola. “No entanto, não aumenta a estrutura
das escolas”, diz a pesquisadora. “O professor

tem de dar conta sozinho de mais trabalho.
Aumenta a
pressão e o volume do trabalho, que vai
invadindo
o espaço familiar e social. O professor não
dá conta de transmitir o conteúdo planejado”.

Na opinião de Suzana, o estudo pode ajudar a
rever as regras da previdência social, que não

reconhecem perda da voz do professor como
doença
relacionada ao trabalho. “A pesquisa levanta
que
o professor pode adoecer e ser incapacitado de
trabalhar
em sua função quando relaciona muito trabalho
com pouca autonomia”, indica a fonoaudióloga.
“Se for compreendido que isso é causado
pelo trabalho, eu tenho que ter políticas
públicas
que reconheçam esse nexo causal. Se alguma lei

compreender que o disturbio de voz está
relacionado
ao trabalho, o professor deixa de arcar
sozinho com
a doença que adquiriu”. (Agência
USP de Notícias)

(1) Fonte: “Condições de produção
vocal de professores da rede do município de
São Paulo” – Revista dos Distúrbios
da Comunicação.

Mais informações: (11) 3397-7987
begin_of_the_skype_highlighting
              (11)
3397-7987
     
 end_of_the_skype_highlighting
,
email:
ppgiannini@usp.br

Retirado de http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notas10/0403201016e.htm


Morrendo feliz…. Fumo é responsável por 40% das mortes de mulheres com menos de 65 anos

Fumo é responsável por 40% das mortes de mulheres com menos de 65
anos

da Agência Brasil

O Dia Mundial sem Tabaco deste ano, comemorado nesta segunda-feira (31),
terá como alvo as mulheres. O tema de 2010, escolhido pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), é gênero e tabaco com ênfase no marketing para
as mulheres. No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer
(Inca), 40% das mortes de mulheres com menos de 65 anos são causadas
pelo consumo de tabaco.

O objetivo da campanha é alertar sobre as estratégias que a indústria do
tabaco usa para atingir o público feminino e os males que o cigarro
causa à saúde e ao meio ambiente. De acordo com a OMS, as mulheres hoje
são o principal alvo da indústria do tabaco.

Segundo a OMS, o cigarro mata por ano mais de 5 milhões de pessoas -
entre as quais, 1,5 milhão de mulheres. Se não forem tomadas medidas
urgentes, alerta a OMS, o uso do tabaco poderá matar mais de 8 milhões
de pessoas até 2030, dos quais 2,5 milhões serão mulheres. A maior
incidência será entre as de baixa renda.

Atualmente, o mundo tem 1 bilhão de fumantes – entre eles, 200 milhões
de mulheres. De acordo com a OMS, enquanto o tabagismo cai entre os
homens, em alguns países aumenta o número de mulheres fumantes. A
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em 2008,
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria
com o Ministério da Saúde, mostra que no Brasil o tabagismo está
caindo. Entretanto, a queda é menor entre as mulheres do que entre os
homens.

Nesta segunda-feira será aberta, na Câmara dos Deputados, em Brasília, a
exposição Propagandas de Cigarro – Como a Indústria do Fumo Enganou as
Pessoas. Serão apresentadas peças publicitárias impressas e filmes
comerciais das marcas de cigarro veiculados entre as décadas de 1920 e
1950 nos Estados Unidos.

Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/743030-fumo-e-responsavel-por-40-das-mortes-de-mulheres-com-menos-de-65-anos.shtml


Treinamento intenso e intervalado é duas vezes mais eficaz que exercícios regulares

High-intensity interval training is twice as
effective as regular exercise

Sunday, May 23, 2010 by: Ethan A. Huff, staff writer

(NaturalNews) Recent research is indicating that traditional approaches
to exercise that involve spending hours in the gym every day may not be
the best way to stay strong and healthy. Interval training, a
high-intensity type of workout that was originally created for Olympic
athletes, may actually be twice as effective as regular exercise, and it
can be done in a fraction of the time.

Most people are familiar
with workout regimens that claim to build strength and endurance in mere
minutes a day. Though seemingly deceptive, there may be more truth to
such claims than one would have originally thought, depending on the
technique. A few minutes of strenuous exercise a couple days out of the
week is actually more effective than spending an hour or two every day
in the gym.

According to Jan Helgerud, an exercise expert at the
Norwegian University of Science and Technology, interval training is far
superior to traditional exercise. She believes that everyday people
should aim to do four, four-minute workout sets with three-minute
recovery times in between. In order to maximize results and achieve
optimal muscle response, these sets should be intense and somewhat
straining to the body.

While formerly thought to be too extreme
for the average person, interval training is emerging as the exercise
technique of choice among many experts, thanks to recent studies showing
that common people stand to benefit from it. Part of this research
includes evidence that interval training can double a person’s
endurance, improve their body’s use of oxygen, and increase their speed
and strength.

Officials in both the U.S. and the U.K. typically
advise people to engage in roughly two-and-a-half hours of moderate
exercise a week in order to maintain proper weight and a healthy heart.
Such recommendations, however, will do very little to improve fitness
ability, strength, or endurance.

Adamson Nicholls, a 36-year-old
martial arts enthusiast, explained in an interview that he was able to
greatly improve his endurance by undertaking 45-minute interval training
workouts once a week for six weeks. If he had been doing regular
workouts, it would have taken him roughly three months to achieve the
same outcome.

Stephen Bailey, a sports sciences expert at the
University of Exeter, explained why better results can be achieved from
interval training in a fraction of the time. "A lot of the [benefits]
from exercise are due to a stress response. If you disturb your muscles,
there’s an imbalance created and your body will start signaling
pathways that result in adjustments," he explained.

In other
words, moderate workouts may be longer than interval workouts, but they
do not push the body hard enough to elicit an effective muscle-building
response. Short, high-intensity workouts actually convert existing
muscle fibers into ones that absorb oxygen more efficiently and
effectively, helping people to burn fat, build muscle, and improve
overall strength.

Retirado de http://www.naturalnews.com/028851_interval_training_exercise.html


Os melhores Cafés do Brasil


Grãos que a cada ano apresentam complexidades
diferentes, sabores inéditos e que têm em comum a qualidade e o título
de excelentes. Depois de cuidadosamente colhidos maduros, processados e
beneficiados num trabalho artesanal, estes cafés ganham o Brasil e,
principalmente, o mundo

Texto Mariana Proença FOTOGRAFIA Rogério Voltan

Apaixonados
por café sempre buscam a resposta para uma mesma pergunta: qual é o
melhor? Somos apreciadores ávidos por encontrar o sabor mais gostoso, o
doce mais doce, a acidez mais marcante e o café mais complexo. Mas
será que esta pergunta tem uma única resposta? A busca pelo melhor café
do mundo é, na verdade, por aquele de que você mais gosta, que lhe dá
prazer, que lhe remete a uma experiência inesquecível.

Toda esta atmosfera que envolve o
café é que o faz tão requisitado. O aroma inconfundível invade todos
os ambientes e degustar a bebida passa a ser um ritual diário
prazeroso. Por isso, cada vez mais os apreciadores querem conhecer a
origem do produto, a forma como ele é cultivado, onde ele nasceu, o
melhor preparo para extrair todas as qualidades e até como fazer para,
daquela matéria-prima, resultar a deliciosa bebida em cima da mesa do
café da manhã.

No café estas respostas são
cheias de detalhes, complexas etapas e caminhos diversos. E como em
qualquer produto, há diferentes qualidades e cuidados. No Brasil há uma
fartura do grão e, como tudo que temos em abundância, demoramos para
perceber o valor que se pode ter pela qualidade e não só pela
quantidade.

ALTA
VALORIZAÇÃO NO EXTERIOR

Há dez anos surgia então o
Concurso de Qualidade Cafés do Brasil para incentivar produtores
nacionais a enviar lotes de cafés especiais para passar pelo rígido
crivo e seleção de provadores de todo o mundo – brasileiros, japoneses,
norte-americanos, chineses e europeus. O prêmio é internacional, leva o
nome de Cup of Excellence, e realiza-se em outros oito países
produtores: Nicarágua, El Salvador, Honduras, Guatemala, Ruanda,
Colômbia, Bolívia e Costa Rica.

No Brasil a hegemonia da compra dos lotes sempre ficou
entre japoneses, europeus e norte-americanos. E é um dos motivos pelos
quais a maioria das pessoas sabe que o melhor café não fica no Brasil.
Isto é verdade quando se trata de concursos internacionais como este,
mas esta realidade vem mudando há alguns anos. Os produtores e
torrefadores perceberam que o mercado interno
cresce a cada ano e que o consumo de café
no Brasil está próximo aos 98% da população. Ou seja, mesmo quem não
toma café, tem alguém em casa que consome e a quem pode presentear com
um grão diferenciado.

Nas cafeterias e restaurantes a
teoria é a mesma. Quem não toma café, acompanha quem bebe. O ambiente, a
atmosfera do lugar e o atendimento atraem até os que não apreciam a
bebida. Portanto, conhecer mais sobre o produto é o próximo passo para
agregar valor ao que se consome.

Anos-luz na frente do Brasil, os
Estados Unidos e a Europa já compram os cafés daqui para blendar com
outros grãos de origens diversas ou ainda para vender os cafés
nacionais com alto valor agregado. Os campeões nacionais chegam lá fora
com preços altíssimos e são valorizados principalmente pelos
"garimpeiros" japoneses, que ano a ano visitam as fazendas nacionais e
levam o que encontram de melhor naquela safra.

"JARDINS DE CAFÉ"

Neste ano, dois brasileiros
também investiram na compra dos grãos premiados e é possível prová-los
no Brasil. Mais uma vez a disputa pelos primeiros lugares foi grande. O
leilão, realizado em janeiro, obteve a média de R$ 1.713,87 a saca.
Como comparativo, na mesma data, a cotação para cafés de qualidade
estava em R$ 283,13 a saca.

Uma das compradoras dos cafés do
leilão foi Geórgia Franco de Souza, proprietária da cafeteria Lucca
Cafés Especiais, com matriz em Curitiba (PR) e franquias em Salvador
(BA). Ela adquiriu caixas de 34,5 kg, de quatro fazendas diferentes,
por intermédio do consórcio de compradores. Com o objetivo de servir a
seus clientes edições limitadas, ela planeja preparar o café no método
coado e desenvolver também blends com os grãos do quinto e sétimo
lugares, das propriedades Chácara São Judas Tadeu e Fazenda Passagem
Funda, ambas de Piatã, na região da Chapada Diamantina, na Bahia. Por
elas, pagou por volta de R$ 6.000,00, em 207 kg, valor seis vezes maior
que a cotação de cafés de qualidade no mercado nacional.

Geórgia esteve na cidade
baiana meses antes para conhecer a produção e ficou encantada com o
cuidado dos cafeicultores: "Apesar da falta de recursos eles cultivam
com muito capricho e de forma artesanal. É um grande mérito". A
empresária ficou também impressionada com as pequenas produções e com o
solo arenoso: "Os cafezais parecem jardins e brinquei com eles
perguntando se não batizavam cada pé de café com um nome", conta.

Além dessas duas fazendas,
Geórgia também adquiriu caixas de outras duas propriedades, a Fazenda
Cafundó, de Piatã, e a Fazenda Samambaia, em Santo Antonio do Amparo,
Sul de Minas. Ambas foram bem classificadas para a fase internacional
do concurso, com notas acima de 80 pontos, mas não ficaram entre os
primeiros colocados.

A CHAVE: O PALADAR APURADO

Do Sul para o Sudeste,
encontramos mais um brasileiro que investiu nos cafés nacionais e
adquiriu sete caixas do décimo colocado. José Eli Ferrari é
proprietário da carioca Proud Comércio de Cafés, que industrializa
cafés de qualidade e tem marcas próprias como o Café Danza, que desde
2009 apresenta a edição limitada Cup of Excellence. "Participo do
concurso há alguns anos como provador e posso afirmar o quanto este
evento tem melhorado nossos cafés. Só assim conseguiremos mudar o
perfil do consumidor, mostrando a eles produtos da mais alta qualidade
preparados em nossas lavouras, que na verdade acabam indo para fora em
busca de paladares mais exigentes."

Para levar o café de qualidade
aos brasileiros, José Eli lança embalagens especiais com os grãos da
Fazenda Córrego Seco, em Piatã (BA), de 250 g, 500 g e 1 kg, pelo valor
de R$ 82,00 o quilo. Mas também comercializa os grãos no Rio de
Janeiro com cafeterias e restaurantes que vendem a xícara do espresso
premiado a preços entre R$ 6,00 e R$ 8,00. O lucro dos estabelecimentos
é de mais de 500%, mas para isso é preciso treinar baristas da casa
para o preparo correto das bebidas.

Todo este cuidado até a ponta
proporciona um café de excelente qualidade aos consumidores. Que, por
sua vez, tornam-se apreciadores mais exigentes e com paladar apurado. O
café com maior valor é sinal de que, a médio prazo, poderia haver um
mercado interno para manter nossos melhores cafés no País. E a nós
consumidores cabe exigir a qualidade no produto final para nivelar por
cima este produto tão brasileiro, tão saboroso e tão complexo. Só assim
descobriremos qual é o nosso melhor café. Vale a experiência.

Para visualizar os ganhadores acesse: http://revistaespresso.uol.com.br/Edicoes/27/artigo163424-4.asp


Acredite se quiser – Tratamento alternativo contra câncer utilizando bicarbonato de sódio

Dr. Simoncini natural cancer therapy

Dr. T. Simoncini, an oncologist in Rome, Italy has
pioneered sodium bicarbonate (NaHCO3) therapy as a means to treat
cancer. The fundamental theory behind this treatment lies in the fact
that, despite a number of variable factors, the formation and spreading
of tumors is simply a fungus.

Sodium bicarbonate, unlike other anti-fungal remedies
to which the fungus can become immune, is extremely diffusible and
retains its ability to penetrate the tumor. This is especially due to
the speed at which it disintegrates it, which makes fungi’s
adaptability impossible, thus it cannot defend itself. Sodium
bicarbonate is administered directly on the tumor, if possible.
Otherwise, it is possible to administer it by the selective
arteriography, which basically means selecting specific arteries through
which to administer and subsequently begin to dissolve the
tumor
. Selective arteriography represents a very powerful
weapon against fungi that is painless, leaves no after effects, and has
very low risks. With sodium bicarbonate, it is possible to reach almost all
organs; they can be treated and can benefit from a therapy which is
harmless, fast, and effective.

Retirado de http://www.cancerfungus.com/simoncini-therapy-short.php


Alimentos práticos são mais valorizados que os saudáveis.

Alimentos práticos são mais valorizados que os saudáveis

DÉBORA MISMETTI
editora-assistente de Saúde

Pesquisa do Ibope divulgada ontem mostra que, para 34% dos brasileiros, a
questão prática vem antes de qualquer outra na hora de escolher
alimentos no supermercado.

Depois dessa fatia que prioriza a conveniência e vê nos congelados e
semiprontos seus aliados, os grupos mais significativos são os dos
consumidores que colocam o prazer de comer acima de tudo e o dos que
compram comida com base nas marcas de confiança -ambos com 23% das
preferências.

Os alimentos saudáveis e sustentáveis ficaram em quarto lugar, sendo
preferidos por apenas 21% dos pesquisados.

A sondagem, encomendada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo), buscou mapear as principais tendências no consumo de
alimentos industrializados no país. Foram entrevistadas 1.512 pessoas em
nove capitais.

Os consumidores que priorizam alimentos saudáveis dizem procurar selos
de qualidade, informações sobre a origem do produto e fabricantes que
protegem o ambiente.

Segundo Antonio Carlos Costa, gerente do departamento de agronegócio da
Fiesp, o mesmo consumidor que procura comida saudável se preocupa com
sustentabilidade. "É uma pessoa com visão mais ampla. Pratica esporte, é
mais preocupada com projetos sociais."

Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u737415.shtml


Tom Cruise – Scientology and psychiatry

Scientology and psychiatry have come into conflict since the
foundation of
Scientology in 1952. Scientology is publicly,
and often vehemently, opposed to both
psychiatry
and
psychology.[1][2][3]
Scientologists view psychiatry as a barbaric and corrupt profession and
encourage alternative care based on spiritual healing. According to the
Church of Scientology, psychiatry has a
long history of improper and abusive care. The group’s views have been
strongly disputed, criticized and condemned by experts in the medical
and scientific community and been a source of public controversy.


Tom Cruise

Cruise is an outspoken advocate for the Church of Scientology. He became involved with
Scientology in 1990 through his first wife, Mimi
Rogers
.[55]
Cruise has publicly said that Scientology, specifically the L. Ron Hubbard Study
Tech
, helped him overcome dyslexia.[56]
In addition to promoting various programs that introduce people to
Scientology, Cruise has campaigned for Scientology to be fully
recognized as a religion in Europe. He lobbied politicians in France and
Germany, where the legal systems regard Scientology as a cult and
business, respectively. In 2005 the Paris city council revealed that
Cruise had lobbied officials Nicolas Sarkozy and Jean-Claude Gaudin, described him as a
spokesman and militant for Scientology, and barred any further dealings
with him.[57][58]
Cruise co-founded and raised donations for Downtown Medical to offer New York 9/11 rescue workers detoxification therapy based on the
works of L. Ron Hubbard. This has drawn criticism from the medical
profession,[59]
as well as firefighters.[60]
For these activities and others, David Miscavige awarded Scientology’s Freedom Medal of
Valor to Cruise in late 2004.

A controversy erupted in 2005 after he openly criticized actress Brooke Shields for using the drug Paxil (paroxetine), an anti-depressant, to which
Shields attributes her recovery from postpartum depression after the birth
of her first daughter in 2003. Cruise asserted that there is no such
thing as a chemical imbalance, and that psychiatry
is a form of pseudoscience. Shields replied that she would
not take advice from anyone who believed in space aliens.
This led to a heated argument with Matt
Lauer
on The Today Show on June 24, 2005.[61]
Medical authorities said Cruise’s comments had further stigmatized
mental illness[62][63]
and Shields herself called them "a disservice to mothers everywhere."[64]
In late August 2006, Cruise apologized in person to Shields for his
comments; Shields said that she was "impressed with how heartfelt [the
apology] was … I didn’t feel at any time that I had to defend myself,
nor did I feel that he was trying to convince me of anything other than
the fact that he was deeply sorry. And I accepted it."[65]
Cruise’s spokesman confirmed that Cruise and Shields had made up but
said that Cruise’s position on anti-depressants had not changed.[65]
Shields was a guest at Cruise’s and Holmes’s wedding.

Cruise also said in an Entertainment Weekly interview that
psychiatry
"is a Nazi
science" and that methadone was actually originally called
Adolophine after Adolf Hitler, a myth well-known as an urban
legend
.[66]
In an interview with Der
Spiegel
magazine, Cruise said that "In Scientology, we have the
only successful drug rehabilitation program in the world. It’s
called Narconon
It’s a statistically proven fact that there is only one successful drug
rehabilitation program in the world. Period." While Narconon claims to
have a success rate over 70 percent,[67][68]
the accuracy of this figure has been widely disputed.[69]
Scientology is well-known for its opposition to mainstream psychiatry.

In January 2008 the Daily
Mail
(UK) announced a forthcoming biography of Cruise, Tom Cruise: An
Unauthorized Biography
, by Andrew Morton. Among the book’s
claims, it said that Cruise had become the church’s "second in command
in all but name." This has been corroborated by former Scientology staff
member Marc Headley.[70]
Cruise’s attorney Bert Fields said that the
unauthorized biography was full of "tired old lies" or "sick stuff."[71]



Retirado de http://en.wikipedia.org/wiki/Scientology_and_psychiatry

                   http://en.wikipedia.org/wiki/Tom_Cruise


Dieta rica em pão branco aumenta o risco de infarto

Dieta rica em pão branco aumenta o risco de infarto

JULLIANE SILVEIRA
da Reportagem Local

Dois grandes estudos divulgados nesta semana reacendem a discussão sobre
os riscos, para o sistema cardiovascular, do alto consumo de
carboidratos refinados, presentes em pães brancos e biscoitos.

O primeiro estudo investigou a relação entre infarto e dietas pobres em
gorduras saturadas (já bem relacionadas a problemas cardíacos), mas
ricas em carboidratos. Os pesquisadores, da Dinamarca, acompanharam
53.644 adultos durante 12 anos. A pesquisa concluiu que, para cada 5% de
aumento de carboidratos na dieta, houve um risco 33% maior de infarto.
Esse resultado foi publicado no "American Journal of Clinical
Nutrition".

"Carboidratos com alto índice glicêmico aumentam as chances de problemas
cardiovasculares por causarem processos inflamatórios, dislipidemias
[alterações no colesterol] e disfunções nas paredes dos vasos", disse à Folha
Marianne Jakobsen, especialista em nutrição e líder da pesquisa.

O outro trabalho foi divulgado no "Archives of Internal Medicine" e
ligou o risco de doenças nas artérias do coração ao consumo excessivo de
carboidratos refinados, mas só no caso das mulheres. Para os homens,
não foram encontradas alterações decorrentes dessa dieta. O estudo
conclui também que, para o risco de doenças cardíacas, importa mais o
fato de os carboidratos ingeridos serem de alto índice glicêmico do que a
quantidade total de carboidratos consumidos. Os pesquisadores
acompanharam mais de 47 mil voluntários, por sete anos, na Itália.

Alimentos com alto índice glicêmico são assim chamados pela capacidade
de aumentarem rapidamente os níveis de glicose no sangue. Com isso, o
organismo libera altas doses de insulina, fazendo a glicose cair
rapidamente e levando à sensação precoce de fome.

Para Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração, o
hábito de consumir excesso de carboidratos com alto índice glicêmico
sobrecarrega e deteriora o pâncreas, órgão responsável pela produção de
insulina, e pode levar à obesidade. "As causas das doenças coronárias
são muitas, e esse pode ser um dos fatores de risco", diz Magnoni.

Para preservar o pâncreas, é melhor se alimentar com nutrientes mais
complexos, que demoram para ser absorvidos. "Há 5.000 anos, você não
comeria açúcar refinado. Esse tipo de dieta é que leva às doenças da
sociedade moderna."

O aumento da obesidade nos EUA é um exemplo do que acontece quando se
trocam as gorduras saturadas, que contribuem para o aumento do
colesterol "ruim", por carboidratos, diz o cardiologista Raul Dias dos
Santos, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo:
"Houve redução significativa de colesterol na população nos últimos
anos, mas aumento brutal da obesidade e outros problemas associados."

Os médicos recomendam que a dieta diária seja composta por 60% de
carboidratos, preferencialmente de baixo índice glicêmico, e por 7% de
gorduras saturadas.

Por serem digeridos rapidamente, os produtos com alto índice glicêmico
levam a uma maior ingestão de calorias e consequente ganho de peso. A
gordura acumulada pode liberar maior quantidade de ácidos graxos, que se
alojam no fígado. Esse cenário pode piorar os índices do colesterol
"ruim" e aumentar as taxas de açúcar no sangue (o organismo desenvolve
resistência à insulina).

O tecido adiposo no abdômen também estimula processos inflamatórios nos
vasos sanguíneos, favorecendo a formação de placas nas paredes.

Pesquisas anteriores já associaram o maior consumo de carboidratos
refinados ao aumento nos índices de triglicerídeos no sangue –outro
marcador de risco cardiovascular.

Mulheres com taxas elevadas de triglicerídeos têm duas vezes mais risco
de sofrer doença cardíaca do que o homem.

Colaborou Débora Mismetti

retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u722327.shtml


Brasileira obesa tem dieta similar a do americano: rica em gordura e pobre em carboidratos, o que leva ao sobrepeso

Brasileira obesa tem dieta similar a do americano: rica em gordura e
pobre em carboidratos, o que leva ao sobrepeso

Estudo realizado com mulheres
obesas brasileiras aponta como principais causas da obesidade o alto
consumo de gordura na dieta e sedentarismo. O trabalho traz indícios de
que retirar o carboidrato da dieta não vai promover de forma eficiente o
emagrecimento, mas muitas vezes pode ter efeito contrário, resultando
em maior ingestão de gordura e proteína. Além disso, ele mostra que a
alimentação deste grupo se assemelha muito com o padrão de ingestão da
população obesa americana.

 
A pesquisa intitulada
Obesidade e resistência à ação da insulina: alterações moleculares,
bioquímicas e estruturais, desenvolvida no Programa de Biologia Celular e
Tecidual do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, corrobora os
dados encontrados na literatura científica mundial.
 
Buscando
entender os mecanismos da obesidade feminina, pesquisadores do Instituto
de Ciências Biomédicas (ICB) e da Escola de Educação Física e Esporte
(EEFE) reproduziram em laboratório um modelo experimental para estudar
os efeitos das dietas ricas em gorduras (hiperlipídicas) sobre a
regulação do metabolismo e o desenvolvimento do diabetes tipo 2 como
conseqüência da obesidade.
 
Inicialmente, em 1997,
realizamos estudo com mulheres obesas pré-menopausa com intuito de
avaliar qual era o padrão alimentar desta população. Identificamos então
que as mulheres consumiam quase 40% do valor energético diário total em
gordura, além disso, possuíam o hábito de praticar uma quantidade menor
de refeições diárias, acreditando ser essa uma solução para o
emagrecimento.  Outro fator preocupante está no fato de que esta
população consumia muita gordura saturada, cerca de 45% do total de
gordura ingerida na dieta.
 
Evidências sugerem que a
prevalência do sobrepeso e da obesidade tem aumentado em taxas
alarmantes, tanto nos países desenvolvidos, como nos países em
desenvolvimento. Cerca de dois terços da população adulta americana, por
exemplo, demonstra sobrepeso, ou já obesidade. No caso do Brasil, as
mudanças demográficas, sócioeconômicas e epidemiológicas ao longo do
tempo permitiram que ocorresse a denominada transição nos padrões
nutricionais, com a diminuição progressiva da desnutrição e o aumento da
obesidade. As consequências da obesidade para a saúde são muitas e
variam do risco aumentado de morte prematura a severas doenças não
letais, conhecidas como comorbidade associadas à obesidade, além de
problemas de natureza estética e psicológica.
 
Alguns
autores enfatizam o fato de que a aumento na prevalência da obesidade,
em diferentes grupos populacionais, está relacionada,
preponderantemente, aos chamados fatores ambientais, em especial à dieta
e à redução da atividade física. No estudo realizado na Escola de
Educação Física e Esporte (EEFE) da USP envolvendo cerca de 80 mulheres
na pré-menopausa que apresentavam obesidade, 80% das participantes não
praticava qualquer atividade física.
 
Outra etapa da pesquisa
envolveu modelo experimental laboratorial, onde dois grupos de ratos
foram submetidos ao consumo de ração normal, ou ração hiperlipídica (com
alto teor de gordura). A ração hiperlipídica foi desenvolvida para ter
composição nutricional semelhante ao padrão encontrado nos estudos
preliminares com mulheres. Curiosamente, o grupo que consumiu dieta
hiperlipídica ingeriu menor quantidade calórica total (cerca de
63kcal/dia) do que o grupo de controle (cerca de 75kcal/dia). No
entanto, as calorias provenientes de gordura foram três vezes maior no
grupo com ração hiperlipídica (cerca de 24kcal/dia), quando comparado
com o controle (cerca de 8kcal/dia).
 
Os resultados
mostraram que mesmo consumindo menor quantidade calórica total, o grupo
que ingeriu mais gordura desenvolveu, não só obesidade, mas também
intolerância à glicose (passo inicial no desenvolvimento do diabetes
tipo 2).
 
O mais interessante é que
este padrão de consumo alimentar também é facilmente encontrado nas
pessoas que querem emagrecer; isto é, reduzem o total calórico ingerido
principalmente, retirando carboidrato da dieta. Quem nunca viu e não
conhece aquele famoso cardápio de quem quer emagrecer: grelhado com
salada? Neste caso, as principais fontes de energia consumidas são:
lipídeo (gordura) e proteína, e este é exatamente o padrão de ingestão
nutricional da população obesa, brasileira e americana, alta ingestão de
gordura e baixa em carboidrato.
 
Muitas vezes é preciso fazer
uma avaliação mais minuciosa dos nossos hábitos alimentares para
identificar o porquê de engordarmos, ou não emagrecermos. Não basta
creditar a culpa em um único nutriente. Muitas vezes o problema não está
no pão, mas na manteiga que passamos no pão; não está na massa, mas no
molho branco e no queijo parmesão que acompanham a massa.
 
A retirada de
carboidrato da dieta promove de fato perda de peso corporal. Isto
ocorre porque o carboidrato é estocado em nosso corpo juntamente com a
água. Assim, se restringirmos o consumo de carboidrato perderemos água.
Basta lembrar da época da escola quando aprendemos que água não se
mistura com gordura. Desta forma, ao perder água não perderemos gordura e
sim massa magra, isenta de gordura.
 

Embora todos já saibam:
mudar o estilo de vida, melhor os hábitos alimentares de forma
sustentável, praticar atividade física regularmente serão ações muito
mais eficientes e com efeitos mais duradouros, do que procurar um único
culpado para a obesidade ou ainda uma fórmula mágica para perder em 1
mês o que se levou 5, ou 10 anos para ganhar!
 

 

Abaixo tomografia
da região abdominal de mulher obesa, em destaque gordura visceral, ou
omental .
Se quiser saber mais:
 
MONTEIRO,
C.A.; CONDE, W.L.; POPKIN, B.M. The Burden of Disease From
Undernutrition and Overnutrition in Countries Undergoing Rapid Nutrition
Transition: A View From Brazil. Am. J. Public Health, Washington, v.
94, p. 433-434, 2004.
LANCHA-PEREIRA, L. O.Obesidade e resistência à
ação da insulina: alterações moleculares, bioquímicas e estruturais –
São Paulo, Tese (Doutorado) – Instituto de Ciências Biomédicas da
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
PEREIRA, L.O.;
FRANCISCHI, R.P.; KLOPFER, M.; PERROTI, A.C.; CAMPOS, P.L.; SAWADA,
L.A.; COSTA, S.R.; LANCHA JR., A.H. Different intensities of physical
activities with or without hypocaloric diet: effects on body
composition, food consumption and plasmatic profile in obese women. Med.
Sci. Sports Exerc., Madison, v. 30, p. S238, 1998.
 
PEREIRA,
L.O. Protocolo de indução de obesidade em ratas a partir do perfil de
ingestão alimentar de mulheres obesas brasileiras. Campinas. Tese
(Mestrado) – Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas,
São Paulo, 2003a.
 
PEREIRA, L.O.; FRANCISCHI,
R.P.; LANCHA JR., A.H. Obesidade: hábitos nutricionais, sedentarismo e
resistência à insulina. Arq. Bras. Endocrinol. Metabol., São Paulo, v.
47, p. 117-127, 2003b.
 
WORLD HEALTH ORGANIZATION.
Obesity – preventing and managing the global epidemic. Geneva: WHO,
1998. (Report of a WHO Consultation on Obesity).
 

Por Luciana O. P. Lancha às 08h20

Retirado de http://nutritips.blog.uol.com.br/arch2010-04-18_2010-04-24.html#2010_04-20_09_20_33-144488267-0


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