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Os Tattvas segundo a Trika

Índice

A realidade última Os Tattvas do funcionamento mental

A manifestação ou o processo do mundo Os Tattvas da experiência sensível

Os Tattvas da experiência universal Os Tattvas da materialidade

Os Tattvas (princípios) da esperiência individual limitada A Escravidão

Os Tattvas do Indivíduo Limitado A Liberação

A base Filosófica dos Siva -Sutras

Os Siva-Sútras são um tratado de Yoga, mas este Yoga esta baseado em um sistema concreto de filosofia. Não será possível compreender este Yoga a menos que haja um entendimento claro da filosofia na qual está embasado.
Podemos considerar a base filosóficas deste Yoga com os sequintes encabeçamentos: 1- A realidade última. 2 – A manifestação e o processo do mundo. 3 – A escravidão. 4 – A liberação.

A realidade Última

A realidade última é Cit ou Parasamvit. É a consciência não-relacional. É o principio imutável em todas as mudanças. Nela não há distinção entre sujeito e objeto, entre eu e isto, é o ser supremo contemplando-se a si mesmo. Com palavras do Pratyabhijña Sástra:
“ É Prakása- Vimarsamaya “. Prakasa é a luz eterna sem a qual nada pode aparecer, é Siva. Vimarsa é Sakti, o svabhava de Siva , é por assim dizer, o espelho ante o qual Siva se dá conta de sua própria grandeza,poder e beleza. Vimarsa é a Kartrtva Sakti (“o poder fazedor “) de Siva .
A mera Prakása não pode ser a natureza da realidade. Incluindo o diamante é Prakása. Mas o diamante não se conhece a si mesmo como Prakása. Vimarsa é esse aspecto de Prakása pelo qual se conhece a si mesma. Esse conhecimento de si mesmo é uma atividade .
Vimarsa anúncia essa atividade. Como disse Ksêmarája em seu Parápravêsika (p.2) vimarsa é “ akrtrimáhan iti visphuranam” É a consciência do eu imediata e não relacional. Ksêmarája disse com razão :
“Yadi nirvimarsah syatanisvaro jadasca prasajyeta” (Parapravesika,p.2) “ Se a realidade última fosse simplesmente Prákasa e não também Vimarsa, seria totalmente impotente e inerte. “ É essa consciência do “Eu” da realidade última a responsável pela manifestação , permanência e reabsorção do Universo.
Cit é consciente de si mesma como cidrupini sakti. Esta consciência de si mesma como cidrupini sakti é vimarsa. A vimarsa são aplicados diversos nomes como parásakti, svãtantrya , aisvarya, kartrtva, sphuratta, sara, hridaya, spanda. (parápravesika, p2 )
O feito de que o Sankara vedánta considere que Brahma é só prakása ou jñana ( Luz ou iluminação) sem vimarsa ou atividade alguma é a causa de que tenha que invocar a ajuda de máyá para levar a cabo a manifestação do universo. Brahma esta desprovido de qualquer atividade e por tanto, é impotente para criar. E só Ísvara, ou máyopahita caitanya, o que pode manifestar o universo. Mas , de onde surge inopinadamente esta máyá ? Se é algum poder alheio a Brahma ou a Ísvara, então o Sankara vedanta cai reduzido ao dualismo. Se máya é só uma expressão do poder de Brahma, então Brahman não pode ser desprovido de atividade . Tanto o sankhya como o vedánta consideram que Purusa ou Ãtmã é niskrya ou inativo, porque estes sistemas tomam a palavra “ atividade “ em um sentido muito tosco. Com toda segurança que Brahman , ou Ãtmã não trabalha como um alfarero ou um relojoeiro. A própria vimarsa , a mesmíssima ichchá ou “ vontade” da Divindade é energia espiritual de força incalculável que pode multiplicar-se, adotando qualquer forma, desde a mais sutil até a mais densa.
Svãtantrya ou soberania sem restrições é a característica por excelência de Siva . Ela se expressa convertendo-se em ichchá ( vontade ) que imediatamente se transforma em jñana ( conhecimento) e Kriyã (ação).
A realidade última não é só a Consciência Universal senão também a energia espiritual ou poder. A esta Consciência Universal que abarca tudo se chama também anuttara, a Realidade Suprema, o absoluto , e é tanto transcendente o visvottirna como inmanente ou visvamaya. Topo

A manifestação ou o processo do mundo

A svabhãva ou a própria natureza da realidade Última é o manifestar-se.
A criatividade é a mesma essência da divindade. Se a Realidade Última não se manifestasse, ela não seria o ser ou a consciência, senão o não ser , algo parecido a uma vasilha.(objeto )
Tal como o expressa Abhinavagupta:

“Se a Realidade Suprema não se manifestasse em uma infinita variedade, permaneceria confinada dentro de sua sólida unidade , não seria nem o Poder Supremo nem a Consciência, senão algo parecido a uma vasilha”
Tantraloka , III , 100.

A Realidade Última ou Parama Siva é Prakásavimarsamaya. Neste estado o “Eu e o “isto” estão em indivisa unidade. O “Eu “ é o aspecto Prakása. “Isto “ ou consciência de si mesma é o aspecto vimarsa. Esta vimarsa é svãtantrya, poder soberano sem restrições, ou sakti. Esta vimarsa não esta vazia de conteúdo, senão que contém tudo o que há de ser."

Igualmente a grande árvore Baniano se faz em forma de potência na semente. Do mesmo modo o universo inteiro com todos os seres móveis e imóveis se faz em potência no coração do ser supremo”
Parátrimsikã, 34

A sakti do ser supremo se chama Citi ou parasakti ou paravak. Mais adiante veremos que papel desempenha parasakti ou parãvak na manifestação da palavra e de seu objeto.
Parama Siva tem infinitos poderes mas os seguintes podem ser considerados como os principais:

  1. Cit – O poder de revelar-se a si mesmo (ou“de revelar o ser“).
    O princípio imutável de todas as mudanças. Neste aspecto, o ser Supremo se conhece como Siva.
  2. Ananda – Ou bem aventurança absoluta. Esta também se chama svãtantrya, neste aspecto, o ser supremo se conhece como Sakti. Cit e Ãnanda são svarupa a mesma natureza de Parama Siva. O restante pode-se considerar como suas Saktis.
  3. Icchá – Ou vontade. Neste aspecto, a ele se conhece como sadasiva ou sadakhya.
  4. Jñana ou conhecimento. Neste aspecto, a ele se conhece como Ísvara.
  5. Kriya – Ou o poder de adotar toda e quaquer forma. Neste aspecto, ele é conhecido como Sadvidya ou Suddha vidya.

O universo é simplesmente uma contração (unmesa ) ou expansão (prasara) do ser Supremo como Sakti.
Os (tattvas) sequintes aparecem no curso da manifestação. Topo

Os Tattvas da experiência universal

Como se há dito, Parama Siva tem dois (2) aspectos, o transcendental (visvottírna) e o imanente ou criativo. A este aspecto criativo de Parama Siva se conhece como o Siva tattva.

  1. O Siva tattva é o movimento criativo inicial ( prathama Spanda) de Parama Siva.
  2. O Sakti tattva é a energia de Siva. Ela polariza a Consciência em Aham e Idam ( “Eu e Isto “) – Sujeito e objeto.
    Sakti , sem dúvida não é nada separado de Siva. Siva em seu aspecto criativo, se conhece como Sakti. Ela é sua ahamvimarsa ou Consciência do eu, ou unmukhatã a firme intenção de criar.
    Igual a um artista que não pode conter o seu deleite dentro de si, senão que lhe dá saída a inspiração em forma de canção ou poema, do mesmo modo Parama Siva derrama inspiração, a Deliciosa maravilha de seu explêndor em forma de manifestação.
    Na Sakti tattva predomina o aspecto ãnanda do Supremo.
    Os Siva e Sakti tattvas nunca podem estar separado.
  3. O Sadãsiva ou Sãdãkhya Tattva:

    A vontade (icchá) de afirmar o aspecto “isto” da experiência Universal se conhece como Sadãsiva ou Sãdãkhya tattva. Em sadãsiva, predomina icchá ( a vontade ).
    A experiência desta etapa é “Eu sou Isto “, mas o “isto” é só uma experiência vaga o asphuta. O aspecto predominante é todavia
    “eu” . O Universo Ideal é experimentado como algo indefinido na profundidade da Consciência.
    Sadãsiva tattva é a primeira manifestação ou ãbhãsa.Nesta experiência Universal, tanto o sujeito como o objeto são consciência.
    A consciência neste aspecto se faz perceptível a si mesma: Desde que haja um sujeito e objeto.

  4. O Ísvara ou Aisvarya Tattva.
    A sequinte etapa da experiência divina se conhece como Ísvara tattva , é aquela etapa na qual o aspecto Idam ou Isto da experiência total se faz um pouco mais definido ou sphuta. É unmesa, o nítido florescer do Universo.
    Nesta etapa predomina Jñana o conhecimento .
    A experiência de Sadãsiva é : “Eu sou Isto “. A experiência de Ísvara é: “ Isto Sou Eu “.
  5. O Sadvidyã ou Suddhavidyã Tattva:
    Em Sadvidya Tattva, os aspectos” Eu “ e Isto “ da experiência estão igualmente equilibrados como os pratos de uma balança quando são mantidos igualados (samadhrtatutãputanayãyena ).
    Nesta etapa predomina a Kriyã Sakti . O “ Eu “ e o “Isto” são reconhecidos com claridade tão nítidas que, tanto “Eu” como “Isto” estão todavia identificados entre si, podem ser distinguidos claramente com o pensamento. A experiência desta etapa se pode chamar
    “ diversidade na unidade” (bhedãbhedã-vimarsa-nãtmã); Todavia o “ Isto” se distingue claramente do “Eu”, Sempre se tem a sensação de que é parte do “eu” ou “Ser”. O que é “Eu “ e “Isto”; O que é “Isto” ou “Eu”, ou melhor quer dizer samãnãdhikarana.
    A experiência desta etapa se conhece como parãpara dasã e é intermediária entre o para ou “superior ou mais elevado” e o apara ou o “ inferior”.
    Até esta etapa, toda a experiência é ideal; Em forma de idéia. Daqui que se chame “ na ordem do perfeito ou puro” (suddhadhvã),
    Uma manifestação na qual não esta todavia velada a svãrupa ou natureza real da Divindade. Topo

Os Tattvas (princípios) da esperiência individual limitada
Mãyã e os cinco Kañkukas

Agora entra em jogo o Mãyã Tattva. Desde esta etapa em diante, existe asuddhadhvã ou ordem impura, na qual fica velada a natureza ideal, superior, da Divindade. Tudo isto sucede a causa de Mãyã e seus Kañkukas.
Mãyã deriva da raiz ma= “medir”. Mãyã é aquilo que faz com a experiência seja mensurável- ou melhor, “limitada” – aquilo que separa de um tacho o “Isto” do “Eu” e o “Eu” do “Isto” e exclui as coisas umas das outras.
Até Sadvidyã, a esperiência é universal; O “Isto” significa “tudo Isto”, o universo completo. Sob a intervenção de Mãyã, “ isto” significa simplesmente ”Isto”, diferente de todos os demais. A partir de agora começa sankoca ou a contração. A limitação. Mãyã põe um véu sobre o ser, devido o qual é esquecida a sua natureza real; E assim Mãyã gera um sentido de diferença.
Os produtos de Mãyã são os cinco (5) kañkucas ou couraças, cujas funções se dão a continuação:

I – Kalã . Este reduz a sarvakartratva ( capacidade universal de realizar ) da consciência universal e ocasiona a limitação com relação a capacidade de realizar com eficiência.
II – Vidyã . Este reduz à onisciência (sarvajñatva) da Consciência universal e ocasiona a limitação com respeito ao conhecimento.
III – Rãga . Este reduz à plena satisfação (púrnatva ) da Consciência Universal e provoca o desejo de coisas determinadas.
IV – Kãla. Este reduz a eternidade(nityatva) da Consciência Universal e da origem a limitação com respeito ao tempo, a divisão de passado presente e futuro.
V – Niyati. Este reduz a liberdade e capacidade de penetrar no todo ( svatantratã e vyapakatva) da Consciência Universal e ocasiona a limitação com respeito a causa, espaço e forma.

É interessante observar que a filosofia Trika da Cachemira se havia antecipado ao filósofo Kant, mil anos antes, em análises de experiência.
Hume havia reduzido a experiência a uma passageira fantasmagórica de idéias, entre as quais não havia em absoluto princípios de vínculo algum. Kant originou uma revolução atrevida na filosofia ao demonstrar que a experiência real consiste em juízos sintéticos que se caracterizam pela necessidade e a universalidade.A necessidade e a universalidade não são produtos da experiência. Elas são a priori, anteriores a experiência. Os sentidos proporcionam só os dados da experiência . Mas o entendimento impõe suas próprias leis aos dados da experiência para transforma-los em um todo sintético e armonioso de conhecimento. Kant chamou a estas leves categoria, as quais são inerentes a mesma constituição da mente.
A filosofia Trika o Pratyabhijña mantém que a experiência do indivíduo empírico está constituída por mãyã junto com seus Kañkukas: Kalã , vidyã , rãga , kãla e niyate.
Kant toma ao tempo e espaço como formas de intuição e afirma que todas as nossas experiências estão delimitadas pelo espaço e tempo. A filosofia pratyabhijña também ensina que todas as nossas experiências estão delimitadas por kãla e niyate. Kant crê que a experiência do homem se dá só em um marco espaço-temporal. A filosofia pratyabhijña também crê que o homem está de tal maneira constituído por Mãyã e que suas experiências não tem mais remédio que estão circunscritas por kãla e niyate . A mesma palavra mãyã quer dizer “ esse poder mediante o qual se mede a experiência de modo particular ( miyate anyã iti mãyã ) “. Na filosofia pratyabhijña , mãyã-pramãtã, citta-pramãtã, sakala, anu e jiva são todas sinônimas de indivíduo empírico.
Existem três funções de niyate na pratyabhijña: A limitação de espaço, de causalidade e medida a que está submetida uma forma das coisas. A idéia de espaço de Kant e sua categoria de causalidade abarcam as duas primeiras, mas não há nada similar a terceira função de niyate na filosofia Kantina. Por exemplo que se inclui em niyate a categoria de Kant. Assim mesmo suas categorias de quantidade, qualidade e modalidade estão compreendidas no kañkuka vidyã .
A teoria de Kant se limita só a epistemologia; Kant tem formulado sua teoria com referência ao conhecimento. A pratyabhijña tem formulado a sua com referência tanto ao conhecimento como a atividade. Na filosofia pratyabhijña tem dois kañkukas – kalã e rãga – que não tem paralelo algum na filosofia de kant . Estes dois estão conectados com a atividade. O homem pois, não é só um fardo de conhecimento, senão que também é um ser ativo.kalã denota limitação com respeito a ação. Nenhum homem é todo poderoso como Siva . Rãga denota sua valorização, suas ânsias, de diversas coisas. Igual a kalã expressa perdida a plena soberania em caso de mãyã – pramãtã, do individuo empírico, do mesmo modo rãga expressa perdida de perfeição. Kant mantém que há duas fontes de conhecimento: A matéria e a forma. A natureza proporciona a matéria e a forma é imposta sobre esta pela mente. Assim pois , há dualismo na filosofia de Kant. Segundo a filosofia pratyabhijña, mãyã proporciona tanto a matéria como a forma. A forma é proporcionada por vidyã, kãla e niyate, e a matéria por, kalã. Mãyã dá origem a pradhãna ou prakrti por meio do poder de kalã. De prakrti deriva buddhi ,ahamkãra e manas. De ahamkarã surgem cinco órgãos sensoriais e cinco órgãos de ação, e os cinco tanmãtrãs; E dos cinco tanmatrãs surgem os cinco elementos densos. Assim, tanto a matéria como a forma de conhecimento surgem de mãyã,e mãyã surge de Siva –Sakti. Portanto,na pratyabhijña se dá um não dualismo .
Kant disse que não podemos conhecer o mundo,nem ao ser, nem a Deus por meio do entendimento nem pelas categorias. A filosofia pratyabhijña também mantém que os fenômenos construídos por elas estão em asudha adhvã, e que o conhecimento em asudha adhva se obtém por meio de vikalpas ou criações mentais que estabelecem distinções, Mas , que o conhecimento do cosmos, do ser, e de Deus é nirvikalpa , não faz distinções, não é discursivo.
Kant mantém que o conhecimento do cosmos, do ser e de Deus somente pode ser obtido por meio da disciplina moral e espiritual. A filosofia pratyabhijña também mantém que o conhecimento da Realidade Suprema só pode ser obtido através de sádhana ( prática espiritual) por meio de ãnava, sakta e sãmbhava-upãya. Topo

Os Tattvas do indivíduo limitado

Purusa

Siva, por meio de mãyãsakti, que limita seu conhecimento e poder universal, se converte em purusa o sujeito individual. Purusa,neste contexto,” significa todo o ser sensível “.
A purusa também se conhece como anu neste sistema. A palavra anu se usa sentido de “ limitação da perfeição divina “.

Prakrti

Mesmo que purusa seja a manifestação subjetiva de Siva, prakrti é a manifestação objetiva.
Existe uma diferença entre o conceito que sãnkhya e Trika tem de prakriti. Sãnkhya crê que prakrti é uma e universal para todos os purusas .Trika crê que cada purusa tem uma prakrti diferente. Prakrti é a matriz de todo o mundo de objetos ou realidade exterior. Prakrti tem três gunas ou constituintes genéticos, sattva, rajas e tamas. Em seu estado imanifesto, a prakrti mantém estes gunas em perfeito equilíbrio.
1º Na ordem do ser, sattva se caracteriza pela brilhante velocidade; na ordem psicológica, se caracteriza pela transparência, o gozo e a paz; na ordem ética, é o princípio da bondade.
2º Na ordem do ser, tamas é o princípio da obscuridade e da inércia ; Na ordem psicológica, se caracteriza pela torpeza, a falsa ilusão e desalento, e na ordem ética, é o princípio da degradação, do envelhecimento.
3º Na ordem do ser, rajas se caracteriza pela atividade; na ordem psicológica, se caracteriza pela ânsia e a paixão ; na ordem ética, é o princípio da ambição e da avareza.
Segundo a pratyabhijña, prakrti é a santa sakti de Siva , e as gunas sattva, rajas e tamas são só a polarização de suas saktis de jñana,icchã e kriyã respectivamente. Assim como no sistema pratyabhijña há um perfeito não –dualismo, não o dualismo de prakrti e purusa como no sãnkhya .
Purusa é o preceptor das experiências (bhokta) e prakrti é o experimentado (bhogyã ). Topo

Os Tattvas do funcionamento mental

Buddhi, Ahamkara e Manas

Prakrti se desdobra convertendo-se em antahkarana ( o aparato psíquico ) , indriyas ( os sentidos) e bhutas ( matéria ).
Antahkarana significa “ o instrumento interno, o aparato psíquico do indivíduo “. Constam nos tattvas buddhi,ahamkãra e manas.
Buddhi é a inteligência verificadora (vyavasãyãtmikã) . Os objetos que se refletem em buddhi são de duas classes:

A . Externos, um objeto que se percebe através dos olhos.
B. Internos, As imagens construídas através dos samskaras ( as impressões passadas deixadas na mente).

Ahamkara. Este é o produto de buddhi. É o principio formador do “eu” e o poder de destacar o ser .
Manas. É o produto de ahamkara e colabora com os sentidos na criação de percepções e, por si mesma, elabora imagens e conceitos. Topo

Os Tattvas da experiência sensível

Os Indriyas e os tanmatras

Os cinco poderes da percepção sensorial:

Jñanendriyas ou buddhindriyas, que são produtos do ahamkãra, são os tattvas da experiência sensível. Os cinco poderes são:

O cheirar (ghrãnendriya),
o saborear (rasanendriya) ,
o ver (caksurindriya),
o sentir pelo tato ( sparsendriya ),
e o ouvir (sravanendriya).

Os cinco karmendriyas ou poderes de ação são também produtos de ahamkãra, os poderes são :

O falar ( Vãgindriya),
O uso das mãos ( hastendriya ) ,
A locomoção ( pãdendriya),
O excretar ( pãyvindriya),
O ato sexual e o repousar ( upasthendriya ).

Os indriyas não são órgãos sensoriais, senão poderes que operam através dos órgãos sensoriais.

Os cinco tanmãtras ou elementos primários de percepção são também produtos de ahamkãra.
Literalmente tanmãtra quer dizer “isso somente “ .
Estes são os elementos gerais dos específicos correspondentes a percepção sensorial e se dividem em :

O som como ouvimos ( sabda –tanmãtra) .
O tato como tocamos ( sparsa- tanmãtra )
A cor como a vemos ( rúpa –tanmãtra ),
O sabor como gosto ( rasa- tanmãtra ) ,
O odor como sentimos (gandha-tanmãtra ). Topo

Os Tattvas da materialidade

Os cinco Bhútas

Os cinco elementos densos ou pañca –mahãbhútas são os produtos dos cinco tanmãtras:
I – Ãkasa É produzido a partir de sabda-tanmãtra.
II – Vaiú É produzido a partir de sparsa-tanmãtra.
III – Teja (Agni ) É produzido a partir de rúpa-tanmãtra.
IV – Ãpas É produzido a partir do rasa-tanmãtra.
V – Prthivi É produzido a partir do gandha-tanmãtra. Topo

A escravidão

A escravidão do indivíduo se deve a ignorância inata ou anava-mala. É a condição limitativa primária, a qual reduz a consciência Universal a um anu ou criatura limitada, o qual se produz pela limitação de icchã sakti do ser Supremo. É a causa disto que o jiva se considera como uma entidade separada, desconectada da corrente universal de consciência. É a consciência da auto-limitação e da imperfeição.Associando com asuddhaadhva, fica mais limitado todavia por mãyiya mala e karma mala. Mãyiya mala é a condição de limitação provocada por mãyã. Ela é bhinna vedya prathã (aquele que produz a consciência de diferença, a causa dos adjuntos limitativos e discordantes do corpo,etc) Isto se produz pela limitação de jñana sakti do ser Supremo. Kãrma mala é a condição limitativa produzida pelos vãsanãs ou restos residuais de ações realizadas sob a influência do desejo. É a força destes vãsanãs que leva o Jiva de uma vida (existência) a outra. Topo

A liberação

A liberação, segundo o sistema, quer dizer “ o reconhecimento (pratyabhijña) de nossa verdadeira natureza “, o que significa “ akrtrima-aham-vimarsa “(a pura, original e inata Consciência do“Eu“ ).
A consciência do “Eu “ psicológica normal e relacional, a consciência do ser está em contraste com o não ser. A pura Consciência do “Eu” é consciência imediata e, quando se tem esta consciência, se conhece a verdadeira natureza de si mesmo. Isto é o que se quer dizer com “ liberação” .

Tal e como o expressa Abhinavagupta:

“Moksa ou a liberação não é outra coisa que o tomar da consciência da verdadeira natureza de si mesmo “

O dom supremo, sem dúvida, é o da consciência de Siva, na qual o universo inteiro aparece como “Eu“ ou Siva , e isto vem por meio de saktipãta – A descida da Divina Sakti ou anugraha (a Graça Divina).

 

retirado do site – http://www.institutoshaivayoga.com.br/

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