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Mais de 500 empresas são investigadas por suspeita de adulteração no leite

 
 
Mais de 500 empresas são investigadas por suspeita de adulteração no leite

Claudia Andrade
Em Brasília

Seis meses depois da operação da Polícia Federal que prendeu 27 pessoas acusadas de crime contra a saúde pública e contra as relações de consumo(a chamada operação Ouro Branco), 522 empresas ainda respondem a processos administrativos por suspeita de adulteração de leite.

A informação foi dada nesta quarta-feira pelo diretor de inspeção de produtos de origem animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Nelmon Oliveira da Costa, em debate na Câmara dos Deputados sobre sobre a adulteração de leite em Minas Gerais.

Danilo Verpa/Folha Imagem

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Costa afirmou que o ministério realizou 1.182 análises de leite durante o ano passado, 800 das quais depois que o caso de fraude no leite veio a público. "O maior percentual de empresas faz parte das investigações feitas depois da operação (Ouro Branco)", afirma Costa.

Segundo ele, das análises realizadas, cerca de 6,5% apresentaram problemas de fraude. "Mas isso não significa dizer que temos 6,5% empresas que cometeram fraude, porque quando a fraude aparece, não necessariamente ocorreu no âmbito da empresa. A cadeia produtiva é grande, às vezes a empresa já recebe a matéria-prima adulterada", advertiu. "É importante dizer, no entanto, que 6,5% não é pouco. A tolerância com fraudes tem que ser zero", completou.

Costa explicou que o processo é aberto mesmo quando o resultado da análise não é um indicativo de fraude, mas está fora dos parâmetros. A empresa deve explicar o motivo da não-conformidade e estabelecer um cronograma de correção dos problemas detectados.

Destas 522 empresas, 28 estão sob fiscalização reforçada, o que pode impedi-las de colocar um produto no mercado sem prévia autorização. "Isso gera um grande transtorno para a empresa, mas é uma medida pró-ativa, de segurança", justifica Costa.

A Operação Ouro Branco da Polícia Federal, contra a adulteração no leite, foi uma "vitória para o setor sério". A afirmação foi feita pelo assessor-técnico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Marcelo Martins, em audiência pública na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira. "Mesmo com o embate na mídia e a imagem negativa para as empresas, a produção de leite aumentou, o preço aumentou e as exportações cresceram", disse Martins.
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Os indícios de adulteração, ainda segundo o diretor, são a presença de produtos como sacarose e cloreto, usados para mascarar um produto de má qualidade. Ele diz que foram analisadas todas as marcas de leite, em versão pasteurizado, UHT e em pó. Com isso, o representante do Ministério da Agricultura tentou responder às críticas de outro convidado da audiência, Wellington Silveira, presidente da Associação Brasileira do Leite Longa Vida (ABLV). Ele reclamou de "perseguição" à indústria do leite UHT, o mais consumido no país.

"Nós não entendemos porque o leite longa vida ficou como vilão", disse. Como justificativa ao argumento, ele disse que em 2003, os testes realizados apontaram fraude em 9% no UHT, enquanto no leite C o percentual foi de 20% e no leite em pó, 29%. "O processo parou porque não se atingiu o segmento que queria".

O Ministério da Justiça informou que as empresas investigadas já apresentaram suas defesas, que estão sendo analisadas. "Elas podem pagar multas de R$ 200 mil a R$ 3 milhões", afirmou a coordenadora-geral substituta de supervisão e controle do Departamento de Proteção da Defesa do Consumidor do ministério, Andiara Braga.

Segundo Costa, não há previsão para conclusão das investigações. "Os processos estão agora nas superintendências nos Estados. As empresas ainda podem pedir contra-prova dos testes. Não há um prazo definido, mas a expectativa é que se leve, em média, seis meses para ser concluído", concluiu.

A operação Ouro Branco foi realizada pela PF em outubro do ano passado, contra suspeitos de adulterar leite para aumentar seu volume ou adicionar substâncias para prolongar a durabilidade do alimento. A fraude foi descoberta após denúncias de ex-funcionários das empresas.

 

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