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VIVA A DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA – “O pior está por vir”, afirma Minc, sobre desmatamento na Amazônia

 

"O pior está por vir", afirma Minc, sobre desmatamento na Amazônia

Cláudia Andrade
Em Brasília
Ao comentar os dados divulgados nesta segunda-feira (02) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que apontam que o desmatamento da Floresta Amazônica no mês de abril atingiu uma área de 1.123 Km², o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que o "pior está por vir".

Em entrevista coletiva em Brasília, Minc disse que há uma tendência histórica de aumento do desmatamento entre os meses de junho e setembro, por conta da estiagem e do avanço na preparação da terra na região. Outro fator que agrava a situação, de acordo com o ministro, é o aumento nos preços da carne e da soja, que servem de estímulo para o desmatamento. "O pior está por vir. Agora é o teste [das medidas]", afirmou.

Mato Grosso lidera desmatamento

O Inpe registrou em abril deste ano 1.123 Km² de desmatamento na floresta Amazônica, área equivalente a quase toda a cidade do Rio de Janeiro. Do total verificado pelo Deter, em abril, 794 Km² de desmatamentos correspondem ao Estado do Mato Grosso, ou seja, 70,74% do total desmatado. O número foi apresentado na tarde desta segunda-feira.

O teste a que se referiu o ministro diz respeito ao impacto de medidas para tentar combater o desmatamento. A partir deste mês, o governo federal começará a apreender o que Minc chamou de "boi pirata", animais que pastam em áreas de preservação, que não deveria ser usadas para a agropecuária. O impacto dessas operações para a economia, segundo Minc, será pequeno. "Não vai ser a apreensão de mil bois que vai afetar as exportações de carne. Mais do que quantitativo, o efeito é muito mais de demonstração. É um recado que será dado."

Os animais apreendidos serão leiloados e os recursos encaminhados para o programa Fome Zero, graças a um acordo fechado com o Ministério do Desenvolvimento Social. Desde o mês passado, a produção grãos nestas áreas está sendo fiscalizada e a produção apreendida também irá à leilão, de acordo com o anúncio feito pelo ministro do Meio Ambiente nesta segunda-feira. Outro produto leiloado será a madeira ilegal.

A partir do próximo dia 15, o governo também vai monitorar a cadeia produtiva e exigir de siderúrgicas, frigoríficos, madeiras e empresas do setor de agronegócio informações sobre os fornecedores dos produtos. "Hoje, se compra e se lava as mãos em águas poluídas. Mas quem compra (produto) de área embargada é co-responsável", avisou Minc. "E não vai adiantar dizer que não sabia que a área era embargada, porque os dados estão disponibilizados na Internet", completou.

"O tempo é curto a situação é preocupante, mas nós não vamos chorar o termômetro nem a seiva derramada. As medidas são certas, só não tiveram tempo para dar resultado", disse Minc.

A previsão do ministro para este ano é pessimista. "Muito dificilmente o resultado deste ano será menor do que no ano passado", disse. "A gente pode torcer, pode rezar, porque ninguém quer que o desmatamento cresça, mas dificilmente vai reduzir".

Parceria com Blairo Maggi
O ministro Carlos Minc também destacou os efeitos da suspensão de créditos agrícolas para áreas onde ocorrem desmatamentos. O prazo para regularização termina no dia 1º de julho. "Vale ressaltar que esta não é uma data fatídica. Se o produtor conseguir se regularizar, por exemplo, em 1º de agosto, vai poder conseguir crédito. Mas o que a gente não pode é usar dinheiro público para financiar atividades que estão à margem da lei", ressaltou.

Cerca de 12 mil imóveis localizados em 36 municípios considerados críticos pelo Ministério do Meio Ambiente ainda não foram recadastrados. No final de maio, o ministro assinou uma portaria permitindo que produtores de municípios com terras na área de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado pudessem receber crédito. Em nota, o ministério afirmou que a medida "não flexibiliza ou altera em nada" a resolução do Banco Central, apenas "detalha" a aplicação da norma, que seria aplicada apenas para municípios que estivessem totalmente localizados no bioma amazônico.

No entanto, a portaria seria conseqüência da pressão exercida pelo governador Blairo Maggi, do Mato Grosso, Estado que lidera o índice de desmatamento do mês de abril, divulgado nesta segunda-feira pelo Inpe. O ministro do Meio Ambiente afirmou que haverá um trabalho em conjunto com o Estado para combater o desmatamento. Segundo o ministro, "há um esforço" do governo mato-grossense no sentido de reduzir o desflorestamento.

"Eu conversei com o governador e ficou acertado que uma equipe nossa vai até o Mato Grosso em junho fiscalizar algumas áreas. É claro que há percepções diferentes, mas como entes federativos, o governo federal não pode guerrear com o governo estadual", disse Minc.

Minc também anunciou a liberação de crédito para reestruturação do extrativismo e recomposição das reservas legais. Disse ainda que o ministro da Justiça, Tarso Genro, vai disponibilizar 500 homens para auxiliar no combate ao desmatamento e iniciar a formação da guarda ambiental, proposta pelo novo ministro do Meio Ambiente.

A lista de medidas para combater o desmatamento inclui também a criação de um "paredão verde", formado pela reserva extrativista Ituxi e pelo parque nacional de Mapinguari, no sul do Amazonas. As áreas devem ser anunciadas, segundo Minc, no Dia Mundial do Meio Ambiente, que será comemorado nesta quinta-feira.

Metodologia
Para o ministro, não interessa discutir a metodologia utilizada pelo Inpe, que depende das nuvens sobre a Amazônia para medir o desmatamento. Ele negou que houve falta de ação da antiga gestão para combater a derrubada da floresta. "Se várias medidas não tivessem sido tomadas a tendência [de aumento do desmatamento] seria maior ainda", disse.

"Nossa guerra não é contra os números, que são imprecisos. A guerra é para substituir um modelo predatório de produção por outro, de desenvolvimento sustentável", ressaltou. Para ele, lançar esse novo modelo de desenvolvimento "é muito mais complicado do que tirar boi de pasto ilegal ou saber da siderúrgica de quem ela comprou carvão vegetal."

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retirado de http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/06/02/ult23u2453.jhtm

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