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Educação física, meditação e saúde: buscando um equilíbrio entre corpo e mente – PARTE II

Educação física, meditação e saúde: buscando um equilíbrio entre corpo e mente.

Pesquisa em Educação Física. v. 5. Jundiaí: Fontoura, 2007.

 

 

Luiz Fabiano Seabra Ferreira(1); Regina Borges Astone(2); Mariana Priscila Leme Pinheiro(3).

(1)UNIMÓDULO – Caraguatatuba – SP; (2)UNIMÓDULO – Caraguatatuba – SP; (3)UNIMÓDULO – Caraguatatuba – SP.

 

PARTE II

 

Meditação e seus benefícios; um caminho para a saúde

 

A saúde vai além de um estado de ausência de doenças, está relacionada com o bem-estar físico, psicológico, mental e social. Coutinho (2006) observou que: 

os efeitos fisiológicos daqueles que praticam regularmente o relaxamento e a meditação são opostos aos efeitos produzidos pelo estresse, pois o sistema nervoso parassimpático passa a restaurar as funções fisiológicas destinando-se á manutenção e ao reparo do organismo. O relaxamento ajuda a reduzir a ansiedade, a conservar energia, a aumentar o controle ao lidar com situações difíceis, ajuda a reconhecer a diferença entre músculos tensos e relaxados e a conscientizar as pessoas das necessidades diárias do corpo mantendo-o produtivo.

 

De acordo com pesquisas realizadas pela Sociedade Internacional de Meditação (2006) com praticantes de Meditação Transcendental durante a década de 70 nos Estados Unidos, foi possível observar a redução do metabolismo basal levando o corpo a experimentar repouso profundo. Verificou-se que as ondas cerebrais desses indivíduos, captadas pelo eletroencefalograma, e diante de um quadro comparativo com indivíduos não praticantes, apresentavam maior grau de ordenação espacial e maior coerência das mesmas durante períodos em que a meditação estava sendo experimentada. Isto sugere um funcionamento neurofisiológico de repouso profundo em alerta, otimizando o funcionamento cerebral, cognitivo e melhorando as habilidades mentais. Observou-se também que com a prática da meditação, a freqüência cardíaca e pressão sanguínea diminuem, o fluxo sanguíneo é desviado para órgãos internos, principalmente para os que estão envolvidos na digestão; há melhor necessidade de oxigênio e, portanto menor freqüência respiratória, há a diminuição da produção de transpiração; há um aumento da produção de secreções digestivas, melhorando os níveis de açúcar no sangue, redução da pressão sanguínea em pessoas com hipertensão, e menor incidência de doenças cardíacas.

            Com níveis de ansiedade, nervosismo e estresse diminuídos há uma melhora da saúde em geral. Diminui-se o consumo de drogas prescritas ou não, cafeína, tabagismo, narcóticos, álcool, principalmente devido à redução de traços psicológicos negativos e aumento dos traços positivos. Assim melhorando a qualidade de vida e elevando a auto-estima.

            As práticas de meditação possibilitam uma série de benefícios, dessa forma, faz-se necessário que a educação física enquanto disciplina que trabalha com o corpo e a mente buscando qualidade de vida inclua em seus conteúdos a meditação.

                       

                                                                                       Uma nova (velha) proposta para as atividades físicas

 

            De acordo com Oberteuffer e Ulrich (1977, p.4):

 

a educação do “físico” isolado não é possível; e o termo educação física significa educação por meio de experiências que envolvem não apenas atividades e movimentos, mas também componentes emocionais, comportamentais e intelectuais. E a educação física moderna é uma parte do processo de educação e deve ser julgado por seu impacto no homem inteiro e não somente em algumas de suas partes. A educação física procura dar assistência à totalidade vital.

 

            Observando o ser humano como um todo, podemos perceber que existem dimensões desse ser que são desprivilegiadas em função de uma visão mecanicista do corpo e do homem. Faz-se necessário uma reformulação dessa concepção que ainda predomina tanto no senso comum como no meio acadêmico e científico. 

            Nesse sentido, os escritos de Capra (2004) ressaltam que vêm acontecendo mudanças de paradigma desde meados do século passado no campo da ciência, ou seja, rupturas descontínuas e revolucionárias de concepções, idéias, valores, técnicas, que têm repercutido também no âmbito social gerando uma transformação cultural muito ampla.   

 

O paradigma que agora está retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante as quais modelou nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o restante do mundo. Esse paradigma consiste em várias idéias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo como uma máquina (…) E na verdade está ocorrendo, na atualidade, uma revisão radical dessas suposições. (CAPRA 2004, p. 24).  

 

Embora a transição para um novo paradigma seja demorada, pois, além da mudança nas percepções e na maneira de pensar, é preciso a mudança nos valores e atitudes, surge a necessidade de compreendermos a real intenção do trabalho corporal, não mais sob a visão mecanicista como até então estava sendo aplicado, mas com uma nova e ampla  perspectiva, integrada a abordagem holística; permitindo conexão efetiva dos aspectos físicos, cognitivos, afetivos e sociais consentindo ao homem um olhar mais abrangente de si mesmo e do ambiente no qual está inserido. A nova abordagem da atividade física ressalta meios que viabilizem as pessoas crescimento no processo de auto-observação e autoconscientização, atividades que trabalhem o ser humano como um todo e que valorizem suas experiências pessoais.

            Muitas práticas associadas às filosofias orientais vêm conquistando adeptos principalmente no Ocidente, cuja cultura industrial enfatiza mais o pensamento auto-afirmativo (competição, dominação) que o pensamento integrativo (cooperação, parceria). Aí está a importância de ressaltar as já conhecidas atividades Yoga, Tai Chi Chuan, Lian Gong e mesmo os exercícios de expressão corporal e as danças.

            A nova proposta se baseia em criar condições de auto-expansão em atividades que usualmente são praticadas por nós, inclusive incorporar em cada prática conceitos e idéias de meditação e relaxamento em suas mais variadas formas. Como vimos, a meditação está relacionada com o acréscimo de bem-estar e qualidade de vida das pessoas e conseqüentemente da sociedade. Nesse sentido, essas práticas proporcionam um equilíbrio entre as diversas dimensões que compõem o ser humano (cognitiva, afetiva, psicológica, física, social e espiritual). Faz-se necessário também repensar os conteúdo disciplinares dos cursos de formação relacionados ao corpo, (atividades físicas, expressivas e cognitivas) bem como discutir o papel dos profissionais da área da saúde é de fundamental importância para o progresso da autoconscientização em direção a uma compreensão holística do ser humano.

 

REFERÊNCIAS

 

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BRANDÃO, C. R. Pesquisa participante. 6ª ed., São Paulo: Brasiliense S. A., 1986.

CAPRA, F. A teia da vida. 9ª ed., São Paulo: Cultrix, 2004.

CARVALHO, H. Meditação: o caminho sem caminho. [S.l.]: Instituto de Yoga e terapia Aurora, 2000. Disponível em: http://www.institutoaurora.com.br/institutoaurora/mostra_artigo.asp?artigo_id=133. Acesso em: 15 de mar. 2006, 23:37:30.

CHAUDHURI, H. Alguns métodos de meditação. In: AVALON M. (Org). O poder da meditação. São Paulo: Martin Claret [199-]. (Coleção O poder do poder, 27).

CHIAZZOTTI A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, 1991.

CLARET, M. O poder da meditação. In: AVALON, M. (Org). O poder da meditação. São Paulo: Martin Claret [199-]. (Coleção O poder do poder, 27).

COUTINHO, G. Benefícios fisiológicos da pratica do relaxamento e meditação. Vya Estelar, 2006. Disponível em:

http://www1.uol.com.br/vyaestelar/estresse_supra_renais.htm Acesso em: 16 de nov. 2006, 15:12:41

CREMA, R. Introdução à visão holística: breve relato de viagem ao velho paradigma. São Paulo: Summus, 1989.

DALAI LAMA. Os estágios da meditação. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.

McDONALD, K. Mente e meditação. In: AVALON, M. (Org). O poder da meditação. São Paulo: Marin Claret, [199-]. (Coleção O poder do poder, 27).

MINAYO, C. S. (Org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, Rio Janeiro: Vozes, 1994.

MORIN, E. & LE MOIGNE, J. L. A inteligência da complexidade. São Paulo: Peirópolis, 2000.

NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida; conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 2 ª ed., Londrina: Midiograf, 2001.

NEEDLEMAN, J. Meditação Transcedental. In: AVALON, M. (Org).  O poder da meditação. São Paulo: Martin Claret [199-]. (Coleção O poder do poder, 27).

OBERTEUFFER, D., & ULRICH, C. Princípios de Educação Física. São Paulo: Edusp, 1977.

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SOCIEDADE INTERNACIONAL DE MEDITAÇÃO. Expansão da mente. Meditação Transcendental, 2006. disponível em:

http://www.meditacao-transcendental.med.br/pesquisa.htm

Acesso em: 16 de nov. 2006, 10:38:17

 

FERREIRA, Luiz Fabiano Seabra; ASTONE, Regina Borges; PINHEIRO, Mariana Priscila Leme. Educação Física, meditação e saúde: buscando um equilíbrio entre corpo e mente. In: FONTOURA, Paula (Org.). Pesquisa em Educação Física. v. 5. Jundiaí: Fontoura, 2007.

 


[1] De acordo com Morin (2000), o princípio dialógico é fundamental na elaboração de uma nova ciência, pois este princípio postula a necessidade de admitirmos a transcendência da lógica formal (Aristotélica), buscando incluir nas reflexões os antagonismos, as contradições, a complementaridade entre o indivíduo, a sociedade e a cultura, admitindo a complexidade do todo, e não admitindo os reducionismos simplistas.

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