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Todos pela Educação: um plano para avançar!

Educação
Um plano para avançar

As deficiências das escolas brasileiras já foram
diagnosticadas. A novidade é que o país tem agora metas
concretas para a sala de aula – e prazo para cumpri-las


Camila Pereira

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do bom ensino

Pouco se sabia sobre as escolas brasileiras até uma década atrás. Foi apenas com o surgimento de avaliações para aferir a qualidade do ensino, nos últimos anos, que as deficiências começaram a ser finalmente medidas e diagnosticadas. Ainda assim, faltava o essencial: definir aonde, afinal, se queria chegar. Acaba de ser divulgado um novo balanço da educação no país que avança justamente nesse ponto. Há três anos, um grupo de especialistas ligados à ONG Todos pela Educação, que tem o apoio de empresários e governantes, reuniu-se para estabelecer cinco metas fundamentais para a melhoria do ensino em todos os níveis. Mais do que isso: deu prazos para o cumprimento delas, ano a ano. O próprio Ministério da Educação (MEC) e oito estados já se comprometeram a mirar nos mesmos objetivos. Algo que jamais havia ocorrido no país até então. O monitoramento constante de tais metas resultou no atual relatório. Ele mostra que o Brasil vem avançando, mas em ritmo lento (veja o quadro). Nenhum estado conseguiu cumprir todas as metas. Segundo o levantamento, apenas 10% dos estudantes brasileiros se formam tendo assimilado conceitos básicos de matemática e mais da metade dos jovens não consegue concluir o ensino médio na idade adequada, só para citar alguns dos exemplos de atraso. Conclui o presidente executivo da ONG, Mozart Neves: "Se não acelerar o ritmo, o Brasil continuará bem atrás dos outros países".

As metas, que foram definidas por uma equipe de pesquisadores na área, não são exatamente conservadoras. Ao contrário. Se todas elas forem alcançadas até 2022, o Brasil terá chegado a um nível de educação semelhante ao que têm hoje alguns dos países da OCDE (organização que reúne os mais desenvolvidos). Isso significa que todas as crianças estariam na escola, teriam adquirido pelo menos o conhecimento mínimo necessário e de lá sairiam na idade esperada para ingressar numa universidade. Soa pouco realista, mas a própria experiência mostra que esse é um cenário possível. Bons exemplos vindos de escolas públicas no país (bem raros, é verdade) reforçam a idéia de que ensino de qualidade não depende exclusivamente de mais recursos e infra-estrutura. Com as mesmas condições das outras, certas escolas já estão hoje no patamar esperado para 2022. Diz o especialista José Francisco Soares: "Com um atraso tão grande, não resta outra opção ao Brasil senão correr atrás da excelência".

O detalhamento das metas por estado mostra que cumpri-las não é uma tarefa simples. Ao apontar os que mais (e os que menos) conseguiram avançar, o trabalho lança luz sobre um desafio a ser enfrentado. Enquanto os estados que partiram de um patamar mais baixo, como Paraíba e Amazonas, progrediram no ritmo previsto, os melhores em educação no país revelaram certa lentidão, caso de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. É natural que aqueles que sofrem com os piores indicadores tenham mais facilidade em evoluir. Suas fragilidades, afinal, são tão básicas que intervenções muito simples costumam produzir algum impacto. Quando o nível é mais alto, no entanto, avançar requer um esforço maior. "O desafio deixa de ser colocar crianças na sala de aula e passa a ser a busca por um bom ensino", resume o especialista Claudio de Moura Castro. Ainda que muitos desses estados já comecem a adotar um conjunto de boas práticas em sala de aula, os resultados demoram a aparecer.

O estabelecimento de metas de longo prazo, sem o abandono delas a cada troca de poder, foi a base para que países como Irlanda e Coréia do Sul dessem um salto na educação. Ao se manterem firmes num mesmo plano por décadas a fio, esses países chegaram exatamente aonde queriam. No caso brasileiro, o fato de a iniciativa ter partido de uma organização independente do governo reduz os riscos de descontinuidade, um obstáculo para a melhoria do ensino. O atual relatório se soma às várias avaliações oficiais que vêm se encarregando de traçar um retrato preciso da sala de aula. Não há mais dúvidas quanto às deficiências. Resta, agora, o desafio de empreender um esforço contínuo para chegar ao patamar planejado, como propõe o novo relatório. Só assim o Brasil terá chances de deixar os últimos lugares nos rankings de educação.

retirado de http://veja.abril.com.br/241208/p_114.shtml

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