Don't Worry Be Happy!!!

Historinha para boi dormir…

Historinha para boi dormir…

 

Desde que me conheço por gente ando de bicicleta. Minha infância é marcada por diversas recordações prazerosas e desprazerosas com esse brinquedo.

Na adolescência, além de brinquedo, a bike se transformou num meio de transporte e construí novas relações com essa máquina maravilhosa.

Mas como um menino “normal” desejava ter um carro, pois passei minha infância brincando de “carrinho”. Nem fiz 18 anos e minha tia me deu o primeiro carro, um “fusca”.

Aquilo para mim foi uma revolução, novas oportunidades surgiram em minha existência e fiquei encantado com tais possibilidades. Isso aconteceu no inicio da década de 90 na cidade de São Paulo. Naquela época o trânsito ainda era suportável. E como era novidade em minha vida nem ligava de “gastar” meu tempo dirigindo aquela máquina.

Os anos foram se passando e o “velho fusca” já não era suficiente para me satisfazer plenamente, desejava outras experiências com outros carros. Assim passei minha vida, sempre desejando um carro que não possuía. Também tive motos, pequenas e grandes, tudo para satisfazer o EGO.

Sempre gostei de viajar e como minha mãe dizia “tenho rodinhas nos pés” não parava em lugar nenhum, estava sempre em trânsito. Viajava de norte a sul do país sempre dirigindo (fiz viagens de bike também).

Com o passar do tempo foi perdendo a vontade de dirigir e aquilo que no início era prazeroso se tornou obrigação, um fardo. Dirigi muitos mil quilômetros, que tédio, quanto tempo e energia gastei para realizar isso.

Hoje não tenho mais carro, vendi o ultimo que tive no ano passado e desde então, venho descobrindo novas possibilidades para se deslocar, pois continuo viajando para cima e para baixo.

As vezes vou de carona, mas a praxe tem sido o “busão”. Tenho utilizado o tempo que gastava dirigindo com outras atividades. Agora vou sentado contemplando a paisagem, lendo ou assistindo um filme no notebook.

Nessas idas e vidas tenho me deparado com diversos desafios, pois meu estilo de vida tem se transformado.

O engraçado é que vira e mexe ouço alguém dizer que deveria comprar outro carro, como se não ter carro fosse ficar sem transporte. Até parece que para ser reconhecido como um humano “normal” eu deveria ter um carro, de preferência um carrão! Já fui cobrado por isso! Mas como desenvolvi a pedagogia do deboche simplesmente dou risada!

Agora imagine se todos os seres humanos resolvessem e pudessem comprar um carro? Onde iríamos colocá-los?

As cidades já estão entulhadas de carros e agora que dirijo menos percebo isso mais nitidamente, principalmente quando estou andando de bike no meio do caótico trânsito urbano.

Quando estou pela rua percebo que muitos carros andam apenas com o motorista, como eu fizera muitas vezes em minha vida. Imagine milhões de pessoas, cada uma delas em seu carro, lógico que com as janelas fechadas por conta da violência urbana…medo…medo..medo…

Se fossemos mais solidários construiríamos um outro mundo, mas para isso acontecer necessitamos de transformações, novas atitudes, aventurar-se rumo ao novo. Poucas pessoas se predispõe a isso. Ainda prevalece o EGOÍSMO, INDIVIDUALISMO.

Poderiamos ter carros “coletivos” em que pudéssemos compartilhar os espaços de forma equilibrada, ou mesmo a carona como um ato solidário, um gesto de amizade, mas isso é utopia numa sociedade como a nossa.

Sigo feliz por minhas escolhas, ainda desejo ter um carro, mas sei que isso não é adequado devido às condições em que vivemos na atualidade, prefiro optar por outros meios de transporte.

Sinto que fiz a coisa certa, mesmo sendo cobrado por um sistema que prega o consumismo as avessas. Sigo meu caminho em paz comigo mesmo.

Om Namah Shivaia!

Uma resposta

  1. fênix

    31/01 – Boa noite, meu amigo! Seja muito bem vindo à minha vela! Abra os braços, sinta a brisa fresca a lhe beijar as faces! Sinta-se livre! Ah! Essa sua historinha para boi dormir já a vivenciei sob vários prismas. Acostume-se. É o preço que pagamos por sermos conscienciosos antes de sermos consumistas. A sua visão está certíssima. Quando nós deixamos o volante para sermos apenas usuários, nos tornamos mais tranquilos, ocupamos o tempo com outras coisas, como com a paisagem, a leitura, a meditação. Topa aquí. Eu também estou nessa. Beijo!

    janeiro 31, 2009 às 10:30 pm

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