Don't Worry Be Happy!!!

A mente corroída, ou, como somos tomados pelos pensamentos negativos.

A mente corroída, ou, como somos tomados pelos pensamentos negativos

Recentemente tive uma experiência muito singular para exemplificar como a mente humana se auto-corrói formando uma nuvem negra de pensamentos e sentimentos.

Recentemente fiz uma viagem com uma amiga, seu filho e sua Irmã. Saímos de Ubatuba, litoral norte de São Paulo em direção a Baependi, sul de Minas Gerais, aproximadamente 370 km de distância.

Elas me pegaram em Caraguatatuba por volta das 16 horas, e Dalí em diante eu fui guiando a caminhonete.

            Iniciamos o percurso tranquilamente pela rodovia dos Tamoios saindo de Caragua, nesse momento o tempo estava ensolarado e não havia sinais de chuva. Tudo tranquilo. No final dessa rodovia chegando em São José dos Campos e começamos a avistar uma imensa tempestade no horizonte, bem longe ainda, lá no fundão (serra da Mantiqueira), onde os olhos não conseguem distinguir perfeitamente as imagens. Mas, eu conseguia perceber que seria intensa a chuva que estávamos perseguindo.

            Falei para minha amiga: – Olha o tamanho da tempestade que vamos enfrentar, está bem na direção que estamos indo.

            Quando entramos na rodovia Presidente Dutra pudemos visualizar melhor a tempestade. O céu estava negro, raios para todos os lados, uma imensa tempestade estava bem na nossa frente e estávamos entrando nela.

            O asfalto começou a ficar molhado e logo percebi que o “bixo era cabeludo”, mesmo assim estava tranqüilo, pois já tive muitas experiências de dirigir em diferentes situações de risco e estava confiante no desempenho do carro (uma enorme caminhonete Ranger cabine dupla 4X4), no entanto, minha amiga já apresentava sinais de preocupação, pois recentemente o carro havia lhe deixado na mão e acabará de pega-lo no conserto e não estava confiante e totalmente segura quanto ao serviço realizado, pois a pessoa que consertou o carro não era mecânico de sua confiança. Ela me contou toda historia enquanto subíamos a serra na rodovia dos Tamoios.

            Poucos quilômetros rodados na Dutra e o carro deu uma engasgada. Minha amiga me olhou e fez uma cara de quem não quer acreditar no que esta acontecendo. Fiz-me de desentendido e continuei dirigindo em direção ao imenso bloco de água que caía dos céus. Logo em seguida o carro deu outro sinal de problema e eu não falei nada, mas, tanto minha amiga, como sua irmã perceberam e me perguntaram se não seria melhor pararmos para verificar o que estava ocorrendo. Eu disse que não tinha o que verificar, pois naquelas condições em que nos encontrávamos não era possível fazer nada. Por insistência da minha amiga parei no acostamento no pátio do SOS e fui conversar com um dos atendentes para solicitar algum apoio. Descrevi o que estava ocorrendo com o veículo, mas a pessoa não possuía conhecimentos para auxiliar e logo vi que as duas companheiras estavam ficando apavoradas com a situação. Mantive-me tranquilo e procurei raciocinar sobre o que estava ocorrendo com o carro. Conclui que não era algo grave, pois senão o carro já deveria ter parado totalmente. Para mim era apenas sujeira no combustível (diesel) que estava provocando tais panes (quando o carro deu a ultima pane e foi para o conserto fizeram uma manutenção no tanque). Conversei com as meninas e tentei acalmá-las dizendo minhas considerações sobre o veículo e afirmei que poderíamos chegar ao nosso destino em segurança. Minha amiga já estava querendo desistir de continuar e desejava acionar a seguradora para nos resgatar. Insisti que não seria necessário e continuei dirigindo, nesse momento, já estava chovendo e a cada metro aumentava o fluxo d’água que vinha dos céus. Disse para as moças orarem para seus protetores, pois assim poderia minimizar a condição de estresse que as duas estavam se colocando.

            Rodamos alguns quilômetros e entramos no epicentro da tempestade, nesse momento caia tanta água que não dava para enxergar muita coisa fora do carro. O carro engasgou novamente, dessa vez foi uma série de trancos e por alguns instantes achei que o carro fosse parar definitivamente. Insisti com algumas bombadas no pedal do acelerador e o carro voltou ao normal após alguns solavancos. Minha amiga já estava desesperada segurando no painel do carro tentando enxergar algo à frente. Percebi seu profundo estado de tensão e sua irmã no banco de trás comentou que já estava roendo as unhas de tanto nervosismo. As duas se encontravam totalmente tensas, próximo de um ato desesperador.

            Para nossa sorte logo avistamos um pedágio logo à frente, pois aqui não era mais chuva de pingos, mas sim uma intensa chuva de granizos que caia dos céus. Paramos na fila do pedágio e ficamos ouvindo o barulho das pedras caindo por todos os lados. Fazia um barulho muito forte quando as pedras atingiam os vidros do carro, dava a impressão que iriam quebrá-los. Ficamos segurando o pára-brisa para evitar que houvesse algum dano. Minha amiga ficou feliz por estarmos parados no pedágio e deu uma nota de R$ 50,00 para pagar e assim poderíamos ficar mais tempo abrigados embaixo da cobertura do pedágio, mas não durou muito, recebi o troco e tive que sair no meio daquela intensa chuva de granizos. Andamos uns 3 quilômetros e a chuva de granizo deu lugar a uma intensa chuva torrencial. Tudo parecia surreal, pois quando imaginávamos que iria melhorar a situação piorava e o carro continuava dando umas engasgadas e eu insistindo no acelerador. De repente minha amiga pediu para eu ir mais devagar na pista da direita, pois me dizia que não enxergava nada e que estava muito nervosa. Fui para a pista da direita e me coloquei atrás de um caminhão numa distância de +- 100 mts, o suficiente para enxergar as luzes da lanterna e manter-me seguro. Passamos por diversas poças d’água nas quais o carro parecia flutuar, mas em certo momento avistei uma enxurrada escura e lamacenta atravessando a pista. O caminhão passou e espirrou um rio de água ao seu redor, e como eu vinha atrás nem pude fazer nada, apenas segurei firme o volante e acelerei o carro. Literalmente estávamos imersos na água, muita água, quando passei pela enxurrada subiu tanta água que por alguns segundos não consegui enxergar nada, absolutamente nada fora do carro ou da pista, apenas uma torrente de água pelo vidros. Nesse momento senti uma supressão na minha respiração, um instante de atenção total, apenas mantive a velocidade e esperei voltar à visibilidade sem me desesperar ou cometer alguma atitude precipitada. Ufa!!!! Foi emocionante…rs… quando saímos daquela torrente de água vislumbrei a pista novamente e pude ter segurança na direção. Acredito que naquele momento minhas amigas tenham entrado em estado de total abstração, senão pânico, pois, não havia outra possibilidade além daquela que escolhi… enfrentar as forças da água que cruzava a pista. Logo que passamos minha amiga num ato desesperador pediu para eu parar no próximo posto, pois estava tão tensa que não poderia prosseguir a viagem. As duas me diziam que estavam com dor de cabeça e que cada vez mais aumentava a intensidade. Paramos num posto, compramos água e as duas tomaram remédio para aliviar a dor. Sentia-me totalmente tranqüilo, confiante que iríamos chegar em segurança no nosso destino. Ficamos uns 15 minutos parados e logo em seguida seguimos pela rodovia com a chuva diminuindo de intensidade. Rodamos alguns quilômetros e a chuva cessou e assim as moças puderam respirar mais tranquilamente. O carro parou de engasgar e seguimos rumo ao nosso destino final.

            Chegando em Baependi paramos para comer algo e numa conversa as duas me revelaram o lado assustador, negro, da mente humana. Me diziam que durante a viagem pensaram em todos os tipos de desgraça, carro quebrado no meio da chuva, acidentes, entre outras desgraças. Percebi que o pensamente negativo esteve presente em todos os momentos, mesmo quando disse para elas orarem para seus respectivos protetores. Acredito que isso deva ter surtido algum efeito positivo, pois senão ambas teriam entrado em estado de pânico durante os piores momentos da viagem. Por sua vez, minha mente se manteve tranqüila, atenta nos momentos mais necessários, pois nessas condições devemos potencializar e focar nossa atenção para superarmos os obstáculos que surgem no decorrer da trajetória. Em nenhum momento me senti nervoso, sentia apreensão nos momentos críticos e percebia que era necessário potencializar meus objetivos e minha energia para não sucumbir ao negativismo, pessimismo ou me identificar com o estresse que as moças estavam gerando. Em todos os momentos me mantive firme quanto ao meu objetivo de chegar ao destino em segurança, havia uma inabalável força que me guiava e gerava as condições de segurança para eu prosseguir destemido.

Om Namah Shivaia!

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