Don't Worry Be Happy!!!

Sobre o tempo – parte I

Sobre o tempo – parte I

 

Coisa engraçada.

Ontem senti o tempo passar, percepção sensorial.

Sentei no computador e comecei a escrever.

Levei um tempão para escrever versos sobre o tempo que estava passando.

E num milésimo de segundo tudo se perdeu.

A máquina engoliu todas as palavras.

Foi num piscar de olhos.

Coisa absurda de rápida.

Passei um tempão com raiva do computador.

Queria chuta-lo, castiga-lo, confesso que odiei esta máquina.

Todo trabalho para organizar as palavras.

E de repente tudo havia desaparecido.

Senti angústia, pois algo de mim simplesmente havia desaparecido.

Mas depois de um tempo eu me conformei com o que havia acontecido.

Falei para mim que era assim mesmo.

Agora é tempo de recomeçar, reconstruir, reencontrar as palavras.

Estou aqui passando um tempo em frente à tela.

Fico procurando as palavras que perdi outrora.

Tiro o sapato e converso com o Gilberto.

Como diz Rubem Alves: existe algo de lúdico em brincar com as palavras.

E me sinto como uma criança que vivencia um brinquedo.

Apertar essas teclas é como dedilhar um violão.

Parece uma sinfonia.

O Guarani!

Cada toque no teclado representa uma nota.

E os dedos vão compondo a melodia no seu ritmo.

Mas longe de eu ser um compositor ou um regente.

É apenas uma brincadeira de quem não tem o que fazer.

Dou asas a minha imaginação.

Ás vezes há uma pausa, uma interrupção.

Tocando as teclas a intuição flui.

Constrói um ritmo cadenciado e harmônico, às vezes nem tanto.

Quero brincar com a palavra "tempo".

Pois há tempo pra tudo.

Lembro-me do tempo que eu era criança e brincava na rua.

Passava um tempão com os maloqueiros do bairro.

O barato era se esconder no mato, correr, pular muros.

Atirar mamona com o estilingue.

Coisa de suburbano estudante de escola pública.

Até que eu gostava de ir para escola, não para estudar, mas para brincar.

E brincava de tudo, até subíamos no teto da escola.

Naquele tempo as escolas eram como presídios, e ainda são até hoje.

Muitas vezes era uma tortura ficar o tempo todo confinado numa sala de aula.

Quando tocava aquela maldita sirene era como se ganhássemos o mundo, a liberdade.

Nesse momento começava a vida, correr pelos corredores e conversar com os colegas.

Brincar de bolinha de gude, trocar figurinhas, “coisas de meninos”.

Tinha dia que eu comia merenda.

Acho que é por isso que hoje sou assim.

Naquela época nem sentia o tempo passar.

O tempo para mim não tinha muita importância.

Depois é que o tempo começou a ser relevante, importante.

Tinha vontade de ser mais velho para poder fazer coisas que os adultos fazem.

Eu era um idiota e nem sabia, que ignorância!

E mesmo sendo um idiota, fui menino.

Vivia na rua, como eu era maloqueiro.

Pulava pela porta de trás do ônibus só para não pagar a passagem.

Teve um dia que um amigo meu caiu da porta do ônibus e esborrachou a bunda no chão.

Eu não conseguia parar de rir.

Tempo bom aquele.

Ser idiota até que não é tão ruim.

Com o passar do tempo aprendi algumas coisas e desaprendi muitas outras.

Aprendi que o tempo pode ser tudo e nada, tudo ao mesmo tempo.

O tempo não para dizia Cazuza.

Tem gente que tem medo do tempo.

Tem medo de ficar velho.

O tempo me trouxe rugas e cicatrizes.

Fico feliz ao contempla-las no espelho.

Com o passar do tempo tudo se transforma.

E de tempos em tempos recordamos algo já vivenciado.

É inexorável o tempo.

Tempo disso, tempo daquilo.

Tempo para brincar, sorrir, cantar, passear, chorar.

Arrumamos tempo para tudo.

Mas muitas vezes não temos tempo para nada.

Isso é paradoxal, mas muito comum entre as pessoas atarefadas.

Tempo para meditar, dormir, comer.

Adoro passar um bom tempo comendo, pois assim sacio meu Ego.

Esse tal de Ego parece um saco sem fundos, vive cheio de necessidades.

Mas ao mesmo tempo parece estar vazio, pois sempre quer mais.

Logo após satisfazer-se está desejando novamente.

Foi uma invenção do Sigmund Freud, cara doido, fica inventando coisas.

Tem gente que gosta de cronometrar o tempo.

Fazer as coisas no menor tempo possível.

Andam com aqueles relógios digitais que medem até os centésimos de segundos.

Querem sempre chegar na frente.

Bater recordes, aumentar a produtividade.

Potencializar os milésimos de segundos.

Como se o tempo fosse algo a ser dominado, organizado estipulado.

Para esses, tempo é dinheiro.

Podemos comprar o tempo?

Acho que não…

 

Om Namah Shivaia!

 

Escrito em 2005

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