Don't Worry Be Happy!!!

Eu e a paciência – Parte II

Eu e a paciência – Parte II

 

As pessoas são impacientes, mas tem idoso que passa horas em fila de banco.

Impacientes são aqueles que não se submetem, são imperadores de si.

Se autogovernam com uma certeza inabalável.

Hoje em dia a paciência é artigo de luxo, mas todos temos um pouco, devemos ter, ou, ser?.

A sanidade mental está intimamente ligada com a paciência.

São irmãs gêmeas, uma complementa a outra.

Exercito minha mente como exercito minhas pernas, pacientemente.

Há diversos tipos de paciências, cada ser tem a sua.

Umas mais duradouras, outras menos.

A paciência é um santo remédio, cura até dor de cotovelo.

Ela é amiga do tempo, tem começo, meio e fim.

A vida é um grande jogo de paciência.

Pelo menos um dia de nossas vidas somos pacientes.

Nos sujeitamos ao outro.

É assim que começamos a aprender.

É isso, para aprendermos temos que começar pacientemente.

Exige a demolição daquelas coisas chamadas verdades.

Fico assombrado e ao mesmo tempo encantado com o mundo dos homens.

A paciência nos ensina a viver ou vice-versa?

Aguardo pacientemente minha morte, ela é inevitável, inexorável.

Por isso exercito a paciência cultivando tranqüilidade e a paz.

Hoje mais do que nunca sei o quanto devo ser paciente.

No futuro talvez eu seja mais tolerante e adquira “mais” paciência.

É difícil viver nesse mundo cheio de gente aos frangalhos.

Estão todos tão preocupados com a morte que se esquecem de viver.

Eu passei um tempão acreditando no que me falavam, mas, aprendi a ter outros pontos de vistas.

Isso só aconteceu devido a um exercício paciente, continuo e diário.

Minha carne é pura inquietação, mas como sou paciente.

O sofrimento é uma característica das pessoas que tem muita ou pouca paciência, independe.

O budismo é uma religião ou filosofia que prega o cessar de todo sofrimento.

Para isso acontecer a pessoa tem que negar o mundo “maya” que é fonte de sofrimento.

E isso faz com que o indivíduo exercite sua paciência com muita perseverança.

Aquelas pessoas de olhos puxados e roupas coloridas são extremamente pacientes.

Eles dominam toda e qualquer agitação da carne para atingir o nirvana.

 Eu já não serviria totalmente à causa do budismo, tenho outras concepções.

A razão cega minha imaginação e preciso silenciar-me para encontrar um caminho.

Minha falta de paciência é culpada por eu ser egoísta, tudo pelo EGO.

Por esse motivo sou coibido a ser algo que tenho dificuldade em ser.

Ser o outro e não o egoísta que sou.

Confesso que mesmo com muita paciência e jogo de cintura a vida é dura, as vezes apanhamos.

Os conflitos cotidianos fazem com que o eu viva em tensão constante.

Talvez nesse caso a paciência seja o melhor remédio.

Aprendo com o “passar do tempo” que é necessário deixar minhas vontades fluírem.

Sem a necessidade de concretizá-las totalmente, pois seria impossível.

Mais que isso, sou impelido a fazer o que os outros desejam que eu faça.

O mundo é assim mesmo, cheio de incongruências e atalhos.

A falta de paciência ou a impaciência é derivada de mim mesmo.

Posso dizer que os outros são culpados, e é mais fácil dizer isso do que aceitar minhas imperfeições.

Ser impaciente é ser infeliz, não leva a “nada”.

Talvez o “nada”, a angústia existencial seja fonte de impaciência.

Dificilmente queremos olhar e mexer em nossos buracos existenciais.

Um buraco existencial é como um defeito, vive incomodando.

Como ele é incomodo é mais fácil tentar descarta-lo como algo indesejável.

Eu chamo isso de gastar energia em vão.

Somos um grande buraco existencial a procura de soluções fáceis.

A mente insatisfeita buscando uma novidade para não entrar na monotonia.

No fundo precisamos ser e ter nossos próprios tapa buracos.

Aí reside um verdadeiro exercício de paciência e dedicação a si mesmo.

Remendar um buraco não significa enche-lo com qualquer coisa.

Exige a reconstrução de si e a adaptação ao meio.

Transcender as dualidades, os opostos, reinando no absoluto, na paz e silêncio da mente.

 

escrito em 2004

 

Om Namah Shivaia!

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