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Eu e a paciência – Parte IV

Eu e a paciência – Parte IV

 

 

Muitas vezes estão ocupados em produzir o sustento e o conforto para os queridos pimpolhos.

Ou então estão preocupados com outros assuntos alheios aos filhos.

Aí sobra para a escola e o professor a difícil tarefa de educar as criancinhas e os adultos também.

Mas quem educara a escola e os professores?

A situação é catastrófica e exige muita paciência para tentar reverte-la.

Ser educador é ser tolerante, paciente e acima de tudo tranqüilo, sereno.

Nunca achei que a imposição fosse o melhor caminho para aprender algo.

A educação exige uma disposição por parte do educando e do educador.

Sem haver desejo e intenção dificilmente haverá educação.

Mas hoje em dia quem quer se educar?

Todos querem aprender a fazer algo, pura técnica.

Poucos vêem a educação como um refinamento do corpo, da alma, do Ser.

Educar-se exige muita paciência e dedicação.

Hoje em dia as pessoas estão preocupadas com a dimensão utilitarista da educação.

Tudo deve ter uma função pré-definida.

Não há espaço para as coisas inúteis do viver.

Se é que algo pode ser chamado de inútil nesse universo.

Particularmente eu tenho aprendido muito sobre a inutilidade do mundo.

Muitas vezes contemplo a vida com uma perspectiva de inutilidade.

Apenas vivo sem me preocupar ou atribuir valor às coisas, ou as minhas experiências.

Tenho exercitado muito esse tipo de percepção sem grandes objetivos ou metas a atingir.

Simplesmente brinco com minha paciência diante de toda correria existente no cotidiano.

Esse brincar desvela o que está oculto em mim, me torno mais nítido e simples.

Espero com isso esvaziar minha mente das concepções que construí.

Desobstruindo minha mente de todo e qualquer conceito ou idéia que possuo.

Esse movimento é necessário para manter minha própria saúde.

Tudo isso vai se transformando pacientemente.

E a cada dia sei que vou precisar ser mais paciente nesse mundo caótico.

Terei que aprender a ter mais paciência com meus alunos.

As vezes eles me tiram do sério, e aí fico um farrapo de tanto que me consomem.

Em alguns momentos eles são extremamente infantis.

Tenho que desfazer meu eu, deixo de existir por alguns momentos.

É necessário, pois tenho que deixar de ser importante.

Isso faz com que eu nem precise ficar replicando com eles.

Deixo o mundo fluir sem me preocupar ou desejar intervir na realidade ativamente.

Simplesmente respiro lentamente.

Sinto o ar adentrando minhas narinas e encho meus pulmões.

A vida torna-se mais simples devido à respiração lenta.

Esse exercício faz de mim um homem mais paciente e tranqüilo.

No mundo de hoje isso é uma qualidade rara, pois vivemos acelerados.

Levou um “bom tempo” para eu ter consciência disso.

Mas no meu cotidiano há muitas brechas para eu exercitar minha respiração.

Isso para mim significa evolução, amadurecimento, consciência de si.

É uma luta que travo todos os dias comigo mesmo.

A cada momento tenho que criar um novo homem adaptar-me as mais diversas situações.

Não me ensinaram isso na escola, aprendi vivendo e sofrendo com minha impaciência.

Alias, sofrimento é um sentimento cotidiano, faz parte de nossas existências.

Como é difícil lidar com situações nas quais o sofrimento está presente.

Parece até que vamos morrer naquele momento de intenso flagelo.

O ser humano é marcado pelo sofrimento e isso acontece desde que o mundo foi criado.

Acho engraçadas as pessoas que parecem viver num mundo de fantasias ou ilusões.

Aquelas que aparecem nas novelas das oito, felizes da vida.

Estão sempre com um sorriso estampado no rosto, até parece que são perfeitas.

São como estrelas que brilham no céu e isso tudo acontece devido à fama, ao glamour.

Hoje em dia todos querem ser famosos e aparecer para o grande público.

Triste ilusão num mundo transformado em futilidades e fofocas.

Essas pessoas também são pacientes, pois tem que fazer as vontades dos outros para se realizarem.

A função delas é entreter os mais enfadados, aqueles que optam por se distrair de si mesmos.

 

escrito em 2004

 

Om Namah Shivaia!

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