Don't Worry Be Happy!!!

Manifesto de Pai

Manifesto de Pai

Muitas vezes fico estarrecido com algumas palavras e situações que vivencio no cotidiano.

Algumas delas dizem respeito a ser Pai.

Confesso não saber exatamente onde e como brotou a idéia de ser Pai, mas isso aconteceu já faz muitos anos.

Lembro-me que ainda era um menino e já desejava ser Pai, nessa época seria mais que prematuro, “idéia de girico”.

A inspiração deveria vir do meu próprio Pai que foi muito presente na minha infância.

Minha memória é capaz de descrever diversos momentos que passamos juntos.

Passeios e viagens são marcantes e realizamos diversas vezes em diferentes lugares.

Sinto uma presença constante de meu Pai quando recordo esses momentos.

Tudo vem e vai com muita facilidade, ficam apenas os resquícios das experiências vividas.

Isso tudo escondido em algum canto da minha memória que não presta para muita coisa.

A infância foi recheada de momentos felizes e marcantes ao lado do Pai, mas tudo tem um fim.

Já na adolescência nossa relação se transformou em algo que por muito tempo me assombrou.

Relações marcadas pela disputa e a minha freqüente insistência impondo vontades, pensamentos, entre outros.

Nesses momentos havia a tensão instalada em nossos comportamentos, mesmo meu Pai sendo pacato.

Eu deveria canalizar toda a energia negativa e buscava formas de extirpá-la do meu corpo.

Insistentemente consegui estabelecer um distanciamento entre nós e sem dar muita atenção tudo foi se agravando.

Certos momentos havia total incongruência entre nossas formas de viver.

Por muito tempo massacrei meu Pai e consequentemente me estropiei também.

Como a “cabeça dura” nos impede de perceber nossos próprios vícios, equívocos e limitações.

Hoje percebo que poderia e deveria ter aproveitado mais a presença física de meu Pai em minha existência.

Só quem perde sabe o valor, tanto das perdas, como dos ganhos, e assim amadurecemos.

Meu Pai já deixou seu corpo material nessa existência faz 12 anos, foi cedo, 51 anos.

Até hoje quando olho para dentro de mim procurando significados de ser Pai encontro com o meu Pai.

Isso demonstra sua presença marcante em minha vida.

Mas, hoje já sou Pai e tudo se transformou novamente.

A Emmanuella é oito anos mais velha do que a Ariadne.

A primeira vive uma relação de tesão comigo, a outra de paixão.

Em ambas plantei sementes para uma vida feliz, integra, plena.

Mas isso não ainda é pouco pois na sociedade materialista e mercantilista somos o que possuímos.

E como possuo poucas coisas, vivo como um estranho que contradiz as expectativas alheias.

Isso é até engraçado, pois a “sociedade” exige de mim algo que eu não estou disposto a pagar.

Para alguns muito é pouco e para outros pouco é muito.

Ou melhor, pouco com Deus é muito e muito sem Deus é nada, apenas um trocadilho.

Então tudo que eu faço para algumas pessoas parece nada, pois exigem de mim um alto desempenho.

Como se eu devesse ser, ou melhor, ter mais do que já possuo.

Essa é a regra geral para viver “bem” nessa sociedade escravizada.

Se eu sou um Pai presente isso é pouco, pois tenho que proporcionar conforto além de carinho.

Mas, se há conforto e carinho, ainda podem exigir algo a mais, pois isso é insuficiente.

Talvez carinho, conforto, um carro do ano, uma casa maior e algumas viagens por ano.

Mas isso tudo ainda pode parecer pouco para algumas pessoas mais afoitas e egocêntricas.

Então, eu não sei o que é necessidade e o que é desnecessário para ser um “bom Pai”.

Apenas realizo minhas convicções, idéias, concretizo ações, busco compartilhar acima de tudo.

Educar é um ato nobre de cuidar do outro, exige dedicação, atenção e paciência, entre outros.

Realizo-me como Pai, e me sinto recompensado pelo empenho e dedicação.

Todos os momentos compartilhados representam possibilidades de aprender algo novo, diferente, inovador.

Por esse motivo estar com minhas filhas por si só já é uma dádiva, um presente.

Procuro fazer com que esses momentos sejam marcados pela ternura, carinho, atenção, compreensão, entre outros.

Para mim esses momentos são vivos e criam a abertura para nossos seres se intercomunicarem.

Sou grato por ser Pai, mas isso é um árduo trabalho envolvendo abdicação, perseverança e dedicação.

Isso tudo desejando que o Amor seja perpetuado.

 

Om Namah Shivaia!

2 Respostas

  1. jose antonio marques da

    E eu queria agir como você mas não consigo.Obrigado por compartilhar.Bom fim de semana a ti, seus amigos e toda sua família!José antonio

    fevereiro 28, 2009 às 1:51 am

  2. Vanair

    amigo,sempre venho aqui e leio seu post,paro e fico pensando no meu pai morava em uma cidade distante estudando trabalhando,quando tive tempo de ficar mais perto dele já era tarde demais,fico pensando tanta coisa eu poderia ter feitocom meu pai como andar a cavalo que ele adorava e só saimos andar uma vez..

    março 28, 2009 às 12:38 am

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