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Redescobrindo o Amor pelos bichos – O convívio com os animais traz alegria, bem-estar e saúde.

Bichoterapia

O convívio com os animais traz alegria, bem-estar e saúde. Conheça histórias de quem se apoiou nos bichinhos para superar os mais diversos problemas

 
Por Melissa Diniz

 

Há 14 anos, a secretária Regina Morgado, 46, passava por um momento muito difícil. "Era fim de ano, eu havia acabado de me separar e estava bastante deprimida, mal saía da cama e só fazia chorar", conta. Foi aí que a campainha tocou e, ao abrir a porta, veio a surpresa: em uma caixinha de papelão, um gatinho preto e branco com um laço no pescoço. "Ele estava todo sujo e cheio de pulgas. Me apaixonei na hora e fui obrigada a tomar banho, trocar de roupa e levá- lo ao veterinário. Era o começo da minha recuperação. Daí em diante parei de me lamentar e me deixei contagiar pela alegria daquele bichinho", relata.
Hoje, além de Bacco, o vira-lata que ela ganhou de uma vizinha, Regina cria outros gatos. "Todos os dias eu agradeço por eles fazerem parte da minha vida, são um uma fonte constante de felicidade. Eles me amam e eu os adoro, somos como uma verdadeira família", diz. Assim como Regina, milhares de pessoas já passaram pela experiência mágica de conviver com os animais de estimação. Gatos, cachorros, pássaros, não importa a espécie, o resultado é sempre o mesmo: o mais puro afeto.
 
E o melhor: gratuito, incondicional, verdadeiro e recíproco. Além do benefício emocional, essa convivência traz também saúde, como demonstram pesquisas científicas.

AFETO QUE CURA

O simples contato com os bichinhos de estimação é capaz de gerar nas pessoas reações físicas e psicológicas bastante positivas. Pesquisas científicas confirmam, inclusive, que pessoas enfermas respondem melhor ao tratamento clínico quando visitadas por animais. É o que defende a Delta Society, uma organização internacional sem fins lucrativos que promove a capacidade dos animais de ajudarem na recuperação de pessoas doentes. Segundo a instituição, estudos comprovam que visitas terapêuticas de apenas 12 minutos com a presença de um cachorro melhoram as funções cardíaca e pulmonar, diminuindo a pressão sangüínea, impedindo a liberação de hormônios prejudiciais ao coração e atenuando a ansiedade de pacientes cardíacos internados (veja box na próxima página).

Além disso, uma pesquisa desenvolvida pela University of New England, na Austrália, mostrou que donos de animais têm menos chances de ter problemas psiquiátricos e que hipertensos que adquiriram um bichinho tiveram melhoras consideráveis após o período de seis meses. Quando a convivência com o animal é constante, o benefício é ainda maior. "O ser humano é movido a afeto. Dar e receber carinho de forma tão espontânea – como acontece com os bichos – faz com que nosso organismo passe a liberar mais dopamina e serotonina, substâncias que acalmam e dão a sensação de felicidade", afirma a psicóloga comportamental Kátia Aiello.

 
A partir daí o efeito é em cadeia: a imunidade aumenta, as doenças vão embora e a tristeza também. Foi o que aconteceu com Iracema de Castro Costa, 78 anos. Após a morte do único filho e do marido, ela se tornou uma pessoa bastante triste. "Ela me ligava chorando várias vezes ao dia, não sabia mais o que fazer", conta sua neta, a advogada Aline Ferreira Costa, 31 anos. A situação mudou quando, seguindo o conselho da família, Iracema resolveu comprar um cãozinho, o pinsher Tiquinho. Ela recuperou a alegria de viver.

"O fato de ter um ser para cuidar, dar banho, alimentar, levar para passear, deu sentido a sua vida, apesar da saudade das pessoas queridas", diz Aline. Confiante nisso, a Organização Brasileira de Interação Homem-Animal Cão Coração (O.B.I.H.A.C.C.) promove o projeto Cão do Idoso em São Paulo. Criado com o objetivo de desenvolver a Atividade Assistida por Animais – (AAA) e a Terapia Assistida por Animais (TAA), o projeto é aplicado aos pacientes de casas de repouso ou abrigos, por meio da interação dos idosos com os cachorros, mediada por profissionais de saúde, como psicólogos, veterinários e fisioterapeutas.

"Atendemos cerca de 310 idosos de quatro instituições, graças ao trabalho de 72 voluntários e ao patrocínio de duas empresas", diz Jerson Dotti, fundador da ONG e autor do livro Terapia & Animais, Ed. Noética. Os benefícios do contato, segundo ele, são os mais diversos possíveis, como melhora do tônus muscular, motricidade, sensibilidade, sociabilidade, locomoção e memória. Além disso, os tratamentos convencionais têm seus resultados acelerados pelo contato com o cão.

 
O convívio com os animais traz alegria, bem-estar e saúde. Conheça histórias de quem se apoiou nos bichinhos para superar os mais diversos problemas
 
Confira os benefícios comprovados do contato com animais domésticos
* visitas terapêuticas com cachorros melhoram as funções cardíaca e pulmonar, diminuindo a pressão sanguínea, impedindo a liberação de hormônios prejudiciais e atenuando a ansiedade de pacientes cardíacos internados;

* a existência de aquários contendo peixes coloridos pode impedir desordens de comportamento e melhorar os hábitos alimentares de pacientes com mal de Alzheimer;

a presença terapêutica de um cachorro pode diminuir a aflição de crianças durante um exame médico;

* estar próximo a um cachorro durante um tratamento dentário reduz o estresse de crianças que têm medo de ir ao dentista;

* a terapia assistida com animais pode reduzir eficazmente a solidão de pacientes mantidos por longos períodos em aparelhos;

* idosos que têm cachorros vão menos ao médico do que aqueles que não os possuem;

* donos de animais de estimação têm taxas de colesterol, triglicérides e pressão arterial mais baixos;

* a companhia de animais de estimação (sobretudo cachorros) ajuda crianças a lidarem melhor com casos de doenças graves e morte entre seus familiares;

* donos de animais de estimação têm menos medo de serem vítimas de crimes quando saem para caminhar com seus cachorros ou dividem a casa com eles;

* animais de estimação ajudam a diminuir o estresse diário, a solidão e o isolamento;

* a autoestima das crianças aumenta quando elas possuem um animal de estimação;

* pacientes com Aids que têm animais sentem menos depressão e estresse, eles são uma fonte de apoio e aumentam a capacidade de superar a doença.

Fonte: Delta Society

 

 
"Dar e receber carinho de forma tão espontânea faz com que nosso organismo libere dopamina e serotonina, substâncias que acalmam e dão a sensação de felicidade"
KÁTIA AIELLO
 
BichoterapiaAPOIO CONTRA A ANGÚSTIA
Para Kátia Aiello, o animal funciona como um apoio que ajuda a liberar as angústias e as amarras que, muitas vezes, nos impedem de ter uma vida normal. "Quando a pessoa sofre uma perda, fica fragilizada e passa a projetar no animal aquilo que está sentindo", diz. Assim, afirma, é comum que diga frases como "coitado do gato, está tão tristinho, acho que quer um carinho" ou ainda "o cachorro anda tão carente, acho que quer passear". "A necessidade, na verdade, não é do bicho, mas do dono. Mas um acaba ajudando o outro a superar o problema". Além disso, reitera, os animais impõem aos donos, mesmo quando eles estão doentes, responsabilidades que os amigos e parentes preferem não exigir deles.
"Costumamos poupar quem está triste ou efermo de compartilhar as refeições conosco ou participar de eventos sociais, o animal não. Quer passear, brincar, comer e quer atenção". Isso é, sem dúvida, um estímulo. Um bom exemplo disso é a história do editor de livros Joaquim Antônio Pereira Sobrinho, 40. "Eu costumava ser durão, sério demais, e evitava demonstrar meus sentimentos. Por conta desse comportamento, tive várias crises de depressão, mas desde que passamos a conviver, isso mudou. Hoje sou uma pessoa muito mais feliz", afirma. Ele está falando de Jasão, um boxer enorme e extremamente dócil com quem divide a casa em São Paulo. Sobrinho conta que ganhou o cão, ainda filhote, de um amigo e que as mudanças em seu jeito de ser ocorreram aos poucos, sem que ele percebesse.

"Meus amigos foram estranhando minhas atitudes, de repente passei a ser mais carinhoso e atencioso, viviam dizendo ‘quem te viu, quem te vê’", relata. As crises de depressão? Sumiram! "O animal nos chama para a vida, nos obriga a sair para levá-lo passear e fica por perto se percebe que estamos tristes, não há melancolia que resista", diz. A psicóloga ressalta ainda que o ato de cuidar de outro ser é bastante importante para o desenvolvimento da autoestima e da autoconfiança. "Sem contar que os bichinhos não têm preconceitos, são capazes de amar quem é doente, velho, pobre da mesma forma que amariam quem não tem nenhum desses problemas", afirma.

 
O convívio com os animais traz alegria, bem-estar e saúde. Conheça histórias de quem se apoiou nos bichinhos para superar os mais diversos problemas
 
O boxer Jasão mudou o temperamento do dono, Joaquim SobrinhoPosse responsável

 
Se os bichinhos podem fazer tanto por nós, nada melhor do que retribuir esse carinho tratando-os com respeito e amor. Pensando nisso, a Arca Brasil, ONG que luta pelo bem-estar dos animais, criou e consolidou no país o conceito da posse responsável, desenvolvendo sobretudo projetos que evitem a superpopulação de cães e gatos e buscando prevenir seu extermínio. De acordo com a instituição, a castração é o melhor modo de amenizar tal problema.
 
Dados do Centro de Controle de Zoonoses apontam que, somente na cidade de São Paulo, existem cerca de 1,5 milhão de cães e 230 mil gatos, sendo 70% semidomiciliados, 20% domiciliados e 10% em total abandono. O mais assustador é que uma única cadela e seus descendentes podem gerar 64 mil novos animais em seis anos e apenas uma gata, 420 mil gatinhos, em sete anos.
 
Os dez mandamentos da ARCA Brasil sobre a posse responsável: 
1. antes de adquirir um animal, considere que seu tempo médio de vida é de 12 anos. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifique quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados;

2. adote animais de abrigos públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar por impulso;

3. informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico;

4. mantenha o seu animal sempre dentro de casa, jamais solto na rua. Para os cães, passeios são fundamentais, mas apenas com coleira/guia e conduzido por quem possa contê-lo;

5. cuide da saúde física do animal. Forneça abrigo, alimento, vacinas e leve-o regularmente ao veterinário. Dê banho, escove e exercite-o regularmente;

6. zele pela saúde psicológica do animal. Dê atenção, carinho e ambiente adequado a ele;

7. eduque o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeite suas características;

8. recolha e jogue os dejetos em local apropriado;

9. identifique o animal com plaqueta e registre-o no Centro de Controle de Zoonoses, informando-se sobre a legislação do local;

10. evite as crias indesejadas de cães e gatos. Castre os machos e fêmeas. A castração é a única medida definitiva no controle da procriação e não tem contra-indicações.

 
 
Fotos de Tânia Lumena
Produção de Ester Dias
 

retirado de http://itodas.uol.com.br/Portal/casa_e_comida/bichos/materias/materia.itd.aspx?cod=7389&canal=13&Pagina=2

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