Don't Worry Be Happy!!!

Em busca de si mesmo…indo cada vez mais fundo na toca do coelho!

Em busca de si mesmo…indo cada vez mais fundo na toca do coelho!
 
Bom, que bom, aliás, é ótimo!
 
Tenho estado muito contente em receber tantos e-mails em resposta ao que postei no blog, como, também, em relação aos e-mails individuais e "coletivos" que enviei às pessoas que estimo…
 
Claro que, dentro da diversidade, as respostas foram distintas, cada qual em seu âmbito de frequência e semântica. Todas, contudo, marcam a preocupação (pre + ocupação) com a vida, o mundo e, sobretudo, um certo grau de insatisfação… A Natureza dando avisos, o mundo virado de cima a baixo, a verborragia tomando conta dos debates, para a exposição de uma ineficiente e falsa erudição, a morte rondando a todos, enfim, tudo, tudo tem vindo à tona em dias de pós-modernidade (aliás, um conceito etnocêntrico, de contextualização igualmente etnocêntrica, que sempre serviu de alento para a submissão de culturas – a exemplo do encobrimento das Américas, do Brasil, enfim).
Não polemizando o que já está mais polemizado – e desesperadamente decadente – gostaria de agradecer a prè + ocupação em relação à minha mente (claro, dela promanam fecundas idéias e ferinos posicionamentos: é importante, pois, para fomentar toda essa radial discussão mayautica = neologismo que acabe de inventar para a maiêutica aplica à ilusão de Maya)…
 
Não se trata de "surto", muito menos de "viagens" como diuturnamente tenho escutado (e sorrido incessantemente). "Surto" é uma palavra quase sempre relacionada a um juízo depreciativo para rompantes neurológicos….E, claro, viagem, na mesma seara, para designar o caminho rumo à plenitude de idéias que poderiam levar o sujeito-que-se-acha-cognoscente a um rumo transcendental sem volta para a concretudo do que se revala na busca de soluções para os problemas e para as dores do mundo. Cursei Física: impossível ficar distante das estrelas, até mesmo porque elas mostram, a cada dia, nossa pequenez dentro desse cenário grandioso, que é o Universo. Um amigo mostrou, num dia de inspiração, um programa magnfíco da NASA de varredura do espaço e do cosmos, em giros de 360 graus. Ao observarmos (sugiro) as "viagens" narradas pelos cientistas poderemos ter a nítida sensação de constrangimento (dada a poeirinha cósmica de nossas existências físicas), aliada à paradoxal grandiosidade de nossos espíritos livres (claro, os que se fazem e percebem como tal, e não os pseudo-senscientes) que, sendo primordialmente energia, movem-se ou podem se mover pelo infinito afora (ou adentro)… As estrelas, as nebulosas, os buracos negros apontam nossa vexatória arrogância, que encobre a mesquinhez de formulações de teses, teorias, blá-blá-blá que, longe de nos vincular ao compartilhamento de idéias, tem servido para o domínio incongruente de nossas maiores mazelas: a opressão e a desclassificação da alteridade…Sim, as estrelas ensinam mais sobre liberdade e igualdade do que possa supor o mais catedrático dos mestres…
 
Surtada e viajando eu estava quando trabalhava por opressão, obrigação veemente violadora do meu tempo de ociosidade criativa, tendo quilos e quilos (para ser exata, 15 quilos) a mais, frustrada por não conseguir minha parcela de contribuição para a melhoria do espaço ao meu redor. Quando ganhava muitooooooooooooooooooooooo bemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm mesmoooooooooooooooooooooooooo, às custas do sono em meu travesseiro gostoso. Quando, para compor o VAZIO DESESPERADO dentro de mim, passava horas e horas gastando, consumindo, comendo, excretando, numa roda de incessante medo, a reverberação do desalento. Quando, dentro do trabalho tão assenhoradamente apropriado por mim, eu não era capaz de priorizar o que é relevante em minha vida… Isso, sim, é surto… Isso sim, para mim, é uma viagem: UMA INFELIZ, SURTADA VIAGEM… Viagem que fazia sozinha, como sozinho é o caminho ao conhecimento e da evolução (ainda que seja discutível o salto quântico evolucionista em termos de espécies).
 
Não estou mais nessa surtada viagem – segundo meus princípios, claro – porque hoje vivencio inequívoco continuun de apascentamento da alma e diuturna paz, turbada, apenas, de tempos em tempos, pela contemplação da miséria que o mundo (pessoas, claro, nós) insistimos em manter com nossos corpos, nossas mentes e nossas almas, projetando e lançando para todo lado, o que trazemos de pérfido (e maravilhoso)…Julgando depreciativamente, contaminando a beleza com o veneno e o fel de nossos infortúnios.
 
É muito curioso o fato dos surtos e das viagens que faço – não as faço sozinha, por existirem tantas pessoas amigas que, junto comigo (eu junto a elas), fazem percursos maravilhosos, cada uma em seu tempo, mas, IRONICAMENTE CO+INCIDENTES, rumo a tal simplificação da vida – são tão admiradas de longe pelas outras pessoas. É impresionante como é mais fácil rotular alguém como maluco quando, internamente, todo mundo quer um pouquinho do Raul Seixas em sua vida acinzentada…É igualmente surpreendente que tais surtos e viagens atinjam, como setas e raios, quem não comprende e, não comprendendo opções do outro, pretende se adonar da opção, numa manifestação ímpar de aviltamento da essência.
 
Surto e viagem, faço muitas viagens, sim, advogando para mulheres em situação de violência doméstica, para pessoas que estão em risco. Recebendo ameaças de morte de agentes do Estado. Enfim, não vale a pena a apologia ao meu ego…
Pago tributos, estudo, solidarizo-me, reclamo (muito), converso com os alunos…Mas, também, saúdo o Universo, faço yoga, mantro, alimento-me bem, banho-me nas cachoeiras, ouço os pássaros da vizinha que, CRIADOS SOLTOS, vêm cantar aqui no quintal….Vejo o mamoeiro com os mamõezinhos pendurados…Criei condições, dentro da limitação na qual fui condicionada – como rato de laboratório – desde quando nasci…Esse caminho de retono ao lar não é simples, porém, não se faz como impossível: basta uma consulta séria, despojada de máscaras (impressionante como até conosco usamos) e simples tomada de decisões…
 
Não sou guru, mestre, swami, pastora, madre etc. Não estou aqui falando isso num proselitismo. Apenas estou tentando falar e compartilhar a idéia a respeito do que li nos lindos e-mails que recebi. Posso garantir que nada existe de surto e viagem em minha maneira de pensar, porque ela, indiscutivelmente, reflete minha maneira de agir, por mais que desagrade. Aliás, não vim ao mundo para abrir mão da minha essência e fazer pactos para ser aceita. Longe disso, tenho por princípio realizar em minha conduta a consubstanciação da busca pela mudança do que está ao meu redor. Apenas cheguei à conclusão que, para mudar o mundo, preciso, primeiro, e sem hipocrisia, mudar a minha cabeça e minha postura, mas sem agressão ou violência.
 
Portanto, incentivo, nesse sentido, que sejamos realmente surtados e viajantes (dentro do paradigma que é tomado como normal) OU sejamos normais (dentro do paradigma incomum de sermos apenas – CADA UM – NÒS).
 
Lembranças de Órion,
 
Compartilhe suas idéias enviando email para seabrafabiano@hotmail.com (coloque Em busca de si mesmo…indo cada vez mais fundo na toca do coelho! no tópico "assunto" quando enviar o email)
 
 

Uma resposta

  1. não

    Depois de tão agradavel leitura, quase que um resumo de você, só posso dizer que adorei o texto, aliás todos eles, mas este em especial. Só me resta dizer uma palavra, PROFUNDO. Parabéns.

    junho 8, 2009 às 9:26 pm

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