Don't Worry Be Happy!!!

No meio do caminho!

No meio do caminho!

Acordei feliz como de costume,
radiante, disposto a tudo o que vier a acontecer, escolher.

Lendo um texto que escrevi em 2003
sobre a mitificação da natureza e o mito do herói tive um insight.

A finitude ronda nossas existências cotidianamente,
no entanto, a alienação nos impede de superar de tal condição.

O sentido da morte, do fim, está
sempre presente em tudo que vivencio, portanto é uma constante.

O futuro é incerto e o fim sempre
está próximo, já dizia o poeta.

Nesse momento estou no meio do
caminho entre o nascimento e a morte.

Percorri uma trajetória única,
singular desde meu nascimento nesse corpo.

Vivo deslumbrado, encantado com as
possibilidades do humano.

Possibilidades de conhecimento, cooperação,
contemplação e tudo mais que podemos criar em nossas existências.

São infinitas as possibilidades,
portanto a realidade é aquilo que criamos e vivenciamos cotidianamente.

Nossas escolhas são o leme que nos
conduz a diversas condições existenciais, dimensões diferenciadas.

Cada qual com suas características e
peculiaridades.

Tanto faz estar aqui ou ali, pois a consciência
é atemporal, não se reduz a espaços físicos.

A liberdade primordial constituída na
essência do Ser.

Posto isso, a meta é atingir essa
condição, suplantar as dualidades e adentrar rumo ao infinito.

Sem definições, condicionamentos,
pensamentos, ou qualquer outra manifestação física ou mesmo sutil.

Um nível no qual tudo se desfaz, como
os buracos negros existentes nas galáxias do espaço sideral, o cosmos.

Somos assim, como as galáxias,
arranjos das substâncias primordiais que se organizam ganhando forma e vida.

Mas que se desfazem e retornam ao
primordial, pois somos arranjos de matéria e energia sutil, vida, manifestação
divina.

Percebendo isso digo que a memória e
a mentalidade que se manifestam nesse arranjo de matéria são finitos.

Portanto, estão condicionados a
morte, no entanto, para além dessas condicionantes a consciência pode se
libertar.

Retornando ao primordial,
incondicional, essencial, DEUS.

No decorrer da trajetória vivida vim aprendendo
a contemplar a existência acima de tudo.

Pois assim, tudo é paisagem, e se
transforma conforme os deslocamentos, mas no fundo estão todas integradas
formando um universo.

O universo existencial que o Ser
realiza por meio das escolhas, a consciência revelando suas possibilidades.

Interdependência entre escolhas,
entre seres, mesclando, interagindo uns com os outros.

Um infinito potencial de criação,
expressão, regressão e morte, transformações e impermanência.

Não tenho nada, não possuo nada,
apenas a certeza de que viver é um momento transitório, efêmero.

Carrego sentimentos, afetos,
pensamentos, entre outros, mas nada me pertence, apenas se manifestam em mim.

Dessa forma, contemplo essas
manifestações como quem contempla uma obra de arte divina.

Para mim tudo é estranhamento, pois
assim não me acostumo com os acontecimentos, evito o excessivo apego.

Cada dia me desfaço de algo, como
quem faz uma faxina no guarda roupas, elimino o supérfluo.

E, hoje, percebo que não adianta mais
trocar os objetos, pois todos se tornam obsoletos, desgastam.

No fundo nem preciso de guarda
roupas, pois vivo com o que tenho no corpo ou posso carregar.

Dessa forma, me livro do superficial,
assim também faço na minha memória.

Limpeza diária para evitar os acúmulos
desnecessários.

Nessa perspectiva a memória é apenas
um flash de curtíssima duração, consumindo o mínimo de energia.

Minimizando o desgaste, os
sofrimentos devido ao apego, a identificação.

A percepção como algo em eterno
movimento, pois assim a realidade pode se concretizar como algo dinâmico.

Dessa forma, evita-se a cristalização
das percepções e dos sentidos como algo acabado, finalizado.

A realidade como possibilidade de transformações
instantâneas, escolhas revelando escolhas.

Meu avô faleceu com 92 anos e não
havia mais resquícios de memória, tudo apagado, chamam isso de esclerose múltipla.

Para mim o vazio na memória significa
a possibilidade de liberação, desde que seja voluntário esse esvaziamento.

E, assim tem sido comigo, um esvaziamento
voluntário e constante de quaisquer impregnações na memória.

Tarefa nada fácil, pois vivemos nos
afogando no passado tentando prever o futuro.

E o pior é o momento presente que se
torna alienado, pois nos situamos em outras dimensões temporais, ilusórias.

Por isso a limpeza diária é necessária,
alcançar um objetivo maior, desvencilhar das armaduras, limitações.

Tudo isso com um sorriso e uma
certeza inabalável de que não sou nada daquilo que as pessoas dizem que sou.

Nem sou aquilo que muitas vezes
defino como o Ser.

Estando além dessas condicionantes
compreendo a impermanência manifestada.

Reconheço isso devido as vivências
compartilhadas, as intersecções com outros seres.

Realizando o silêncio também percebo
essas manifestações, e em outros momentos vem como insight.

Acima de tudo agradeço, simplesmente
agradeço a DEUS, DEUSA.

 

Om Namah Shivaia!!!

2 Respostas

  1. Ville

    Olá…A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamentebeije lentamente, ame de verdade, ria descontroladamentee não pare de sorrir por mais estranho que seja o motivo.E lembre-se que não há prazer sem riscos.A vida pode não ser a festa que esperávamos, masuma vez que estamos aqui, temos que comemorar!!!Aprecie…Adoro teus textos!….Adoro você!!!Um beijo, Ville 01/10/09

    outubro 1, 2009 às 11:38 pm

  2. TAMARA

    apenas digo uma coisa: discordo!!!! Só pra variar…,do que vale apenas existir e não viver?!?!? pois eh isso que vc está prpondo nesse texto. As memorias nos transforma no que somos, é atraves delas que vivemso e transformamos, se ignorá-las, daremos voltas e voltas e nao sairemos do lugar

    outubro 2, 2009 às 2:55 am

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