Don't Worry Be Happy!!!

Entre perdas e ganhos ou viver e morrer!

Entre perdas e ganhos ou viver e
morrer!

Andante maestoso –
Allegro vivace

 

Tudo que nasce, vive e morre,
portanto impermanência é a regra.

Outro dia morreu minha mãe, na sequência
minha avó – segunda mãe.

Minha mãe sem poder me despedir, pois
foi sem aviso, um AVC fulminante que a deixou em como por 36 horas antes da
despedida final.

Basta estar vivo para morrer,
portanto vivo cada momento reconhecendo o potencial da morte que ronda nossas
existências.

Ter ficado 36 em como num hospital,
foi o tempo necessário para realizarmos nossa despedida, resolver os assuntos
pendentes, se é que havia algum.

Nossa relação era pautada pela
amizade, uma pessoa com quem eu podia conversar sobre qualquer assunto.

A pessoa com quem compartilhei altos
e baixos, idas e vindas, bom e maus momentos, quase tudo que vivenciei.

Algumas vezes discordávamos, mas o
que importava era sempre uma abertura recíproca para o dialogo.

Ela era minha confidente, sabia de
tudo que eu fazia, sem rodeios, sem medos, sem punições.

Uma amizade, cumplicidade entre dois
seres humanos que se admiravam.

Mesmo sem poder me despedir posso
dizer que não ficou nada para trás, pois nossas conversas eram pontuais.

Expressava minhas idéias e ela as
dela e assim procurávamos encontrar um ponto em comum, uma convergência.

Outras vezes fazíamos acordos, cada
um minimizando seus respectivos Egos, para criar algo em comum.

Ela como toda boa mãe fez de tudo
para poder criar os filhos e proporcionar algo que considerava digno.

Ficava feliz com meus interesses
pelos estudos, “minhas viagens metafísicas”.

Considerava que minha vida era uma
aventura, pois como ela dizia: “Você tem rodinhas nos pés”!

Justificando meus interesses por
viagens e novas descobertas, ou mesmo minhas inquietações.

Havia uma profunda admiração, pois a
considerava uma guerreira que saiu das trevas para conquistar “um lugar ao
sol”.

Se libertou dos afazeres domésticos
para poder estudar e obter melhores condições de vida.

Como toda mulher sofreu muitos
preconceitos, até mesmo dentro de casa por parte do meu pai, e algumas vezes
por mim também, pura ignorância nossa.

Amadureci tendo ela como base de toda
minha educação, como inspiração para superar condições adversas.

A gratidão que tenho por ela não pode
ser expressa por meio de palavras, seria algo muito diminuto se o fizesse.

Aprendi com ela que a força motriz é
a determinação, dedicação, aceitação, Amar!

 

Allegro tranquillo

 

Minha avó se foi num lento e doloroso
processo, com diversas despedidas, pois morreu aos 102 anos e idade.

Cada encontro nosso nos últimos
tempos significava uma possibilidade de despedida.

Nessa época estava estudando o Livro
Tibetano dos Mortos, pois minha intenção era auxiliá-la.

Tivemos muitas conversas, e, depois
que ela completou 100 anos de vida percebi o medo da morte em seus pensamentos
e discurso.

Acredito na nitidez que a sua
percepção tivera sobre a finitude do existir, ou melhor, do corpo físico que se
tornava cada vez mais decadente.

No entanto, sua resistência sempre
foi um exemplo, pois viver 102 anos não é para qualquer um.

Gostava de ficar ao seu lado
contemplando sua respiração, simplesmente compartilhando o momento.

Pois assim o silêncio apaziguava a
mente inquieta e sintonizávamos outras frequências.

Admirava sua face serena e seu olhar
que parecia se situar no infinito, um misto de concentração e vazio.

Como quem está em outra dimensão,
distante, introspectiva, centrada em algo que não sei descrever o que é.

Até seu ultimo movimento de
respiração persistiu a lucidez em sua mente.

Quando conversava comigo eram
pequenas frases exemplificando sua sabedoria.

Uma delas dizia: O Amor está acima de
tudo!

Eu me deliciava com suas
experiências, suas histórias de vida, sempre um presente para meus ouvidos.

Fazia questão de recordar quando eu
era um bebê, ou criança e as travessuras que eu realizava.

Muitas vezes me emocionava e as
lágrimas rolavam com um ar de felicidade de quem está envolto por algo mágico.

Outras me sentia extático, num estado
sublime sem poder sequer argumentar, apenas contemplava.

O carinho que tinha por mim era algo
que me comovia, me envolvia, surpreendia.

Sentia em suas palavras e expressões o
Amor que cultivava por mim.

Fiz o que pude para apaziguar seus
sofrimentos em relação a morte.

Dizia que orava objetivando uma
passagem tranquila para ela, uma morte feliz!

Em nossos últimos encontros ela me
perguntou se eu estava orando em seu benefício.

Dizia que sim, e uma espécie de serenidade
pairava no ar, algo transcendental, sem explicações.

Como se todos os medos se desfizessem
num toque de mágica.

E a aceitação, a alegria, a
felicidade e o Amor tomassem conta de nossos seres.

Aprendi com ela que a humildade é
possível em cada ato humano, Amando!

 

Finale – Allegro con fuoco

 

Esses escritos são uma homenagem para
esses dois seres que estiveram presentes constantemente em minha existência.

Meus sentimentos de gratidão por
essas duas pessoas que me acompanharam, cuidaram, orientaram o viver.

As mulheres são um presente divino na
minha vida.

Suporto essas e “outras” perdas
pautando minha existência na força dos Mantras dedicados a Shiva.

Existir, viver, compartilhar,
cooperar, simpatizar, contemplar, respeitar, Amar, entre outros aprendizados.

Os ganhos são proporcionais as perdas,
pois o amadurecimento e os conhecimentos advindos dessas vivências são
surpreendentes, transformadores, libertadores.

Superando as adversidades e as
limitações momentâneas, posso dizer que tudo é possível nessa existência.

Até mesmo compreender o morrer como
um complemento do viver, impermanência nesse mundo.

Perpetuo ad infinitum a expressão: O Amor está acima de tudo!

 

Om tryambakam yajamahe
sugandhin pushtvardhanam oorvarukamiva bhandhanan mrityor mukshia mammrtat!

2 Respostas

  1. Ville

    Como você se tornou adulto Luiz FabianoQue lindo!!!Ville

    outubro 24, 2009 às 10:00 pm

  2. paola

    linda a história da mamae e da vovó…aqyui sou eu[paola] adentrando mais e mais…busquei e achei,,,mtas perguntas..farei por email..ou quem sabe…ao vivo..pagani40@hotmail.com[meu email]escrevam….bj

    outubro 25, 2009 às 2:35 pm

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