Don't Worry Be Happy!!!

Quem somos nós?

Oi, gente!
 

Bom dia!

 

Como estão? 

 
Estou postando esse
e-mail para pedir que tenham cuidado nas ruas de Brasília, mas, ao
mesmo tempo, para que possam – SE DESEJAREM – pensar na vida e,
sobretudo, nas pessoas. O cuidado a que me refiro, porém, não é ficar
NEURÓTICO, COM SÍNDROME DE VITIMIZAÇÃO E VIOLÊNCIA, mas, sim, apenas
ter cautela em relação ao agir. Desculpem o título, mas achei
providencial chamar a atenção. Quem não tiver a fim de ler, basta
DELETAR!
 
Estou encerrando o ano e minhas atividades
sendo assaltada segunda-feira. Foi na 202 norte, quando saía do Banco
do Brasil. Um rapaz que aparentava ser flanelinha (porque tinha uma
flanela), pediu-me para olhar o carro. Na volta, estava falando com meu
marido ao telefone e ele veio por trás com revólver, me pegou pelo
braço e me enfiou no carro, falando para eu ficar quieta. Acho que
aprendi a não falar no celular enquanto estou entrando no carro, apesar
de o meu coração ter me dito (confio nele como sopro de deidade) que já
havia sido escolhida…
 
Rodamos muito enquanto ele pegava o dinheiro…
 
Enfim, fiquei de boa e falei para ele que não
precisava de revólver…Fiquei calma, não reagi, mas, ao mesmo tempo,
fiquei olhando para ele, vendo o quanto somos vulneráveis e, sobretudo,
como sabemos ou nos arrogamos na sapiência que NADA vale quando nossa
vida depende de alguém…
 
Enfim, depois de rodar comigo, ele saltou na rodoviária… Dei-lhe a mão e o cumprimentei…desejei-lhe paz e saúde!
 
Engraçado e, ao contrário do "seguro-bandido" do INSS,
pensei que, quando ele foi embora, ele havia sentado no pão integral
que comprei… Daí, eu falei para ele levar o pão. Sinceramente? Eu vi
a miséria humana, minha pequenez e, sobretudo, MINHA RESPONSABILIDADE SOCIAL por anos de omissão em apenas ficar no plano jurídico-discursivo, sentada no mundo da lua, quando ele falou: "dona, eu vou, tô com fome" e mordeu aquele pão como se fosse um pedação de algo suculento…
 
Eu desabei ali porque me vi nele, estampada. E me senti grata
porque, ali, naquele momento, eu pude confrontar toda a verborréia de
discurso que desenvolvi ao longo de quase 17 anos de Direito. Afinal,
que professora e advogada criminal é essa que defende bandeira e, na
hora do seu na reta, julga, né???? Mas, o mais importante, não tive
conflito com meus valores, ao contrário, eles se afirmaram…
 
Não me isento um milímetro sequer porque minha visão de mundo, de
vida e, sobretudo, de experiência de limpar latrina na defensoria
levam-me sempre a questionar e a agir. Por isso, sinceramente, ter sido
assaltada não destoou, para mim, da vivência da Defensoria no Paranoá.
Acho que somos definitivamente pessoas repletas de dádivas… Nossos
tortuosos caminhos e nossas escolhas nos enviam, às vezes, para trilhas
de pouca luz. Assim olhei para ele. Aliás, nossa, que arrogância a
minha eu querer que o outro SEJA O QUE EU QUERO DELE E ESPERO DELE!!!!!! O outro é o que é.
 
Estamos aqui em níveis de energia diferentes…cada um com seu cada qual e ninguém está acima de suspeita…
 
Mas, definitivamente, não sinto raiva, não estou indignada ou
lamento, mas, sobretudo, não procuro julgar uma pessoa assim, pelo
simples fato de…não sei, sinceramente, não julgo. Não tem
justificativa. Ele não é "bandido", "meliante".
Até perguntei o nome, porque, sinceramente, acho o fim da picada
rotular alguém e DESpersonalizar…é o primeiro passo para a
indiferença. Hitler fazia isso muito bem, numerando as pessoas e
chamando-as de "judias" (ou seja, a condição ética-religiosa era transformada em rotulação para oprimir).
 
Se existe indignação é com a hipocrisia de uma sociedade inteira
que está reverberando sangue, desejosa de Lei e Ordem, porque
igualmente reverbera a indiferença em relação a isso tudo… Somos RESPONSÁVEIS
sim, porque somos uma titica de galinha, poeira cósmica, quintal da Via
Láctea e ainda achamos que somos ou estamos à parte do mundo. SOMOS TODOS UM,
mas aparentemente não acreditamos nisso… Acho até que pouca ou
nenhuma fé temos, em nós, ou em quer quer seja, tamanha a indiferença
com que falamos e nos dirigimos ao mundo.
 
Entendo que educação, cultura etc. são excelentes formas preventivas, as únicas. Mas o CONFORMISMO
de parcela da sociedade que não se identifica – exatamente nós,
bem-nutridos e nutridas, pensadores e pensadoras, classe média (ah,
detalhe, classse média raivosa, porque não tem o dinheiro dos
detentores dos meios de produção)  – fala mais alto do que política
pública…
 
Cansei de discurso e vejo que o maravilhoso mundo da opinião
pública nada mais é do que um complexo de preconceito em relação à
vida, e, sobretudo, às pessoas.
 
Não foi a melhor experiência do mundo ser assaltada… Estou com
medo… Acuada, mas, dentro disso, recuso-me a ser vítima e, sobretudo,
algoz e julgadora dos "bandidos", quando, de fato, sou uma brasileira inserida um tecido social onde, DE
CABO  A RABO,  TODOS ESTÃO VIBRANDO NO JEITINHO BRASILEIRO, ONDE TODOS
ESTÃO NA LEI DE GERSON, TENTANDO SE DAR BEM, DE ALGUMA FORMA

Isso é compreensível até, dada nossa baixa auto-estima, em virtude do
processo de colonização, dentro do qual fomos reificados (transformados
em coisas) em função da Europa. Não é à toa que os países que sofreram
processos de colonização são NECESSARIAMENTE aqueles
que estão na linha de consumo do LIXO produzido pelos EUA e Europa e,
dentro ainda disso também, são países de contrastes dentro de uma opção
de capitalismo expropriatório.
 
Por isso entendo – e bem, do alto do meu mestrado em Criminologia,
Direito Penal e doutorado nisso também (falo nessas melecas de títulos
porque a galera se amarra nisso, né? Para mim, não tem diferença, posso
limpar minha bunda com eles que, ainda assim, serei eu….) – isso tudo
é discurso sem fundamento, apenas no achismo e na parcialidade do
preconceito que nos mina, a cada dia…
 
Isso foi maravilhoso para eu querer voltar às pazes com minha
advocacia de completa adesão e militância em relação á exclusão social.
Foi essa a lição. Mas, por certo, a maior, foi eu, no momento de tensão
COM UM CANO NA MINHA CABEÇA E CHEIRANDO O CRACK QUE EXALAVA DO MOÇO,
ter olhado para aquele moço com os olhos com que olho para todo mundo,
ter conversado com ele, ter falado com ele que eu o respeitava… E,
sinceramemnte, NÃO VI BANDIDO ALI, EU ME VIA NELE. Desculpem, mas essa
é a MINHA VERDADE, A MINHA REALIDADE e, portanto, a minha visão de
mundo, um mundo onde eu não coloco culpa no estado, no governo, mas,
sim, assumo responsabilidade, como cidadã.
 
Enfim, não vejo o outro ( o bandido, meliante, criminsoso ou
qualquer que seja o rótulo) – o que decide cometer um ato DEFINIDO COMO
ILÍCITO (somente para lembrar que o crime não é naturalizado, mas
resultado de apropriação de bens de consumo erigido à categoria de bem
jurídico em que incide juízo de valoração quanto à escolha como objeto
de intangibilidade e compartilhamento) como uma atração circense, que
aciono, de acordo com conveniência, para pesquisa jurídica…essa é
parte da minha leitura… Basta lembrar que, UMA VEZ, NA VIDA, NA
HISTÓRIA, MILHARES DE PLEBEUS NA FRANÇA FORAM TOMADOS COMO BANDIDOS
PELA MONARQUIA PORQUE QUESTIONAVAM O REGIME OPRESSOR e nem por isso são
hoje bandidos: são heróis… E, graças a esses "bandidos" que hoje estamos rechonchudos, falando de coisas que não temos noção!
 
Essa é minha visão, com minha língua ferina e certeira, dentro dos
meus 15 anos de advocacia para "bandido". Enquanto houver capitalismo,
socialismo e ignoralISMO, o mundo caminha para a perda de compreensão…
 
E, demais disso, essa história de culpar Lula já cansou…De
culpar FHC, Getúlio Vargas até chegar no Cabral. Que saco! Benefício
fiscal, previdenciário, bolsa-qualquer-coisa, já estão no mundo há
tempos, ok? Aliás, política mais clientelista como a de Getúlio, meu
irmão, nao há!!!! Fazia pacto, por fora, com nazistas e fascistas…
Enfim… o discurso de culpa apenas mostra o quanto estamos arraigados
pelos enunciados de culpabilidade, por mais que nossos discursos sejam
de paz e amor. Meu, isso cansa, e muito!!!
 
Enquanto ficamos nessa, o mundo está indo para o saco, porque não
mudamos o disco, não trocamos a mesmice do falar por ATITUDE!!!
 
Querem mudar? Então não votem em manés… então façam
abaixo-assinado com 1% (emenda popular), então façam parte de conselhos
comunitários, então peguem SUAS VIDAS EM SUAS MÃOS!!! O Estado, numa
democracia de pessoas conscientes (e não papagaios-de-pirata) é
resultado de conjugação de vontades, administração de dissensos e,
sobretudo, reconhecimento de alteridades. Não um organismo homogêneo!!!
Ninguém fala por mim, não, meu! Eu tenho voz e falo por mim e não acho
que a culpa seja da mãe, ao final!
 
Parecemos criancinhas, botando culpa em todo mundo e não olhando para nossas atitudes… Chega!
 
E em relação ao direito, academicismo, academia etc. – penso,
muitas vezes, no fracasso retumbante das "teorias" jurídico-penais
(garantismo, minimalismo, abolicionismo) , porque, a despeito de
se erigirem como "teorias", nada mais são do que "projetos de doutrinas"
pouco reflexivas, com pouco substrato de absorção do mínimo de empiria
e DIÁLOGO com a realidade, com pouco o quase nenhum reconhecimento, do
caráter localista do direito -apenas para citar Geertz, já que a
academia parece funcionar como um repositório ctrl c + ctrl v)…, em
relação a qual pretende, a "fórceps", normatizar… O direito não faz
NADA, porque, diante do Universo que pulsa, a arbitrariedade do fato
não fica adstrita a uma legislaçãozinha…
 
Ou seja, gerar, "crear" uma doutrina homogeneizante, pasteurizada, fast food,
que importa o que é mais importante NA EUROPA da pós-modernidade-
que-nunca- passou-de- releitura- de-projeto- de-descolonizaçã
o-e-o-que- faremos-com- o-sub-produto- disso-?.. .Um absurdo EM SE
TRATANDO DE UM RAMO DE CONHECIMENTO QUE LIDA DIUTURNAMENTE COM SERES H   U   M   A   N    O   S.
 
Garantismo? Na dialógica de proteção a bens que não integram
acervo compartilhado? ????? Rachid reformulado do pós-revolução de
1789??
 
Minimalismo? Numa promessa de devenir e recuo, quando, de fato, o
controle estatal é MAXIMIZANTE? ????? Basta ver a 9.099: hahahahaha,
TODO MUNDO QUE ANTES FICAVA FORA DO SISTEMA AGORA É CAPTADO NA REDE!!!!
rs… Quanta abobrinha se fala em nome do direito.
 
Abolicionismo? ??? Baseado numa quimera quixotesca de ausência de
total discussão e diálogo sobre o sentido do punir? E, mais uma vez,
onde está a empiria nisso? Não está, é DIS CUR SO.
 
Lei e ordem? Ordem de quem? Para satisfazer a quem? Ordem em
relação a que e quem, definido por quem e que? E quem vigia os
vigilantes?? ??
 
Lemos Hassamer, Habermas, Gadamer. ..deleitamo- nos em Frankfurt,
deitamo-nos com a Exegese e acordamos com o fétido hálito de
jusnaturalismo excludente…
 
Mas, o que é isso, senão uma reivenção euro ou etnocêntrica? ??
 
Eis o problema estrutral que leio na entrelinha disso tudo: a
precária apreensão, por parte de um direito enciclopédico e cadavérico,
de conteúdos semânticos perdidos, descontextualizados e INVOCADOS, sob
a batuta da AUTORIDADE, para chancelar ou pretender fundamentar o que
se define erroneamente como argumento (porque pautado NUMA
racionalidade). Basta ver sentenças, pareceres, petições…Tudo se
constrói em cima de "recorta e cola", nada se
faz em cima de argumento coeso. Copiamos, enfim, livros de alguns
outros, descontextualizando e deturpando tudo… Falta "reflexividade" de cima a baixo no sistema jurídico, na prática jurídica, na academia, enfim, em todos os nichos.
 
Lemos muito (confesso que estou mais absorta em meus livros de
Física* do que de direito), sem dúvida, mas lemos e pouco nos
importamos com  sensibilidade jurídica, sobre o reconhecimento do
significado que as práticas jurídicas e os atores passam ou transmitem
para quem bate à porta…
 
Reificamos diuturnamente as mulheres em situação de violência,
arbitrariamente decidindo – por conta de nossa técnica – o que é melhor
para elas…Parece que inexiste vontade, inexiste sensibilidade etc…
Reificar, aliás, é palavra de "ordem", porque pouca paciência temos com o cliente, o sentimento e o fato, na construção do ator, não "interesssa para a dogmática do "SE A É B DEVE SER"…
é extra-meta-ultra- jurídico.. .é moral, dizem alguns, é, portanto,
marca o ativismo exacerbado do juiz, num republicanismo… Falamos como
papagaios em ORDEM JURÍDICA, SEGURANÇA JURÍDICA, HOMEM MÉDIO,
PERSONALIDADE, categorias que são jogadas, à fórceps, empurradas como
dogmas porque os doutos apenas DEFINEM (definem, não, arbitrariamente
tiram da cartola, sem espaço de consenso sobre o que são). Cada um quer
lançar seu livro no mercado, na dialógica do mercado….
 
Falamos em "livre convencimento" como
dogma de construção e NEGLICENCIAMOS a CATEGORIA SUBJETIVIDADE como
pressuposto – vixe, nem pressuposto, mas, enfim, como inerente
elemento volitivo (talvez porque não gostemos de passar nossas horas
estudando os processos cognitivos e volitivos, enfim…). E, ao final,
depois de tudo, de tamanha ignorância, ainda queremos a REDENÇÃO!!!!!
 
Alessandra de La Vega Miranda

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s