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Quem quer ser professor? Docência: uma carreira desprestigiada!

Docência: uma carreira desprestigiada

Levantamento realizado pela Fundação Victor Civita comprova uma
percepção alarmante: a profissão docente não é considerada uma opção
atraente pelos estudantes do Ensino Médio. Apenas 2% desejam cursar
Pedagogia ou Licenciatura

"Se você comentar com alguém que está pensando em ser professor,
muitas vezes a pessoa pode dizer algo do tipo: ‘Que pena’ ou ‘Meus
pêsames!’. Afinal, sabe que você vai ser desvalorizado e obter uma
remuneração ruim.” É com essa chocante clareza que Thaís*, aluna do 3º
ano do Ensino Médio de uma escola particular em Manaus, sintetiza uma
noção preocupante para a Educação brasileira: cada vez menos jovens
desejam seguir a carreira docente.

Embora essa impressão tenha
se espalhado até mesmo entre quem não é da área, faltava dimensionar
com contornos mais nítidos a extensão do problema. A área de Estudos e Pesquisas da Fundação Victor Civita
(FVC) encomendou à Fundação Carlos Chagas (FCC) um mergulho no tema e
os dados comprovam: apenas 2% dos estudantes que estão concluindo o
Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular graduações
diretamente relacionadas à atuação em sala de aula – Pedagogia ou
alguma Licenciatura. Outros 9% mencionam a intenção de cursar
disciplinas da Educação Básica, como Letras, História e Matemática, o
que não garante que venham a se interessar por lecionar (confira mais detalhes no gráfico da página 3).

*
Ao longo deste especial, os nomes dos alunos ouvidos pela pesquisa
foram trocados para preservar a confidencialidade do estudo.
Os
jovens que aparecem nos depoimentos em destaque são identificados
normalmente, pois foram entrevistados pela equipe de NOVA ESCOLA.

A pesquisa ouviu 1.501 alunos de 18 escolas públicas e privadas

Patrocinado pela Abril Educação, o Instituto Unibanco e o Itaú BBA, o estudo Atratividade da Carreira Docente no Brasil
é mais uma iniciativa da FVC para contribuir para a melhoria da
qualidade da Educação Básica. A pesquisa ouviu 1.501 alunos de 3º ano
em 18 escolas públicas e privadas de oito municípios, selecionados por
seu tamanho, abrangência regional, densidade de alunos no Ensino Médio
e oportunidades de emprego. Foram contempladas as cinco regiões do
país. No Sul, as cidades escolhidas foram Joinville e Curitiba; no
Sudeste, São Paulo e Taubaté; no Centro-Oeste, Campo Grande; no
Nordeste, Fortaleza e Feira de Santana; no Norte, Manaus.

Para
entender melhor as respostas fornecidas pelos estudantes no
questionário geral, o estudo contou ainda com uma fase de grupos de
discussão, em que dez alunos de cada escola debateram o assunto e
detalharam opiniões. Por fim, com as informações já compiladas, um
painel de especialistas foi convidado a avaliar os resultados e propor
soluções sobre o problema da atratividade docente.

Na edição especial de NOVA ESCOLA
traz os principais resultados da sondagem. Ao longo das reportagens,
você vai conhecer em detalhes o que os jovens estudantes brasileiros
pensam da docência como uma opção profissional. Em linhas gerais,
apesar de reconhecerem a importância do professor, os entrevistados
afirmam que a profissão é desvalorizada socialmente, mal remunerada e
possui uma rotina desgastante e desmotivadora. Para a grande maioria,
não é uma carreira interessante a seguir (leia mais no texto Por que a docência não atrai).

Perfil dos futuros professores e possibilidades de mudança

A
pesquisa também permite construir um perfil dos futuros professores do
país. Nesse sentido, é útil analisar a lista das carreiras mais
procuradas de acordo com o tipo de instituição em que os jovens
estudam. Nas escolas públicas, a Pedagogia aparece no 16º lugar das
preferências. Nas particulares, apenas no 36º. A situação se repete
também com as Licenciaturas – que, somadas, ocupam o 24º posto na rede
pública e o 37º na particular (como mostra o gráfico abaixo).
“Isso evidencia que, atualmente, a profissão tende a ser procurada
sobretudo por jovens da rede pública de ensino, que em geral pertencem
a nichos sociais menos favorecidos”, afirma Bernardete Gatti,
pesquisadora da FCC e supervisora do estudo (leia mais na reportagem Nossos futuros professores).

Depois
de obter um diagnóstico completo, o estudo deu ênfase à proposição de
alternativas para reverter a situação. Para apontar soluções, a FVC e a
FCC convidaram 17 especialistas de diversas áreas da Educação para um
debate em novembro do ano passado. O consenso é o de que se deve atacar
o problema por diversas frentes, do aumento salarial à melhoria das
condições de trabalho, da proposição de planos de carreira à revisão
das formações inicial e continuada, passando pela necessidade de
valorizar o professor e tratá-lo como profissional (leia mais na reportagem Caminhos para atrair os melhores).

Ao
todo, são oito sugestões práticas, que podem ajudar a desatar o nó
identificado por outra jovem do Ensino Médio, Cláudia*, aluna de escola
pública em Feira de Santana, a 119 quilômetros de Salvador: “Hoje em
dia, quase ninguém sonha em ser professor. Nossos pais não querem que
sejamos professores, mas querem que existam bons professores. Assim,
fica difícil”. 

Retirado de http://revistaescola.abril.uol.com.br/politicas-publicas/carreira/docencia-carreira-desprestigiada-534985.shtml?page=0

Uma resposta

  1. Patricia

    Os dados das pesquisas são o reflexo da precariedade das politicas publicas no setor da educação. "Sem educação não se constroi uma nação" a frase tem rima,mais precisamos mais do que frases de efeito,precisamos de reconhecimento profissional:remuneração adequada,condições de estrutura fisisca para realizaro trabalho e especialização…Adimiro homens e mulheres que conseguem dividir o saber.Patricia Rosa Lara

    fevereiro 26, 2010 às 8:30 pm

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