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Brasileira obesa tem dieta similar a do americano: rica em gordura e pobre em carboidratos, o que leva ao sobrepeso

Brasileira obesa tem dieta similar a do americano: rica em gordura e
pobre em carboidratos, o que leva ao sobrepeso

Estudo realizado com mulheres
obesas brasileiras aponta como principais causas da obesidade o alto
consumo de gordura na dieta e sedentarismo. O trabalho traz indícios de
que retirar o carboidrato da dieta não vai promover de forma eficiente o
emagrecimento, mas muitas vezes pode ter efeito contrário, resultando
em maior ingestão de gordura e proteína. Além disso, ele mostra que a
alimentação deste grupo se assemelha muito com o padrão de ingestão da
população obesa americana.

 
A pesquisa intitulada
Obesidade e resistência à ação da insulina: alterações moleculares,
bioquímicas e estruturais, desenvolvida no Programa de Biologia Celular e
Tecidual do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, corrobora os
dados encontrados na literatura científica mundial.
 
Buscando
entender os mecanismos da obesidade feminina, pesquisadores do Instituto
de Ciências Biomédicas (ICB) e da Escola de Educação Física e Esporte
(EEFE) reproduziram em laboratório um modelo experimental para estudar
os efeitos das dietas ricas em gorduras (hiperlipídicas) sobre a
regulação do metabolismo e o desenvolvimento do diabetes tipo 2 como
conseqüência da obesidade.
 
Inicialmente, em 1997,
realizamos estudo com mulheres obesas pré-menopausa com intuito de
avaliar qual era o padrão alimentar desta população. Identificamos então
que as mulheres consumiam quase 40% do valor energético diário total em
gordura, além disso, possuíam o hábito de praticar uma quantidade menor
de refeições diárias, acreditando ser essa uma solução para o
emagrecimento.  Outro fator preocupante está no fato de que esta
população consumia muita gordura saturada, cerca de 45% do total de
gordura ingerida na dieta.
 
Evidências sugerem que a
prevalência do sobrepeso e da obesidade tem aumentado em taxas
alarmantes, tanto nos países desenvolvidos, como nos países em
desenvolvimento. Cerca de dois terços da população adulta americana, por
exemplo, demonstra sobrepeso, ou já obesidade. No caso do Brasil, as
mudanças demográficas, sócioeconômicas e epidemiológicas ao longo do
tempo permitiram que ocorresse a denominada transição nos padrões
nutricionais, com a diminuição progressiva da desnutrição e o aumento da
obesidade. As consequências da obesidade para a saúde são muitas e
variam do risco aumentado de morte prematura a severas doenças não
letais, conhecidas como comorbidade associadas à obesidade, além de
problemas de natureza estética e psicológica.
 
Alguns
autores enfatizam o fato de que a aumento na prevalência da obesidade,
em diferentes grupos populacionais, está relacionada,
preponderantemente, aos chamados fatores ambientais, em especial à dieta
e à redução da atividade física. No estudo realizado na Escola de
Educação Física e Esporte (EEFE) da USP envolvendo cerca de 80 mulheres
na pré-menopausa que apresentavam obesidade, 80% das participantes não
praticava qualquer atividade física.
 
Outra etapa da pesquisa
envolveu modelo experimental laboratorial, onde dois grupos de ratos
foram submetidos ao consumo de ração normal, ou ração hiperlipídica (com
alto teor de gordura). A ração hiperlipídica foi desenvolvida para ter
composição nutricional semelhante ao padrão encontrado nos estudos
preliminares com mulheres. Curiosamente, o grupo que consumiu dieta
hiperlipídica ingeriu menor quantidade calórica total (cerca de
63kcal/dia) do que o grupo de controle (cerca de 75kcal/dia). No
entanto, as calorias provenientes de gordura foram três vezes maior no
grupo com ração hiperlipídica (cerca de 24kcal/dia), quando comparado
com o controle (cerca de 8kcal/dia).
 
Os resultados
mostraram que mesmo consumindo menor quantidade calórica total, o grupo
que ingeriu mais gordura desenvolveu, não só obesidade, mas também
intolerância à glicose (passo inicial no desenvolvimento do diabetes
tipo 2).
 
O mais interessante é que
este padrão de consumo alimentar também é facilmente encontrado nas
pessoas que querem emagrecer; isto é, reduzem o total calórico ingerido
principalmente, retirando carboidrato da dieta. Quem nunca viu e não
conhece aquele famoso cardápio de quem quer emagrecer: grelhado com
salada? Neste caso, as principais fontes de energia consumidas são:
lipídeo (gordura) e proteína, e este é exatamente o padrão de ingestão
nutricional da população obesa, brasileira e americana, alta ingestão de
gordura e baixa em carboidrato.
 
Muitas vezes é preciso fazer
uma avaliação mais minuciosa dos nossos hábitos alimentares para
identificar o porquê de engordarmos, ou não emagrecermos. Não basta
creditar a culpa em um único nutriente. Muitas vezes o problema não está
no pão, mas na manteiga que passamos no pão; não está na massa, mas no
molho branco e no queijo parmesão que acompanham a massa.
 
A retirada de
carboidrato da dieta promove de fato perda de peso corporal. Isto
ocorre porque o carboidrato é estocado em nosso corpo juntamente com a
água. Assim, se restringirmos o consumo de carboidrato perderemos água.
Basta lembrar da época da escola quando aprendemos que água não se
mistura com gordura. Desta forma, ao perder água não perderemos gordura e
sim massa magra, isenta de gordura.
 

Embora todos já saibam:
mudar o estilo de vida, melhor os hábitos alimentares de forma
sustentável, praticar atividade física regularmente serão ações muito
mais eficientes e com efeitos mais duradouros, do que procurar um único
culpado para a obesidade ou ainda uma fórmula mágica para perder em 1
mês o que se levou 5, ou 10 anos para ganhar!
 

 

Abaixo tomografia
da região abdominal de mulher obesa, em destaque gordura visceral, ou
omental .
Se quiser saber mais:
 
MONTEIRO,
C.A.; CONDE, W.L.; POPKIN, B.M. The Burden of Disease From
Undernutrition and Overnutrition in Countries Undergoing Rapid Nutrition
Transition: A View From Brazil. Am. J. Public Health, Washington, v.
94, p. 433-434, 2004.
LANCHA-PEREIRA, L. O.Obesidade e resistência à
ação da insulina: alterações moleculares, bioquímicas e estruturais —
São Paulo, Tese (Doutorado) – Instituto de Ciências Biomédicas da
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
PEREIRA, L.O.;
FRANCISCHI, R.P.; KLOPFER, M.; PERROTI, A.C.; CAMPOS, P.L.; SAWADA,
L.A.; COSTA, S.R.; LANCHA JR., A.H. Different intensities of physical
activities with or without hypocaloric diet: effects on body
composition, food consumption and plasmatic profile in obese women. Med.
Sci. Sports Exerc., Madison, v. 30, p. S238, 1998.
 
PEREIRA,
L.O. Protocolo de indução de obesidade em ratas a partir do perfil de
ingestão alimentar de mulheres obesas brasileiras. Campinas. Tese
(Mestrado) – Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas,
São Paulo, 2003a.
 
PEREIRA, L.O.; FRANCISCHI,
R.P.; LANCHA JR., A.H. Obesidade: hábitos nutricionais, sedentarismo e
resistência à insulina. Arq. Bras. Endocrinol. Metabol., São Paulo, v.
47, p. 117-127, 2003b.
 
WORLD HEALTH ORGANIZATION.
Obesity – preventing and managing the global epidemic. Geneva: WHO,
1998. (Report of a WHO Consultation on Obesity).
 

Por Luciana O. P. Lancha às 08h20

Retirado de http://nutritips.blog.uol.com.br/arch2010-04-18_2010-04-24.html#2010_04-20_09_20_33-144488267-0

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