Don't Worry Be Happy!!!

Os melhores Cafés do Brasil


Grãos que a cada ano apresentam complexidades
diferentes, sabores inéditos e que têm em comum a qualidade e o título
de excelentes. Depois de cuidadosamente colhidos maduros, processados e
beneficiados num trabalho artesanal, estes cafés ganham o Brasil e,
principalmente, o mundo

Texto Mariana Proença FOTOGRAFIA Rogério Voltan

Apaixonados
por café sempre buscam a resposta para uma mesma pergunta: qual é o
melhor? Somos apreciadores ávidos por encontrar o sabor mais gostoso, o
doce mais doce, a acidez mais marcante e o café mais complexo. Mas
será que esta pergunta tem uma única resposta? A busca pelo melhor café
do mundo é, na verdade, por aquele de que você mais gosta, que lhe dá
prazer, que lhe remete a uma experiência inesquecível.

Toda esta atmosfera que envolve o
café é que o faz tão requisitado. O aroma inconfundível invade todos
os ambientes e degustar a bebida passa a ser um ritual diário
prazeroso. Por isso, cada vez mais os apreciadores querem conhecer a
origem do produto, a forma como ele é cultivado, onde ele nasceu, o
melhor preparo para extrair todas as qualidades e até como fazer para,
daquela matéria-prima, resultar a deliciosa bebida em cima da mesa do
café da manhã.

No café estas respostas são
cheias de detalhes, complexas etapas e caminhos diversos. E como em
qualquer produto, há diferentes qualidades e cuidados. No Brasil há uma
fartura do grão e, como tudo que temos em abundância, demoramos para
perceber o valor que se pode ter pela qualidade e não só pela
quantidade.

ALTA
VALORIZAÇÃO NO EXTERIOR

Há dez anos surgia então o
Concurso de Qualidade Cafés do Brasil para incentivar produtores
nacionais a enviar lotes de cafés especiais para passar pelo rígido
crivo e seleção de provadores de todo o mundo – brasileiros, japoneses,
norte-americanos, chineses e europeus. O prêmio é internacional, leva o
nome de Cup of Excellence, e realiza-se em outros oito países
produtores: Nicarágua, El Salvador, Honduras, Guatemala, Ruanda,
Colômbia, Bolívia e Costa Rica.

No Brasil a hegemonia da compra dos lotes sempre ficou
entre japoneses, europeus e norte-americanos. E é um dos motivos pelos
quais a maioria das pessoas sabe que o melhor café não fica no Brasil.
Isto é verdade quando se trata de concursos internacionais como este,
mas esta realidade vem mudando há alguns anos. Os produtores e
torrefadores perceberam que o mercado interno
cresce a cada ano e que o consumo de café
no Brasil está próximo aos 98% da população. Ou seja, mesmo quem não
toma café, tem alguém em casa que consome e a quem pode presentear com
um grão diferenciado.

Nas cafeterias e restaurantes a
teoria é a mesma. Quem não toma café, acompanha quem bebe. O ambiente, a
atmosfera do lugar e o atendimento atraem até os que não apreciam a
bebida. Portanto, conhecer mais sobre o produto é o próximo passo para
agregar valor ao que se consome.

Anos-luz na frente do Brasil, os
Estados Unidos e a Europa já compram os cafés daqui para blendar com
outros grãos de origens diversas ou ainda para vender os cafés
nacionais com alto valor agregado. Os campeões nacionais chegam lá fora
com preços altíssimos e são valorizados principalmente pelos
"garimpeiros" japoneses, que ano a ano visitam as fazendas nacionais e
levam o que encontram de melhor naquela safra.

"JARDINS DE CAFÉ"

Neste ano, dois brasileiros
também investiram na compra dos grãos premiados e é possível prová-los
no Brasil. Mais uma vez a disputa pelos primeiros lugares foi grande. O
leilão, realizado em janeiro, obteve a média de R$ 1.713,87 a saca.
Como comparativo, na mesma data, a cotação para cafés de qualidade
estava em R$ 283,13 a saca.

Uma das compradoras dos cafés do
leilão foi Geórgia Franco de Souza, proprietária da cafeteria Lucca
Cafés Especiais, com matriz em Curitiba (PR) e franquias em Salvador
(BA). Ela adquiriu caixas de 34,5 kg, de quatro fazendas diferentes,
por intermédio do consórcio de compradores. Com o objetivo de servir a
seus clientes edições limitadas, ela planeja preparar o café no método
coado e desenvolver também blends com os grãos do quinto e sétimo
lugares, das propriedades Chácara São Judas Tadeu e Fazenda Passagem
Funda, ambas de Piatã, na região da Chapada Diamantina, na Bahia. Por
elas, pagou por volta de R$ 6.000,00, em 207 kg, valor seis vezes maior
que a cotação de cafés de qualidade no mercado nacional.

Geórgia esteve na cidade
baiana meses antes para conhecer a produção e ficou encantada com o
cuidado dos cafeicultores: "Apesar da falta de recursos eles cultivam
com muito capricho e de forma artesanal. É um grande mérito". A
empresária ficou também impressionada com as pequenas produções e com o
solo arenoso: "Os cafezais parecem jardins e brinquei com eles
perguntando se não batizavam cada pé de café com um nome", conta.

Além dessas duas fazendas,
Geórgia também adquiriu caixas de outras duas propriedades, a Fazenda
Cafundó, de Piatã, e a Fazenda Samambaia, em Santo Antonio do Amparo,
Sul de Minas. Ambas foram bem classificadas para a fase internacional
do concurso, com notas acima de 80 pontos, mas não ficaram entre os
primeiros colocados.

A CHAVE: O PALADAR APURADO

Do Sul para o Sudeste,
encontramos mais um brasileiro que investiu nos cafés nacionais e
adquiriu sete caixas do décimo colocado. José Eli Ferrari é
proprietário da carioca Proud Comércio de Cafés, que industrializa
cafés de qualidade e tem marcas próprias como o Café Danza, que desde
2009 apresenta a edição limitada Cup of Excellence. "Participo do
concurso há alguns anos como provador e posso afirmar o quanto este
evento tem melhorado nossos cafés. Só assim conseguiremos mudar o
perfil do consumidor, mostrando a eles produtos da mais alta qualidade
preparados em nossas lavouras, que na verdade acabam indo para fora em
busca de paladares mais exigentes."

Para levar o café de qualidade
aos brasileiros, José Eli lança embalagens especiais com os grãos da
Fazenda Córrego Seco, em Piatã (BA), de 250 g, 500 g e 1 kg, pelo valor
de R$ 82,00 o quilo. Mas também comercializa os grãos no Rio de
Janeiro com cafeterias e restaurantes que vendem a xícara do espresso
premiado a preços entre R$ 6,00 e R$ 8,00. O lucro dos estabelecimentos
é de mais de 500%, mas para isso é preciso treinar baristas da casa
para o preparo correto das bebidas.

Todo este cuidado até a ponta
proporciona um café de excelente qualidade aos consumidores. Que, por
sua vez, tornam-se apreciadores mais exigentes e com paladar apurado. O
café com maior valor é sinal de que, a médio prazo, poderia haver um
mercado interno para manter nossos melhores cafés no País. E a nós
consumidores cabe exigir a qualidade no produto final para nivelar por
cima este produto tão brasileiro, tão saboroso e tão complexo. Só assim
descobriremos qual é o nosso melhor café. Vale a experiência.

Para visualizar os ganhadores acesse: http://revistaespresso.uol.com.br/Edicoes/27/artigo163424-4.asp

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