Don't Worry Be Happy!!!

Pais tomam atitudes equivocadas na educação dos filhos – Pesquisa mostra que pais de filhos adolescentes não conciliam discurso de boa educação com suas intervenções

Educação
Pais
tomam atitudes equivocadas na educação dos filhos

Pesquisa mostra que pais de filhos
adolescentes não conciliam discurso de boa educação com suas
intervenções


Agência USP

Pesquisa feita com 860 pais evidencia a diferença entre as
concepções educativas e as intervenções concretas deles sobre seus
filhos adolescentes. "Apesar de os pais valorizarem o diálogo, 69,7%
deles afirmaram que concordam em punir fisicamente o seu filho caso ele
faça algo muito errado", revela Luciana Maria Caetano, professora do
curso de pedagogia da Universidade São Francisco e responsável pela
pesquisa.

O trabalho de Luciana faz parte de sua tese de doutorado defendida no
Instituto de Psicologia (IP) da USP e mostra, por meio das respostas
dos pais a questionários, as contradições na forma que eles educam seus
filhos: "No discurso, eles (os pais) se preocupam em ensinar o respeito
mútuo, a importância do diálogo, a arcar com as conseqüências.
Entretanto, nas atitudes concretas aparecem as dificuldades."

No caso de bater nos filhos, Luciana lembra que os pais,  com essa
atitude, estão ferindo a integridade física e psicológica dos jovens.
Ela comenta que esse tipo de punição ensina aos adolescentes uma justiça
retributiva.  "Por esse conceito de
justiça, os pais passam um modelo de resolução de conflitos fundamentado
na violência ou troca, ou seja, os filhos pagam por aquilo que fazem.
Bateu no irmão? Então será punido da mesma forma. Essa atitude se vê,
por exemplo, no trânsito, quando um motorista é fechado por outro e
tenta compensar tentando passá-lo depois."

Segundo Luciana, o modelo ideal de justiça é a distributiva, que
considera as condições de cada filho, com suas necessidades, suas
características e suas dificuldades.

Autonomia
Além de justiça, a pesquisa analisou o
que os pais pensam da obediência, respeito e autonomia na relação com os
filhos. Sobre autonomia, o questionário mediu o grau de importância que
os pais dão a essa concepção na educação e a participação deles na
construção da autonomia moral dos filhos na adolescência.

Mais uma vez, os pais deram respostas contraditórias. Por um lado,
eles consideram importante que o filho seja autônomo e apoiam questões
como dar oportunidade de escolhas aos filhos, incentivar que estes
tenham suas opiniões e que arquem com as consequências de seus atos. Em
contrapartida, ao julgarem o ideal de como devem ser as relações de
respeito com os seus filhos, 84% concordam que um pai nunca deve confiar
no filho e 57,9% concordam que os pais devem dar palpite em tudo o que o
filho faz.

Outro aspecto enfatizado por Luciana é a utilização da barganha pelos
pais para que seus filhos os obedeçam. O recurso serve como uma espécie
de troca entre pai e filho. "Podemos citar como
exemplo o caso de um filho que não quer fazer lição e os pais fazem uma
troca, cortando o acesso dele à internet. O problema é que o jovem não
aprenderá porquê ele deve fazer a lição e se adequará as oportunidades
da barganha. Adolescentes que só fazem coisas por trocas futuramente não
compreenderão as razões e princípios das regras."

Luciana ainda ressalta a importância de se construir uma
reciprocidade moral nas relações familiares, o que implica em relações
de respeito mútuo, cooperação e confiança. "Para isso, os pais precisam
ser fonte de boas regras e exemplo para os filhos. Obedecer à autoridade
por medo ou por culpa não favorece a construção da autonomia. O
autônomo é aquele que age bem com liberdade de escolhas", conclui.

Amostra
A pesquisa abordou pais (20,6%) e mães
(79,4%) de adolescentes com idades entre 12 e 20 anos. Havia
participantes de cada uma das cinco regiões do País (42,8% do Sudeste,
20,2% do Nordeste, 16,5% do Centro-Oeste, 11% do Norte, e 9,3% do Sul).

A amostra com os pais foi realizada no ambiente escolar (54,8% na
escola pública e 45% na privada), de diferentes condições econômicas.

Na pesquisa, os participantes tinham de responder a um questionário
em que atribuíram notas de 1 a 7, as quais variavam de opções com as
quais eles discordaram totalmente e aquelas com as quais eles
concordaram totalmente.

Retirado de http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/0/pais-tomam-atitudes-equivocadas-na-educacao-dos-filhos-175607-1.asp

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s