Don't Worry Be Happy!!!

Autorização para matança indiscriminada de baleias – consumindo o planeta terra – Reunião para pôr fim à caça de baleias termina sem acordo; só pressão da opinião pública pode resolver impasse

Crônica de um fracasso ambiental

Reunião para pôr fim à caça de baleias termina sem acordo; só pressão da opinião pública pode resolver impasse

28 de julho de 2010 | 0h 00
Karina Ninni – O Estado de S.Paulo

 

Em 1960, russos abateram 4.046 baleias-jubarte. Foto: Instituto Baleia Jubarte/Divulgação

Sete meses depois da Conferência do Clima de Copenhague, outra
reunião global para tratar de questões ambientais terminou em fracasso.
No fim do mês passado, 74 dos 88 países membros da Comissão
Internacional da Baleia (CIB) reuniram-se em Agadir, no Marrocos, para
tentar pôr um fim à caça dos mamíferos. Apesar da ampla maioria, foram
derrotados por um grupo encabeçado por Japão, Noruega e Islândia. Agora,
embora o fracasso de Agadir tenha tido pouca repercussão, dez entre dez
especialistas acreditam que só a opinião pública mundial pode forçar
uma solução para o impasse: a hora é de pressão política e econômica
internacional.  

Veja também:  

Raio-x da baleia-jubarte

Calcula-se que todo ano sejam caçadas no planeta cerca de 1.900
baleias, de várias espécies. Os grandes responsáveis por isso são
baleeiros japoneses, noruegueses e islandeses. O curioso é que a prática
está banida por uma moratória instituída pela CIB em 1986. Os países
que a mantêm se valem de um artifício: a caça para fins científicos é
permitida pela Convenção Internacional para Regulação da Atividade
Baleeira, de 1946.

Vários países já denunciaram o programa de "caça científica" do Japão
como mera fachada para a atividade baleeira comercial. Apesar disso, os
japoneses continuam a praticá-la, até mesmo no Santuário Baleeiro do
Oceano Austral. Por conta disso, a Austrália acionou o país na Corte
Internacional de Haia.

"Os países conservacionistas têm de fazer pressão política sobre o
Japão. O país será sede da Convenção de Diversidade Biológica em outubro
e se comprometeu com a biodiversidade global. O mundo tem de fazer o
Japão perceber que não pode apoiar a biodiversidade de um lado e caçar
baleias de outro", afirma Susan Lieberman, dirigente do Programação de
Conservação de Baleias da fundação americana Pew Charitable Trusts. "Os
japoneses podem estar legalmente aptos a fazer a caça científica, mas
isso não significa que seja correto, ou realmente científico. Eles
deveriam parar com todo tipo de caça, principalmente no Santuário
Austral."

Além de manter seu programa "científico", o Japão é o principal
destino dos produtos derivados das baleias caçadas pela Islândia. Em
2009, a Islândia exportou 372 toneladas de carne de baleia da espécie
fin ? um aumento substancial em relação às 80 toneladas de 2008 ?, o que
rendeu ao país US$ 6,4 milhões.

A parceria entre islandeses e japoneses, no entanto, corre risco. A
Islândia está sendo pressionada pelo Parlamento Europeu a escolher entre
a vaga que pleiteia na União Europeia e a manutenção da caça às
baleias.

"A resolução do Parlamento deixou claro que a Islândia não poderá
negociar o acesso à Comunidade Europeia apenas com base no compromisso
de reduzir o número de baleias caçadas", diz Arni Finnsson, presidente
da Associação para a Preservação da Natureza na Islândia. "Está claro
que a caça às baleias e a entrada para a União Europeia não são temas
conciliáveis."

Retrocesso. Como a CIB está longe do status do Parlamento Europeu e
não tem poder de sanção, os países caçadores saíram de Agadir com o
arpão e o queijo na mão. "Se a CIB pudesse punir, essas nações não
fariam parte dela", diz Ana Paula Prates, gerente de Biodiversidade
Aquática e Recursos Pesqueiros do Ministério do Meio Ambiente e
integrante da delegação brasileira na CIB.

Ana afirma que, apesar do fracasso do encontro no Marrocos, o
resultado poderia ter sido ainda pior. "Acabou sendo menos ruim não
aceitar a proposta que estava na mesa. A ideia no início era manter a
moratória, mas regularizar a caça nos três países que ainda insistem
nela, estipulando cotas de acordo com as bases do Comitê Científico da
CIB", explica Ana Paula. "Em contrapartida, queríamos que o Japão
deixasse de caçar no Santuário e pretendíamos controlar suas cotas. Como
eles não abriram mão, desistimos."

A estratégia da CIB diante do impasse foi adiar as discussões sobre a
caça. Mas a comissão já começa a pagar um preço pela tolerância com a
atividade. Países que sempre respeitaram a moratória, como a Coreia,
manifestaram oficialmente em Agadir interesse na caça comercial.

Coincidência ou não, a Coreia registra altos índices de "caça
acidental" ? alega que os seus pesqueiros acabam capturando baleias com
redes usadas para pegar peixes. Aliás, o número de restaurantes que
servem carne de baleia na Coreia já chega a cem, igual ao da Islândia

"O risco era esse: não conseguir um acordo e deixar para os outros
países o recado de que tudo pode acontecer"", afirma Susan, citando
China e Rússia como potenciais problemas. Os russos, por exemplo, já
foram grandes caçadores. Abateram 4.046 jubartes num único ano, 1960,
nas Ilhas Geórgias do Sul.

A reunião ocorreu em meio a denúncias de que delegados japoneses
compraram votos de países-ilha no Pacífico e de nações africanas ? que
já tinham sido feitas no documentário The Cove, vencedor do Oscar deste
ano. Apesar de comentados nos bastidores, os rumores não foram
discutidos no plenário.

"O Japão já admitiu que paga a outras nações para que participem de
conferências", diz Susan. "Não há nada errado nisso, contanto que não
seja uma forma de barganha. Mas alguns países acusados de receber
dinheiro em troca de votos abriram processo de investigação interna."

Retirado de http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100728/not_imp586949,0.php

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s