Don't Worry Be Happy!!!

Espelho espelho meu, existe alguém mais verdadeiro do que Eu?

Espelho espelho meu, existe alguém mais verdadeiro do que Eu?

Quem consegue se observar a partir de múltiplos pontos de vistas?

Quase nunca percebemos que existem múltiplas possibilidades, mas quase sempre reduzimos a uma.

Basta uma para nos enclausurarmos em nossas convicções, nossas verdades inabaláveis.

Quando o Eu, persona, máscara, personagem se aprisiona em um único papel nos tornamos repetitivos.

E repetindo seguimos reproduzindo aquilo que acreditamos piamente ser verdadeiro.

Uma espécie de enclausuramento da mente em alguma dimensão limitada por inter-relações entre x, y e z.

O discernimento é artigo de luxo na atualidade, pois quando muito temos uma vaga noção do que escolhemos.

Fazemos escolhas pautados por noção distorcidas, limitadas, ambíguas até contraditórias.

Nos tornamos seres autômatos de um certo ponto de vista, pois a reflexão profunda se ausenta.

Espécie de robozinhos que reproduzem o que o senso comum dita como verdadeiro.

Mas se preferir também podemos nos alienar do ponto de vista filosófico, metafísico.

São infinitas as formas de aprisionamentos limitações.

Muitas vezes ouvimos o outro e nos tornamos solidários com seus pensamentos, desejos, escolhas.

Uma espécie de compartilhamento que também pode levar a alienação, repetição.

Na maioria dos casos é isso que acontece, pois é assim que “as verdades” surgem na mentalidade coletiva.

No ato de compartilhar vivenciamos o singular e o coletivo simultaneamente.

Possibilidade de abertura para a alteridade, o outro.

Convergências e divergências se alternando.

Mas o fundamental é reconhecer o outro como um distinto de nós mesmos, mas idêntico.

Idêntico pelas estruturas que nos compõem, pois somos humanos, no entanto, cada um com suas singularidades.

Querer reduzir o outro de acordo com o que apreendo sobre ele é uma limitação da percepção.

Imputar ao outro formatos advindos da minha percepção é outra limitação.

Libertar o outro das agarras geradas pela minha percepção é uma árdua tarefa, poucos se atrevem.

Pois dessa forma, tenho que me desvencilhar de mim mesmo para buscar apreender o outro em sua singularidade.

Não mais a partir de um único ponto de vista, mas de uma multiplicidade de pontos de vistas.

No entanto, quando olho o outro projeto nele minhas angústias, desejos, inquietações, sensações, emoções, idéias, entre outros.

O outro funciona como espelho no qual projeto minhas imagens nele.

Nesse contexto, formato sua presença como algo ao mesmo tempo estranho e correlato a mim.

E muitas vezes atribuo ao outro aquilo que estou expressando, pois ele está sendo imagem de mim mesmo.

Não o vejo, não apreendo ele nos pormenores, mas atribuo a ele uma forma que vem de mim, que estou projetando.

Dessa forma, anulo sua presença em função daquilo que me convém, daquilo que desejo que ele seja.

Há uma multiplicidade de projeções, mas as que predominam são as sombras, aquilo que é indesejável em mim.

Pois assim crio uma zona de conforto imputando ao outro a responsabilidade daquilo que não reconheço em mim.

O interessante é que quando projetamos no outro nossas próprias sombras estamos alienados de si mesmos.

Dificilmente percebemos nossas projeções na alteridade, pois a mente é brilhante.

Tem um profundo senso de humor e astucia para se auto-iludir, construir brilhantes e inabaláveis fortalezas.

Om Gam Ganapataye Namah!!!

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