Don't Worry Be Happy!!!

Competição exarcebada!!

Giles (1975, p. 16), explorando as idéias de Max Scheler, diz que o pensamento burguês é caracterizado principalmente por uma certa disposição em se medir e comparar os valores (morais e econômicos) e qualidades manifestadas pelos sujeitos.

 O burguês é obcecado pelos outros, ou melhor, é através deles que ele se descobre e se percebe a si mesmo. No homem vulgar a estrutura ‘relação do valor próprio com o valor do outro’ torna-se a condição seletiva de sua apreensão dos valores em geral. […] Assim ele não vê nos bens e nos valores objetos capazes de satisfazer o desejo e, sim, a ocasião de uma luta para conseguir prestígio.

            Guerrieri (2002, p. 52), ao fazer uma discussão sobre a sociedade capitalista, diz que

o eixo central da racionalidade burguesa, que é o princípio determinante das relações entre os seres humanos e entre estes e a natureza, é a troca. […] O tipo de troca que caracteriza essa racionalidade não é a troca solidária e complementaria, mas sim a troca interesseira e individualista que visa a obtenção de vantagens apenas para um dos lados (troca competitiva).

A racionalidade burguesa tem suas raízes teóricas ancoradas no liberalismo representado por John Locke, Adam Smith e Augusto Comte, entre outros. O pensamento liberal determina que o indivíduo é responsável por sua autonomia. Cada sujeito deve lutar (competir com o outro) com suas próprias forças (meios) pela conquista de um espaço na sociedade. Esse pensamento deu origem ao “individualismo”, que é outro conceito inerente à estrutura da burguesia.

Hoje, vivemos sob a égide do neoliberalismo, uma espécie de racionalidade, excessivamente competitiva e excludente, segundo a qual o mercado seria responsável pelo controle de todas as trocas realizadas entre os indivíduos na sociedade.

A troca competitiva, que, inicialmente, estava inserida apenas nas relações econômicas (mercantilismo), passou a ser incorporada em todas as instâncias da vida. Portanto, essa lógica competitiva tornou-se uma espécie de lei que rege todas as atividades humanas e engendra todo tipo de discurso, tornando-se um referencial inabalável na atual sociedade capitalista. Inclusive as relações afetivas tornaram-se competitivas, pois emergem a partir dessa lógica excludente.

A idéia de obter vantagem sobre o outro está inserida na troca competitiva. Para alcançar a vitória (lucro), os indivíduos utilizam diversas táticas, mesmo sabendo que, para isso, terão que subjugar outras pessoas. A lógica da competição é, portanto excludente, pois privilegia os que possuem os melhores rendimentos, as mais altas taxas de produtividade, os que detém o poder, em detrimento dos que não conseguem atingir tais metas, ou objetivos, ou mesmo aqueles que não estão dispostos a levar a competição ao extremo.

A competição também é vista como forma de obter prestígio e status, pois a imagem de vencedor é valorizada na nossa sociedade. Podemos citar os atletas que constroem essa imagem a partir das conquistas realizadas no âmbito esportivo.

A competição está presente nos esportes tradicionais (futebol, voleibol, basquetebol, ginástica, entre outros) e nas corridas de aventura, porém, ultrapassando os aspectos competitivos, as corridas de aventura apresentam determinadas características que possibilitam um processo de interação entre os indivíduos que compartilham determinados espaços para a prática dessas atividades.

Retirado de http://www.scribd.com/doc/49776751/CORRIDAS-DE-AVENTURA-CRIANDO-NOVOS-ESPACOS-PARA-A-SOCIABILIZACAO-E-A-INTERACAO-ENTRE-OS-INDIVIDUOS

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